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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mystère: Uma Amizade Especial, na Netflix

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Inspirado numa história real, este filme mostra uma criança traumatizada pela perda da mãe tendo, inclusive, deixado de falar, que vai mudar a partir do momento em que conhece, e passa a cuidar de uma cria de lobo - o Mystère - que lhe é oferecida por um senhor da montanha.

 

É uma história que apela à lágrima, pela ligação entre Victoria e Mystère, pela amizade e amor incondicional que, a determinado momento, podem colocar a vida da menina em risco.

Mas Victoria vai lutar pelo seu amigo até às últimas consequências.

E, verdade seja dita, quem consegue resistir àquele lobito tão fofo, que depressa cresce e se torna igualmente lindo?!

 

Em Cantal, uma região de montanha onde os residentes criam os rebanhos que, no fundo, são a sua vida e o seu sustento, os lobos são uma ameaça, e um alvo a abater.

A revolta dos moradores que, volta e meia, perdem animais, atacados pelos lobos, é tal, que não olham a meios, para atingir os fins.

Por outro lado, há uma certa política de preservação dos lobos que os permite andar por ali e, como tal, sujeitos aos perigos de pessoas dispostas a aniquilá-los.

Uma coisa é certa, parece não haver um entendimento quanto a uma coexistência pacífica entre uns e outros.

E não se trata apenas de ter prejuízo. É mesmo obcessão, teimosia, atrevo-me até a dizer que, em algumas pessoas, mau carácter.

 

Mas ainda há pessoas que se preocupam com os lobos. Que os tentam proteger.

Uma dessa pessoas, é Anna, que tentará encontrar uma reserva natural para Mystère, onde ele possa viver tranquilamente.

O único problema, é separá-lo de Victoria, e o sofrimento que essa separação causará em ambos.

Logo agora que ela estava a recuperar de uma perda. E que ele tinha encontrado uma família.

 

Conseguirão eles ficar juntos?

Conseguirão eles sobreviver à distância que os separa?

Que destino lhes estará reservado?

 

"Mystère: Uma Amizade Especial" é um filme pequeno, que se vê bem, ideal para quem gosta de animais.

A título de curiosidade, as cenas do filme foram filmadas com uma alcateia verdadeira de 7 lobos, e a actriz que interpreta Victoria teve um treino especial, para aprender a conviver e lidar com as crias e com os lobos adultos, de forma a que as cenas fossem o mais verdadeiras possível.

 

Família

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Família...
Família, é união.
É o nosso pilar. A nossa base, e porto seguro.
É estarmos lá uns para os outros.
É estarmos presentes, ainda que ausentes.
É agarrarmos a mão e puxarmo-nos, uns aos outros, e uns pelos outros, quando mais precisamos.
É partilhar alegrias, amparar as tristezas, viver, juntos, momentos simples mas que ficam para sempre.
Família não é dinheiro. Não são prendas. Não são interesses, nem segundas intenções.
Família é amor. É dádiva. É darmo-nos, e entregarmo-nos, de coração.
Família é algo que até se pode ver por fora, mas que apenas se sente por dentro.
E eu...
Eu sinto que tenho a melhor família que poderia desejar e que, enquanto nos tivermos, uns aos outros, encontraremos sempre uma forma de estarmos/ ficarmos bem!

Daquelas notícias que nos chocam

Vetores de Vetor Popart Mulher Chocada Com A Boca Aberta Wow Mensagem De  Quadrinhos e mais imagens de Estilo retrô - iStock

 

Ontem deparei-me com uma notícia de um homem que matou a avó à facada.

Isto aconteceu muito perto da minha casa.

E a avó, tal como a mãe, do alegado assassino, são pessoas que conheço há muitos anos. 

Não sei o que passa na cabeça de alguém que mata a sua própria família.

Dinheiro? Drogas? Álcool?

 

A minha família não é grande. 

