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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

E se não houvessem mais chumbos escolares?!

Portugal é um dos países com níveis mais elevados de reprovação escolar. Mas, será a reprovação escolar o caminho para uma melhor aprendizagem?

Quando a minha filha foi para o 4º ano, ganhou uma colega nova que, no ano anterior, tinha reprovado. Se isso fez com que essa dita colega melhorasse o seu desempenho escolar no ano seguinte? Talvez. Mas pouco. Ainda ficou mais um ano a frequentar (pela terceira vez), o quarto ano.

Não posso dizer que “desta água não beberei” (espero bem que não aconteça), porque nunca sabemos o dia de amanhã, mas o meu pensamento sempre foi o de que uma criança repetente tem obrigação de ter melhores notas e obter melhores resultados que no ano anterior, já que é a segunda vez que lhe está a ser explicada a matéria. Reprovar um ano, pode acontecer a qualquer um. Reprovar duas vezes no mesmo ano, já não é tão aceitável.

Seja como for, tendo em conta este exemplo, verificamos que as reprovações, como defende o Conselho Nacional da Educação, nem sempre promovem aprendizagem.

E nem sempre podemos imputar a culpa, exclusivamente, aos alunos. Existem vários factores de que dependem o sucesso ou o fracasso escolar. Como afirma o Dr. José Carvalho, licenciado em filosofia da educação, em todas as relações de ensino existem três elementos: aquele que ensina, aquele a quem se destina o ensino, e o que é ensinado.

Assim, não havendo evidências de melhoria na aprendizagem, mas sim vários estudos que indicam que os alunos retidos têm mais probabilidades de voltar a chumbar, e que estas reprovações podem levar ao abandono escolar, o Conselho Nacional da Educação recomenda substituir chumbos por apoios aos alunos.

Isto evitaria, por um lado, os custos elevados das reprovações e, por outro lado, a eliminação de situações de desigualdade social escolar.

Porque uma reprovação não implica só o reaprender ou consolidar os conhecimentos adquiridos no ano anterior. Implica uma mudança de turma, de professor, de colegas. Implica um estigma que lhe irá ficar, para sempre associado. Implica, de alguma forma, discriminação.

No entanto, não será a substituição das reprovações por apoios, uma forma de facilitismo? David Justino diz que não. Que a legislação já define que as repetições sejam um recurso de última instância e que a política de exigência não pode ser pretexto para reter alunos por qualquer coisa, como acontece hoje em dia em que até, a pedido dos pais, se retêm alunos no mesmo ano.

Ainda assim, será justo para todos os outros alunos que se esforçaram para ter um bom desempenho, ver que o seu esforço pouco vale? Que tanto faz ser um aluno de 5 como de 2, porque a aprovação está garantida?

Que critérios irão definir, ao certo, o que é considerado última instância? Merecerá um aluno que nada fez ao longo de um ano, ter passagem garantida? Merecerá um aluno que se esforçou mas, ainda assim, teve nota negativa a várias disciplinas, seguir em frente sujeito a apoios? E como se sentirão os alunos que trabalharam, que se esforçaram e que obtiveram excelentes resultados, com essa aparente igualdade?

 

 

Afinal é melhor não poupar...

 

Sempre fui uma pessoa muito dada a poupar sempre que posso, a pensar em alguma eventualidade que surja e, principalmente, no futuro da minha filha.

Mas parece que, para determinados efeitos, o ideal seria não poupar.

Afinal, se uma pessoa tem poupanças é porque vive bem e o dinheiro lhe chega, logo não precisa de mais.

Assim sendo, talvez seja melhor proceder rapidamente à "matança do porco"!

 

 

 

Sobre a polémica do eventual cheque-ensino

 

Já temos a iniciativa do cheque-dentista, para as crianças que frequentam o primeiro ciclo do ensino básico. E é com esse cheque que muitas famílias levam, pela primeira vez, os seus filhos ao dentista. Porque ir ao dentista, infelizmente, é considerado um luxo e pouco prioritário face a outras necessidades mais básicas e mais urgentes e, assim, há que aproveitar esta oportunidade, ainda que seja tripartida, e não abranja todo o tipo de situações.

 

Agora, imaginemos que temos que ir ao médico. À partida, quem não tem muito dinheiro opta por ir ao médico de família. Mas, e se nos disserem que temos liberdade de escolha e que, no caso de optarmos por um médico privado, teremos o benefício de um cheque-saúde (independentemente se o mesmo é entregue ao médico, à clínica onde presta serviço ou ao próprio doente)?

 

A vingar esta eventual proposta do cheque-ensino, estamos com isto a querer dizer que, a partir desse dia, somos livres para escolher que os nossos filhos estudarão numa escola pública ou numa privada e, no caso da segunda opção, teremos direito ao mencionado cheque.

