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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Filhos da Mãe, de Rosana Antonio

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Mais um livro acabadinho de ler - Filhos da Mãe, de Rosana Antonio.

infelizmente,existem muitos "filhos da mãe" por este mundo fora, não só entre portugueses e brasileiros, mas mesmo entre povos de outras nacionalidades e, até mesmo, no mesmo povo. 

Como se costuma dizer, "anda meio mundo a tramar outro meio".

No entanto, é especificamente sobre estes dois povos - português e brasileiro - que a autora se focou, em mais um livro dividido em duas partes.

De um lado, 5 histórias de portugueses que viveram na pele o preconceito do povo brasileiro, a discriminação, as dificuldades de integração e aceitação.

Desde uma situação grave de bullying que vitimou uma jovem estudante portuguesa, a uma cilada armada pelo futuro cunhado a um português, com consequências graves, só para evitar o casamento dele com a irmã, ou ainda a um preconceito de parte a parte, que consegue ser ainda mais forte que a eventual homofobia que os dois apaixonados da história pudessem sofrer, podemos encontrar um pouco de tudo nestas primeiras histórias.

 

 

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Virando o livro ao contrário, encontramos então 5 histórias sobre o preconceito sofrido pelos brasileiros em terras lusas, sobretudo contra as mulheres brasileiras.

É sabido que os homens conseguem, por vezes, ter atitudes machistas para com as mulheres, e que as próprias mulheres, muitas vezes, se tentam tramar umas às outras por inveja ou qualquer outro motivo. Aqui neste livro, podemos ver como isso se aplica também às mulheres brasileiras, que são muitas vezes tratadas como prostitutas ao serviço de qualquer um. 

Desde histórias de terror com taxistas portugueses, a um episódio que levou mesmo a uma acusação por homicídio e pena de prisão, podem encontrar nesta obra um pouco de tudo.

 

Em todas estas histórias existem personagens que se fingem amigas ou que até, num determinado momento, o são, mas que aproveitam a primeira oportunidade para rebaixar e hostilizar, fazer mal, tramar, incriminar e sabe-se lá que mais, simplesmente porque não gostam dos outros devido às suas origens.

São mentalidades nem sempre fáceis de mudar, principalmente, quando essa discriminação lhes foi incutida pelos pais e gerações anteriores, estando já demasiado enraizada.

Aqui em portugal, por exemplo, é muito frequente termos este tipo de atitudes não só contra os brasileiros, mas também com outros povos que nos chegam, como ucranianos, moldavos, africanos e chineses. É também já bem conhecida a aversão dos portugueses pela etnia cigana.

Há uns tempos atrás escrevi um artigo sobre o multiculturalismo em Portugal, que mostra como ainda é difícil para um povo aceitar alguém de fora no seu país - multiculturalismo em Portugal

Este livro é mais uma prova disso.

 

A primeira reunião escolar de 2016

 

Ontem foi dia de reunião e, infelizmente, o tema que dominou não foi nada bom. 

Depois das informações da praxe e entrega das pautas de avaliação, o professor perguntou se algum dos pais tinha algo a dizer, que dissesse respeito à turma em geral.

Uma mãe, aproveitou essa ocasião para "largar a bomba" e informar todos os presentes que o seu filho está a ser vítima de bullying por parte dos rapazes da turma, por causa de um problema que ele tem, e que chegou a um ponto em que já está farto, e nem sequer quer continuar a ir à escola. Sai da escola cheio de nervos e dores de cabeça, e chora, mas tem aguentado tudo porque "tem medo de ser rejeitado pelos colegas" e, por isso, prefere deixar eles fazerem o que bem entendem só para que não o excluam.

Uma situação complicada que acho bem a mãe ter denunciado, mas não sei se terá escolhido o melhor momento, local e ocasião para o fazer.

Em primeiro lugar, porque o deveria ter feito primeiro junto do director de turma, logo que teve conhecimento da situação. Como muitos pais referiram, este tipo de situações tem que ser resolvido o quanto antes, e os pais devem agir de imediato, não deixando arrastar a situação.

Ah e tal, quis esperar pela reunião para estarem todos os pais presentes, não tinha o contacto de nenhum dos pais, não tinha o contacto do representante dos encarregados de educação. Mas nada disso justifica que a terrível situação que o filho vive seja adiada. Claro que se põe a questão de a criança não falar por medo de piorar a situação, por medo de represálias, por receio de não ser aceite. Mas será que calar ou fugir resolvem a situação? 

Em segundo lugar, porque acusou os rapazes da turma, com os respectivos pais presentes, mas sem nomear nomes, pelo que só deixou os pais em alerta e sem saber se o seu filho é um dos envolvidos ou não. Acho que era desnecessário. Se ela sabe quem são, e pelos vistos, sabe, porque ficou de enviar um email com os nomes para o director de turma quando chegasse a casa, o lógico seria pedir ao director de turma para chamar os pais desses alunos, e resolver a questão com eles, e eles com os filhos. Mesmo que a turma tomasse depois conhecimento, poderia expôr os factos, sem mencionar nomes, e frisar que o assunto estava a ser resolvido com os respectivos pais.

