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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Histórias Soltas #23: O sinal

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Dizem que más notícias, quanto mais tarde vierem, melhor.

Ela não sabia se era bem assim.

Na verdade, ela nem sequer sabia se eram más notícias, as que viriam.

 

Nunca se preocupou muito com isso.

Quando surgiu, há cerca de dois anos, acreditou que era mais um sinal, que estaria a nascer.

Mais um para a colecção.

Para se juntar aos outros que, constantemente, vão surgindo.

Ano após ano.

 

Nas estações mais frescas, com a quantidade de roupa que vestia, nem sequer se lembrava daquilo.

Só voltava a dar por isso, no verão.

Quando ficava exposto.

Quando começava a provocar prurido.

Mas logo o verão passava, e se esquecia novamente da sua existência.

 

Até que, chegada uma nova primavera, olhou para aquela mancha estranha com outros olhos.

Que raio seria aquilo?

Estava a dar-lhe uma comichão louca e, sem conseguir evitar coçar, já estava a fazer ferida.

Para evitar mais esse problema, andou a pôr umas pomadas, que ajudaram.

 

Marcou uma consulta de dermatologia.

Começou a lembrar-se de todos os escaldões que tinha apanhado há muitos anos. E das consequências que, agora, eles poderiam trazer.

Mais valia averiguar, e descartar o pior.

 

Como ainda faltava mais de um mês, tirou umas fotografias, e partilhou num grupo dessa área, para ver o que diziam.

A resposta que lhe deram foi de que, pelas fotografias, não parecia ter sinais de malignidade. Parecia ser só um nevus plano que irrita ao contacto com a roupa, e por isso o eritema, escamação e comichão.

No entanto, foi aconselhada a fazer uma consulta presencial com um dermatologista, que iria usar outros meios para um diagnóstico mais correto.

 

Restava, então, esperar pela consulta.

E tinha, finalmente, chegado o dia.

 

Mas foi adiada.

Mais um mês.

 

Pode ser um sinal, de que não é caso para preocupação.

Mais um verão, e umas férias, para aproveitar o sol e a praia.

A mancha está melhor.

Se calhar até faz bem.

 

Seja como for, não há nada a fazer, a não ser esperar pela nova data.

Boas ou más notícias, só então se saberão...

 

 

 

"O Sonho", de Nicholas Sparks

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Quando pensava que Nicholas Sparks não me poderia mais surpreender, eis que ele me mostra que sim, consegue!

"O Sonho" é a prova disso.

Em alguns momentos, agradeci as pausas que foram feitas na narrativa, e aquelas que fui forçada a fazer (porque a vida não é só leitura), para que as lágrimas não começassem a cair.

E não, não é um livro sobre lamichices e os típicos romances a que já nos habituou.

 

É muito mais.

É sobre uma mulher que está no auge da sua carreira como fotógrafa, mas tem os dias contados, por conta de um cancro de pele, que descobriu quase por acaso.

Uma mulher que já viajou muito pelo mundo, mas dava tudo para voltar a um único sítio, onde foi feliz.

Uma mulher que nunca teve uma relação fácil com os pais e irmã, mas conseguiu amar, e ser amada, por uma tia que não conhecia, e de quem menos esperava amor.

 

É sobre uma adolescente que engravida, e cujos pais a mandam para longe, para ter a criança sem que ninguém saiba, dá-la para adopção, e voltar para junto deles, à sua vida normal, como se nada tivesse acontecido.

Uma adolescente que está perdida, mas se volta a encontrar onde menos esperava. 

Uma adolescente que vive o seu primeiro e único amor durante alguns meses, até que tudo muda.

 

É sobre abdicar, por uma causa maior.

Ainda que nos faça sofrer.

 

É sobre dar importância a pequenos gestos, a pequenos momentos, às coisas simples e bonitas da vida.

É sobre sonhos, e paixões.

Sobre o amor verdadeiro, e as escolhas que se fazem por ele.

É sobre o destino, o que ele nos reserva, e como nos troca as voltas.

 

"O Sonho" é sobre perseverança.

Uma última oportunidade, depois daquelas que não voltam mais.

Numa corrida contra o tempo.

Até que tudo acaba, onde tudo começou...

 

Maggie, uma fotógrafa de renome, tem poucos meses de vida.

Vai vivendo os seus dias à base de medicação para as dores, emagrecendo a olhos vistos.

Com a galeria numa época de maior movimento e trabalho, é necessário contratar alguém que ajude, e Mark, que em tempos tinha mostrado interesse e deixado lá o seu currículo, parece ser a pessoa certa.

