Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mudei de casa

474794776_1341478513908562_1340764148241392416_n.j

 

E aqui ficam as novas moradas:

 

Marta - O meu canto - https://marta-omeucanto.blogspot.com/

A Palhaça Martita - https://apalhacamartita.blogspot.com/

Clube de Gatos do Sapo (agora apenas Clube de Gatos) - https://clubedegatosblog.blogspot.com/

Os autores que queiram continuar a colaborar devem enviar-me o seu email, para que eu possa adicionar.

 

O Blog da Tica - https://gatatica.blogspot.com/

Histórias e Contos - https://historiasecontosblog.blogspot.com/

Estes dois apenas para manter o arquivo.

A vantagem de morar perto do hospital...

ícone-da-sala-de-espera-no-fundo-branco-107419589

... é marcar a consulta, ir até casa e voltar, para ser atendida, três horas depois!

 

Apesar dos votos habituais de saúde para o novo ano, 2023 não fez caso, e trouxe, à minha filha, uma amigdalite.

Começou a sentir dor na segunda-feira. Quando saiu do trabalho, à tarde, estava com febre.

Entretanto, como tomou comprimidos e pastilhas, melhorou.

 

Aqui em Mafra, para sermos vistos por um médico, ou tentamos consulta do dia, no Centro de Saúde, entre as 8h e as 20h (que nunca é assim porque, muitas vezes, a meio da manhã, já não há vagas), ou vamos ao Atendimento Complementar (24 horas), caso não haja vagas no Centro de Saúde, ou fora daquele horário (8h-20h).

Só que, em horas normais, está sempre muita gente.

Ou vamos de manhã cedo, aí pelas 6h/7h, ou a partir da meia-noite.

 

Na terça-feira, a minha filha só trabalhava da parte da tarde, pelo que deixei-a dormir de manhã.

Continuava com dor.

Quando lhe vi a garganta, ao almoço, disse logo: tens mesmo que ir ao médico para te receitarem antibiótico, estás com amigdalite.

Foi trabalhar, com um arsenal de pastilhas e ibuprofeno para atenuar.

À noite, quando saíu, seguimos directamente para o hospital.

 

Marcada a consulta às 21.11h, foi-nos dito que tínhamos mais de 30 pessoas à frente.

Como moramos perto, fomos a casa para a minha filha jantar e descansar um pouco.

Eu adiantei algumas coisas em casa. Ainda dei colo à bichana e comecei a ler um livro.

Cerca das 23h, voltámos ao hospital.

Ainda tínhamos 12 pessoas à frente (e isto porque tinha havido várias desistências).

Esperámos por lá mesmo.

Foi atendida já passava da meia-noite, após 3 horas de espera (não está mau).

 

Num curto espaço de tempo, e quando digo curto, é mesmo curto, à volta de 7 minutos, se tanto, 3 pessoas foram atendidas pelo mesmo médico. Um médico que tinha entrado há poucos minutos ao serviço.

O que me leva a questionar se os que estavam de serviço, até aí, estariam a atender à velocidade de caracol (e daí tanta gente à espera, e tanto tempo de espera), ou se demoram cerca de 20 minutos com cada utente, num atendimento demasiado atencioso, e seria este último a estar mal.

Mas a verdade é que, no caso da minha filha, e se calhar, de tantas outras pessoas, não havia muito por onde demorar. Era só ver a garganta e passar a receita.

 

Como já era tarde e, para nosso azar, a farmácia de serviço ficava a mais de 10km, acabámos por ir directamente para casa. Estava com febre novamente.

Chá de limão quente, mais ibuprofeno e tentar controlar a coisa até ao dia seguinte, para comprar os medicamentos na farmácia ao pé do meu trabalho.

 

Infelizmente, havia ali pessoas, que tinham chegado à tarde, e já iam com várias horas de espera, sem ter para onde ir.

Infelizmente, há hospitais ainda com mais tempo de espera, para onde nem vale a pena ir, e cujas situações seriam fáceis e rápidas de resolver.

Talvez por isso, muitos tenham desistido.

Mas é o que temos. E quem precisa, tem que ser paciente, e resiliente.

 

Peripécias de uma semana de baixa!

c9f1b39c81f11428eb9f68fcc3d34d2c.jpg

 

Experimentei uma nova forma de enxugar loiça: sentada numa cadeira! Até nem foi mal pensado.

Ou de lavar a loiça: de joelhos, na cadeira. Não deu jeito nenhum.

 

Passei a dormir só com um edredão, porque os cobertores e edredãos que tenho na cama eram demasiado peso em cima do corpo (vá lá que não esteve muito frio nessas noites), e houve mesmo alturas em que dormi, literalmente, com os pés de fora!

 

Passei tardes sentada, com uma perna levantada, a outra em baixo, e uma gata ao colo!

 

No primeiro dia em que tive que ir ao Centro de Saúde mudar o penso, liguei para todos os taxistas que conhecia, e não houve uma alminha disponível para me levar até lá (haja clientes e trabalho). Portanto, tive que ir a pé! O que vale é que a distância é pequena.

 

Deitava-me com uma almofada por baixo da perna e, quando dava por isso, era a gata que estava em cima da almofada. Outras vezes, a almofada acabou a fazer de barreira, para o companheiro do lado não me tocar, sem querer. 

 

Dava comida à bichana, ou limpava as caixas de areia, abaixada, com um pé normal, o outro esticado, e encostada a uma cadeira!

 

Apesar da costura do tornozelo ter causado maiores dores, foi a do peito que me irritou (ainda irrita) e quem pagou foi o cabelo, que passou a andar apanhado, porque o mais pequeno fio me incomodava, e dava nervos, ao tocar na pele.

