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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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À Conversa com Berta Pinto da Silva


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Berta Pinto da Silva nasceu em Peso da Régua, Portugal, mas cedo emigrou com os seus pais para Luanda, capital de Angola tendo regressado, posteriomente, já com 27 anos. 

Desde muito jovem, demonstrou dotes para a escrita e poesia. 

Esta é a primeira vez que se lança na tentativa de um primeiro romance, dedicado aos seus filhos e netos e, a título "Póstuma", ao seu grande amor e marido.  

Um livro de memórias e recordações, de fácil leitura, que ela quis deixar registado, provando que aqueles que partem e que amamos podem continuar a viver dentro de nós, pois... "O Amor Não Morre".

 

 

Fiquem a conhecê-la melhor através da entrevista a esta mulher, sem dúvida, inspiradora, e a quem desde já agradeço!  

 
 
 
 

Quem é a Berta Pinto da Silva?

A Berta Pinto da Silva, é uma mulher realizada e de bem com a vida.

É uma mulher de decisões e convicções, que sempre orientou a sua vida baseada no amor e dedicação à família.

 

 

Em que momento despertou, em si, a paixão pela escrita?

Desde muito cedo senti um apelo à escrita, iniciando ainda como jovem estudante, os meus primeiros poemas. 

 

 

“O Amor Não Morre” é o seu primeiro romance, dedicado aos seus filhos, e ao grande amor da sua vida. É mais fácil escrever quando se narra uma história real e vivida na primeira pessoa?

Julgo que sim. Esta é a minha primeira obra (publicada), e para mim é muito fácil falar dos sentimentos e passar para o papel tudo o que sinto e que me vai na alma.

 

 

Nascida em Portugal, a Berta foi para Luanda ainda criança, para regressar ao nosso país já adulta. Qual é a melhor, e a pior parte, de chegar a um país desconhecido, quer pelo facto de ser a primeira vez, quer pelo facto de não reconhecer o país que um dia deixou, e para onde volta anos mais tarde?

Tinha regressado a Portugal com os meus 14 anos, devido aos primeiros ataques em Luanda, e por uma questão de segurança os meus pais deixaram-me cá um ano e detestei.

Mas o pior momento foi sentir que definitivamente tinha de viver aqui em (Portugal), iniciar uma vida nova, que nada tinha a ver com aquela que tínhamos, já com os meus dois filhos, e separar-me do meu marido.

O melhor momento foi o regresso do meu marido, pois por difícil que fosse a vida, senti-me segura.

 

 

Nos primeiros anos de casamento, foram várias as dificuldades e adversidades pelas quais passaram. Houve algum momento que a tivesse marcado mais?

Os dez primeiros anos de casamento foram maravilhosos, vivi um romance como nos contos de fadas.

As dificuldades e adversidades iniciaram quando os movimentos de libertação, lutavam pela " independência" de Angola, e os ataques a Luanda se iniciaram. 

O momento mais marcante, foi quando por decisão do meu marido, tivemos que colocar os nossos filhos a dormir no nosso quarto dentro dum roupeiro, por questões de segurança.

 

 

Em algum momento pensou em desistir? Ou esses momentos deram-lhe forças, que nem sabia que tinha, para continuar a lutar?

Nunca pensei desistir. Estivemos sempre de mãos dadas, unidos por um único objectivo comum - mantermo-nos unidos até ao fim.

E na breve ausência do meu marido, descobri a " mulher forte" em que me tornei, arranjando trabalho e mantendo a dignidade da família.

 
 
 
 

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Desde o momento em que se deparou com o primeiro diagnóstico médico, até àquele que levou o seu marido a ir para uma unidade de cuidados paliativos, a Berta esteve sempre presente, a apoiar, a atenuar, a tentar melhorar, como podia, a vida dele. Considera que essa presença e apoio da família é fundamental para aqueles que lidam com a doença de perto?

Nos momentos difíceis, a família é o maior alicerce, sem ele a estrutura desmorona. Claro, que na doença, e quando já sabemos que o fim está próximo, só o apoio incondicional de quem ama pode ajudar a apaziguar a dor e o sofrimento.

 

 

Hoje em dia, são raros os casais duradouros que encontramos. Na sua opinião, o que é fundamental para manter o amor vivo, sem deixar afundar uma relação?

Em primeiro lugar, continuar a amar.

A paixão é como uma vela, que vai perdendo a chama, que por sua vez se vai transformando numa grande amizade, numa perfeita cumplicidade, num verdadeiro conhecimento um do outro, e fazer um trabalho diário, de fortalecer, cativar e inovar.

