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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Reencontrei-me em Havana, de Leonor Santos

Reencontrei-me em Havana

 

A culpa é um fardo demasiado pesado para se carregar uma vida inteira.

E, por vezes, serve de desculpa para fugir aos problemas, para justificar decisões, para afastar, e se afastar, daqueles que estão ao seu redor.

Mas também pode servir de impulso para a mudança, para a descoberta, para a conquista.

Tudo depende da forma como for gerida, e da direcção em que for impulsionada.

 

Luiza passou seis anos da sua vida a deitar por terra tudo o que tinha sonhado para si, e a castigar-se, pelo acidente que tirou a vida à sua irmã mais nova.

Porquê? Porque se sentia responsável, culpada.

Era ela que ia ao volante. Foi ela que se enervou, foi ela que acelerou, foi ela que não conseguiu controlar o carro, e se despistou.

Os últimos momentos, antes de tudo acontecer, a última vez que viu a irmã com vida, passaram-se numa discussão entre ambas.

Mas, se o acidente, só por si, já lhe trouxe culpa suficiente, esta ainda se acentuou mais por conta de um segredo, que viremos a descobrir mais tarde.

 

A trabalhar como empregada de limpeza, depois de se licenciar em jornalismo, e afastada dos pais, com quem não fala há dois anos, Luiza descobre, entre as coisas da irmã, uma lista, escrita por esta, de coisas que quereria fazer antes de morrer.

E é assim que Luiza dá, finalmente, uma “utilidade” à culpa, e a usa no sentido positivo, mudando a sua vida.

Ultrapassando os medos do passado, e enfrentando os desafios do presente.

Haverá espaço, nesse presente, para se reconciliar com tudo, e com todos aqueles que ficaram para trás?

Haverá tempo para uma nova vida, livre de culpas, mágoa e ressentimento?

 

"Reencontrei-me em Havana" é um livro de escrita simples e objectiva, que se foca nos factos, sem perder tempo em grandes enredos e floreados, indo ao que realmente interessa, e de leitura fácil e rápida, que mostra que, ainda que nem sempre haja uma razão para as coisas acontecerem, há que reter ou descobrir aquela que melhor ajude a superar o que de pior esse acontecimento trouxe com ele.

 

 

Sinopse

 

"Luiza tem uma vida perfeita ou pelo menos é o que todos pensam. Uma jovem prestígio apaixonada pela escrita, com tudo para ter um futuro fantástico. Um passado traumático e um segredo enorme aterrorizam-na.

Quando a irmã morre num acidente de viação, Luiza desiste de tudo! Desiste da sua vida, da sua carreira, das suas paixões… Afasta-se dos mais queridos e de tudo que em tempos foi.

Anos passados, Luiza encontra uma carta da irmã, onde esta enumera os seus desejos. Esta pode ser a sua única oportunidade de conseguir, finalmente, seguir com a sua vida.

E assim, parte numa viagem ao desconhecido, aquilo que mais teme. Mas será que a sua vida tomará um novo rumo? Será esta viagem capaz de fazer Luiza esquecer o sofrimento e dor de tantos anos?"

 

 

 Autor: Leonor Santos

Data de publicação: Outubro de 2020

Número de páginas: 142

ISBN: 978-989-52-9033-8

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT

 

 

"O amor não é cego", de Teresa Caetano

O amor não é cego

 

Também me parece que "o amor não é cego". E atrevo-me a afirmar que, tão pouco, cega.

Acredito que, quando existe amor, conseguimos ver tudo, seja bom ou mau.

Aliás, quando existe um amor verdadeiro, existe uma total clareza e limpidez, que nos permite ver aquilo que está à vista, e o que está escondido. O superficial, e o mais profundo.

E nem precisamos de olhar, para o conseguir.

Mas, muitas vezes, aquilo que está à frente dos nossos "olhos" não é o que gostaríamos de ver.

Então, apenas fingimos não ver, ou optamos por não olhar para o menos bom, focando-nos no que mais nos agrada. 

E esse é, muitas vezes, o grande erro. Porque não se pode amar pela metade, ou apenas uma parte. Porque a pessoa por quem é suposto sentirmos amor, tem os dois lados e, por mais que queiramos, não podemos ficar com o que mais nos interessa, ignorando o outro, como se não existisse. 

A nós, cabe escolher entre as duas opções possíveis: ou amamos por completo, ou não amamos.

 

Quando optamos por ignorar, mais cedo ou mais tarde, as relações acabam por não dar certo.

