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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Fim-de-semana festivo

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O passado fim-de-semana foi de festa mesmo aqui ao pé de casa, uma festa que visou ajudar financeiramente os bombeiros voluntários, nomeadamente, angariando fundos para a compra de uma nova ambulância.

Foram 3 dias de festa mas, embora aqui ao lado, o cansaço e o facto de ter que acordar cedo no dia seguinte falou mais alto, e acabámos por ir espreitar apenas no sábado à noite.

Nesse dia actuaram os 4Revival, uma banda de covers que tem como repertório principal músicas dos anos 80!

Grande voz a da Rute, e que bom que foi ouvir estas músicas.

Valeu-nos o facto de o som chegar até à nossa casa, e termos adormecido a ouvir as bandas que tocaram em cada um dos dias, o que nem sempre foi bom. Mas não havia nada a fazer! 

E ontem, quando íamos dar uma volta a seguir ao almoço, mesmo sem saber, ainda assistimos ao cortejo dos bombeiros - carros enfeitados e carregados de donativos para o leilão que se seguia, e várias ambulâncias e carros de bombeiros a desfilar pelas ruas!

 

 

Coração do Mar

 

Assim foi baptizada por nós uma gaivota muito especial que, infelizmente, teve um triste destino.

A tarde na praia foi espectacular, com bom tempo, o mar mansinho e um novo recorde de toques de raquete - 1035!

Pela primeira vez, aqui nesta praia da Ericeira, vimos peixinhos a nadar connosco! Tão pequeninos, em cardumes. Um deles, pobrezito, veio parar à areia. Peguei nele, pu-lo numa poça de água, ainda respirou mas acabou por morrer.

Animados depois da diversão, para irmos comer um belo creme de marisco e pizza, seguimos para o centro da Ericeira, e foi aí que tudo aconteceu.

Nós íamos a descer a rua. Estava uma gaivota no chão, do lado oposto. Um carro que subia a mesma rua, nesse sentido, viu a gaivota mas, ainda assim, continuou, sem sequer se desviar, e passou com a roda por cima da gaivota. Nem sequer parou para ver o que tinha feito. Fiquei chocada e, apesar de nunca ter lidado com aves, o meu marido parou o carro e eu saí, para tentar tirá-la da estrada antes que mais algum fizesse o mesmo que aquela mulher.

Peguei na gaivota, ela nem reclamou nem picou, e pu-la no passeio. Tinha uma asa partida. Provavelmente, já estaria magoada antes, pelo facto de nem sequer ter voado quando o carro se aproximou. Além de que é um pouco estranho uma gaivota andar naquela zona, meio perdida.

Entretanto, mais pessoas se juntaram, incluindo uma senhora que estava apenas a passar férias, vinda de Inglaterra, embora me pareça ser portuguesa, e que utilizou o seu lenço para embrulhar e pegar na gaivota. Perguntámos se haveria algum sítio para onde a pudessemos levar, mas só nos souberam indicar uma loja de animais que poderia ter veterinário. E assim, essa senhora veio connosco no carro até à loja, a segurar a gaivota, onde foi brindada com uma bicada. Infelizmente, o veterinário estava de férias. Puseram apenas um elástico no bico da gaivota e aconselharam-nos a entregá-la na GNR.

Eu disse logo - se a entregamos lá, abatem-na! Mas a alternativa era ir a uma clínica ou hospital, e termos nós que pagar a conta. O meu marido lembrou-se, então, de ir aos bombeiros. Nesta altura, a gaivota passou para as minhas mãos. A dita senhora ainda esperou, mas sem novidades por parte dos bombeiros, e com amigos à espera para jantar, acabou por ir, e combinámos encontrá-la mais tarde para lhe entregar o lenço.

Quanto aos bombeiros, contactaram com a protecção civil, que não quis saber do assunto, e com mais algumas entidades, numa espera que me pareceu de horas. A pobre gaivota estava em sofrimento, esperneava por todo o lado, eu a tentar segurá-la, o seu coração acelerado, já com sangue por todo o lado, e nós sem saber o que fazer.

