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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Pessoas que gostam de ser o centro do universo

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Gostam. E, parece-me, precisam.

São aquelas pessoas que, num primeiro momento, cativam todos à sua volta.

São simpáticas com todos. Prestáveis. Amigas.

Sim, são daquelas que dizem que são amigas de toda a gente.

E são! Desde que sejam elas o centro das atenções. Da bajulice. Da preocupação e dos cuidados.

Desde que sejam elas a estrela, e ninguém mais as ofusque.

 

Porque, quando isso acontece, a máscara cai.

E passamos a ver pessoas mesquinhas, invejosas, traiçoeiras.

Daquelas que até aceitam ver alguém bem, mas nunca melhor do que elas.

Pessoas que elevam a incoerência ao nível máximo.

Que se acham senhoras e donas da razão. 

Mesmo que não tenham nenhuma.

 

 

 

Amigos improváveis da vida real

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Em tempos, houve um programa de televisão que juntou jovens e seniores, desconhecidos entre si, a viver na mesma casa, numa espécie de experiência social, para ver até que ponto poderiam dali sair "amizades improváveis".

Não sei, passados alguns anos, se algumas delas ainda sobrevivem, ou se já não existe contacto.

 

No entanto essas amizades, ditas improváveis podem, de formas e em contextos diferentes, surgir na vida real.

É assim que encaro a amizade, ainda recente, construída entre três jovens e um senior, cujos caminhos se cruzaram num supermercado: a minha filha, funcionária de uma das lojas do dito supermercado, duas outras moças que, em representação do novo ginásio que ia abrir, tiveram ali numa banca a angariar clientes para o mesmo, e um senhor com os seus oitenta's, que todos os dias ali vai às compras.

 

Começaram a falar e, hoje em dia, são uma espécie de avô e netas emprestadas.

Conheci o senhor um destes dias. É muito caricato, engraçado, divertido.

Tem filhos, e netos, mas talvez no dia a dia se sinta sozinho, e encontrou naquelas miúdas um pouco de atenção.

 

Quem vê de fora, pode ficar de pé atrás. O que um homem daquela idade quer de miúdas que podiam ser suas netas? E o que querem elas ao conviverem com um homem daquela idade? É legítimo. 

Mas quem está por dentro, percebe que não há ali nenhum aproveitamento, nem segundas intenções.

Acredito que ele as vê mesmo como netas. E elas, a ele, como um avô.

 

Há um cuidado. Uma preocupação. Há um carinho genuíno.

O senhor esteve dois ou três dias sem lá aparecer no supermercado, e a minha filha ligou para ele para saber se estava tudo bem.

Há dias, combinaram um almoço de Natal, que a minha filha e a amiga pagaram a meias (uma vez que o senhor está sempre a pagar-lhes coisas) e trocaram, entre todos, lembranças de Natal.

 

Costumo dizer à minha filha que perdeu um avô, e agora ganhou um avô emprestado!

E é bonito ver que nem toda a geração actual está perdida. Que ainda surgem amigos improváveis, na vida real, quando e com quem menos se espera.

Porque afastamos as pessoas que nos querem bem?

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Porque afastamos de nós (ou nos afastamos de) as pessoas que nos querem bem?

Porque as tentamos manter à distância, mal se aproximam quando, momentos antes, sem elas, só desejávamos tê-las por perto?

Porque retribuímos carinho, com frieza ou desprendimento, quando não é isso que sentimos?

Porque é que, em vez de aceitar e guardar os gestos de atenção, cuidado e amor (seja de que tipo for) que têm para connosco, pegamos neles, amachucamos e arremessamos de volta, como se não os quiséssemos?

Como se não precisássemos deles?

Quando, no fundo, é tudo o que desejamos?

Ainda existem pessoas capazes de me surpreender positivamente!

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A minha filha foi convidada para o aniversário de duas amigas e colegas de turma (irmãs gémeas).

Hoje em dia, os almoços/ jantares, na adolescência, são entre amigas, sendo que os pais, quanto muito, vão levar e buscar.

