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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

António Costa versus Pedro Passos Coelho - o debate

Imagem www.movenoticias.com

 

 

Sobre o debate de ontem, não tenho muito a dizer.

Estou convencida que António Costa irá sair vencedor das próximas eleições porque, de uma forma geral, os portugueses estão fartos da política e medidas de austeridade do actual governo e, como tal, tudo o que se apresentar, aparentemente, melhor, é bem vindo!

António Costa promete, em suma, devolver-nos quase tudo o que nos foi tirado. Inverter tudo a actual situação e resolver quase todos os problemas que o país atravessa.

Pedro Passos Coelho, não faz promessas! Ou, pelo menos, não a curto prazo.

Perguntas não respondidas, respostas desviadas das perguntas, algumas mentiras e algumas verdades, cada um com a sua razão em determinados assuntos, e sem ela, noutros, só tenho a dizer que:

- temos que tentar ser realistas - assim como não temos por que confiar em alguém que não dá uma previsão concreta para a resolução de um determinado problema, também não devemos confiar em quem promete resolvê-lo de um dia para o outro;

- em sentido figurado, por muito que alguém prometa fazer uma omeleta com 10 ovos, é provável que, ao chegar à tal cozinha, encontre apenas 4 ovos disponíveis! E depois, como é que vai descalçar essa bota?

- nem sempre aquele que nos faz mais feliz, que nos promete tudo aquilo que queremos, e nos diz ao ouvido tudo aquilo que desejamos ouvir, é aquele que diz a verdade; nem sempre quem nos facilita, está a ser nosso amigo - não se esqueçam que facilitismos de uns, podem levar a problemas maiores e medidas piores para nós, por parte dos sucessores;

- não esqueçamos que o nosso actual primeiro ministro também prometeu muita coisa que, depois de lá estar, não cumpriu, antes pelo contrário;

- por muito que tenham que ter sido tomadas medidas severas de austeridade em nome da crise, houve muitas delas que ficaram por explicar, que nunca soubemos exactamente para que serviam, e de que forma isso ia atenuar a crise - Pedro Passos Coelho falhou totalmente nesse aspecto;

- Nenhum governante que manda o seu povo emigrar está em condições de governar um país; nenhum governante que inventa medidas temporárias, para mascarar a realidade e tapar o sol com a peneira, deve estar à frente do governo do país - e parece-me que é isso que Pedro Passos Coelho tem andado a fazer;

- Por último, façam debates com os candidatos de todos os partidos, e não apenas do PS e PSD/CDS.

A geração "grisalha"

 

Afirmou o economista e antigo ministro das Finanças, Silva Lopes, que "a geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui. Não pode ser.".

Então os idosos de Portugal é que estão a asfixiar os jovens? Só se for a geração grisalha de políticos e governantes que não fizeram mais que roubar a quem não tem, desgovernar em vez de governar, e contribuir, esses sim, para a asfixia que agora estamos nós a sofrer e, provavelmente, as próximas gerações.

Se há alguém a asfixiar a geração nova, são aqueles que estão no poder, são aqueles que ganham salários exorbitantes, são todos os que acumulam duas reformas enquanto outros nem a uma têm direito, aqueles que as recebem sem nunca terem trabalhado, os que estão de baixa sem nunca estarem doentes, os que se encostam à sombra da bananeira dos subsídios de desemprego, rendimentos mínimos e afins...

Se há algo a nos asfixiar, é esta política de austeridade cega e sem limites que, a cada dia, nos atira para o abismo da pobreza, do desespero, da falta de esperança...

Agora, a geração grisalha a que este senhor se refere, aquela que sempre trabalhou e descontou uma vida inteira, para assegurar uma reforma que lhe permitisse ter uma velhice tranquila, essa não pode, de forma alguma, ser culpabilizada pela asfixia dos seus filhos, netos e bisnetos.

Nem tão pouco é justo que queiram sobrecarregar os idosos com cortes e mais cortes na reforma a que têm direito, usando uma desculpa tão "esfarrapada".

É quase como pagar um seguro de saúde todos os anos, para depois chegar a um ponto em que não temos direito a nada do que o seguro oferecia, porque alguém mais novo precisa desses benefícios. É quase como se os reformados estivessem a receber algo que não lhes pertence, a roubar os mais novos.

Diz Silva Lopes "Eu sou pensionista, sou da geração grisalha, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio". Pois eu também achava muito bem que começassem a cortar nas reformas milionárias que alguns srs. como este recebem, se isso ajudasse outros que mal têm dinheiro para sobreviver. Infelizmente, os prejudicados são sempre os do costume, aqueles que já pouco ou nada têm. Por muito pequenos que sejam os cortes, se aos ricos não vai fazer diferença, o mesmo não se pode dizer da maioria dos portugueses.

Que, na opinião deste e de outros senhores, Portugal não é um "país para velhos", já nós sabemos. Também sabemos que, se pudessem, e estão a caminho de o conseguir, embora por outros meios mais politicamente (in)correctos, a geração grisalha seria rapidamente exterminada.

Mas é graças a esta geração grisalha, que estamos cá hoje. E essa geração grisalha, já fez pelo nosso país aquilo que muitos jovens hoje em dia não fazem.

Afirma ainda Silva Lopes que "se nós temos a Constituição e a interpretação do Tribunal Constitucional a impedir estas coisas, isto rebenta tudo". E eu pergunto-me: tudo, o quê? e para que lado?