Finalmente, a única solução encontrada pelos bombeiros, foi dizer para irmos ter com uma veterinária ao Cadaval, que era a única que poderia receber e tratar este tipo de aves selvagens. Disse logo ao meu marido que isso estava fora de questão. O Cadaval ficava a quilómetros, e a gaivota não aguentava até lá.

Na verdade, pouco antes de ele vir para o carro, ela acalmou, já nem lutava e o coração abrandou. Decidimos então ir a uma clínica a poucos minutos dali. Pelo caminho, só sabíamos que ainda estava viva porque mexia os olhos, mas acabou mesmo por morrer uns segundos antes de estacionarmos.

É muito frustrante querermos ajudar um animal ferido, e não conseguirmos. É frustrante que, numa vila onde as gaivotas têm o seu habitat natural, não haja nenhuma entidade que os possa tratar, receber, com contactos e meios para encaminhar.

É frustrante, porque não sabemos nada de animais, e quem sabe não piorámos tudo ali a segurá-la, a apertá-la para não voar pelo carro. Quem sabe não agravámos a situação, ao querer ajudar.

É triste estar ali com a gaivota nos braços, e vê-la aflita e a sofrer, e depois dar o último suspiro e acabar por morrer.

Nessa clínica, a veterinária foi impecável. Apesar de tudo, ainda verificou o batimento cardíaco e confirmou que ela tinha morrido há pouquíssimo tempo. Afirmou ainda que, mesmo que a tivessemos levado mais cedo, não poderia ser salva porque iria ficar sem a asa, e sem ela, não sobreviveria. Elogiou-nos por a termos levado, porque até poderia ser uma coisa menos grave, e salvá-la, mas naquele caso não havia solução. Colocou-a num saco de plástico e aconselhou-nos a entregar o cadáver na GNR ou na Protecção Civil.

Viémos então à GNR de Mafra, já que tinha que vir a casa mudar de roupa, mas informaram-nos que só poderiam aceitar entre as 09h e as 17h do dia seguinte. Fomos à Protecção Civil. Disseram-nos que não fazem esse tipo de recolha. Que isso é um assunto da Polícia Marítima.

Nesta altura, já com os nervos à flor da pele, passei-me mesmo. É revoltante como não há ninguém que queira saber de uma gaivota. Se fosse um cão ou um gato, já estava tratado há muito tempo, mas com uma gaivota, ninguém faz nada. Talvez porque, tal como a veterinária disse, seja considerada um "rato com asas", portadora de diversas doenças transmissíveis a outros animais e aos humanos. Mas é revoltante andarmos ali às voltas com o animal, sem saber o que fazer, e levar com a porta na cara a todo o lado que íamos. Perguntei-lhe mesmo se o que eles queriam era que colocássemos o animal no caixote do lixo e lavássemos as mãos.

Ainda estivemos para deixá-la lá à porta, mas a gaivota merecia mais do que isso. Voltámos à Ericeira, não encontrámos a senhora para lhe devolver o lenço e, por isso mesmo, colocámos a Coração do Mar no lenço, na praia, junto ao mar, no lugar onde ela pertencia! O meu marido fez uma oração, e assim a deixámos seguir o seu destino.

Porque seria um pouco chocante, não coloco aqui a fotografia da Coração do Mar.

Se os milagres existem, então estarmos vivos é um milagre!

 

 

Quase 11 horas da manhã, estávamos nós a caminho de Tróia para passar o dia na praia. Íamos com calma, na faixa da direita, a entrar na A8.

Vem um camião a aproximar-se de nós, do nosso lado esquerdo. O meu marido até comentou que o camião estava a querer encostar-se a nós. Mas pensámos que ele ia seguir paralelo a nós, cada um na sua faixa de rodagem. Enganámo-nos.

O camião bateu-nos de lado, o meu marido desviou-se o quanto podia (tinhamos o raid ao nosso lado e uma estrada lá em baixo) até bater no raid, virámos para o meio da estrada, demos duas voltas e capotámos.

Assustei-me a valer, claro. Mas não pensei que ia morrer. Só queria era que o carro parasse, e que sofressemos o menos possível.

Quando isso aconteceu, vi o meu marido a tirar o cinto de segurança e sair pela janela partida. Com muita calma, dadas as circunstâncias, fiz o mesmo.