 

Pus em prática aquele conhecido termo "tomar banho à gato"!

Não me quis arriscar com película aderente, nem a ficar com a metade direita do corpo na banheira, e a metade esquerda de fora. As toalhitas dos bebés também foram uma solução!

 

E quando uma pessoa tem, finalmente, autorização para tomar um banho decente... Acaba-se o gás!

Lá se foi o banho.

 

Tive que usar uns chinelos da minha mãe porque as minhas pantufas novas, com o pé inchado, não me serviam.

Tive que arranjar roupas largas, e camisolas mais quentes que não me irritem a pele (assaltei o roupeiro da minha filha).

 

Fui um dia levantar um exame do meu pai a uma clínica e, mal entro, a funcionária diz-me: "Ah, é a senhora do sinal!" Não me perguntem a que propósito ela disse isso. Ou se confundiu, ou leu algures sobre mim, porque nunca lá fui por causa deste assunto. Meeedo!

 

Na ida ao Centro de Saúde, a senhora enfermeira sugeriu-me, muito preocupada, levar uns preservativos porque, como estava a tomar antibiótico, podia cortar o efeito da pílula. Como se eu, cheia de costuras de cima a baixo, a tentar evitar esforços, e com dores, estivesse a pensar nessas aventuras!

 

Chegada a domingo, acho que nunca tive tanta vontade de regressar ao trabalho, como nesse dia!

Para que vejam ao ponto de tédio a que uma pessoa chegou. 

 

E assim se passou a semana.

Essa, e mais uma, já de trabalho. Bastante trabalho, por sinal.

 

O corpo, já nada habituado a caminhadas, e a subir e descer escadas, reclamou. Ao final do dia, parecia que tinha andado no ginásio: doíam-me todos os músculos. Dores saudáveis, dizem...

 

Estava capaz de tirar férias!

Irónico, não?!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que demónio é este?...

png-transparent-hair-coloring-black-hair-hime-cut- 

 

Mas que demónio é este, que por aqui ciranda?

Seja ele qual for, que volte depressa para de onde veio.

É impossível andar na rua.

 

Mal uma pessoa sai, fica à mercê dele.

Revoltoso, gélido, sem dar um único segundo de tréguas.

Esbofeteia-nos de um lado. E do outro.

Empurra-nos, fazendo-nos acelerar mesmo sem querer. Outras vezes, trava-nos, como se nos tentasse impedir de seguir caminho.

Desorienta-nos.

 

Já não basta a chama intensa que nos fere os olhos, também ele quase nos cega.

Enquanto nos debatemos com ele, nem nos atrevemos a respirar. Sustemos a respiração, até estarmos em relativa segurança.

Que só chega quando entramos em casa.

Até então, percorremos o caminho o melhor que conseguimos, quase sem o ver, em modo automatico, porque perceber onde estamos e com o que estamos a lidar é doloroso e cansativo demais.

 

Na rua, o demónio anda à solta.

Chama-se vento.

Já deveríamos estar habituados.

Mas o vento nem sempre está assim.

Com esta fúria desmedida. Com esta raiva descontrolada.

A fustigar cada centímetro da nossa pele, e do nosso corpo.

 

Em casa, continuamos a ouvi-lo.

A sentir que ele tenta, de todas as formas, quebrar as barreiras. Chegar até nós.

Mas não consegue.

E nós podemos, então, tranquilamente, abrir os olhos, que demoram a habituar-se à calmaria.

Podemos respirar de alívio.

Podemos descontrair o corpo que, só então, percebemos como estava contraído, e relaxar.

 

Até à próxima luta, quando tivermos que voltar à rua, e enfrentá-lo novamente.

 

 

Confinamento não é sinónimo de ficar em casa por obrigação

Imagem-texto-coronavirus-em-casa-v3.jpg

 

No outro dia, dizia-me o meu marido "Deves ser das poucas pessoas que cumpre à risca o confinamento, não sais de casa!".

Dito assim parece que vivo enclausurada! Não é o caso.

Todos os dias vou para o trabalho, faço 4 caminhadas diárias no percurso casa-trabalho-casa.

Quando não vou às compras à sexta-feira ao almoço, vou ao sábado.

Por isso saio, caminho, faço o que tenho a fazer.

 

Já chegou a acontecer estar em casa, e ter que sair para apanhar ar.

Da mesma forma, se estou bem em casa, porquê sair?

 

Não é uma questão de cumprir o confinamento, ou de ter receio de apanhar o vírus.

É mesmo porque me sinto bem e não me faz falta andar por aí na rua só para não estar em casa.

 

Sim, é verdade que, desde que a pandemia surgiu, nunca mais almocei fora, por exemplo. Ou estivemos numa esplanada. Mas eu também não sou mulher disso. À excepção de uma ou outra ocasião especial, é sempre o meu marido que me convence e convida a almoçar fora.

Não sou mulher de andar por aí a tomar o pequeno almoço ou lanche. Normalmente, faço-o em casa. Ou levo de casa.

Não sou mulher de querer sair todos os fins de semana e andar a passear, até porque há muito para fazer em casa, e em tempo de aulas mais ainda.

E se já ando na rua, e farto-me de andar durante a semana, que sentido faz, quando posso estar descansada em casa, andar a cansar-me na rua.

Para fazer os mesmos passeios de sempre? Onde já andámos mil vezes?

 

Portanto, não me estou a privar de nada, nem a obrigar a nada. 

Estou a agir conforma já agia.

Não fico em casa por obrigação. Porque é confinamento.

Fico em casa se, quando, e porque me apetece.