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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Burocracias

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Todos queremos fugir delas, mas nem sempre as podemos evitar.

E esta semana tem sido de burocracias. Necessárias, é certo.  Mas que dispensaria de bom grado.

 

- Tratar com a agência do subsídio de funeral e percentagem da reforma da minha mãe

- Abrir uma nova conta, só em nome do meu pai, para receber o dito subsídio e pensão

- Passar pelo centro de saúde, para comunicar à médica de família o óbito e deixar um agradecimento

- Ligar para as instituições de apoio domiciliário a que tínhamos ficado de dar resposta, para informar que não será mais necessário

- Marcar com o hospital o levantamento do espólio da minha mãe, o que fizemos ontem, mas só veio metade, pelo que lá teremos que ir novamente

- Fazer reclamação no hospital, das duas médicas que, da primeira vez, a enviaram para casa, embora saiba que não vai produzir qualquer efeito, mas não poderia deixar de fazer

- Ligar para a protecção civil, para ver o que era preciso para devolver a cama, que não chegou a ser utilizada

- Começar a reunir a documentação para participação às Finanças do óbito e relação de bens

 

Há coisas que terão que ficar para as férias.

É tempo de regresso ao trabalho e os poucos dias a que temos direito não dão para tudo.

 

No entanto, no meio de todas estas burocracias, surgiu a ideia.

Se aquilo que de melhor faço, por esta altura, é escrever, porque não fazê-lo também, em forma de homenagem?

E, assim, estou a tentar dar forma a um livro, intitulado "Memórias de uma eterna guerreira", porque foi isso que a minha mãe foi a vida toda - uma guerreira!

 

Quando recebemos a notícia de que a nossa mãe partiu

É curioso que, tendo já escrito tantas homenagens, não me saiam agora palavras para falar da minha mãe.

Talvez porque tudo o que eu disser será pouco. E porque aquilo que está cá dentro não caberia num só texto. Ou porque talvez seja mais difícil quando são os nossos.

 

Apesar de, nos últimos tempos, ter previsto este cenário por diversas vezes, é algo para o qual nunca estamos preparados, quando ele se confirma.

Quando acordei, esta manhã, estava confiante. Nada me preparou para o que aí vinha.

 

Um telefonema da médica, pouco depois das 9 da manhã. Pensei que fosse para me pôr ao corrente da evolução da minha mãe.

Nem quando me disse que a minha mãe tinha um quadro complicado, suspeitei. 

Nem mesmo, quando me perguntou se eu tinha mais alguém em casa. Pensei que fosse por ser necessário ir lá.

Só quando lhe perguntei o que iria ser feito, quais os passos seguintes, é que ela me informou que, infelizmente, a minha mãe tinha falecido.

Portanto, ela falou e fez-me falar, já em modo de preparação, para atenuar o choque da triste notícia.

E foi, de facto, um choque. Como, imagino, será para todos os que perdem familiares.

 

Posto isto, a principal preocupação foi como dar a notícia ao meu pai.

Porque teria que ser eu a dá-la, e não o poderia fazer no estado em que estava, para além de não saber como iria ele reagir.

 

Depois, avisar familiares, amigos e, a cada telefonema, ou mensagem, reviver as emoções, relembrar o choque, encarar e tomar consciência da realidade.

E tentar não pensar nisso, para não descambar.

Fazer piadas, ocupar com tarefas domésticas.

Momentos intercalados com lágrimas e lembranças.

Até as bichanas perceberam. A Amora veio dar-me turrinhas, como que a consolar-me.

Estava em casa apenas com a minha filha.

Não foi fácil.

 

Depois, momentos de decisões.

Autopsiar, ou não autopsiar? Para quê? De que adiantava agora  saber a causa da morte?

Calhou-me ligar para a médica, e dizer que não queríamos autópsia.

 

E, em seguida, ligar para a agência funerária, para dar início a todo o processo.

Escolher urnas.

Escolher flores.

Escolher cartões para o velório.

Escolher mensagem.

E aperceber, mais uma vez, da realidade.

É necessário. É uma homenagem. Mas quem é que tem cabeça para essas coisas num momento destes?

 

Desligar o interruptor.

Há uma filha, as gatas para tratar, o almoço para fazer.

O meu marido chegou entretanto. Tinha ido trabalhar mas, perante a situação, arranjaram alguém para o substituir.

O meu irmão viria também.

 

Afinal, ainda havia mais trâmites a tratar.

A escolha da roupa para vestir a minha mãe.

É horrível.

Sabemos que será essa a última imagem dela, e queremos dar-lhe a dignidade possível, ainda que nesta hora em que nos despedimos dela.

Mas é voltar tudo ao de cima, olhar para as coisas dela, e um milhão de pensamentos e lágrimas a misturar-se, e a deitar abaixo.

 

No entanto, é preciso levar a roupa.

Fazer compras.

