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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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A Plataforma - o filme da Netflix que está a dar que falar

A Plataforma | Site Oficial da Netflix

 

A Plataforma estreou há pouco tempo na Netflix, mas tem dado que falar, não só pela mensagem que transmite, como por ser considerado um filme "nojento", e não aconselhável a pessoas com estômago sensível.

 

Em termos de mensagem, é muito simples: se todos consumissem apenas o essencial, apenas o  que precisássemos, haveria que chegasse para todos.

Da mesma forma, nem sempre estamos por cima e, aquilo que fizermos quando aí estivermos, pode ser aquilo que outros nos farão, quando estivermos por baixo, ou seja, não faças aos outros aquilo que não gostavas que te fizessem a ti.

 

Nesta prisão, apelidada pelos reclusos como "O Buraco", mas denominada pela Administração como Centro Vertical de Auto Gestão, todos lutam pela sobrevivência, dependentes de uma plataforma que desce, piso após piso, com todo o tipo de refeições e que, à medida que a plataforma desce, vão reduzindo ou mesmo acabando, não chegando aos últimos pisos.

 

Todos os meses, os reclusos mudam de piso, aleatoriamente, podendo ter a sorte de ir parar aos primeiros, onde ainda há um pouco de tudo, ou aos últimos, onde nada terão para se alimentar.

 

Entre criminosos e voluntários que se oferecem para ocupar aquela prisão vertical, caberá a Goreng a missão de, eventualmente, mudar a mecânica da mesma, mudar a mentalidade dos reclusos, enviar a mensagem a quem de direito.

Mas será que irá conseguir fazê-lo, ou morrerá antes, perante todas as adversidades que encontra?

 

Uma coisa é certa: ou se focam num objectivo, e têm a força de levá-lo até ao fim, ou arriscam-se a enlouquecer, e suicidar-se, como alguns, ou a matar, como outros.

 

Confesso que o final do filme me deixou com aquela sensação de "acaba assim?". Não gostei muito. 

Deixou muito por nossa conta imaginar o que irá acontecer a seguir, e até se tudo aquilo foi mesmo real, se aquelas personagens eram reais.

 

Mas vale a pena ver!

Isto acontece uma vez por dia, e apenas durante uns minutos, em que a plataforma fica parada em cada piso. Ninguém pode guardar nada para depois. Se não comer naquele momento, terá que esperar pelo dia seguinte.

 

 

Será a negligência uma consequência das dificuldades socioeconómicas?

 

 

A negligência não escolhe classe ou estrato social, estando presente tanto em classes sociais mais desfavorecidas, como estratos sociais mais elevados, e manifesta-se de diversas formas, tanto de ordem física, como emocional e até educacional.

Podem, igualmente, ter várias causas, como imaturidade e inexperiência dos pais, que podem ter sido, também, vítimas de negligência, problemas conjugais e familiares, depressão, doenças mentais ou dependência de álcool e/ ou drogas.

Logo, são situações mais complexas e que não se podem meramente atribuir às dificuldades socioeconómicas da população.

Quanto à intencionalidade, também esta pode existir ou não, independentemente da situação económica uma vez que não há, muitas vezes, consciência de que determinados comportamentos são considerados negligentes.   

Conheço um pai que vive sozinho com a sua filha, e nem sempre o vestuário que a menina apresenta é o mais adequado. A menina já chegou, inclusivamente, a estar com a roupa suja de urina.

Conheço uma mãe que deixa o filho andar por aí a brincar na rua até à noite, sem sequer saber onde ou quem está, ignorando os perigos que o menino poderá correr se alguém menos bem intencionado lhe quiser fazer mal.

Estas crianças, vejo-as frequentemente sozinhas, sem supervisão dos pais ou outro adulto responsável.

Conheço mulheres que, sob influência de comprimidos e álcool, deixam muitas vezes os filhos sem almoço ou jantar.

Se os pais o fazem intencionalmente? Acredito que não! Talvez achem normal.

Um pai que se esquece de um bebé num carro ao sol durante horas, é um pai negligente. Mas, por certo, também ele não teve intenção de o ser.

Uma mãe que larga a mão do filho enquanto conversa, e deixa de o observar durante segundos, segundos esses suficientes para que um acidente aconteça, é uma mãe negligente. Mas não o foi intencionalmente.

É certo que as dificuldades socioeconómicas podem levar a casos de negligência física e educativa, enquanto nas classes mais favorecidas, a mesma se verifica, sobretudo, a nível emocional.

Mas também é verdade que, mesmo nas classes mais pobres, podem ser prestados os cuidados básicos adequados ao pleno desenvolvimento da criança, apoio e protecção, não lhe negando direitos fundamentais.