Mas a Inês ficou presa no banco de trás, estava em pânico por nos ver cá fora e ela lá estar, e as portas de trás não abriam. Tentei acalmá-la e comecei a tirar o que estava no carro, para depois ela poder sair pelo mesmo sítio que nós.

Entretanto, um bombeiro que ia de passagem e que parou para ajudar, juntamente com o meu marido, conseguiu tirá-la em segurança pela mala do carro.

Estava traumatizada psicologicamente, mas fisicamente sã e salva, apenas com uma nódoa negra. Eu, fiquei com cortes nas mãos e no joelho, e um braço dorido.

Já o meu marido, ficou com o braço queimado e cortado - queimadura por abrasão - e foi levado para o hospital. Tem que andar com o braço ligado e ter muito cuidado.Ficou também com dores pelos tombos que demos. 

Mas, de uma forma geral, estamos vivos, e sem grandes ferimentos. O carro? Esse não teve salvação.Perda total.

Começámos mal as férias, é verdade. Mas não vamos deixar que isto nos estrague o resto delas. Só nos deu mais força e vontade de aproveitarmos ao máximo cada dia que ainda nos falta.
Não era ainda a nossa hora. Ainda temos muito que fazer cá.

Quanto ao camionista, diz que não nos viu! Ou por distracção, ou porque ia a dormir.
Queremos desde já agradecer a todos os que, de alguma forma, nos ajudaram: desde os automobilistas que pararam para nos prestar apoio moral e testemunhos, ao bombeiro que conseguiu tirar a Inês de dentro do carro, aos tripulantes do INEM, aos médicos e enfermeiros da VMER, aos agentes da GNR de Torres Vedras, pessoal da assistência em viagem e a todos o que estiveram lá e me tenha esquecido de mencionar.
Estamos bem, e é isso que importa. A vida continua!

Portugal em chamas

 

Incêndios, incêndios e mais incêndios...

Terminou o mês de Agosto, iniciou o Setembro, mas o cenário mantém-se.

Todos os anos acontece, mas este ano, não foram só as árvores que morreram. Também 5 bombeiros, até agora, perderam a vida.

Para que muitos cá fiquem, alguns tiveram que partir...

E por culpa de quem? Do governo? De quem não segue à risca os planos de prevenção? De quem desencadeia o incêndio? Da natureza? De todos nós?

Alguém tem que ser responsabilizado, é verdade. E, parece-me, nunca foram detidas tantas pessoas suspeitas de fogo posto como este ano.

Mas, sejam quais forem os motivos para o fazerem, psicológicos ou financeiros, é algo que, por mais que aperfeiçoem as medidas de prevenção e vigilância, ou que endureçam as penas para os culpados, estará sempre presente e nunca se conseguirá extinguir.

E, assim, assistimos impotentes, a cada ano que passa, a um Portugal em chamas. O que é pena é que sejam chamas exteriores, quando o verdadeiro "incêndio" deveria acontecer no coração do país, para queimar tudo o que é inflamável e prejudicial aos portugueses, e haver uma total renovação, uma nova esperança de um país melhor do que aquele em que, actualmente, vivemos.

 

 

* No entanto, continuo a afirmar que temos muita sorte em morar em Portugal - pelo clima, pela beleza do país, pela nossa cultura, pela nossa comida, por não estarmos (ainda) no meio de guerras, catástrofes e afins, como muitos outros países que conhecemos. 

O cúmulo da (in)eficácia!

Foram os bombeiros de Mafra contactados para acorrer ao local onde se encontrava um gatinho em apuros, a fim de o salvar, mas acabaram por ser responsáveis pela sua morte!

Ao que parece, o gato estava em cima de um poste. E os bombeiros resolveram fazê-lo descer utilizando jactos de água! Para ver se caía!

E caíu! Caíu, mas morreu com a queda :(

É lamentável... 

 

 

Posteriormente, na sequência deste incidente e de uma petição para responsabilização em actividades profissionais cuja obrigação social é a ajuda e a protecção da vida de seres vivos, humanos ou animais, os bombeiros de Mafra emitiram um comunicado à população a pedir desculpas pelo sucedido, afirmando que se tratou de um acto isolado. 

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