Não deixar nunca cair na rotina e no desinteresse um pelo outro.

Fechar a porta, não a deixar entreaberta, para não sair por ela ao mínimo desentendimento ou obstáculo.

 

 

“Amar é, também, deixar partir. É deixar de pensar em nós, e no quanto iremos sofrer, para pensar no outro, no quanto sofre agora, e em como está cansado demais para ficar. Amar é, também, aceitar e cumprir o seu último desejo.” – Foi, de certa forma, o que a Berta fez no final?

Exactamente! Compreendeu bem o sentimento de  perda que senti, mas a libertação que quis transmitir ao meu marido, na hora da despedida.

Senti que ele estava resignado e precisava de partir, pelo cansaço do sofrimento. É isso, amar é também aceitar!

O egoísmo não tem lugar quando se ama.

Por isso lhe pedi para " deixar de lutar e partir em Paz"!!

 

 

“O Amor Não Morre” foi lançado em janeiro deste ano. Que feedback tem recebido dos leitores?

Os comentários e as opiniões têm sido muito positivos e reconfortantes.

Agradeço a todos que já leram, o carinho que me transmitiram e as palavras de gratidão, que a todos agradeço.

 

 

Poderão os leitores contar com novas obras da Berta Pinto da Silva no futuro?

Quem sabe,  a seu tempo, poderá surgir uma história diferente, talvez num outro estilo, literatura infantil, uma área em que me sinto muito à vontade, uma vez que fui professora primária.

 

 

Muito obrigada, Berta!

 

 
 
 
 

*Esta conversa teve o apoio da Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.

O Amor Não Morre

 

Era uma vez um menino que sonhava ser aviador...

Quis o destino, ao qual ele deu um empurrãozinho, que esse menino, já crescido, se alistasse na Força Aérea, como voluntário, escapando assim às vontades dos pais, e ao que tinham planeado para ele. 

Foi em Luanda que conheceu uma jovem de apenas 15 anos, por quem se apaixonou, e a quem acabou por pedir em casamento, dois anos depois.

Mas ela ainda era menor, e tinha o seu curso por finalizar, quando terminou a comissão de serviço do noivo, que o obrigou a voltar para Portugal. Separaram-se, até ao dia em que ele conseguiu permissão para voltar à base de Luanda.

E, assim, casaram, tiveram filhos e netos, e viveram felizes, até que a morte os separou...

 

Poderia resumir a história assim, mas ficaria por dizer muito mais!

 

O amor entre estas duas pessoas é daqueles amores que raramente se encontram, e que todos desejaríamos ter, mas nem sempre encontramos, e, quando encontramos, nem sempre estamos dispostos a ultrapassar tudo para não o deixar morrer.

Este casal foi presenteado com bons momentos e alegrias, mas também com várias dificuldades, que enfrentaram como puderam e acharam melhor, nunca desistindo, não deixando que nada se atravessasse na sua felicidade.

Nem um, nem outro, baixaram os braços, e encontraram sempre uma forma de cuidar do seu casamento, da sua relação, do seu amor, para que não morresse.

Nem tão pouco a distância entre os vários membros da família foi impedimento para estarem todos juntos.

O menino conseguiu, durante esse tempo, concretizar o seu sonho de ser aviador. Por vezes, os sonhos não morrem, nem são enterrados definitivamente. Apenas fazemos alguns desvios, que nos poderão ser mais úteis no momento, ou consoante as oportunidades que vão surgindo à nossa frente para, mais tarde, voltarmos a eles, ainda com mais garra.

 

Mas, a verdadeira prova de fogo, começou quando surgiram, sucessivamente, o diagnóstico de Doença de Parkinson, cancro da próstata, lesão da coluna dorsal, cancro do pulmão...

Um final de vida passado entre casa e hospitais, com internamentos, recuperações e recaídas, até à transferência para uma unidade de cuidados paliativos.

No entanto, nem assim, o amor esmoreceu. Pelo contrário, tornou-se cada vez mais forte. E nem a morte o conseguiu derrubar pois, como a própria autora diz "O Amor Não Morre porque, aqueles que partem e que amamos, continuam a viver dentro de nós!

 

 

Sinopse

"Baseado numa história verídica, este livro alia: paixão, amor, fraternidade e cumplicidade para além dos limites terrenos.
O leitor viverá momentos emocionantes, que lhe serão transmitidos através do relato intenso, dos sentimentos mais profundos da alma humana."

 

 

Autor: Berta Pinto Silva

Data de publicação: Janeiro de 2018

Número de páginas: 112

ISBN: 978-989-52-1950-6

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Romance

Idioma: Pt

 

 

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