Nem mesmo quando apostamos noutras relações, procurando apenas compensar aquilo que faltava à anterior. Porque nenhuma relação é um complemento da outra. Nem a solução para a falha da outra. Ao fazê-lo estamos, mais uma vez, a procurar aquilo que mais queremos, ignorando o restante, que poderá não nos agradar.

 

Nesta história, Carolina e André pareciam perfeitos um para o outro mas, afinal, houve muita coisa que ficou por ver, ou que se fingiu não ver, porque tudo parecia bem como estava. Mas não estava.

E, assim, vemos André procurar noutra relação, aquilo de que sentia falta na primeira. Mas o que ele queria mesmo, era aliar a parte boa da primeira relação, com a parte boa da segunda. E isso é impossível.

 

Sim, as pessoas podem mudar e, talvez, André e Carolina pudessem, observando e interpretando os sinais e, sobretudo, conversando abertamente, resolver e aplacar as diferenças que os separaram.

Mas, pela minha experiência, só depois da separação é que temos a tendência a ver as coisas de forma diferente. Porque é ela que nos abre outra perspectiva. Outros horizontes. Outra forma de encarar a vida, e as relações. Porque é ela que nos faz perceber onde errámos, para fazer melhor da próxima vez.

E isso não significa que, da próxima vez, já vamos fazer tudo bem, acertar, ver tudo com clareza. Por vezes, é um processo que se vai desenrolando, ao longo das várias relações e que pode, um dia, levar a esse amor em que vemos, aceitamos e amamos tudo por inteiro, ou nunca chegarmos a encontrá-lo.

 

Mas, mais do que o amor, as relações, ou o romance em si, que são o fio da história, destaco, acima de tudo, duas temáticas que a mesma aborda: o preconceito geral, seja em relação a estatutos sociais, a limitações físicas e tantos outros, e os entraves impostos pela sociedade às pessoas portadoras de deficiência, muitas vezes aliados a mesquinhez, egoísmo e egocentrismo.

 

Relativamente ao primeiro, é incrível como, numa traição e no fim de um casamento, aquilo que mais importância assumiu não foi a traição em si, nem tão pouco a pessoa em si, mas o estatuto social daquela pela qual foi trocada. Como se fosse um total absurdo tal troca. Uma audácia, uma ousadia a que ninguém no seu juízo perfeito se deveria atrever.

E como, mais tarde, por comparação, já tudo isso se tornou irrelevante, perante uma ousadia ainda maior, e ainda pior, aos olhos de determinadas pessoas, ao se desprezar o menino rico e de boas famílias arrependido, preferindo um homem cego.

 

No que respeita ao segundo tema, a sociedade está formatada para lidar com pessoas ditas "normais". E é em função destas que tudo gira, que tudo é construído e adaptado. E, embora já se comece a ter em consideração as minorias, as pessoas portadoras de deficiência vêem-se, muitas vezes, limitadas, discriminadas, diminuídas, esquecidas, ignoradas, menosprezadas, pelos demais.

Faltam condições de acessibilidade, e de acesso, àquilo que deveria estar ao alcance de todos. Falta respeito. Falta solidariedade. Falta tratar o que é diferente com igualdade, e equidade, não acentuando as diferenças. É necessário derrubar barreiras, obstáculos, e tornar possível.

Há ainda um longo caminho a percorrer nesse sentido, mas é mais do que necessário.

 

Por fim, outra temática muito actual nos dias que correm: as redes sociais e as aparências.

Vivemos grande parte da nossa vida em função daquilo que os outros pensam, querem, dizem, gostam, sem nos preocuparmos naquilo que, realmente, nos faz falta, e nos faz bem. Vivemos muitas vezes no mundo do faz de conta, encarnando uma personagem que nada tem a ver connosco. 

Existe vida para além das redes sociais, para além dos "likes" dados só por dar, por quem nem sequer nos conhece verdadeiramente, para além da ostentação, para além das amizades por conveniência, para além da fama momentânea, para além de um corpo tonificado, uma cara bonita e uma roupa elegante. 

 

"O amor não é cego" não é um livro para puxar a lágrima, ou emocionar, mas antes para reflectir.

Reflectir sobre aquilo que é, realmente, importante, e nos faz, verdadeiramente, felizes. E como podemos alcançar parte dessa felicidade, marcando pela diferença, e fazendo a diferença na vida daqueles que ainda não se conseguem fazer ouvir, por aqueles que insistem em pensar apenas em si próprios.

