Manhã cinzenta
Numa manhã em que o chão, o céu, e até o banco da praça, se mascararam de cinzento,
só mesmo as folhas caídas para trazer alguma cor!
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Numa manhã em que o chão, o céu, e até o banco da praça, se mascararam de cinzento,
só mesmo as folhas caídas para trazer alguma cor!

Não poderia estar de pior humor, naquele dia.
Um dia que tinha amanhecido cinzento. Pesado. Escuro.
E chuvoso.
Não aquela chuva miudinha, "molha tolos". Nem uma chuva normal, razoável.
Naquele dia, chovia bem. Uma chuva forte, que não dava tréguas a ninguém.
E ventoso.
O que dificultava a tarefa de manter um guarda-chuva aberto e intacto.
Como se não bastasse, mais do que a chuva que caía, eram os banhos causados pela passagem dos carros na estrada, que atiravam água para o passeio, e para quem nele tivesse o azar de se encontrar.
Portanto, ao fim de alguns minutos, a roupa estava toda molhada, os pés encharcados, e a boa disposição tinha-se perdido pelo caminho.
Foi quando, quase a chegar ao trabalho, olhou para o chão, também ele cinzento, a condizer com tudo naquele dia, e a viu: aquela folha amarela, caída, a levar com as pingas da chuva.
Um pouco de cor, para um dia sem ela.
Um motivo para sorrir, e devolver o ânimo.
Porque no meio de tudo o que parece menos bom, mau, péssimo, terrível, há sempre algo que nos traz de volta a esperança.
E nos anima naqueles dias que se adivinham duros ou aborrecidos.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto
O céu estava carregado.
Não chovia... Ainda.
Mas o vento parecia estar a chamar a chuva.
Amanhecia.
Mas o dia, em vez de ficar mais claro, parecia escurecer.
Pesadas nuvens o atravessavam, e cobriam.
Não estava frio, apesar de tudo.
E, por incrível que pareça, sabia bem sentir o vento.
Ainda que a sua presença não tivesse a melhor intenção.
Poucas pessoas andavam na rua.
Afinal, o aviso era para ficar em casa.
Até o trânsito circulava melhor.
No centro de Mafra, olhei para D. João V.
Também ele, a condizer com o tempo.
Em tons de cinzento e negro.
Cheguei ao trabalho, e olhei para a rua.
Tinha começado a chover.
E a tempestade prometia um longo dia pela frente.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto

Ao longo dos tempos, temo-nos vindo a transformar cada vez mais em robots, em pessoas mecanizadas com com instruções claras de como funcionar, deixando pouco espaço a algo que fuja dessa rotina programada.
E, como é óbvio, isso tem as suas repercussões e consequências nefastas, a curto, médio e longo prazo, não só a nível físico como a nível mental e emocional.
Em vez de nos sentirmos leves, felizes e de bem com a vida, sentimo-nos como se carregássemos um peso enorme às costas, tristes, abatidos, conformados.
Os dias e a nossa vida deixam de ser coloridos, passando a vivê-los em tons de cinzento.
O tempo passa por nós,e nem damos por ele passar. Até ao dia em que olhamos para a monotonia em que a nossa vida se tornou.
Deixamos morrer os sonhos, a imaginação, a criatividade...No novo mundo, não há muito espaço para isso.
Iremos mesmo permitir que isso aconteça?
Será que vamos a tempo de inverter este quadro, ou será algo inevitável?
Esta curta-metragem mostra um pouco do que está a acontecer às nossas crianças, e aos adultos.
Os autores, Daniel Martínez Lara e Rafa Cano Méndez mostram, em cerca de 7 minutos, o que acontece à nossa vida quando a criatividade é afundada pela rotina diária.
Concordam com esta visão?
Os meus últimos tempos têm-se caracterizado por céu geramente muito nublado.
Depois, de vez em quando, mas esporadicamente, surge um pequeno raio de sol, e aí fico mais confiante e animada.
Mas são tão poucos esses raios de sol, e de tão pouca duração, que não consigo sequer aquecer. E lá voltam as nuvens negras a que já me começo a habituar.
Não vejo a hora de o sol surgir com toda a sua força, mostrar aquilo de que é capaz, e mandar embora estas nuvens que não estão cá a fazer falta...