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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mentiras que se contam

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Ah e tal, o pensamento positivo atrai coisas positivas.

Ah e tal, fé e confiança são meio caminho andado para coisas boas acontecerem.

Ah e tal, isto e aquilo dão sorte.

Pois...

Mentiras que se contam!

 

Naquele dia, nada resultou.

Nem positivismo. Nem fé. Nem confiança.

Nem rezas. Nem rituais. Nem torcidas.

Nem amuletos da sorte. Nem mantras.

 

Naquele dia, o Universo estava, simplesmente, do contra.

Aliás, os sinais já tinham começado na véspera.

E continuaram ao longo daquele dia, até ao momento da verdade.

Que, obviamente, correu mal.

 

Naquele dia, a sorte não esteve do seu lado.

Ah e tal, foi como tinha de ser.

Da próxima vez será melhor.

Estava destinado.

Pois...

Mais mentiras que se contam!

 

A culpa foi do imprevisto do dia anterior.

Ou do tempo, que decidiu chover.

Ou do trânsito, que complicou.

Ou do dia que escolheu.

Ou da hora em que saiu à rua.

 

Foi de si.

Foi dos outros.

Foi de tudo. 

Mas, no fim, porque não, mais uma mentira: a culpa foi da banana!

 

"Tudo O Que Ficou Por Dizer", de Rebecca Yarros

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Noah e Georgia encontram-se, por acaso, numa livraria.

Ela, na secção de romance, onde se encontram os livros publicados pela sua bisavó.

Ele, na secção de ficção, onde entenderam colocar os seus próprios livros.

Na opinião de Georgia, são mundos separados.

Mas, onde termina uma, e começa outra?

Não pode, o romance, ser ficcionado? Não pode, a ficção, conter romance?

 

No entanto, a grande discussão entre ambos será sobre outro eterno dilema: um final real ou um final feliz?

Scarlett Stanton era uma famosa escritora de romances, cuja imagem de marca das suas obras assentava num final feliz.

Tendo falecido, e deixado um manuscrito por terminar, caberá a Noah escrever o restante. Ele quer honrar a autora, e dar-lhe o "seu" final feliz.

No entanto, a bisneta, Georgia, quer que o final da história da sua bisavó seja um final real, ainda que cru, triste, trágico, por se tratar daquilo que, realmente, aconteceu. Ou o que se supõe que aconteceu. A verdade é que, tal como o manuscrito, a história de Scarlett e Jameson foi interrompida, sem ter um final.

 

Discordando de quase tudo, mas atraídos um pelo outro, Noah e Georgia serão, como seria de esperar, o típico caso de "inimigos a amantes".

Mas, mais importante do que a sua história de amor, na actualidade, é a história de amor de Scarlett e Jameson, no passado. 

Aquela que ficou inacabada. E tudo o que ficou por dizer, escrever ou viver.

 

Esta é também, uma história sobre confiança.

Como conquistá-la. Como merecê-la. Como destrui-la. Como reavê-la.

Como voltar a acreditar.

 

Sobre expectativas. E desilusões.

Sobre anulação. E redescoberta.

 

E há, também, um segredo.

Um segredo que pode abalar a única confiança que se mantinha intacta.

 

Confesso que estou a gostar muito de descobrir as obras da Rebecca Yarros.

E esta história arrebatou-me!

Alvitrei algumas possíveis hipóteses sobre esse segredo, mas estive longe de imaginar a imensidão do mesmo.

A descoberta, já quase no final, foi mesmo surpreendente.

 

 

Sinopse:

"Georgia Stanton regressa à sua cidade natal após a morte da bisavó, uma famosa escritora de romances, que ela amava como uma mãe. Herdeira dos direitos autorais, será Georgia a decidir o futuro do manuscrito que ficou inacabado.
Encarregado de terminar o texto estará Noah Harrison, um arrogante e atraente autor de bestsellers. Georgia odeia Noah desde o primeiro minuto, pelo que ele terá de conquistar a sua confiança… e, mais tarde, talvez o seu coração.
Juntos, apercebem-se de que Scarlett estava a guardar a maior história de amor para o fim: a sua. Mas o que Georgia e Noah não suspeitam é de que esta história esconde um grande segredo que pode mudar tudo."

Na corda bamba

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A sensação que tenho, nestes últimos tempos, é de que estou a andar sobre uma corda bamba.

Não faço, sequer, a mínima ideia se, ou por quanto tempo, vou conseguir percorrê-la em equilíbrio.

Porque, quando comecei, devagarinho, pé ante pé, até estava confiante de que, talvez, quem sabe, fosse uma missão possível de levar a cabo, e com sucesso.

 

Mas bastou meia dúzia de passos para perceber que não. 

Para me relembrar que, aceitar este desafio, implicava passar o tempo todo em sobressalto.

Sabendo que, a qualquer instante, poderia cair para um lado, ou para o outro.

Sem qualquer segurança.