 

Sinopse

"Desde cedo, Carolina habituou-se a viver num mundo de aparências, onde o culto pela imagem não a deixava ver a verdadeira essência das coisas.

Poder morar numa boa casa, usar roupas e acessórios de marcas caras, frequentar festas cheias de brilho e casar com o homem que se ama poderá cegar alguém perante os pequenos pormenores da vida?

Quando se está acostumada a ter tudo o que se deseja, sem qualquer esforço, será possível dar valor ao que se tem?

Este livro fala-nos de duas formas distintas de amor: o aparente e o verdadeiro que, muitas vezes, se poderão confundir.

Os diálogos entre as personagens são uma marca constante nesta história, pois é através deles que serão reveladas algumas verdades escondidas, repletas de fortes emoções.

Será que uma forma diferente de ver o amor nos poderá ajudar a encará-lo com um novo olhar?"

 

 

Autor: Teresa Caetano

Data de publicação: Outubro de 2020

Número de páginas: 314

ISBN: 978-989-52-9263-9

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT

 

 

À Conversa com Élvio Carvalho

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Élvio Carvalho é jornalista e editor de noticiários na TVI e TVI24.

Natural de Castelo Branco, acabou por se mudar para Lisboa em 2013, altura em que começou a trabalhar na TVI.

É mestre em jornalismo pela Universidade da Beira Interior e um apaixonado pela escrita. 

Para o ficarem a conhecer melhor, aqui fica a entrevista a Élvio Carvalho,  a quem desde já agradeço por ter aceitado o convite e pela disponibilidade para participar nesta rubrica:  

 

 

 

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Para quem não o conhece, quem é o Élvio Carvalho?

Em poucas palavras, sou jornalista na TVI, agora escritor.

Alguém que sempre gostou das letras e de inventar histórias para livros que nunca tinham saído da gaveta. Sou natural do concelho da Covilhã e vivo em Lisboa há quase sete anos.

 

 

Em que momento surgiu a paixão pela escrita?

Não sei precisar quando, mas foi ainda muito novo.

Logo que aprendi a ler, comecei a pegar em livros, infantis, claro, mas uns atrás dos outros, e ainda durante a primária, talvez já na quarta classe, escrevi o primeiro conto, se é que se pode chamar assim.

Desde aí, lembro-me que sempre inventei pequenos contos, histórias, banda-desenhada, mas nunca de forma séria. Já na universidade, tentei escrever o primeiro romance, mas não tive disciplina para terminar.

Há dois anos revisitei algumas dessas páginas e acabei por começar o livro que agora viu a luz do dia.

 

 

O jornalismo acabou por vir na sequência dessa paixão?

Não exatamente. Sempre gostei de saber o que se passava no mundo, mas o gosto pelas notícias e pelas várias formas de fazer jornalismo foi uma coisa crescente.

Aumentou com o passar dos anos, mas, por exemplo, no 9º e 10º ano ainda tinha dúvidas se não seria melhor ir para Direito.

A escrita não. Sempre gostei, sempre inventei histórias minhas, sempre tive imaginação fértil nesse sentido.

Lançar um livro depois de já ser jornalista acabou por ser uma mera casualidade, podia bem ter sido ao contrário se me tivesse dedicado a sério mais cedo.

 

 

Enquanto jornalista, dá-lhe mais prazer a notícia, um texto de opinião, ou a escrita literária?

São diferentes e são campos que não misturo. Notícia é facto, é o presente, mas acima de tudo é a verdade. A escrita é pensada, trabalhada, desenvolvida num período de tempo e algo que podes levar para o rumo que quiseres. É tudo o que quiseres que seja, no género que te apetecer e te der mais prazer.

 

 

Natural da Covilhã acabou, mais tarde, por se mudar para Lisboa. Que diferenças apontaria como mais vincadas entre ambas as cidades, nomeadamente, a nível de oportunidades?

Para um jornalista há certamente mais oportunidades em Lisboa, principalmente se falarmos de rádio ou televisão. Quanto às cidades em si, Lisboa é obviamente uma cidade muito maior e com mais diversidade, mas a Covilhã também tem uma beleza e charme que só quem lá viveu ou vive entende.

É uma cidade de média dimensão, onde não falta nada como numa cidade maior, mas onde ainda é possível ter um estilo de vida mais calmo, próprio do Interior e das cidades mais pequenas. Depois fica na encosta da Serra da Estrela e só isso vale muitos pontos.

