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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Dependência emocional ou puro desespero?

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Acredito que ninguém queira depender, emocionalmente, de alguém.

O que as pessoas querem é estar ao lado de quem gostam, de quem amam, numa partilha de sentimentos, e de vida.

Mas é mais fácil saber o que fazer, e o que evitar, do que colocar em prática.

 

Quando dependemos emocionalmente de alguém acreditamos que, ainda que sejam mais os momentos de tensão,  conseguimos ser felizes em outros, menos frequentes que, para nós, talvez erradamente, compensam tudo o resto.

Então, começamos a não conseguir distinguir se, realmente, gostamos da pessoa ou se, apenas, estamos dependentes desses poucos momentos que nos fazem sentir bem. De uma companhia.

E se, acima de tudo, isso é gostar de nós próprios.

No entanto, essa dependência acontece, por norma, com quem já temos uma história. E é dirigida, unicamente, a essa pessoa em específico.

 

Por outro lado, há pessoas que, em vez de mostrarem essa dependência emocional, demonstram um puro desespero para arranjar alguém.

Disparam para tudo quanto é do sexo oposto, em tentativas de engate foleiro, como quem lança o anzol e espera para ver se algum peixe o morde. A ver com qual desses alvos tem mais sorte.

Mas sem, de facto, ter um interesse real em nenhum deles.

 

Nenhuma das situações é boa. Saudável. Ou aconselhável.

Mas, sinceramente, não sei o que será pior...

 

 

 

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Por vezes...

naqueles momentos mais delicados,

mais difíceis,

mais tristes,

mais desesperados,

não são precisas palavras...

 

Basta, muitas vezes, a simples presença!

 

Sentir que não estamos sozinhos.

Sentir que alguém está disposto a compartilhar connosco esses momentos.

Sentir o apoio, em forma de gestos.

 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

 

(Nota: fotos tiradas num dia de muito frio em que, de certa forma, apesar de serem gatos de rua, partilhando o mesmo destino e vida, tentaram confortar-se e aquecer-se um ao outro)

Fazer compras: a sós ou com companhia?

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Não sou daquelas pessoas que quer sempre companhia para onde quer que vá.

No que respeita a compras, sobretudo aquelas que semanalmente faço para a casa, não me importo nada de fazê-las sozinha.

Na maior parte das vezes, até prefiro.

Gosto de ir com calma, com tempo, de poder olhar para as coisas com olhos de ver.

Gosto de fazer as compras enquanto vou ouvindo a música que passa.

 

Uma vez ou outra, surge a vontade de ter companhia nessa missão.

Mas nem sempre dá bom resultado.

Detesto ir às compras e estarem, constantemente, a apressar-me.

A perguntar o que ainda falta. Se ainda demoro muito.

A querer ajudar para despachar a coisa.

Porque há produtos que a pessoa pode ir buscar. Mas há outros que gosto de escolher eu.

E porque, com a pressa, arrisco-me a deixar alguma coisa para trás, ou esquecer-me de comprar.

 

Também não é bom ter alguém ao lado a reclamar que está com fome.

Que está cansado.

Que ainda queria fazer isto e aquilo.

 

Muito menos,  a implicar.

A reclamar.

A embirrar com qualquer coisa.

De mau humor.

 

Nesses casos, como diz o ditado: "mais vale só que mal acompanhada"!

 

E por aí, preferem ter companhia nesta tarefa, ou nem por isso?

 

 

Mais um dia...

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Outro dia…

Mais um dia…

É assim, todos os dias. Um após o outro.

Sempre iguais… Sempre diferentes…

Acordo. Olho para o lado. E só então me lembro que, agora, já não estás lá.

Estou sozinho.

Levanto-me. É madrugada. Toda a gente dorme. Eu, não. Porque o corpo já não quer mais continuar deitado.

Mais um dia me espera.

Faço o que tenho a fazer.

 

E, depois, já não há nada para fazer.

A não ser ficar a olhar para esta casa vazia.

Para o silêncio. Que só é interrompido pelo eco dos meus pensamentos, e da minha voz.

