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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Do Teu Pai, com Amor, de Garth Callaghan

 

Pode ser mais um livro a querer puxar para o sentimentalismo, e com um tema já falado milhares de vezes em tantos outros livros do género mas, ainda assim, este conseguiu prender a minha atenção!

Porque é diferente! Porque fala de coisas simples mas, ao mesmo tempo, tão importantes. Porque fala de relacionamento entre pais e filhos - neste caso, entre pai e filha, de cumplicidade, de ensinamentos, de aproveitar o tempo da melhor forma, de estar perto, mesmo longe...

A história do livro é baseada em factos reais, e o autor é, ao mesmo tempo, o protagonista. Garth Callaghan sentia aquilo que muitos pais também sentem - não ter quase tempo nenhum para estar com os filhos. Mas encontrou uma forma original de estar mais presente: 

 

"Garth Callaghan sentia sempre um aperto no coração por ter tão pouco tempo para a filha. Durante a semana via-a sempre de fugida, de manhã e à noite, e pouco mais. Queria prolongar esses momentos com a pequena Emma, mas não sabia como fazê-lo. Um dia, enquanto lhe preparava a lancheira para a escola, lembrou-se de escrever uma mensagem num guardanapo… Foi a primeira de muitas. Escrevia frases pequenas, inspiradoras, que ajudassem a filha a enfrentar os desafios do dia-a-dia, os testes, as decisões difíceis. Punha no papel pensamentos seus, provérbios de diferentes países ou citações famosas. Até que Garth adoeceu gravemente. Descobriu que tinha um cancro terminal, e que lhe restavam poucos anos de vida. Nunca, como até esse momento, as mensagens lhe pareceram tão importantes. E este livro, estas mensagens, são a prenda de despedida de Garth para Emma. Para a filha, mas também para todos os pais e mães do mundo, a quem o autor insiste em dizer - com os nossos filhos todos os minutos contam, vamos aproveitá-los."

 

Não sabendo quanto tempo de vida lhe resta, Garth Callaghan garante que a sua filha Emma encontrará todos os dias, até concluir o ensino secundário, uma mensagem escrita num guardanapo, a embrulhar-lhe o lanche!

E sabem qual é a outra surpresa que este livro nos reserva? Traz dentro um marcador, e guardanapos brancos para enviarmos, nós mesmos, mensagens aos nossos filhos!

Mais um livro para a minha lista! 

 

 

 

Morreu Joe Cocker

O homem da voz rouca, e de sucessos como "You Can Leave Your Hat On" ou "Unchain My Heart" não resistiu ao cancro nos pulmões e faleceu, aos 70 anos.

A sua carreira, iniciada aos 15 anos, foi dedicada a apurar diferentes estilos que o influenciaram, como o soul, o rock e o blues.

Joe Cocker actuou algumas vezes no nosso país, a última das quais em 2011, no Algarve, e foi considerado pela revista norte americana "Rolling Stone" o 97º melhor vocalista de todos os tempos. 

A culpa é das estrelas?!

Num primeiro momento, pensei: "mais um igual ao Agora Fico Bem". Não liguei mais ao livro.

Uns tempos mais tarde, recebo as newsletters da Fnac, da Bertrand e da Wook com a promoção do livro. Leio a sinopse e fico indecisa. Compro? Não compro?

Não comprei! Mas consegui lê-lo, depois de o ter descoberto na internet. Li-o em um dia.

Se gostei? Gostei! 

Mas, contrariamente a muitas opiniões que li sobre o mesmo, não me fascinou. Houve apenas uma pequena parte que realmente me emocionou, mas nada como eu esperaria.

Ainda assim, gostei da história da Hazel Grace e do Gus, e dos temas abordados. Pareceu-me mais consistente do que a do Agora Fico Bem (embora em relação a esse ainda só tenha visto o filme).