 

 

O Élvio é, atualmente, jornalista da TVI. Quais foram as maiores dificuldades com que se deparou, ao longo da sua carreira, nesta área?

O jornalismo é uma área de desafio constante.

És obrigado a lidar com temas de todas as áreas diariamente e tens de estar constantemente atualizado. Não dá para “desligar” completamente quando sais do trabalho ou quando vais de férias, e chega a uma altura em que também não o queres fazer.

A dificuldade – ao mesmo tempo o que torna esta profissão tão boa -, é que nunca vais saber tudo sobre um assunto, e todos os dias aprendes, e tens mesmo de aprender se depois queres explicar a quem te está a ler, ouvir ou a ver.

 

 

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"Eliana, história de uma obsessão" é o seu primeiro romance. O que o levou a escrever e editar este livro?

Como já disse, a escrita sempre foi uma paixão.

Este livro em particular foi apenas aquele que eu senti que devia continuar a aprofundar. Tive uma ideia que achei que podia dar uma boa história e achei que podia juntá-la aos tais capítulos que já tinha escrito na universidade e que nunca acabei.

Quando reli, percebi que não fazia sentido juntar as duas coisas. Essa ideia original acabou por se tornar apenas o 1º capítulo de “Eliana – história de uma obsessão”…

E para quem já leu percebe que se tornou apenas uma pequena parte do enredo.

 

 

Quais foram as suas maiores inspirações para o escrever?

A narrativa em si teve várias influências.

São pedaços que fui recolhendo ao longo de um ano, de factos verídicos, de conversas de café, de pensamentos durante viagens de carro.

No final, ficou esta história que já está nas bancas.

 

 

Que feedback tem vindo a receber relativamente a esta obra, que marca a sua estreia na escrita literária?

Até agora a receção tem sido positiva, principalmente em relação ao ritmo e “às voltas” que a história dá em vários momentos do livro.

Várias pessoas elogiaram a forma como está encadeado, de uma forma em que o livro prende o leitor. Depois, o final, que não esperavam.

Mas talvez das melhores críticas que tive, e que me encheram de orgulho, foram pessoas que me disseram que as inspirei a voltar a ler e duas outras que me disseram que as inspirei a escrever ou a voltar a escrever.

 

 

Que autores, tanto nacionais como internacionais, elegeria como suas principais referências?

Aqui acho que vou ser um pouco mais “controverso”. Nunca sei bem como responder a essa pergunta porque nunca consigo apontar bem quem foram as minhas grandes influências.

Eu explico. Desde novo, quando escolhia um livro, antes de olhar para o autor eu olhava para o título, para a sinopse, e tentava perceber se aquela história me podia agradar. Por isso, li muitos autores diferentes, uns que gostei, outros que nem tanto, mas nunca me habituei a escolher com base no autor. Ainda hoje é assim.

Um dos últimos livros que li foi “O meu irmão” de Afonso Reis Cabral, li-o porque tive curiosidade por ver a escrita do homem que ganhou um prémio Leya, sim, mas também porque a sinopse me chamou, ou não o teria lido.

Claro que ficava bem dizer que Saramago me inspirou, por exemplo, mas eu só descobri a escrita dele no secundário. Gosto muito, mas não posso dizer se foi uma influência na minha forma de escrever. Acho que cada autor que lemos nos ajuda a crescer um pouco, sejam bons ou menos bons.

Dito isto, alguns autores que repeti ao longo dos anos foram Eça de Queirós, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown e claro, José Saramago.

Depois, acho que a verdade é que muitas das minhas influências vêm de livros de não-ficção e de campos não literários, como o jornalismo, principalmente ao nível da escrita (porque acho que tenho um estilo mais direto), mas também das séries e dos filmes, particularmente aqueles com muitas reviravoltas e que no fim nos deixam de boca aberta, de tão inesperados que são.

 

 

Neste livro, o Élvio aborda a obsessão, nas suas diversas formas, e as consequências que a mesma pode causar em quem dela é vítima. Na sua opinião, até que ponto pode a obsessão deturpar, na mente de alguém o sentido da realidade, e de que forma poderá, ou não voltar a recuperá-lo?

Nenhuma obsessão é saudável, essa é uma certeza.

Neste livro, mesmo sendo uma história imaginada, um trabalho de ficção, vemos uma versão do que pode acontecer quando cegamos por algo ou alguém.

Acho que amor-próprio e o apoio de quem está à volta é fundamental para evitar situações assim.