Ainda assim, foi bom ela ter denunciado esta situação, porque ficámos a saber que não é um caso único, apesar de esses outros, aparentemente, terem sido resolvidos com sucesso.  

Para além do choque da denúncia, o que mais me irritou foi um pai que se sentou ao meu lado e que, à semelhança da última reunião, passou o tempo todo no telemóvel ou lá o que era, mostrando uma enorme falta de respeito pelo que ali se estava a falar. E, no final, ainda me pediu emprestada uma caneta para assinar a pauta porque não tinha nenhuma.

Outra coisa que me irritou foi a passividade do professor perante a denúncia. Parece-me que é mesmo a sua maneira de ser, mas ficou ali calado a ouvir a mãe, depois vários pais começaram a falar e a debater o assunto, e o professor pouco intervinha. É certo que o professor disse que ia tratar do assunto, agora que ficou a saber, mas esperava vê-lo de imediato a dizer à mãe, e a todos nós, exactamente o que ia ser feito e de que forma iam ajudar o filho, até mesmo para futuros casos com outras crianças.

Em vez disso, pediu à mãe se podia ficar para o fim, para falarem sobre isso, e falou apenas um pouco sobre o bullying em geral. Ou seja, falou de forma básica do que era importante, mas queria tê-lo visto mais activo.

E, depois de umas quantas tentativas falhadas de prosseguir com a reunião para outros assuntos, porque não se impunha e alguns pais intervinham novamente para voltar ao tema anterior, lá deu por finda a reunião, pedindo apenas aos pais dos alunos com planos de intervenção para permanecerem na sala. 

Uma vez vítima, para sempre vítima?

 

Vem isto a propósito da concorrente Maria Inês, do programa The Voice Portugal que, num determinado momento, se foi abaixo e ficou frustrada consigo própria por não ter sido capaz de dar aquilo que podia e sabia que conseguia dar.

E foi então que o Anselmo mencionou à Simone o facto de esta concorrente já ter sido vítima de bullying, e da própria concorrente o ter referido, devido ao facto de ter um peso acima do normal, uma estatura baixa e não ser detentora de uma grande beleza, segundo palavras suas.

O meu marido veio em defesa dela, dizendo que compreendia o que ela sentia. Já eu, tenho uma opinião um bocadinho diferente.

Ela até pode ter sofrido por ter sido vítima de bullying e de discriminação, e acredito que isso lhe tenha sido penoso, mas isso foi algo que aconteceu no passado. E se já é passado, é lá que deve ficar. Não deveria ser trazido para o presente, nem tão pouco condicionar o futuro.

E se, eventualmente, ainda é algo que se passa na actualidade, só seria mais uma razão ou motivo extra para que ela quisesse mostrar a todos o que vale, independentemente, do seu aspecto físico.

Vejamos, por exemplo, a Milene- outra concorrente desse mesmo programa que já pensou, inclusive, em suicidar-se. Por muito que ela já tenha tido, e ainda tenha, a autoestima em baixo e ache que não é suficientemente boa, ela chega ao palco e dá tudo o que tem, e com grande garra.

Mas este é só um de muitos casos. Há por aí muito boa gente que ainda vai buscar tudo o que de mau passaram na vida, há vários anos atrás, para justificar determinadas atitudes que agora têm (ou a falta delas). E que se fazem, muitas vezes, de coitadinhas para que os outros fiquem com pena, sejam mais condescendentes, e lhes passem a mão na cabecinha.

Só que, alguém que um dia já foi vítima, não precisa de o ser para sempre.

Se alguém já sofreu de violência doméstica, não quer dizer que toda a sua vida vá sofrer. Alguém que já foi vítima de bullying, não precisa de estar sempre a recordá-lo, nem deixar que isso o afecte no presente. Alguém que já passou pelas mais diversas dificuldades, deve utilizar isso como ensinamento e como força para lutar por uma vida melhor. Alguém que cometeu erros não precisa de ficar parado a lamentar os erros, mas sim a fazer com que, no futuro, não os volte a repetir.

Alguém que já teve más experiências, não deve usar isso como desculpa para não se aventurar em novas experiências, com o pressuposto de que, se correu mal uma vez, vai correr sempre. E, neste aspecto concreto, contra mim falo, porque também sou um pouco assim.

Mas a ideia que me dá é que muitas pessoas utilizam o passado como desculpa para os eventuais fracassos, que muitas vezes não passam de medos infundados que o cérebro constrói, e para justificar acções que em nada estão relacionadas com esses factos passados.

Por isso, e apesar de tudo o que já sofreram e passaram, e que, naturalmente, nunca esquecerão, vamos lá deixar o passado no lugar dele, viver o presente que é real, e tentar que o nosso futuro seja o mais brilhante e sorridente que conseguirmos!

 

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Ensinar - será esse o único papel de um professor?

 

As aulas começaram há poucos dias e a escola passa, novamente, a ser o local onde as crianças e jovens estudantes estarão a maior parte do seu tempo.