Com o passar do tempo, Mark e Maggie começam a tornar-se mais íntimos, e Mark desafia a sua chefe a contar-lhe a sua história.

Assim, o livro vai alternando entre o presente, e o passado, com Maggie a explicar como surgiu a sua paixão por fotografia, e como conheceu o seu grande amor - Bryce.  

 

Nem sempre Maggie tem forças e disposição para seguir com a história mas nós, tal como Mark, ansiamos pelo que ainda está por vir, pelo que ainda falta saber, e como é que tudo aconteceu.

No fundo, à medida que Maggie vai avançando, a sua vida vai-se perdendo e, no entanto, os últimos dias da sua vida pareceram um reviver dos melhores momentos que viveu, como que para compensá-la, do que lhe estava a ser tirado.

 

Não é, como percebemos logo no início, uma história com final feliz.

Ainda assim, há uma surpresa guardada para os leitores, nas últimas páginas, que será também uma surpresa para a Maggie.

No fim, tudo valeu a pena!

Apesar de ter ficado tanto por viver, tanto por aproveitar, tanto por amar...

 

 

SINOPSE

 

"Em 1996, Maggie Dawes tem 16 anos e muito pouca vontade de ir viver com uma tia que mal conhece numa vila costeira remota e ventosa. Mas a ilha de Ocracoke, na Carolina do Norte, vai mesmo ser a sua nova casa.
Contrariada, Maggie encontra refúgio nas recordações da família e dos amigos que deixou para trás. Até ao dia em que a tia lhe apresenta Bryce Trickett, um dos poucos adolescentes da zona. Bonito e genuíno, o rapaz vai mostrar-lhe a beleza da ilha e despertar nela uma paixão pela fotografia que influenciará toda a sua vida daí para a frente.
Em 2019, Maggie é já uma fotógrafa de renome e divide o seu tempo entre viagens a locais remotos e uma galeria em Nova Iorque. Mas uma notícia inesperada obriga-a a permanecer na cidade durante o Natal. Com um fiel assistente por companhia, Maggie passa os últimos dias da quadra a recordar um Natal de outrora e a avassaladora paixão que mudou o rumo da sua vida.
Nesta história de descoberta, perda e redenção, Nicholas Sparks recorda-nos que o tempo que dedicamos às pessoas que amamos é uma dádiva preciosa."

 

Como lidar com alguém que tem cancro?

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O cancro é uma doença bastante conhecida e, atrevo-me a dizer, muito temida e odiada por todos nós.

Ela é responsável por levar muita gente desta vida. Familiares, amigos, conhecidos...

E, se é verdade que nem sempre mata, e é possível vencê-la, uma vez, e outra, se for preciso, também é verdade que, por vezes, leva a melhor. E quando não é ela própria, é o "rastro" que ela deixa. Como se costuma dizer, muitas vezes, não se morre da doença, mas da cura.

 

Claro que, quando uma pessoa recebe um diagnóstico destes, muita coisa lhe passa pela cabeça. Acredito que deva ser uma mistura de sentimentos contraditórios. Por um lado, quer lutar e acredita que pode vencer. Por outro, só a palavra por si só é suficiente para a pessoa achar que está condenada, e nem lhe apetecer lutar, numa guerra que já está perdida, à partida.

Acredito que, da mesma forma que a pessoa vai buscar forças que nem imaginava que tinha, também se vai depressa abaixo, noutros momentos.

Além disso, suponho que tenha dois pesos em cima de si. O de ganhar coragem para a sua luta, e o de transmitir coragem a quem a rodeia. Mostrar, muitas vezes, aquilo que os outros esperam. 

 

Mas, pergunto-me, o que será que uma pessoa diagnosticada com cancro espera de quem a rodeia? De quem está ao seu lado? 

Lembro-me de ir visitar a minha tia. De lhe dizer que não podia estar a pensar de forma negativa. Que não deveria pensar que ia deixar as filhas, os netos. Porque é o que se espera que digamos. E porque queremos que assim seja. Mas, não estaremos a enganar-nos, a nós, e à pessoa?

Lembro-me de a ver chorar, resignada, por aquilo que sabia que a esperava, embora fosse suposto nós dizermos o contrário, e ela ter que mostrar que sentia o contrário, para não nos incomodar, e deixar ainda mais tristes. Mas, no fundo, ela sabia. E partiu pouco tempo depois.

Uma vizinha nossa, também a lutar contra um cancro, sempre que a via, estava com um ar abatido, de lágrimas nos olhos, ciente do seu destino. Os médicos diziam que era tratável, que tinha cura. Pois... mas a medicação excessiva para essa cura acabou por lhe tirar a vida. 