 

 

Outro dos temas em destaque é o tráfico de seres humanos. Considera que este é um flagelo, cada vez mais, difícil de combater e desmantelar na sociedade actual?

Não diria que é mais difícil de combater do que há alguns anos, mas ninguém tenha dúvidas de que é uma realidade bem presente.

Ninguém pense que só acontece em países menos desenvolvidos e onde a segurança é menor.

Acontece na Europa, acontece em Portugal.

 

 

Podemos contar com novas obras de Élvio Carvalho?

Espero que sim.

Tenho ideias para vários livros e agora que lancei o primeiro terei pena se outras histórias não saírem da gaveta. Não ia gostar que assim fosse.

Mas um segundo livro depende quase sempre do sucesso do primeiro. Vou para já concentrar-me neste, um segundo talvez apareça.

 

 

Que temas gostaria de abordar em futuros livros?

Isso seria revelar enredos. Mas quero continuar a apostar em problemas reais e a mostrar como afetam as vidas comuns.

 

 

O romance é um estilo a manter, ou gostaria de se aventurar noutro registo?

Para já sim, é para manter. É o estilo que gosto mais de escrever, mas como jornalista também não coloco de parte algum dia publicar no campo da não-ficção, nunca se sabe.

 

 

Muito obrigada!

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre o autor e este cantinho.

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Amores (Des)proibidos, de Angelino Pereira

AMORES (Des)PROIBIDOS

 

De uma forma muito básica, desde sempre existiram dois sexos: feminino e masculino. Há bebés que nascem rapazes, e outros que nascem raparigas. Cada um com as suas características. Sem grandes dúvidas.

Depois, há meninos que têm personalidades e características físicas que se assemelham mais a meninas, e as chamadas "maria rapaz", que em tudo nos fazem lembrar os rapazes, ainda que sejam meninas. Uns ou outros, a qualquer momento, podem mudar.

Mas o que é isso de se sentir que nasceu no corpo errado? E o porquê de nascer de uma forma e querer mudar de sexo, porque sente que o corpo é a única coisa que destoa do sexo que sente que deveria ser? 

Para mim, é muito simples: cada um tem que se sentir bem com as características e corpo que tem. Se não é o caso, e se lhe é dada a aoportunidade de mudar para aquilo que ambiciona, então que o faça. 

Há tanta gente que faz cirurgias por questões meramente estéticas, para se sentir bem e elevar a autoestima. Qual é a diferença?

E é assim que começamos por conhecer Félix que, mais para o fim da história, dará lugar a Sara.

 

Félix, ou Sara, irá ajudar António Henrique, que viajou até ao Brasil com uma missão, a desvendar o mistério à volta da morte do seu irmão.

Pelo caminho, porá António Henrique à prova, ao mostrar-lhe que o amor não tem que escolher sexo, cor, idade ou qualquer outra característica, para acontecer.

Quem ama, ama. 

Pode haver quem não compreenda, quem não aceite, mas pelo menos, que respeite a vida e o amor de cada um, quando em nada interfere com os restantes.

 

Por entre descobertas e transformações, António Henrique irá mesmo descobrir a verdade, que prometeu levar ao pai, antes de este partir. E, ainda que nem sempre se consiga a tão desejada justiça, até porque nestes meios existem pessoas poderosas e influentes, que podem comprar silêncios, eliminar obstáculos ou desviar atenções para outra direcção, o facto de se saber o que realmente aconteceu, e que algumas das pessoas já tiveram o seu castigo, já será suficiente.

 

 

Sinopse

"Toda a pessoa é um mundo em si mesmo e todas as dúvidas que existirem dentro do seu (eu) devem ser esclarecidas para que cada um se encontre e ajude os demais a construir o mundo de todos...

António Henrique partira da sua terra natal à procura de respostas para um passado que deixara marcas e dúvidas em seu pai e sentira a responsabilidade de levar ao homem que iniciara o processo natural da sua existência algo real e verdadeiro, para que sua vida pudesse terminar em paz, mas não só encontra o que fez questão de procurar como consegue construir um mundo novo num universo completamente diferente e inimaginável.

Quem nunca sai do seu meio limita-se a observar o que vê todos os dias nos mesmos lugares, mas quem viaja consegue ver o mundo na sua diversidade e complexidade e aprende em suas viagens, através das pessoas, seus usos, costumes e tradições, a viver, respeitar e compreender que afinal ninguém é dono de nada, nem da sua própria razão... Por isso, o melhor é partilhar e viver seu próprio momento, porque cada um tem seu próprio tempo e nem mais um segundo. E se outra razão não tiver de ser que seja: amar pela diferença entre tantos amores proibidos."