É que, possivelmente, se a Constituição e a interpretação do Tribunal Constitucional não impedirem estes abusos e usurpação contínua de direitos, somos nós, portugueses, classe média e pobre, que vamos rebentar! E acredite, Sr. Silva Lopes, que quando isso acontecer, não iremos rebentar sozinhos. Porque "um imperador sem povo e sem reino", não é nada...

 

Portugal em Insolvência

Ando eu todos os dias a ver as notícias que por aqui andam e não pude deixar de concordar com as palavras que um administrador de insolvência de uma empresa escreveu "infelizmente, insolvente está o país..." E tal como se diz, a palavra de ordem é "corta" - corta aqui, corta ali, corta isto, corta aquilo...parece que neste regresso às aulas o material a comprar será tesouras! Não, porque para estes cortes não são necessárias!

Eu de política não percebo nada, nem tenho intenções de perceber. Também não fiz nada para escolher quem iria governar, porque na minha opinião qualquer um que vá para lá, fará sempre o mesmo. Por isso não tenho agora o direito de reclamar, mas concordo quando dizem que não precisamos de um contabilista para o nosso país, precisamos de mais do que isso.

E neste momento, parece-me estar realmente perante um contabilista, que tenta equilibrar o país pondo 90% de responsabilidade nos cortes a quem já pouco tem, e 10% de cortes no resto. Ainda ontem estava a ouvir na televisão as medidas de austeridade num qualquer país da União Europeia, no qual se aumentava o IVA para 21%, e a idade da reforma para os 65! E pensei eu cá com os meus botões, Portugal já há muito que não sabe o que isso é, Portugal já faz mais do que sacrifícios, mas para certos políticos, ainda não chega, ainda exigem mais.

Depois vem a chanceler alemã, Angela Merkel, dizer que Portugal deveria igualar o n.º de horas de trabalho, o n.º de dias de férias e a idade da reforma aos outros países da União Europeia! Concordo plenamente com ela, igualemos então isso, mas igualemos também o resto - os ordenados, as condições de vida, os acessos à saúde e todas as outras coisas para as quais ainda estamos tão atrasados.

Sinceramente, não sei o que nos reserva daqui para a frente, penso que muitos mais sacrifícios iremos fazer, muito mais dificuldades iremos passar, muitos mais cortes, muitos mais impostos e tudo o que necessário seja, para que não se tenha que ir incomodar os mais endinheirados (porque supostamente em Portugal não há ricos, embora haja quem diga que em Portugal basta terem um bocadinho mais de dinheiro para serem apelidados de ricos) que fazem falta ao nosso país. Porque se esses se sentirem incomodados, fogem, e lá se vai o investimento e o dinheiro de Portugal!

Nesses não lhes podemos tocar, nem incomodar com impostos. 

Acho piada (sem piada nenhuma), investirem na diminuição do trabalho infantil e do analfabetismo - passar a exigir como escolaridade obrigatória o 12º ano, incentivarem as famílias a porem os filhos a estudar, para um futuro melhor.
Ao mesmo tempo, encerram-se escolas, despedem-se professores, cortam as verbas e o apoio para a educação - qualquer dia, em vez de serem os pais a receber ajuda para compra de livros e material, são os pais a ajudarem as escolas a terem material e a continuarem em funcionamento!

E se sair muito caro, nem sequer pôem os filhos na escola. Paciência, antigamente também não estudavam tanto e não morreram por isso. Que lá andem os filhos daqueles que não fazem nada e têm rendimentos mínimos garantidos e ajudas e subsídios e que não pagam nada.

Em vez de se investir na saúde, encerram-se hospitais, maternidades, serviços - ficamos com o INEM e ambulâncias. Isto se não estiverem paradas por falta de combustível, à espera de verbas que nunca chegarão.

Chegámos ao ponto de os hospitais pedirem aos doentes para levarem medicamentos de casa, de pedirem a outros hospitais material que não têm!
E depois esta linda ideia das vacinas, que até podem fazer parte do plano nacional de vacinação, mas quem quiser que as pague, porque o estado não vai comparticipar tais desperdícios. Se alguém morrer, melhor, menos um para o estado se preocupar!
Quantos mais morrerem melhor, daí os cortes na saúde, na segurança social, etc, etc... Viva à falta de dinheiro, viva à falta de cuidados, viva à falta de condições, viva à falta de tudo o que o simples trabalhador não conseguirá com o quase suplicado ordenado que sabe-se lá continuará a receber ou não!

E para os que estão desempregados ou pensam vir a trabalhar, esqueçam. A palavra de ordem é reduzir pessoal, todos os dias mais e mais pessoas ficam desempregadas, mais subsídios de desemprego serão cortados, e menos oportunidades de trabalhar haverão. Por isso se não tiverem como sobreviver, morram também que não fazem cá falta!

Só não consegui perceber muito bem qual é a ideia - a intenção era promover e incentivar as pessoas a terem filhos, para aumentar a população jovem que escasseia em Portugal, e daí tem toda a lógica retirar comparticipações nos contraceptivos. Quem quiser, vá ao centro de saúde, em meia dúzia de dias esgotam e já está. Não há dinheiro para comprar, passamos ao surto de nascimentos.
Por outro lado, um aborto é 100% pago pelo estado, por isso vamos lá abortar, e resolve-se o problema.

Portanto, matamos os que já cá estão, e os que viriam a estar!

Enfim, um verdadeiro país insolvente, em que em primeiro lugar vêm os ricos, políticos e afins, e cá bem no fim da lista, já sem esperança de ver alguma luz ao fundo do túnel, os quase dez milhões de portugueses!
Assim vamos nós, por cá!

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