E fica a mensagem que se pode retirar do livro - nada é seguro nem certo, a única certeza que temos na vida é a morte. Há que aproveitar enquanto cá estamos. E, se achamos que não há ninguém pior que nós, enganamo-nos. Podemos ter mais sorte, no meio do azar, do que pensamos. E ser mais fortes, do que imaginamos...

 

 

 

Acabou

 

Foi uma luta breve, mas muito dolorosa para quem a travou, e para quem acompanhou de perto o seu sofrimento.

Hoje, a luta terminou. A batalha não foi ganha. 

Faleceu hoje a minha tia. Ela já esperava, todos nós já esperávamos. Mas, quando acontece, custa-nos sempre a acreditar.

Que descanse agora em paz. E que guardemos sempre a imagem da mulher trabalhadora, humilde e amiga que sempre a caracterizou! Que a guardemos sempre no nosso coração!

Maldito bicho

Todos nós sabemos o que é, todos nós o tememos, todos nós o queremos bem longe da nossa porta.

É certo que ele faz-nos questão de lembrar que veio para ficar, que cada vez tem mais força e ataca mais pessoas. 

Num dia é um actor ou actriz conhecida, no outro alguém que é da nossa terra, vizinhos, familiares de amigos, até mesmo aqui, no mundo dos blogs, ele está presente.

Conhecemos a dor, conhecemos a luta, mas não sabemos como é lidar diariamente com ela. Ficamos sensibilizados, chocados, sem saber como seria se um dia nos calhasse a nós.

Falo, como já devem ter percebido, do cancro. Foi esse que, depois de ter andado pelas redondezas, resolveu agora aproximar-se mais e atingir a minha tia.

Ninguém merece passar por isso, e a minha tia, sem dúvida, não merecia! Não somos do mesmo sangue, é minha tia por afinidade. Mas isso é um mero promenor. Desde pequena que convivo com ela. Os natais, eram sempre passados com ela. E quantas vezes brinquei com as minhas primas lá em casa. Sempre foi uma mulher simples, alegre, brincalhona, trabalhadora, lutadora. Sempre esteve lá pronta a ajudar. Quase todos os dias a víamos quando tinha o café ao pé da nossa casa. Quando deixou, era frequente vê-la em casa dos meus pais, ao fim de semana, a jogar às cartas com o meu tio e com eles!

No momento de escolher alguém para minha madrinha de baptismo, foi a ela que escolhi. Não pelo dinheiro que tem, mas porque era aquela que, para mim, fazia mais sentido.

Agora, sem ninguém estar à espera, acontece-lhe isto. E não é que eu deseje mal a alguém, não desejo. Mas há tanta gente ruim neste mundo que ainda cá fica, enquanto que pessoas como a minha tia partem.

Os médicos não foram muito animadores - não vale a pena operar. Hoje vai saber a que tratamento se irá submeter. Fica a dúvida permanente - valerá a pena o sofrimento que o mesmo vai provocar, ou será em vão, servindo apenas para adiar o destino que se adivinha?

Há que ter fé, esperança, e acreditar que ela, contra todas as contrariedades e prognósticos, vai vencer esta batalha.

Ontem fui visitá-la - é sempre um momento complicado. Vê-la de repente numa cama, quase sem se poder mexer, com o desânimo estampado no rosto, apesar de disfarçar. Nem sabemos bem o que havemos de dizer, se não tocar no assunto, ou se falar abertamente. Não foi fácil, principalmente quando as lágrimas lhe começaram a cair.

É frustrante para ela, que sempre foi activa, precisar agora de ajuda para coisas tão simples como caminhar ou tomar um banho. 

A minha filhota, tão querida, acabou por animar um bocadinho quando se virou para a tia e disse "já sabes que para a próxima tens que pedir ajuda ao teu marido"!

Quanto a mim, fiquei para trás um bocadinho para ficarmos as duas sozinhas e lhe dar uma força, e fazê-la perceber, embora ela saiba, que se a família sofre por ela é porque a ama, e ela não tem que se preocupar com isso, mas sim em lutar e ficar boa, para ainda cá estar muitos mais anos entre nós, como sempre a conhecemos!

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