E a base, está muito concentrada. Poucos, mas bons, como se costuma dizer.

Olho para a minha filha, e para os meus sobrinhos, e amam os avós. Querem o bem deles. 

A minha filha, que está aqui mais perto, e foi criada desde pequena com os avós, está sempre preocupada com o avô. Volta e meia, quer ir lá fazer-lhe companhia, para não estar sozinho.

 

Isto é o normal.

É assim que deveria ser.

E mesmo que estejam mais afastados, que não haja grandes sentimentos, nem grande convivência, ainda assim é um passo gigante para querer matar alguém que, afinal, é família.

Simplesmente, não compreendo, porque tenho a sorte de ter uma família unida, que se cuida, que se ama, e onde um acto destes seria impensável.

 

 

O Hábito do Amor, de Teresa Caetano

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A autora Teresa Caetano tem vindo a tornar-se uma presença assídua entre as minhas leituras e, desta vez, tive o privilégio de receber, de presente, uma das suas obras - "O Hábito do Amor", que desde já agradeço.

E, como não poderia deixar de ser, partilho agora a minha opinião sobre o mesmo que, como o próprio nome sugere, é um romance.

 

Aliás, com o título do livro, surge-me logo uma questão no que respeita ao amor - será este um "hábito"?

Algo que, a partir do momento em que é sentido a primeira vez, passa a habitar em nós de forma natural, tranformando-o num hábito como tantos outros que vamos adquirindo ao longo da vida?

Devemo-nos nós "habituar" a amar? Ou, pelo contrário, deixar que o amor surja de forma inesperada, e se manifeste sem contarmos com ele? 

A verdade é que para Beatriz, amar, seja o que, ou quem for, está tão arreigado na sua essência, que quase se torna um hábito. E, confesso, irrita-me um pouco! 

Porque ela parece espalhar apenas amor e bons sentimentos, e agradecer por tudo o que tem e lhe foi permitido viver, mesmo que tenha todos os motivos do mundo para estar contra a vida.

E ninguém (ou quase ninguém) é assim. Até mesmo a pessoa mais positiva e grata, tem os seus momentos de revolta.

 

Mas, voltando ao título, se o amor é, verdadeiramente, um hábito, será um bom hábito ou um mau hábito?

Será algo que nos faz bem, e que não devemos perder? Ou um vício, que nos leva a percorrer caminhos que não devemos, e que poderá trazer-nos dissabores?

Hábito ou não, bom ou mau, a verdade é que Beatriz e Rodrigo se apaixonam, e fazem promessas de amor eterno.

Mais uma vez, a minha veia céptica tende a não compreender um amor que nasce assim, "à primeira vista", em meros segundos. Aquela ligação que ambos sentem, de que já se conhecem de outras vidas, e que estavam destinados um ao outro. Que ainda mal falaram e já estão apaixonados. Que ainda mal se conhecem, e já se amam.

Penso que nos é dado a conhecer um amor tão ingénuo, tão puro, tão inocente, tal como a personalidade de Beatriz, que parece mais um amor de contos de fadas, do que real. Tal como as personagens que lhe dão vida.

Faz lembrar aquelas histórias em que acreditávamos quando éramos adolescentes, de que tudo era um mar de rosas, e tudo iria dar certo, apenas porque se amavam e que, hoje, já não reconhecemos porque a vida nos ensinou que as coisas não funcionam assim. Ou é muito raro isso acontecer.

 

Por outro lado, o amor manifesta-se de várias formas, e entre várias pessoas, nomeadamente, entre irmãos.

É o que acontece entre Rodrigo e Daniel, uma relação na qual acredito mais, e que encaro como mais aproximada à realidade.

Rodrigo é quase como um pai para o seu irmão mais novo, e tudo fará para o ver feliz. Sobretudo depois do acidente que o atira para uma cadeira de rodas.

Da mesma forma que um pai, ou uma mãe, fariam, por amor aos filhos. Ou talvez não...