Que, se, ou quando, isso acontecesse, me iria magoar.

E que, com sorte, o empurrão fatal poderia vir daqueles que tinham prometido nunca me deixar cair.

 

Não foi por inocência.

Não foi por ignorância.

Não foi para provar o que quer que fosse, a quem quer que fosse.

Não foi, sequer, por mera competição. Para levar a melhor. 

Estava bem ciente daquilo a que ia, e do que poderia aí vir.

 

Mas, claro, quando estamos no meio da cena, a perspectiva muda, relativamente àquela que imaginávamos, antes de entrarmos nela.

Porque, aí, sentimos de perto a ameaça.

Vemos a dimensão da queda que nos espera.

E as mazelas que ela acarretará.

 

A única forma que tenho, de continuar o percurso, é alhear-me do que me rodeia.

Não permitir que as distrações me desestabilizem. E me desequilibrem.

Ignorar o ruído de fundo. Ignorar o óbvio. Abstair-me do perigo que corro.

O que, neste momento, está a ser difícil.

 

Ou, então, dar-me por vencida.

Afinal, gosto de saber com o que conto.

Ter os pés bem assentes em terra firme.

Prefiro a segurança, à instabilidade.

 

Posso até tropeçar, e cair na mesma.

Mas o tombo não será tão grande.

 

 

Quando deixar os filhos sair à noite com os amigos?

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Acredito que todos os pais ficam assustados quando começam a ver os filhos a ganhar asas, e a querer voar.

É certo que, consoante a idade, a etapa em que se encontram, e a confiança que depositam neles, lhes vai sendo dada mais alguma liberdade.

Mas...

Qual a medida certa dessa liberdade?

 

De repente, os nossos filhos querem sair com os amigos.

Primeiro, durante o dia.

Eventualmente, dormir em casa deles.

Depois, o pânico, quando nos pedem para sair à noite, sem adultos a tomar conta, mas apenas para ir levar ou buscar.

E, então, pensamos:

"Quando deixar os filhos sair à noite com os amigos?"

 

Pois...

Não é que não tenhamos confiança neles.

Ou nos amigos.

Não é que não saibamos que eles gostam de se divertir, e que não mereçam sair.

Não é que os queiramos prender ou enjaular em casa.

 

O que temos, é receio desse mundo louco em que vivemos, em que todos os dias nos chegam as piores notícias.

O receio de que algo de mal lhes aconteça.

E, depois, a culpa por termos permitido que tal acontecesse.

É legítimo. Mal seria se os pais não o sentissem.

 

O que não pode acontecer, por muito que nos custe, é deixar que os nossos receios (fundamentados ou imaginários) e inseguranças limitem a vida dos nossos filhos.

Que os impeçam de viver e experienciar aquilo que, na idade deles, ou mais novos, também vivemos, e experimentámos.

 

É certo que os tempos são outros, os perigos são maiores, e não queremos facilitar.

É certo que há saídas mais "controladas e seguras" que outras.

Mas, algum dia, teremos que os deixar sair.

 

Quando?

Cabe aos pais perceber, e dar esse voto de confiança, guardando para si todos os receios, estabelecendo regras básicas, e acreditando que tudo irá correr bem.

 

Claro que, da teoria à prática, e do pensamento racional, ao emocional, vai uma longa distância!

 

 

A flor

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Era uma vez uma flor, com lindas pétalas amarelas.

Nos dias de sol, era vê-la aberta, a receber o calor, a energia, a viver e fazer as delícias de quem por ela passava, e a via por ali em todo o seu explendor.

Já nos dias em que o sol se escondia atrás das nuvens, também ela se mantinha fechada, protegida, para que nada lhe acontecesse.

 

Havia uma menina que, todos os dias, quando por ali passava, olhava para a flor, ora aberta, ora fechada, como se já fosse um gesto rotineiro, e familiar.

E foi assim que começou a reparar que, ao contrário do habitual, nos últimos dias, a flor continuava fechada, sem dar sinal de vida.

A menina estranhou, e decidiu aproximar-se mais da flor.

Foi então que percebeu que a flor não podia mais abrir, porque tinha perdido todas as pétalas. Tinha perdido parte de si.

 

A flor contou-lhe, então, desolada, que num dia em que estava sol, ela tinha aberto, como era habitual, mas não percebeu que um vento forte se estava a aproximar e, quando ele passou por ela, com tal força e velocidade, arrancou-lhe pétala por pétala, sem lhe dar tempo para se resguardar.

 

Tinha "baixado a guarda", confiado, e fora traída.

Agora, era uma flor incompleta, sem graça, murcha, sem vontade de viver.

Nunca mais seria a mesma.

 

A menina, querendo animá-la, disse-lhe que agora, ela seria diferente, mas não menos bonita.

Simplesmente, agora tinha-se transformado numa flor apétala. 

Mas muito mais forte. Uma sobrevivente.

E garantiu-lhe que ia continuar a passar por ali, e admirá-la ainda mais!