E cada um paga o seu.

 

Neste caso, pelo que percebi, a minha filha era a única da turma a ir ao almoço, que seria mais para a família (pais, tios, avós), sendo que os pais ficaram de vir buscá-la mas, como o almoço era cá em Mafra e estavam atrasados, acabei por ir com ela até ao restaurante, onde lhe fiz companhia, até eles chegarem.

Quando as aniversariantes chegaram com a tia, deixei a minha filha com eles, e voltei para casa.

Até porque depois do almoço iam todos para casa das miúdas, para cortar o bolo.

 

Entretanto, ao final da tarde, enviei mensagem à minha filha, a perguntar se era para ir buscá-la. Disse que não era preciso, que a traziam a casa. Pedi-lhe só para enviar mensagem, quando estivesse a vir. 

 

Passado um pouco, recebo uma chamada de um número que não conheço.

Era a mãe das amigas.

Ligou-me para pedir desculpa pelo atraso no almoço.

Para agradecer por ter deixado a minha filha celebrar o aniversário das filhas com elas.

A dizer que ficava muito contente com esta amizade.

E a fazer já um novo convite.

Aliás, dois.

Um para a minha filha, para uma celebração que irão fazer lá mais para a frente.

Outro para nós, mães (e padrastos) nos conhecermos pessoalmente.

E a informar que, como tinham ficado sem carro, seriam os tios a trazer a minha filha.

 

Como combinado, os tios deixaram a minha filha à porta de casa.

Fui agradecer-lhes.

Parecem pessoas impecáveis.

 

Pela minha filha, mandaram comida da festa, uma fatia de bolo de aniversário, e ainda legumes e outras coisas.

Além de tudo isto, pagaram-lhe o almoço.

 

Posso estar a ser muito ingénua, ou até precipitada, mas gostei das pessoas.

Gostei dos gestos delas para connosco, e para com a minha filha.

Hoje em dia, isso é cada vez mais raro.

Senti que, pela primeira vez, em vez de sermos nós a fazermos de tudo para a minha filha poder estar com as amigas, e assumirmos a responsabilidade, foi alguém que o fez por nós. Que teve esse cuidado, e atenção.

São pessoas que, de certa forma, pensam e agem de forma semelhante à nossa. 

 

Agora é esperar que esta amizade permaneça, apesar dos caminhos diferentes que irão, certamente, seguir na vida.

Eu fico feliz.

E, pelo que percebi, a mãe delas também!

Desafio de Escrita do Triptofano #9

E tudo a chama queimou...

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Corda:

Porque insistes em queimar-me?

 

Vela:

Porque é a única forma de perceberes que eu estou aqui. De me sentires. De olhares para mim.

 

Corda:

Eu sei que estás aí. Eu sinto-te. E vejo-te. 

Talvez não da forma que queres. Com a frequência que queres.

 

Vela:

Hum...

Pois não me parece.

Sinto que a única forma de virares a tua atenção para mim, é quando a minha chama te atinge.

 

Corda:

E o que esperas de mim, com essa chamada de atenção? 

 

Vela:

Que percebas que estou aqui. Que faço parte da tua vida.

E que te aproximes mais de mim.

Porque quanto mais foges, e mais te afastas, mais a minha chama aumenta, e se estica para te alcançar.

Ainda que, com essa atitude, eu me torne mais pequena, e perca um pouco de mim. 

 

Corda: 

Lamento, mas não consigo compreender a tua perspectiva.

O que acontece é que, aos poucos, muito lentamente, vais-me queimando.

Com o tempo, vou perdendo a cor. Vou escurecendo.

Dia após dia, vou enfraquecendo com a tua chama e, a qualquer momento, posso quebrar.

E quando eu quebrar, quando me partir, não terás mais como me queimar. 

Terás que procurar outra corda.

Ou, então, arder em vão, sozinha, até que a chama se extinga... 

 

Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

 

 

Também participam:

Ana D.

Maria Araújo

Ana de Deus

Bruno

Triptofano

Maria

Biiyue