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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Por onde anda o romantismo?

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Não anda!

Quando, para além do trabalho fora de casa, passo cada dia:

- a limpar as leiteiras das gatas 5 ou 6 vezes ao dia

- a controlar a ração das bichanas, dar atenção, brincar com elas

- cozinhar

- fazer camas que mais parece que andou por ali um furacão, de tão desarrumadas que estão

- a lavar camiões de loiça que se foram acumulando ao longo do dia, porque não há tempo para o fazer antes

- a arrumar tudo o que ficou desarrumado

- a ter que estender ou apanhar roupa, para não acumular no fim de semana

- a despejar vários sacos de lixo que vão ficando por ali à espera do uns minutos disponíveis para tal

 

A ter que fazer isto tudo sozinha, porque o marido tem dois trabalhos e só vai a casa comer qualquer coisa e dormir umas horas, e a filha está ocupada com a vida escolar

E repeti-lo dia após dia, ao longo de toda a semana...

... não é fácil ter boa disposição quando a noite ou o fim de semana chegam, e estar em modo romance.

Por norma, estou cansada, desejosa de acabar tudo e deitar-me para ver se descanso e durmo.

Algumas vezes, fico mesmo de mau humor porque queria chegar a casa e poder relaxar, mas não posso. Porque pensava que naquele dia não haveria tanto por fazer, mas afinal tenho o mesmo, ou mais ainda.

 

Deve ser por isso que o romantismo, averso a estas más energias, foi passar férias prolongadas para outro lado. Ou então, tirou licença por tempo indeterminado.

E não é fácil fazê-lo voltar, apenas por meia dúzia de horas, no meio do caos.

 

 

 

Efeitos secundários das medidas de contingência conta a Covid-19

Atasi Bengkak Kaki Semasa Mengandung | Najlaa Baby Skincare

 

Pernas inchadas, varizes e cansaço, para quem tem que estar à espera para ser atendido em qualquer lado.

Antigamente, íamos a um qualquer serviço, tirávamos a senha e aguardávamos comodamente sentados, no interior, a nossa vez.

Isso acabou.

 

Agora, esperamos de pé, em fila, na rua, que quam está a ser atendido saia, para entrarmos nós, ou que alguma alminha se lembre de nós chamar.

Passo pelo centro de saúde, a caminho do trabalho, e vejo os utentes cá fora, à espera.

Nas Conservatórias, CTT e outros serviços públicos, o mesmo. Não há condições para deixar as pessoas entrar e sentar.

Mas também não há hipótese de a pessoa sair da fila e ir sentar-se em qualquer lado, enquanto espera, para não perder a vez. 

 

Enquanto isso, os próprios serviços tornam-se mais demorados, o que nos faz esperar ainda mais tempo.

E desesperar.

Quem paga são as nossas pernas.

Podemos não ser contagiados pela Covid-19, mas sofremos no corpo todos os efeitos secundários que as medidas contra ela provocam.

Quando tudo assenta no mesmo pilar

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Qualquer estrutura, para se manter firme e intacta, precisa de assentar sobre pilares, que vão suportando e distribuindo, entre si, o esforço, de forma a manter o equilíbrio.

Dessa forma, não há nenhum que fique sobrecarregado. Todos se apoiam. Todos se entreajudam.

E, ainda que, em determinados momentos, um deles tenha que fazer um esforço extra, para compensar outro, que esteja em dificuldades, logo tudo se recompõe. E, ao longo do tempo, vão-se revezando nessa missão.

 

As construções mais antigas, talvez assentes sobre pilares mais firmes, tendem a aguentar-se e manter-se de pé por muito tempo. Já as mais modernas, nem tanto. Estas últimas são mais vulneráveis às intempéries. Por vezes, basta um abanão mais forte, e são derrubadas.

 

Ainda assim, seja qual for o tipo de construção, quando o peso tende a recair sempre para o mesmo lado, sobre o mesmo pilar, o que acontece é que, enquanto os outros estão intactos e como novos, aquele sobre o qual tudo recai, começa a acusar cansaço, a evidenciar pequenas mazelas que vão aumentando com o tempo, a torna-se mais susceptível a quebrar.

A sua capacidade para aguentar todo o peso vai diminuindo. A força de outrora vai falhando.

E chega o momento em que já não suporta mais, e deixa tudo cair sobre si.

Esse pilar levará tempo a recuperar, a ser restaurado. Muitas vezes, fica inutilizado para sempre.

Mas convém não esquecer que, apesar de todos os restantes pilares estarem na sua melhor forma, podem sofrer o impacto dessa queda, e ficar danificados também. Talvez não com tanta gravidade. Mas, ainda assim, danificados.

E escusado será dizer que toda a estrutura que desabou, dificilmente voltará a ser reconstruída nos mesmos moldes.

 

Se é daquelas construções que pouca diferença faz, se ficam de pé, ou se se deitam abaixo para fazer outras, mais modernas e vantajosas, pouco importará.

Mas se são construções que até poderiam ser duradouras, é de lamentar que se deixe chegar a esse ponto, muitas vezes sem retorno.

 

Já alguma vez se sentiram esse pilar que carrega todo o peso em cima?

Por vezes, conversar é como caminhar sobre um campo minado

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“Ela queria discutir com todas as forças, mas isso roubar-lhe-ia ainda mais energia.

Para o caso de não te teres apercebido, estou cansada. Teria gastado mais tempo a discutir contigo, do que a que tenho para gastar.”, do romance “Não É Bem Meu”.

 

 

Por vezes, estamos tão cansados que se torna difícil manter uma conversa com alguém, sobretudo quando meras conversas banais, tendem a tornar-se verdadeiras batalhas pela defesa de cada um dos pontos de vista.

Nem sempre é preciso levar uma conversa ao limite, espremê-la até se conseguir tirar o sumo todo, debater o assunto como se a nossa vida dependesse disso. Há conversas que, pelo contrário, devem ser leves, descontraídas.

E nem sempre uma opinião diferente significa contrariar o que o outro diz ou pensa. São apenas opiniões, cada um é livre de ter a sua. Não precisamos de enveredar por um "braço de ferro", em que só pode haver um vencedor, e um vencido.

 

Quando se começa a dissecar cada conversa que se tem, perdemos a vontade de conversar, porque isso exige-nos uma energia que não temos para gastar, um esforço que não temos vontade de empreender, em algo que não faz sentido.

Assim, deixamos de conversar, de nos manifestar, de dar opiniões, optando pelo silêncio, ou pela concordância com o que a outra parte diz. 

 

Por outro lado, quando se entra por esse caminho, o que acontece é que nos sentimos a caminhar sobre um campo minado. Sabemos que temos que ter cuidado onde pisamos, que a caminhada até pode decorrer sem incidentes mas que, qualquer passo em falso, pode fazer explodir uma mina e atingir-nos. Qualquer frase ou palavra pode tornar-se uma armadilha a ser usada contra nós. 

Como tal, deixamos de querer entrar em qualquer campo que seja, preferindo ficar quietos, para não correr perigo de activar o explosivo.