Que vida esta é a minha, agora, sem ti?

As horas demoram a passar. Ainda falta tanto para me deitar…

E, mais uma vez, perceber que, também nesse momento, estarei só.

 

Por companhia, tenho apenas a televisão que, às tantas, já aborrece de tão repetitivos que são os programas.

Já não tenho olhos para os livros.

Já não tenho pernas para os passeios.

Sou livre, mas sinto-me encarcerado.

Estou vivo, mas sinto que uma parte de mim morreu contigo. 

 

Por vezes, tenho companhia familiar. Distraio-me.

Afasto os pensamentos. Afasto a dor. Afasto as memórias.

É bom. Faz-me bem. Sinto-me abençoado, e agradecido. Mas não é suficiente.

A vida dos outros não pára. Nem eu quereria isso.

Mas a minha vida estagnou. Num tempo diferente.

Que não acompanha os demais. Nem tão pouco espero que os demais abrandem, para me acompanhar.

Não penso em morrer. Mas também não me sinto viver.

 

Estou só.

Horas e horas de solidão.

E, então, está na hora.

Deito-me.

Um último pensamento para ti. 

Adormeço.

Até ao dia seguinte.

Outro dia.

Mais um dia…

 

 

 

Quando a velhice e a solidão andam de mãos dadas

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"Num hospital, após ter sido submetida a uma cirurgia e a recuperar, aparentemente, bem, uma paciente, ao ouvir os médicos dizerem que, a continuar assim, teria alta em breve, começou, subitamente, a queixar-se. 

Foram feitos novos exames, foram despistadas eventuais complicações, descartados novos problemas. Confrontada com a possibilidade de estar a inventar as queixas, para não sair do hospital, contou uma história sobre a filha, e como a sua determinação e ação contrária aos que os médicos diziam, tinha acabado por salvá-la, e permacer viva até hoje.

Mais tarde, quando investigada a sua história, por descargo de consciência, os médicos perceberam que não havia nada de errado a nível físico, mas apenas uma solidão enorme, por ter perdido a filha há muitos anos, e o marido mais recentemente."

 

 

Estar naquele hospital, poder conversar com os médicos, sentir-se acompanhada, e poder fantasiar sobre o que poderia ter sido a sua vida, tomando a fantasia como realidade, fez esta idosa preferir continuar lá internada, simulando sintomas e queixas, para não ter que voltar para a solidão e tristeza da sua vida, e da sua casa, onde nada nem ninguém a esperava.

 

 

Isto foi apenas uma cena de ficção, mas que representa bem a realidade de muitos dos idosos deste mundo.

Apesar de já existirem actividades, centros de convívio e outras alternativas para os atuais idosos, com o objectivo de os manter activos, integrados, úteis, ainda há muitos que vivem isolados, sós, abandonados.

 

 

Quem nunca se deparou com idosos que vão almoçar ao café ou restaurante da zona, para estar mais perto de outras pessoas?

 

Quem nunca teve de atender idosos ao telefone, que aproveitam para conversar ou desabafar sobre as suas vidas? Existem pessoas que ligam, muitas vezes, apenas para isso.

 

Quem nunca se deparou com idosos, no local de trabalho, na rua, ou em qualquer outro lado, que nos abordam para mostrar os seus papéis, facturas, receitas médicas, ou a pedir ajuda, e aproveitam aquele momento para afastar a lembrança das horas que, em seguida, irão passar sozinhos?

 

E nos cabeleireiros? Quantas pessoas não prolongam essas horas que ali estão, e vão falando das suas vidas, compartilhando aquilo que sentem com quem as atende, ou está presente no salão?

 

 

Existem locais onde as pessoas vão, muitas vezes, não para o objectivo principal a que se destinam, ou não apenas com essa intenção, mas sim para evitar a solidão, fazendo desses locais uma espécie de "sala de convívio".

Ainda assim, estes momentos em que a solidão parece ser atenuada, não chegam para colmatar aqueles em que anda de mão dadas com a velhice.