Para alguns, o regresso às aulas significa subir mais um degrau rumo ao seu futuro, rever velhas amizades, fazer novos amigos, voltar à rotina do cumprimento de horários, do estudo, dos exames, de todo um ritual do qual só se desprendem em tempo de férias.

Para outros, a escola pode ser encarada como um refúgio, que permite a muitos jovens afastarem-se, ainda que apenas por algumas horas, do meio em que vivem, das míseras condições, de conflitos familiares, podendo também ser a única possibilidade de, pelo menos, uma refeição decente.

No entanto, para muitas crianças e jovens, pode significar algo mais negativo. Dificuldades de adaptação, solidão, desigualdades sociais, e até mesmo episódios de violência e/ou bullying.

Em qualquer destes dois últimos casos, cabe, não só, mas, principalmente, aos diversos profissionais dos estabelecimentos de ensino, detetar os sinais que indiquem a existência de problemas, seja de que ordem forem, e agir em conformidade.

E, neste processo, o papel do professor é fundamental. Desengane-se quem pensa que a única função do professor é ensinar a matéria. Um professor é, ou deveria ser, muito mais que isso!

Acima de tudo, o professor deve ser alguém em quem as crianças ou jovens possam confiar, e a melhor forma de ganhar essa confiança é mostrando-se atento, disponível, amigo.

Sendo aquele que passa mais tempo com as crianças ou jovens, deve observar o seu comportamento, tentar detetar possíveis problemas ou dificuldades e, em conjunto com os restantes responsáveis, encontrar a melhor solução para os eliminar ou, pelo menos, atenuar.

Não são raros os casos de bullying, físico ou psicológico, que acontecem muitas vezes à vista de todos, sem que ninguém faça nada para o impedir, fingindo não ver, ou sequer admitir, que isso existe!

Não são raros os casos de vítimas de violência infantil e/ou abusos sexuais que passam despercebidas, se os professores não estiverem atentos a pequenos sinais ou comportamentos.

São frequentes os casos de crianças que nem sempre têm condições financeiras ou psicológicas que lhes permitam frequentar a escola nas mesmas circunstâncias que os demais.

Cada criança é única, diferente de todas as outras, com a sua própria história, personalidade, família e condições financeiras, físicas e psicológicas mas, ainda assim, não deixa de ser igual a todas as outras, com direito às mesmas oportunidades, à mesma dedicação e atenção, e à mesma segurança.

Como tal, a escola, em primeiro lugar, enquanto instituição, e os professores, em seguida, como profissionais de educação, bem como os restantes funcionários auxiliares de ação educativa, devem proporcionar o bem-estar e o desenvolvimento das crianças e jovens em clima de segurança afetiva e física dentro da instituição.

Mas, se for o caso, devem também averiguar junto das famílias desses jovens a existência de dificuldades ou problemas, colaborar com estas famílias na partilha de cuidados e responsabilidades no processo educativo e desenvolvimento pessoal dos jovens e, se necessário for, denunciar às entidades competentes possíveis situações de risco.

Afinal, quando um professor vai além do simples papel de ensinar, pode estar a mudar completamente o destino de uma criança ou jovem!

 

Texto escrito para a edição de Outubro da Blogazine

Como transformar humilhação em fama!

 

Cada um é como é e ninguém tem o direito de humilhar outra pessoa, muito menos nos meios de comunicação social.

E eu fui uma daquelas que não achou correcta a atitude da SIC e dos produtores do programa Ídolos, quando resolveram, por brincadeira, colocar umas orelhas enormes num dos candidatos.

Mas convenhamos que o pobre rapaz que, a partir da exibição desse programa, ficou quase uma semana em casa, deprimido e humilhado, a chorar e sem vontade de ir à escola, por vergonha, soube aproveitar bem a situação!

De tão envergonhado que estava, que nem podia encarar os colegas da escola que, por acaso, num vídeo, até disse terem-no recebido bem e com cartazes e mensagens de apoio, pôs-se a dar entrevistas, já sorridente.

De repente, surgiu uma alma caridosa que lhe ofereceu uma cirurgia às orelhas, para que não voltasse a ser vítima de bullying (o que acho muito bem, mas tenho pena que tenha sido só agora, e nestas circunstâncias).

E já que não cumpriu o seu sonho de ser tornar Ídolo de Portugal ou, pelo menos, cantor, eis que lhe satisfazem um dos seus outros sonhos - ser modelo!

De um dia para o outro, vemos abrir as portas do mundo da moda a alguém que, de outro modo, provavelmente nunca lá entraria.

Sim senhor, fazem muito bem, para mostrar que ele não é menos que ninguém. E sim, ele faz bem em aproveitar a situação - gozaram com ele, agora tomem lá!

Mas será que estão, realmente, a ajudá-lo? Estarão a dar-lhe essas oportunidades por mérito próprio ou apenas por pena? Noutras circunstãncias, isso aconteceria?

É essa a minha grande dúvida. 

 

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