Ainda que cada uma das pessoas que falasse com ela lhe desse força, lhe quisesse tirar os pensamentos negativos da mente, e acreditar que tudo iria correr bem.

No fundo, parece que estamos a enganar a pessoa, a dar-lhe falsas esperanças. A dizer e mostrar algo em que nem nós acreditamos. Portanto, uma farsa.

 

Assim, de que forma nós, que estamos do outro lado, devemos lidar com pessoas com cancro? 

Com positivismo? Com realismo? Com fingimento? Com sinceridade?

A pessoa diagnosticada preferirá frases feitas, ainda que quem as pronuncia não acredite muito nelas? 

Preferirá verdade?

De que forma podemos ou devemos apoiá-la, sem pintar um quadro negro derrotista, mas também sem mascarar a situação, enchendo-a de uma cor que não tem?

Ainda que encaremos, pra nós, a situação de uma forma realista, devemo-la expôr? Ou ficar em silêncio?

Devemos andar ali com "paninhos quentes", e "pezinhos de lã"? Ou mostrar que a batalha é dura, poderá não ser ganha, mas estamos ali, para o que for?

 

A frase que mais se adequa à minha forma de pensar, e que me vem logo à mente, é "Always expect the best, prepared for the worst...", ou seja, esperar sempre o melhor, mas estando, ao mesmo tempo, preparado para o pior.

Quer quem está a passar pela doença, quer para quem está do outro lado.

 

Mas só quem já passou por isso, ou quem está a passar, poderá dizer aquilo que, verdadeiramente, quer e espera de quem está ao seu redor.

 

 

Do Teu Pai, com Amor, de Garth Callaghan

 

Pode ser mais um livro a querer puxar para o sentimentalismo, e com um tema já falado milhares de vezes em tantos outros livros do género mas, ainda assim, este conseguiu prender a minha atenção!

Porque é diferente! Porque fala de coisas simples mas, ao mesmo tempo, tão importantes. Porque fala de relacionamento entre pais e filhos - neste caso, entre pai e filha, de cumplicidade, de ensinamentos, de aproveitar o tempo da melhor forma, de estar perto, mesmo longe...

A história do livro é baseada em factos reais, e o autor é, ao mesmo tempo, o protagonista. Garth Callaghan sentia aquilo que muitos pais também sentem - não ter quase tempo nenhum para estar com os filhos. Mas encontrou uma forma original de estar mais presente: 

 

"Garth Callaghan sentia sempre um aperto no coração por ter tão pouco tempo para a filha. Durante a semana via-a sempre de fugida, de manhã e à noite, e pouco mais. Queria prolongar esses momentos com a pequena Emma, mas não sabia como fazê-lo. Um dia, enquanto lhe preparava a lancheira para a escola, lembrou-se de escrever uma mensagem num guardanapo… Foi a primeira de muitas. Escrevia frases pequenas, inspiradoras, que ajudassem a filha a enfrentar os desafios do dia-a-dia, os testes, as decisões difíceis. Punha no papel pensamentos seus, provérbios de diferentes países ou citações famosas. Até que Garth adoeceu gravemente. Descobriu que tinha um cancro terminal, e que lhe restavam poucos anos de vida. Nunca, como até esse momento, as mensagens lhe pareceram tão importantes. E este livro, estas mensagens, são a prenda de despedida de Garth para Emma. Para a filha, mas também para todos os pais e mães do mundo, a quem o autor insiste em dizer - com os nossos filhos todos os minutos contam, vamos aproveitá-los."

 

Não sabendo quanto tempo de vida lhe resta, Garth Callaghan garante que a sua filha Emma encontrará todos os dias, até concluir o ensino secundário, uma mensagem escrita num guardanapo, a embrulhar-lhe o lanche!

E sabem qual é a outra surpresa que este livro nos reserva? Traz dentro um marcador, e guardanapos brancos para enviarmos, nós mesmos, mensagens aos nossos filhos!

Mais um livro para a minha lista! 

 

 

 

Morreu Joe Cocker

O homem da voz rouca, e de sucessos como "You Can Leave Your Hat On" ou "Unchain My Heart" não resistiu ao cancro nos pulmões e faleceu, aos 70 anos.

A sua carreira, iniciada aos 15 anos, foi dedicada a apurar diferentes estilos que o influenciaram, como o soul, o rock e o blues.

Joe Cocker actuou algumas vezes no nosso país, a última das quais em 2011, no Algarve, e foi considerado pela revista norte americana "Rolling Stone" o 97º melhor vocalista de todos os tempos.