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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quem diria...

 

Por esta é que eu não esperava!

Sempre utilizei água oxigenada para desinfectar feridas, e fico agora a saber que não o deveria ter feito. Ou, pelo menos, não é a solução mais eficaz para o efeito.

Contrariando a velha máxima "o que arde, cura", acabando com a tradição dos "ais" (provocados pelo contacto da água oxigenada com a ferida) e das "sopradelas" para aliviar o ardor, e derrubando a crença de que só quando deixar de formar espuma esbranquiçada, a ferida estará totalmente desinfectada e a caminho da rápida cicatrização, foi-me ontem explicado que o seu uso contínuo é desaconselhado.

Em vez disso, devemos limpar uma ferida lavando-a com água e sabão neutro, ou outros produtos mais tolerantes. O farmacêutico informou-me que uma primeira vez até podemos utilizar a água oxigenada para desinfectar, mas depois disso não.

De facto, ao cometermos esse erro, estamos a atrasar a cicatrização da ferida, além de não estar garantida a total limpeza e desinfecção.

A água oxigenada, embora passa ser considerada um bom desinfectante, com eficácia considerável na eliminação de microorganismos em pele intacta, não funciona tão bem como antisséptico, na eliminação de germes em feridas. Assim como também não distingue esses germes das células dos tecidos da ferida, agredindo ambos de igual forma.

É, então, preferível prosseguir o tratamento com antissépticos eficazes que não irritem nem agridam os tecidos, como por exemplo o Betadine.

E, assim sendo, já se está a ver que a minha filha, mesmo magoada no joelho, vai dar pulos de alegria quando lhe disser que já não vai ser preciso arder mais (e gritar que nem uma doida), para ela ficar boa!

A Medula Óssea

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Ilustração das células da medula óssea.

 

 

Ligamos a televisão, e chegam-nos notícias de crianças com doenças graves, e os seus dias contados, caso não recebam transplantes de medula.

Abrimos a nossa caixa de correio electrónico, e deparamo-nos com um pedido de ajuda que nos recomendam reenviar, propagando-se rapidamente pela rede.

Passeamos na rua, e encontramos afixado no vidro de alguma loja ou de um qualquer café, aquela já tão nossa conhecida folha de papel com uma fotografia e um apelo.

Surgem cada vez mais casos de pessoas, sobretudo crianças, vítimas de variadas patologias, que têm em comum o facto de a sua possível cura depender de um único tratamento – o transplante de medula.

Em consequência, surgem cada vez mais campanhas, sensibilizando e apelando às pessoas, para que sejam dadoras de medula óssea.

E até parece um processo relativamente simples: só temos que ter entre 18 e 45 anos, 50 kg de peso (no mínimo), não ser portadores de doenças crónicas ou auto-imunes, e não ter recebido transfusões de sangue desde 1980. Se encaixarmos nestes parâmetros, podemo-nos candidatar a dadores voluntários.

Convém informarmo-nos junto do centro de dadores da nossa região, e ser-nos-á indicado o hospital, ou centro de saúde onde nos poderemos dirigir.

Preenche-se um pequeno questionário clínico, avaliado posteriormente por um médico, são feitos alguns testes, caso não haja nenhuma contra-indicação e, se tudo estiver bem, os dados ficam guardados numa base informática nacional e internacional, e rigorosamente mantida a sua confidencialidade e anonimato.

Mas o que é, afinal, a medula óssea? Em que consiste? E porque é tão importante?

Medula óssea não é mais do que um tecido de consistência mole que preenche o interior dos ossos longos e cavidades esponjosas dos ossos. É nesse tecido que existem células a que dão o nome de células progenitoras, pela sua capacidade de se diferenciarem e dar origem a qualquer célula do sangue periférico, renovando-se frequentemente e mantendo um número relativamente constante.

É um órgão responsável pelo processo de formação, desenvolvimento e maturação dos elementos do sangue – glóbulos vermelhos (eritrócitos), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas (trombócitos), mantendo uma intensa e ininterrupta actividade, e onde têm origem alterações responsáveis por inúmeras doenças, como a anemia, a aplasia medular ou a leucemia.

São estas células, saudáveis, recolhidas da medula do dador, que serão mais tarde transplantadas no doente, com o objectivo de substituir as células doentes e formar novas células saudáveis.

Como é um tecido que se regenera rapidamente, é possível fazer mais do que uma dádiva ao longo da vida.

Mas, para que esse processo seja bem sucedido, há que haver a máxima compatibilidade possível entre as células do dador e do doente.

E esta é, talvez, a parte mais demorada e difícil de todo o processo – encontrar alguém compatível. Julga-se que aproximadamente 80% de todos os doentes tem um potencial dador compatível. O problema, e a dificuldade, está em encontrá-lo a tempo, antes que seja demasiado tarde.

Encontrado esse potencial dador, procede-se então à colheita, a partir da medula óssea (interior dos ossos pélvicos), o que requer anestesia geral e uma breve hospitalização), ou a partir das células progenitoras periféricas (feita no sangue periférico, a partir da veia do braço), sendo necessário tomar previamente um medicamento que vai fazer aumentar a produção e circulação das referidas células.

Hoje em dia, como medida de prevenção, e com o objectivo de salvaguardar a saúde dos filhos contra estas patologias, são muitos os pais que optam por guardar as células recolhidas do cordão umbilical dos seus bebés.

Embora ainda não se saiba muito bem definir se tal investimento terá o retorno esperado ou se, pura e simplesmente, de nada lhes valerá, frustrando-se assim todas as expectativas nele depositadas!

Será que é caso para dizer “mais vale prevenir que remediar”?

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