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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O que está para além da história de um livro

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É certo que o que nos capta a atenção em qualquer livro é, sem dúvida, a história que o mesmo nos conta.

Mas há livros e livros.

 

Há livros que se ficam por aí, sem que deles se consiga retirar algo mais que essa história, que lhe serviu de base. Tal como um fruto que, por mais que se esprema, não deita mais sumo.

 

E, depois, há livros que escondem, dentro de si, muito mais que aquilo que aparentam ou prometem. Atrevo-me até a dizer que, em alguns casos, acabam por ser mais significante todas as mensagens e ensinamentos que dele retiramos, curiosidades que aprendemos, ou questões que os autores conseguem fazer-nos levantar e debater, do que a própria história em si.

 

O que é óptimo, quando damos por nós a ler mais uma história igual a tantas outras, sobre a qual não há nada de especial para destacar, mas que acaba por nos convencer com outros argumentos e "armas".

E, mesmo que a história não nos tenha especialmente cativado, acabam por valer a pena serem lidos!

Acredito que o mundo está perdido...

 

...quando crianças de 11 anos disparam sobre colegas ainda mais novos por causa de uma discussão acerca de um cão. 

Aconteceu no Tenessee, nos EUA, supostamente porque uma menina de 8 anos, colega de escola e vizinha de um menino de 11, quando o rapaz lhe pediu para ver os seus cachorrinhos, lhe disse que não, riu e virou costas. O rapaz terá então ido a casa buscar a caçadeira do pai, e disparou sobre a menina, que acabou por falecer.

Cada vez mais se mata por muito pouco, ou mesmo nada, e a idade de quem comete estes crimes é cada vez menor.

Quando as entidades competentes andam a fiscalizar mais arduamente a posse legal de armas, existem cada vez mais jovens a ter acesso a elas.

Existem cada vez mais pais a deixarem as suas armas ao alcance destas crianças, sem qualquer cautela ou segurança, de modo a evitar acidentes e vinganças fatais.  

E cada vez mais crianças morrem assassinadas por outras crianças.

Como é que podemos travar os terroristas, que lutam pelo poder, pela fé desmedida, pela expansão do fanatismo, quando não se conseguem travar estas crianças? 

Como é que podemos ter esperança de resolver as diferenças pacificamente, quando à mínima contrariedade se desencadeia um guerra?

Como é que pudemos acreditar no poder da palavra, quando cada vez mais o poder se encontra numa arma, numa bala mortal? 

 

Poema da liberdade

 

Poema da personagem Falcão, no livro A Saga de Um Pensador, de Augusto Cury:

 

"Vocês podem calar a minha voz, mas não os meus pensamentos!

Vocês podem acorrentar o meu corpo, mas não a minha mente!

Não serei a plateia desta sociedade doente, serei o autor da minha história!

Os fracos querem controlar o mundo; os fortes, o seu próprio ser!

Os fracos usam as armas; os fortes, as ideias!"

A mulher silenciosa

 

Pelo menos uma lição os homens podem tirar deste livro: nunca substimem uma mulher!

Principalmente, aquelas que se calam, que fingem que está tudo bem e que parecem aceitar tudo sem reclamar. Essas podem, por vezes, ser as piores, e revelar a outra face da sua personalidade, que os companheiros nunca conheceram.

Muitas vezes, os homens devem ficar gratos quando as parceiras gritam, discutem, reclamam e deitam tudo cá para fora. Pelo menos ficam a saber exactamente o que elas pensam. Não têm surpresas!  

São mulheres que fervem rapidamente, deitam para fora e voltam ao normal. Já as silenciosas, vão cozinhando lentamente, mas quando fervem, nem dão tempo aos homens de perceberem o estrago.

 

Um dos comentários a este livro dizia que os fãs de Em Parte Incerta, da Gillian Flynn, iriam gostar deste livro. Eu tive essa esperança...

Mas a Amy de Em Parte Incerta é mil vezes superior à Jody de A Mulher Silenciosa, no plano que arquitecta para se vingar do marido. 

Digamos que a Jody tem a teoria, tem a bagagem, tem o conhecimento, tem melhores armas. Mas não é nem de perto nem de longe tão maquiavélica, tão meticulosa, tão fria, tão calculista como a Amy.

Jody é uma mulher que tenta manter o seu casamento ainda que para isso tenha que ignorar as aventuras e traições do marido. Tem a sua maneira própria de se vingar, mas sem grandes estragos. Parecem mais pequenas partidas de menina travessa, e que acabam por ser bem merecidas pelo seu marido. Mesmo quando ele sai de casa, ela age como se ainda tivesse tudo sob controlo, como se fosse algo temporário. Só quando se apercebe que vai ficar sem nada, e mais por sugestão da amiga do que por ideia própria, é que ela resolve contratar alguém para matar o marido. O plano é tão primário, tão básico, tão óbvio, que não entusiasma. Já depois do crime cometido, e ao ver outra pessoa ser acusada, ela decide confessar.

A Amy nunca admitiria nem para a própria sombra aquilo que fez. A Amy é doentia. Ela interpreta na perfeição as personagens que criou para a sua pessoa. Uma mulher ardilosa, astuta, diabólica, cruel, e faz uso das armas que tem de forma surpreendente. 

Por tudo isso, A Mulher Silenciosa ficou, infelizmente, muito aquém das minhas expectativas.

De pequenino é que se torce o pepino?

 

Não são raras as vezes que ouvimos notícias de crianças e adolescentes que levam armas para a escola. Que por toda e nenhuma razão se lembram de andar por aí aos tiros a colegas e professores.

Outras vezes, tomamos conhecimento que, por negligência dos adultos, as armas são deixadas ao alcance dessas crianças, que se acabam por ferir por acidente.

Cada vez mais cedo se vêem jovens na posse de armas, principalmente em zonas e com populações consideradas problemáticas.

E damos por nós a perguntar "que mundo é este em que vivemos?" ou "como é que isto é possível?".

Responsabilizamos os pais, a educação (ou falta dela), a escola e os professores, o governo, as condições de vida, o destino...

Não deixam de ser situações efectivamente tristes e lamentáveis. Mas, o que realmente me choca, são notícias como a que hoje li!

Chamem-lhe tradição, chamem-lhe protocolo, chamem-lhe treino, chamem-lhe última moda ou que que mais quiserem, mas eu não consigo compreender, nem tão pouco aceitar.

Filipe Froilán, uma criança de apenas 13 anos, fazia exercícios de tiro, acompanhado pelo pai quando, por acidente, deu um tiro no seu próprio pé, com uma arma de pequeno calibre! Foi um descuido, segundo afirmam! A criança foi atendida de urgência e, apesar de não ser uma situação de gravidade, ficará internada alguns dias.

Esta criança é, nada mais, nada menos, que o filho da infanta Elena e de Jaime, neto do rei de Espanha. 

E pergunto-me eu: com tantas actividades lúdicas decididamente mais adequadas a crianças destas idades, mais instrutivas e menos perigosas, porque será que a opção recaiu logo nesta? Será caso para dizer que "de pequenino é que se torce o pepino"? Ou estará a acontecer precisamente o contrário?...

 

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