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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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"O Quarto"

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Também conhecido por "O Quarto de Jack", este filme mostra como uma mãe e o seu filho vivem enclausurados num quarto, durante vários anos, como se fosse algo perfeitamente banal, e aquele espaço fosse o único existente no mundo.

Já tinha ouvido falar do filme, mas sem lhe dar grande importância. Para dizer a verdade, nem sabia muito bem do que ele tratava, até o meu marido o gravar, e eu ter pesquisado mais informação.

 

 

Infelizmente, este é um tema difícil de ser abordado, com cenas que preferíamos não visualizar, mas que retrata uma realidade cada vez mais frequente.

Joy foi raptada há 7 anos (tinha apenas 17 anos na altura), e trancada naquele quarto pelo "Velho Nick", onde sofreu abusos sexuais constantes, tendo deles resultado um filho - Jack.

Poder-se-ia pensar que Joy iria rejeitar este bebé, ou que o próprio Nick se iria desfazer dele, mas não é isso que acontece. Joy cria-o como pode, evitando ao máximo que ele perceba a verdadeira situação em que estão, fazendo-o acreditar que aquele espaço é o único que existe, e que tudo o resto é fantasia ou magia.

E, assim, Jack vai crescendo, aprendendo a ler, fazendo exercício, e levando uma vida relativamente normal, com o pouco que têm, que Nick lhes leva sempre que visita Joy, e perpetua mais um abuso, com o filho a assistir, dentro do roupeiro. Joy nunca permitiu que Nick chegasse perto de Jack ou sequer tocasse nele.

A partir do momento em que Jack completa 5 anos, Joy começa a perceber que, mais cedo ou mais tarde, terão que tentar escapar e, agora que o filho já é mais velho e poderá perceber melhor a situação, conta-lhe então a verdade, e elabora um plano em que Jack será fundamental para os tirar dali para sempre.

 

 

 

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Ora, imaginem o que é, durante 5 anos, contar uma mesma história e, de um momento para o outro, dizer que isso afinal não é verdade. E esperar que uma criança aceite o que agora é dito como real, e esqueça o resto? Não é fácil, e Jack irá, algumas vezes, revoltar-se, sentir medo, tentar ignorar.

Até porque, para Jack, o "Quarto" era um local seguro, onde ele sempre viveu, e onde tem as únicas recordações da sua infância.

Mas o plano segue adiante, e Jack e a sua mãe são mesmo resgatados, voltando para a família, colocando assim um ponto final em 7 anos de abusos e cláusura.

Resta saber como poderão Joy, os seus pais (que entretanto se separaram e reconstruíram as suas vidas) e, principalmente, Jack, conseguir recuperar a sua vida, fora daquelas 4 paredes.

 

 

Poderão os avós aceitar, com a mesma facilidade com que Joy o fez, um neto que resultou de abusos sexuais?

Poderá Joy conviver com eles, havendo essa rejeição?

Terá ela pensado, verdadeiramente, no filho, ao tê-lo mantido consigo durante tantos anos em cativeiro, ou tomado a melhor decisão?

Só quem passa por uma situação destas saberá o que se sente, e como consegue ultrapassar cada dia que passa, sem enlouquecer, sem perder o controlo, sem se deixar vencer ou, até, tomar uma atitude mais drástica, para acabar de vez com tudo. 

Um outro olhar sobre o Jardim Zoológico

 

Que eu me lembre, nos meus 37 anos, devo ter ido umas 3 ou 4 vezes ao Jardim Zoológico de Lisboa (nunca fui a nenhum outro, nem outro espaço do género).

A primeira vez foi na minha infância, e pouco me lembro.

A segunda, quando a minha filha tinha uns 3/4 anos, e foi uma tarde para esquecer, porque a menina estava com a birra, não queria ver nada, não queria andar e fazia "trombinhas" para a máquina fotográfica sempre que lhe queríamos tirar uma fotografia (o que nos rimos agora as duas quando eu lhe conto isto)!