 

 

Autor: Angelino Pereira

Data de publicação: Janeiro de 2020

Número de páginas: 284

ISBN: 978-989-52-7150-4

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT

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Eliana - história de uma obsessão, de Élvio Carvalho

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A nossa mente tem uma forma muito peculiar de funcionar.

São tantos os mecanismos que ela utiliza, com as mais variadas intenções, que se torna difícil, a quem quer que seja, conseguir entrar nela e encontrar a chave certa para desbloqueá-la. Descobrir todos os seus segredos e mistérios, com alguma certeza de que não está apenas a enganar quem o faz, sem o perceber.

Se até mesmo a nós, a mente ludibria e manipula tão sabiamente, a ponto de não sabermos o que é real, ou apenas imaginado por ela.

 

Em “Eliana – história de uma obsessão”, cabe ao Dr. Albuquerque utilizar as ferramentas que tem ao dispor, para desbloquear a mente de Henrique, e perceber a verdadeira história por detrás do assassinato, do qual é o principal suspeito.

Se, para nós, leitores, faz todo o sentido a versão que ele conta, para a polícia, trata-se de uma história louca, de alguém que se quer passar por tal para se safar ou que, na verdade, não está mesmo no seu perfeito juízo, não distinguindo a realidade de pura invenção, obsessão ou desejo que tudo fosse diferente.

 

Para todos os que a conheceram, Eliana morreu num acidente de carro, há 5 anos. Nunca foi encontrado o corpo. Mas ninguém duvidou que estivesse morta.

O ex-namorado seguiu com a sua vida, e está agora numa relação com Maria, a irmã de Eliana, que espera um filho seu.

Tudo corria bem, até ao momento em que Henrique se torna suspeito de ter assassinado Paloma, uma estudante espanhola, com quem foi visto, no dia do crime, naquilo que parecia uma discussão entre ambos.

De onde conhecia, Henrique, Paloma? Teria sido uma situação ocasional? Ou algo mais?

 

Henrique acaba por contar a sua versão de tudo o que aconteceu nos últimos dias e quem é, na verdade, Paloma, explicando quem a poderá ter matado, e porquê.

Mas nada, nem nenhum dos testemunhos ou factos comprovados até ao momento, bate certo com esta história mirabolante.

Ainda assim, sem uma confissão, e sem provas concretas, a inspectora terá, mais cedo ou mais tarde, que libertar Henrique, que afirma não ter cometido o crime.

 

Em várias sessões, o Dr. Albuquerque acabará por conseguir que Henrique retome o controlo da sua mente, e perceba como as coisas realmente aconteceram, levando-o a, finalmente, confessar o crime, e a encerrar o caso.

Uma coisa é certa. Sabemos que Henrique não matou Paloma, e sabemos, por fim, quem o terá feito.

Só uma dúvida permanece: terá sido toda a história, realmente, uma invenção provocada pela obsessão de Henrique pela falecida ex-namorada, uma rasteira da mente para o enganar, ou teria, no fundo, contado a verdade, tal como nós mesmos a conhecemos, logo no início da história?

Seria aquela mulher, agora encontrada morta, Paloma, ou Eliana?

 

Gostei da forma como o autor dividiu a história em duas partes, e me fez voltar a reler tudo só para ver se, também eu, não estaria a ficar louca!

Se não teria lido mal, ou se me tinha escapado alguma coisa, deixando sempre aquele bichinho da dúvida.

É uma história que prende, que cativa, que nos entusiasma, porque também nós queremos saber a verdade.

Se há muita coisa que não bate certo na versão final de Henrique, o que nos leva a crer que ele sempre disse a verdade desde o início, e só depois alterou a sua versão, também há um ou dois factos que nos levam a pensar que, talvez, tudo tenha sido mesmo imaginação.

 

Sinopse

"Uma jovem de 22 anos é levada para Espanha por uma rede de tráfico de seres humanos e forçada a prostituir-se durante mais de três anos. O ex-namorado fica em apuros quando é encontrado um corpo, cuja descrição corresponde à dela."

 

 

Autor: Élvio Carvalho

Data de publicação: Novembro de 2019

Número de páginas: 392

ISBN: 978-989-52-7015-6

Colecção: Viagens na Ficção

Idioma: PT