 

E o que dizer do amor entre avós e netos, aqui tão bem representada por Beatriz e pelo avô Manuel?

Que me fez logo lembrar a relação da minha filha com o seu avô, também ele Manuel.

São pessoas simples, mas honestas, trabalhadoras, com princípios que transmitiram à sua neta, e ensinamentos, para que ela enfrentasse as dificuldades, e se tornasse na mulher que é hoje.

 

No entanto, por vezes, o amor é uma vítima de si próprio.

Por vezes, por amor, fazemos coisas que nos levam a perder o amor.

Por amor a uns, perdemos outros. E perdemo-nos a nós próprios.

Sim, por vezes o amor também é confuso. 

 

Ainda assim, mais do que sobre amor, diria que este livro nos fala de sentimentos antagónicos, mas que se complementam.

Por um lado, a resiliência. Por outro, a vulnerabilidade.

Por um lado, a aceitação. Por outro, o nunca deixar de se lutar.

Por um lado, abdicar. Por outro, guardar.

Por um lado, esquecer. Por outro, recordar.

Por um lado, seguir em frente. Por outro, estar-se, inevitavelmente, ligado ao passado.

Por um lado, partir. Por outro, ficar.

Por um lado, amar os outros. Por outro, amar-se a si próprio.

 

No fundo, o amor tem um pouco de tudo isto.

Só temos que saber dosear nos momentos certos, e na quantidade certa.

 

 

E como um "conto de fadas" que se preze tem que ter "vilões", eles também existem nesta história de amor, ainda que até os próprios sejam caracterizados de forma não muito vilanesca.

Ah, e como não podia deixar de ser, para dar um toque ainda mais mágico, a maior parte da história é passada na Ilha do Faial, nos Açores, por entre o mar, os verdes prados, as flores e os animais.

 

Será o cenário perfeito, para a história de amor perfeita?

Talvez...

Mas como eu não acredito na perfeição, prefiro um amor que sobreviva no meio de todas as imperfeições que for encontrando no seu caminho. E se não acontecer, é porque não tinha que ser.

E, talvez, não fosse amor. Ou até fosse, mas não chegasse...

 

 

 

 

 

 

 

Sinopse

"Beatriz e Rodrigo vivem uma paixão secreta, que tem como cenário a beleza natural da ilha do Faial, nos Açores. Ela vive com os avós numa pequena quinta daquela ilha e ele mora na cidade de Lisboa. Apesar de terem um oceano a separá-los, o destino faz com que as suas vidas se cruzem.

Uma história de amor apaixonante e intensa, revelando que um sentimento verdadeiro nunca se esquece, vivendo para sempre no coração de quem ama.

A saudade, a esperança, a desilusão e a capacidade de amar à distância serão sentimentos bem presentes ao longo deste livro.

As cartas de amor alimentam o sonho e fazem com que as palavras escritas sejam decisivas no rumo do enredo.

Poderá Beatriz – uma mulher romântica e com uma forte ligação à natureza – derrubar os muros que se vão erguendo ao longo da sua vida?

E Rodrigo – um político de sucesso – conseguirá cumprir a promessa de um amor eterno?"

 

"Lobo Solitário", de Jodi Picoult

Lobo Solitário

 

Um pai...

Dois filhos...

Um deles quer manter o pai vivo. O outro, nem por isso.

Duas motivações diferentes. Duas perspectivas diferentes. Duas decisões contrárias.

Nesta história, nenhuma está certa ou errada.  Ambas estão certas. E ambas estão erradas.

E as decisões que tomam, tomam-nas pelas razões certas, e pelas erradas.

Porque, quando se tomam decisões que dizem respeito a terceiros, é mais fácil pensar naquilo que nós próprios queremos, e em como as mesmas nos afectarão, do que pensar naquilo que esses terceiros desejariam, e em como eles se sentiriam.