Limpar a casa.

Desligar o interruptor, e tentar distrair-me é o melhor remédio.

E, se possível, tentar que não toquem no assunto.

 

A esta altura, final do dia D, em que a minha mãe completa 79 anos e meio, e nos deixa para sempre, já nem sei bem o que sinto. 

Mas sei que o pior ainda está por vir.

Amanhã.

 

Por mim, seria uma despedida rápida, só para nós, e acabava.

Mas sabemos que as pessoas querem dar apoio. Que também se querem despedir. Mesmo que cada palavra, dita com a melhor intenção e sentida, nos faça mais mal que bem. Que seja como um escarafunchar numa ferida que está em carne viva, e que assim não sara.

E, por muito que saiba que vai ser duro olhar para a minha mãe, ou para o que restou dela, sei que quero olhá-la uma última vez.

 

Não sou dada a religião, mas a minha mãe era católica e, por isso, pedi serviço religioso.

Que, também ele, vai ser duro. Faz parte. E se não aguentar, é sinónimo que sou humana.

 

E, por fim, o encerrar de tudo.

O momento em que percebemos, definitivamente, que é real, que não a veremos mais. Que, a partir dali, estará debaixo de terra.

Que, ao menos, o seu espírito encontre uma moradia melhor.

 

A nós, restam-nos dias duros, de mais burocracias que, também elas, são necessárias, e a esperança de que o tempo atenue a dor e o sofrimento dos que cá ficam, com a certeza de que a minha mãe, que partiu, já não sofre mais.

É a lei da vida. Calha a todos. Uns mais cedo. Outros mais tarde. Mas ninguém escapa.

Ainda assim, não deixa de ser sempre pior quando nos toca a nós, e aos nossos.

É tentar agarrar ao que de bom vivemos com ela, com plena noção de que não ficou nada por fazer, dizer ou demonstrar, no tempo que que estivemos com ela.

 

 

 

 

Há pessoas que não nasceram para lidar com os da sua espécie

Desenho de Galo mal-humorado pintado e colorido por Usuário não registrado  o dia 18 de Outobro do 2016

 

Nem tão pouco lidar com burocracias chatas, mas necessárias.

Hoje recebi um email. Vinha com assunto, mas sem conteúdo. Pode ter sido engano do remetente. Acontece a todos. Pode ser um problema do meu email (duvido, mas...). Também acontece.

Respondi à pessoa que, embora tivesse recebido o email, como não tinha conteúdo, não consegui perceber, pelo assunto, o que era pretendido.

Logo em seguida, a mesma pessoa, talvez dando conta do erro, envia um novo email, desta vez com o texto.

E, segundos depois, em resposta ao meu, escreve esta preciosidade:

 

"Boa tarde, 

O texto já enviado 2x é o seguinte...."

 

Pela resposta, parecia uma adulta irritada com crianças que a estão a fazer perder tempo, só porque não prestam atenção às coisas. 

Mas quem se irritou com esta resposta fui eu!

Tendo em conta que o primeiro email veio sem texto (daí ela ter enviado novamente), eu só recebi uma vez.

E se ela não o queria estar a enviar de novo, podia simplesmente dizer que, entretanto, já tinha enviado um email, e para eu confirmar se tinha recebido.

Mas não. Preferiu ser rude.

 

Confesso que, desde o ano passado, não vou à bola com esta pessoa. Acho-a, por vezes, injusta, demasiado crítica, e picuinhas. 

Mas, talvez pelo nível de exigência e perfeccionismo que exige aos outros, tivesse a consciência e o dever de, também ela, o ser para com eles.

No entanto, o que vejo é alguém que não nasceu para tratar de questões burocráticas, chatas (como sabemos e todos se queixam), que fazem dispender o tempo de quem assume esse cargo, mas necessárias.

E também me parece duvidoso que tenha nascido para lidar com os seus semelhantes. 

 

Valham-me todos os santinhos

Imagem relacionada

 

Quando as pessoas até estão de bom humor, têm vontade, e se esforçam, até conseguem ajudar-nos.

Mas quando já estão de mau humor logo pela manhã, quando só lhes apetece dificultar e mandar as pessoas de volta para donde vieram para não terem trabalho, e complicam, não ajudam em nada, fazem-nos perder tempo, e dá vontade de, também nós, as mandarmos para um determinado sítio.

 

 

Fui fazer tratar de um assunto de trabalho hoje de manhã. Era simples, já tinha sido visto por outras colegas 2 ou 3 vezes, e só faltava aquilo que eu levava agora. Mas a funcionária de hoje, tinha que complicar, que arranjar problemas, que achar que aquilo não podia ser assim, e que não podia aceitar algo que é válido. Resultado: por insistência minha, ficou com cópia de tudo para mais tarde analisar e dizer alguma coisa, ou seja, vou ter que lá ir novamente.

