Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Uma vez vítima, para sempre vítima?

 

Vem isto a propósito da concorrente Maria Inês, do programa The Voice Portugal que, num determinado momento, se foi abaixo e ficou frustrada consigo própria por não ter sido capaz de dar aquilo que podia e sabia que conseguia dar.

E foi então que o Anselmo mencionou à Simone o facto de esta concorrente já ter sido vítima de bullying, e da própria concorrente o ter referido, devido ao facto de ter um peso acima do normal, uma estatura baixa e não ser detentora de uma grande beleza, segundo palavras suas.

O meu marido veio em defesa dela, dizendo que compreendia o que ela sentia. Já eu, tenho uma opinião um bocadinho diferente.

Ela até pode ter sofrido por ter sido vítima de bullying e de discriminação, e acredito que isso lhe tenha sido penoso, mas isso foi algo que aconteceu no passado. E se já é passado, é lá que deve ficar. Não deveria ser trazido para o presente, nem tão pouco condicionar o futuro.

E se, eventualmente, ainda é algo que se passa na actualidade, só seria mais uma razão ou motivo extra para que ela quisesse mostrar a todos o que vale, independentemente, do seu aspecto físico.

Vejamos, por exemplo, a Milene- outra concorrente desse mesmo programa que já pensou, inclusive, em suicidar-se. Por muito que ela já tenha tido, e ainda tenha, a autoestima em baixo e ache que não é suficientemente boa, ela chega ao palco e dá tudo o que tem, e com grande garra.

Mas este é só um de muitos casos. Há por aí muito boa gente que ainda vai buscar tudo o que de mau passaram na vida, há vários anos atrás, para justificar determinadas atitudes que agora têm (ou a falta delas). E que se fazem, muitas vezes, de coitadinhas para que os outros fiquem com pena, sejam mais condescendentes, e lhes passem a mão na cabecinha.

Só que, alguém que um dia já foi vítima, não precisa de o ser para sempre.

Se alguém já sofreu de violência doméstica, não quer dizer que toda a sua vida vá sofrer. Alguém que já foi vítima de bullying, não precisa de estar sempre a recordá-lo, nem deixar que isso o afecte no presente. Alguém que já passou pelas mais diversas dificuldades, deve utilizar isso como ensinamento e como força para lutar por uma vida melhor. Alguém que cometeu erros não precisa de ficar parado a lamentar os erros, mas sim a fazer com que, no futuro, não os volte a repetir.

Alguém que já teve más experiências, não deve usar isso como desculpa para não se aventurar em novas experiências, com o pressuposto de que, se correu mal uma vez, vai correr sempre. E, neste aspecto concreto, contra mim falo, porque também sou um pouco assim.

Mas a ideia que me dá é que muitas pessoas utilizam o passado como desculpa para os eventuais fracassos, que muitas vezes não passam de medos infundados que o cérebro constrói, e para justificar acções que em nada estão relacionadas com esses factos passados.

Por isso, e apesar de tudo o que já sofreram e passaram, e que, naturalmente, nunca esquecerão, vamos lá deixar o passado no lugar dele, viver o presente que é real, e tentar que o nosso futuro seja o mais brilhante e sorridente que conseguirmos!

 

pixiz-15-12-2015-11-02-56.jpg

 

Pessoas em situação de carência não são menos que as outras

 

coisas para doar.jpg

Aqui em Mafra temos uma associação ou projecto de apoio social, que recebe donativos de vestuário, têxteis para o lar, acessórios e calçado, artigos para bebé, electrodomésticos, mobiliário, brinquedos e material didáctico, material informático (em estado de reutilização), produtos de higiene e limpeza, e bens alimentares, que se destinam aos residentes do concelho de Mafra, em situação de carência ou vulnerabilidade social.

O horário de funcionamento, não é muito flexível, nem alargado pelo que, normalmente, quando as pessoas vão ou vêm do trabalho, ou aos fins de semana e feriados, está fechada.

De qualquer forma, isso não é impedimento para ser solidário porque, mesmo estando a porta fechada, a entrada tem uns degraus e um espaço até à porta, onde podemos deixar lá as doações.

Assim fiz, no passado fim de semana, como é costume, mas fiquei indignada com o que vi: estavam meia dúzia de peças de roupa, simplesmente, espalhadas no degrau junto à porta. Como se fosse lixo.

Será que, à custa dos sacos serem pagos, a pessoa não quis desperdiçar um para colocar as roupas dentro? Será que não havia uma caixa onde pudesse ter posto a roupa? 

E, provavelmente, as pessoas que fazem isso são aquelas que mais exigem quando se trata da sua própria roupa. Mas, como é para os pobres, para os necessitados, para os coitadinhos que, como nada têm, qualquer coisa lhes serve, já não há problema em despejar a roupa no chão.

Pois as pessoas que, infelizmente, precisam e se vêm nessa situação não são menos que as outras. Podem não ter dinheiro, mas ainda têm dignidade. E o mínimo que merecem é respeito. Não são animais a quem qualquer trapo serve. 

Se querem doar, doem! Mas de igual para igual! Não de má vontade e com desprezo por quem não escolheu estar nessa situação, e tendo sempre em mente que um dia, quem sabe, podemos ser nós no mesmo lugar. E tenham o bom senso de, pelo menos, colocar os bens doados num saco, numa caixa, ou qualquer outra solução que os proteja, para que continuem a chegar em bom estado às mãos daqueles que irão utilizar!

  • Blogs Portugal

  • BP