Se deixássemos de pensar em nós, e pensássemos apenas na pessoa que é a principal visada e interessada, talvez as decisões fossem mais acertadas, e menos difíceis de tomar.

Mas o ser humano é egoísta por natureza. E é com base nesse "egoísmo", que teima em justificar as suas acções e decisões, pelo fim a que as mesmas levariam e que, para ele, é o único fim possível.

No entanto, pior ainda que agir, ou decidir, é optar por não fazê-lo, esperando que outro o faça por si.

Deixar uma qualquer decisão nas mãos de outra pessoa retira, a quem não a quer tomar, a responsabilidade e o peso que a mesma acarretaria, ao mesmo tempo que lhe concede o argumento necessário para culpar quem a tomou por si, ou em nome dos dois.

É uma atitude cobarde. Mas, tantas vezes posta, em prática...

 

Uma mãe...

Dois filhos...

Um que fugiu de casa há seis anos, sem ela saber bem porquê, e que não vê desde então. Outro que preferiu ir morar com o pai, com quem se sentia bem.

E que, agora, regressam, ao mesmo tempo, pela mesma razão, para junto da mãe. Por força das circunstâncias. Embora cada um queira voltar à sua vida o mais depressa possível.

Dois filhos que a disputam entre si. Que procuram nela uma aliada. 

Dois filhos que precisam dela mais do que nunca mas, ajudando um, estará a afastar o outro.

Como provar que ama igualmente os dois?

 

Dois irmãos...

O reencontro após seis anos de ausência, traz com ele toda a mágoa, toda a recriminação, todo o ressentimento.

Se houve um dia em que foram companheiros, e amigos, hoje que estão em lados opostos.

Um, luta pela vida, ainda que essa possa não vir a existir da forma como gostaria. Uma vida sem dignidade. sem liberdade. Uma vida de dependência. Uma vida à espera da morte.

O outro, luta pelo direito a uma morte digna. Pela satisfação de um antigo desejo formulado pelo pai. Pelo salvamento de outras pessoas que ainda possam ter esperança numa vida melhor.

Pode alguém conviver diariamente com uma pessoa e, ainda assim, perceber que, ao contrário do que pensava, não a conhece minimamente?

Pode alguém ausente, ainda assim, conhecer mais uma pessoa que não vê há anos, do que aqueles que lhe são mais próximos?

 

Uma mulher...

Uma nova família, um novo recomeço. Um novo marido. Dois novos filhos.

E, quando tudo parecia perfeito, o passado volta a bater à porta. Como dividir-se em duas? Em quatro? Em cinco? Ou, até mesmo, em seis, sem deixar de ser ela própria? 

Como agradar a uns, sem desagradar a outros?

 

E os lobos...

Esses seres tão peculiares, que nos são dados a conhecer mais profundamente nesta história.

A forma como se organizam dentro da alcateia. Como protegem a sua família.

Como se guiam pelo instinto de sobrevivência, pelo sentido de responsabilidade, pelo dever.

A forma como ensinam as suas lições, como marcam as suas posições.

Como comunicam. Como sentem. Como reagem entre si, e como interagem com os humanos.

 

 

Adorei o livro, e estas foram algumas das frases que destaco desta leitura:

“Não importa o que fazes por alguém, não importa se lhe dás o biberão em bebé, ou se te enroscas com ele à noite para o manter quente, ou se lhe dás comida para que não tenha fome… Dá um passo errado na altura errada e tornas-te irreconhecível.”

 

“Podemos tirar o homem da natureza selvagem, mas não podemos tirar a natureza selvagem do homem.”

 

“Após dois anos a viver com os lobos, tinha-me esquecido da quantidade de mentiras que é precisa para construir um relacionamento. Há uma honestidade no mundo dos lobos que é libertadora. Mas aqui, entre os humanos, havia tantas meias-verdades e mentiras inofensivas que era demasiado difícil lembrar o que era real e o que não era.”