 

 

Fui à escola da minha filha para entregar as facturas dos livros e material escolar, no âmbito da acção social escolar. 

Tinha uma pessoa à minha frente. Pediram-me para esperar, que iria logo a seguir a essa pessoa. Chamaram-na, mas ela estava à espera que lhe trouxessem as facturas. A funcionária, em vez de me mandar entrar, já que era eu a seguinte, achou que tínhamos todos que esperar que as facturas viessem, cumprindo a ordem de chegada.Só ao fim de 5 minutos, sem facturas à vista, me mandou entrar então a mim.

 

 

Sentei-me. A funcionária que me ia atender começou a queixar-se do calor, e da muita roupa que tinha vestida, e do cheiro a suor! 

Entreguei-lhe as facturas. Reclamou da do Continente, que não se via quase nada, que não se percebia, que não dava para entender onde estava o valor a pagar. Ainda lhe dei uma cópia, se quisesse juntar ao original, e indiquei-lh onde estava o valor pago, mas achou que aquilo não era explícito, e que na tesouraria não iriam aceitar, e blá, blá, blá.

Queria que fosse pedir uma segunda via, e voltasse lá depois. Disse-lhe para deixar estar, que a fortuna de 8 euros não valia todo esse trabalho e tempo perdido. Lá descobri uma outra factura que tinha na mala, e juntou.

Avisou-me logo que no final do ano tinha que entregar os livros. Fez a conta a meia dúzia de livros, para ver um valor que se aproximasse do que me vão reembolsar, e escolheu os livros que eu deveria entregar. 

 

 

Saio da escola e vou à papelaria que fica ali perto, para pedir a 2ª via da factura que tinha acabado de entregar na escola. Como não sabia a data certa, fez a pesquisa pelo nome. Não encontrou nada.

Disse-lhe que tinha sido em setembro, e pouco depois de as aulas começarem. Não aparecia nenhuma factura.

Perguntou-me se não teria sido em outubro. Disse que não, mas procurou na mesma. Nada.

Pelo número de contribuinte, o sistema não permite a busca.

Ah e tal, mas no e-factura está lá. Pois, está lá o valor total, mas não dá para ver a factura em si, nem imprimir.

Como já estava ali à imenso tempo, e ela não conseguia fazer nada, disse-lhe que passava lá noutro dia.

Ela ficou de ver com o marido, para ele lhe explicar como se faz isso - emitir uma 2ª via da factura que, afinal, confirmei depois, sempre era de setembro.

 

 

Haverá mais alguém interessado em me dificultar a vida hoje?!

 

Mais consideração pelos alunos

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e já agora pelos pais, também.

Eu sei que devemos ser tolerantes de parte a parte e que, se gosto que me desculpem por me ter atrasado, também devo perdoar quem se atrasa.

Mas, uma coisa, é isso acontecer esporadicamente. Outra, é ser constante.

E é o que tem acontecido, nas aulas com o director de turma, principalmente à quarta-feira, que é o dia em que os alunos só têm cerca  de uma hora para almoço.

Nem todos os alunos almoçam na escola e têm tempo de sobra até à próxima aula. Há alunos que, tal como a minha filha, vão almoçar a casa.

Há pais que saem dos seus trabalhos para ir buscar os filhos, têm que ir a casa preparar o almoço, levar os filhos de volta à escola e seguir novamente para o trabalho.

Há alunos que nem sempre têm um carro à espera deles para os levar a casa, e têm que ir a pé.

Por isso mesmo, torna-se complicado quando os alunos saem cerca de 10 ou 15 minutos depois da hora, enquanto os pais esperam, e desesperam, à porta da escola. Dessa hora que tinham, sobram 45 minutos. Descontando 30 minutos de caminho (ida e volta), sobram apenas 15 minutos para almoçar, lavar os dentes e mudar os livros da manhã para os da tarde.

Muitas vezes, almoçamos a correr, só para que os nossos filhos não cheguem atrasados à aula seguinte. Porque, apesar de os alunos não terem culpa de sair mais tarde, não sei se isso serviria de desculpa ao professor, para justificar o atraso constante à sua aula.  

Esta é uma situação que já tinha acontecido no início do primeiro período, depois melhorou, mas agora tem vindo a acontecer regularmente. 

Já sabemos que os alunos nem sempre colaboram, e que os professores se vêem, muitas vezes, obrigados a interromper as aulas, por conta de repreensões, conversas ou distrações. Também sabemos que, à falta de melhor oportunidade, os professores têm que tratar de certas burocracias e transmitir informações adicionais, nem sempre ligadas à disciplina, que fazem perder tempo de aula.

Mas, por favor, tenham um bocadinho mais de consideração pelos alunos, e pelos pais que já andam demasiado acelerados, para ainda terem que correr mais.

 

Actualização: depois do atraso de 30 minutos de hoje, já seguiu um email para o director de turma. Não se admite.