 

 

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Nessa altura, o objectivo era ir até lá passear e ver os animais. Como muitas pessoas, também ficávamos aborrecidos quando não os conseguíamos ver, ou sempre que um determinado espaço estava encerrado para manutenção.

Era uma forma de passar um dia em família, a visitar animais que, de outra forma, nunca conseguiríamos ver em Portugal. 

 

 

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Recentemente, voltei lá, com o meu marido e a minha filha, e com um outro olhar sobre aquele mesmo espaço. Lembro-me, automaticamente, do filme "Madagáscar".

Haverá animais que, eventualmente, se poderão sentir bem ali, mas será que outros não preferiam estar no seu habitat natural?

A verdade é que, comparativamente a anos anteriores, o espaço está muito mais adaptado às necessidades dos animais, em termos de recriação dos habitats naturais, mas será isso o suficiente?

 

 

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A primeira questão que me coloco é: como é que todos aqueles animais ali chegaram ao Zoo? E com que objectivo?

Por certo, não será apenas pela vertente financeira. A verdade é que gerir um espaço como este, alimentar todos aqueles animais, cuidar da sua saúde e higiene e proporcionar as condições mínimas de habitabilidade no Zoo, deverão justificar os preços de bilheiteira actualmente praticados. 

 

Será somente pela vertente lúdica? Não me parece que seja, até porque os animais, embora muitas vezes encerrados em espaços próprios, não estão propriamente a fazer acrobacias o tempo todo para os visitantes, por obrigação. Ou brincam porque lhes apetece, e nós até achamos piada, ou fazem exibições programadas que, ainda assim, nem sempre acontecem se eles não estiverem "para aí virados".

 

 

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Será, então, uma junção destas duas vertentes, aliada a uma questão de preservação de determinadas espécies que, no seu habitat natural, arriscavam-se à extinção?

Terão muitos daqueles animais chegado ali por uma questão de segurança ou sobrevivência?

Estarão estes animais mais bem tratados e seguros neste tipo de espaços, que no seu habitat?

 

 

A segunda questão é o desapontamento de muitos adultos perante o pagamento de um bilhete tão caro, face à possibilidade de não ver alguns animais

Lamento, mas é mesmo assim. Já basta eles estarem ali, quanto mais ainda estarem à disposição de quem os visita! Os animais não têm culpa que cobrem para os visitar. E nem sempre estão com disposição para exibições, para aturar milhares de visitantes a querer que façam isto ou aquilo para ficar bem na fotografia, ou porque pagaram para isso, dia após dia, semana após semana. Nem nós, humanos, temos por vezes paciência, quanto mais os animais.

É normal que eles se escondam, que evitem a confusão, que não queiram dar um ar da sua graça, que queiram estar sossegados no seu canto.

 

 

 

 

Por último, e no caso específico da Baía dos Golfinhos, e do espectáculo das aves, a interação, cumplicidade, confiança e amizade entre os animais e os tratadores humanos

Imagino que, para se conseguir o resultado final que nos é mostrado em cada espectáculo, se perderam muitas horas de treino, de convivência, de pequenos progressos. 

É preciso uma grande cumplicidade e confiança que levam tempo a conquistar, e que permite que o público assista a todas aquelas acrobacias com que nos brindam a cada novo show.

A que custo isso é conseguido? 

Quero acreditar que tudo assenta numa base de confiança e amizade entre o tratador e o animal em causa, e respeitando os animais, e não treinados com recurso a métodos pouco recomendáveis.

Em último caso, à base de muitas recompensas!

Sim, porque se repararem bem, por cada manobra ou acrobacia que fazem, ganham um peixinho ou outro mimo. E, sem eles, não trabalham!

É preciso arcas ou sacolas com muito alimento em cada exibição, para os cativar e ter vontade de mostrar o que andaram a treinar.

 

 

 

 

 

A conclusão a que chego é que, ao mesmo tempo que continuo a considerar uma visita aconselhável e agradável para se fazer em família, acabo, talvez, por não desfrutar da mesma forma que antes, por haver uma dualidade de sensações contraditórias e, mesmo sem querer, a questionar tudo o que está por detrás daquilo que vemos!  

 

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