 

Isto soa, num primeiro momento, a discriminação entre os serviços públicos e os privados, com clara beneficiação para os segundos, em detrimento dos primeiros.

Mas, a questão que se coloca é: em que se traduz, na prática, este cheque-ensino? Qual a sua verdadeira finalidade?

 

Para mim é muito simples. Qualquer profissional, seja de que área for, deve agir da mesma forma, qualquer que seja o serviço em que está a exercer a sua actividade. O que significa que um médico deve atender os seus pacientes da mesma forma, independentemente de estarem a ser atendidos por via de clínicas privadas ou pelo centro de saude. Significa que o ensino (e os professores), deveria ter a mesma qualidade tanto numa escola pública como privada. E que os apoios, a haverem, deveriam ser equitativos para ambos os serviços. Nesse caso, seria uma justa escolha.

 

Mas sabemos que o Estado deveria apoiar, prioritariamente, os serviços públicos que dele dependem. Ao invés de o fazer, está a cada dia a destrui-los. Já os serviços privados, que são criados por quem assim o pretende, sem qualquer intervenção do Estado, parecem estar a desempenhar o papel de substitutos e a angariar regalias, apoios e benefícios.

 

Hoje em dia, já não é qualquer pessoa que consegue pagar consultas em hospitais públicos, já não é qualquer pai que consegue ter o seu filho a estudar no ensino público mas é, ainda assim, o mais económico para a maioria dos portugueses.

Aos serviços privados, só vai quem tem dinheiro. E aqueles que o perdem, e perdem o seu estatuto e nível social, viram-se para os serviços públicos. Também é sabido, embora com cada vez mais excepções, que quem paga bem é mais bem servido.

 

Assim, se estes cheques significarem que uma determinada pessoa que não tem condições financeiras para tal, pode ir a um serviço privado, ser melhor atendida e não pagar nada, é óbvio que estão a incitar ao fim dos serviços públicos.

Se estes cheques significarem que, quem não tem dinheiro, não tem outra solução que não seja o serviço público mas quem o tem, para ponderar o privado, pode contar com ajuda, é um claro incentivo à discriminação.

Agora se significarem que haverá cheques-ensino equivalentes para todos, independentemente, do serviço que pretendam, aí sim seria uma medida louvável.

 

Não me parece que seja essa a intenção...E daí a polémica que está a gerar!

 

 

 

Retratos da crise

 

"Escondem-se em becos, nas sombras das esquinas dos prédios, nos bancos de jardim. Tapados por mantas ou apenas por papelões, atravessam a noite e depois, quando o dia clareia, desaguam novamente nas ruas, quase sempre sem destino certo, quase sempre à volta das mesmas ruas, pelos mesmos bairros, com as mesmas roupas. Ser sem-abrigo não é uma fatalidade. Ninguém nasce sem-abrigo. Todos eles já foram felizes em tempos. Já foram pessoas integradas na sociedade, com família, emprego, sonhos e desafios. Já foram crianças e cresceram. Um dia, porém, as coisas começaram a desmoronar..."

 

Até há uns tempos atrás, a sua maioria eram homens e, salvo algumas excepções, provinham das chamadas classes sociais mais pobres.

Hoje, essa tendência está a alterar. Há cada vez mais mulheres e jovens, muitas vezes com qualificações, a entrar neste mundo. E até mesmo aqueles que nunca imaginaram poder algum dia fazer parte do grupo de pessoas em risco de pobreza, vêem-se agora numa nova realidade. 

As classes média e, até mesmo, alta, estão a sofrer as consequências da crise, do aumento do desemprego, dos cortes nos apoios sociais, e a tornar-se nos novos pobres que, quem sabe, poderão vir a constituir os próximos "sem abrigo" do nosso país.

Delinquentes, analfabetos, drogados, ou gente que não quer trabalhar, são um estereótipo ultrapassado. 

E é neste cenário que está a caracterizar, actualmente, o nosso país, que começamos a ver as crianças a faltar à escola. Não para ir brincar, nem namorar, nem divertir. Tão pouco por preguiça ou rebeldia. Faltam, sim, para andar a pedir. 

São crianças cujas famílias perderam os únicos apoios que lhes restavam e, sem dinheiro para transportes ou, até mesmo, para comer, vêm-se obrigadas a mendigar. Testemunhas disso são os próprios professores que, perante as tristes evidências, se vêem sem argumentos para convencer estas crianças a voltarem às escolas. 

E, se estas famílias estão nessas condições, sem dinheiro, não faz sentido as escolas aplicarem multas para os pais cujas crianças faltem às aulas.

É este o retrato da nossa geração, e que, a continuar, não augura um bom futuro para as gerações futuras...

 

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