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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Entrevista da Cristina Ferreira a Raquel Tavares

De mulher para mulher, quando a coragem e o respeito se juntam

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As melhores entrevistas são aquelas em que as perguntas colocadas permitem, ao entrevistado, ser ele mesmo, sem filtros, e mostrar-se assim mesmo.

São aquelas que chegam lá, onde é preciso, e onde todos os outros têm medo de ir, por não ser politicamente correcto, por não se enquadrar no alinhamento, ou por não terem sequer a capacidade e, acima de tudo, a sagacidade, a inteligência e a sensibilidade necessárias, para o fazer.

 

Pode-se não gostar da Cristina Ferreira, pelos mais variados motivos mas, verdade seja dita, ela é boa naquilo que faz. E consegue chegar ao lado mais íntimo das pessoas que entrevista, solidarizando-se com elas, emocionando-se, e emocionando quem ouve as entrevistas.

 

Foi o que aconteceu ontem, na conversa que teve com a Raquel Tavares, e que esta escolheu para partilhar, com o público, a decisão mais difícil da sua vida: a de parar de cantar, algo a que, actualmente, ganhou aversão.

Nessa entrevista, ficamos a conhecer a Raquel, como nunca a vimos: frágil, magoada, sofrida, a tentar erguer-se do abismo para onde a vida artística a atirou, para onde ela se foi deixando atirar ao longo do tempo, ainda que a tentar agarrar-se, a tentar ser agarrada, antes de perder a esperança.

 

Todos sabemos que a vida de grande parte das figuras públicas não é aquele mar de rosas que se pinta.

Claro que têm benefícios que nós, comuns, não temos. Que ganham bem mais que nós. Que têm muitos mais privilégios.

Mas também têm que fazer opções na vida. Têm uma imagem a manter. Têm regras que não podem quebrar, responsabilidades que não podem ignorar, compromissos assumidos que não podem descartar.

No fundo, sabemos que o mediatismo, a pressão, a exigência podem, muitas vezes, quebrar as pessoas que estão por detrás dos "artistas", das "figuras públicas".

É por isso que alguns começam a beber, outros enveredam pelas drogas, outros suicidam-se.

 

No caso da Raquel, ela optou por cortar o "mal pela raiz" - deixar de cantar, algo que ela sempre gostou de fazer, mas que nunca sonhou fazer como carreira profissional e que, ao longo da vida, a fez abdicar de muitas coisas a ponto de, agora, aos 35 anos, se sentir vazia. 

 

Foi um momento de partilha de experiências, de verdade, de revelações, até da própria Cristina Ferreira, e que não deixou ninguém indiferente.

Também eu me emocionei ao ver esta entrevista.

 

E, como diz a Cristina, que cada um de nós pense, antes de julgar ou criticar que, por detrás da figura pública, existe alguém como cada um de nós, que sente como nós, que sofre como nós, que tem os seus momentos menos bons, como nós, que é de carne e osso, e não de ferro.

 

A Raquel teve a coragem de decidir mudar radicalmente a sua vida, doa a quem doer porque, acima de tudo, não quer mais que lhe doa a si. E de o assumir e contar a todos. De se mostrar nua, despida de máscaras.

A Cristina, pediu respeito para com a Raquel, neste momento pelo qual está a passar, mas penso que também ela, depois desta conversa tão franca, de mulher para mulher, também a Cristina ganhou um pouco do respeito de todos nós.

 

Imagem: sic.pt

Numa escola (muito) perto de nós

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Fiquei estupefacta com a notícia.

Embora seja cada vez mais o "prato do dia" nas escolas, o choque é ainda maior quando acontece numa escola tão perto de nós. Na escola onde a minha filha passou os últimos 5 anos. 

Sem incidentes desta dimensão.

 

Fiquei hoje a saber que a directora da antiga escola da minha filha foi agredida, violentamente, por um aluno de 15 anos, e teve que ser socorrida e levada para o hospital.

 

E a pergunta que fica no ar é:

Com que vontade, gosto, prazer, satisfação, alegria, vai um professor para uma escola, ensinar os seus alunos, depois de situações como esta?

Eu diria que cada vez menos...

 

Por enquanto, ainda vamos vendo quem tenha a coragem, para ignorar uma situação isolada, ainda que grave, em prol daquilo que tem gosto em fazer, pelos restantes que nada tiveram a ver com a situação.

Mas, a continuar assim, até quando?

Até quando irão haver professores nas nossas escolas, se nada mudar?

 

 

 

A todos os estudantes...

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Dizem que a escola é o trabalho deles e que, afinal, até lá estão para adquirir conhecimentos e saber, algo que a muitos, por esse mundo fora, é negado, por isso deveriam estar gratos.

Mas a vida dos estudantes não é fácil. Já não o era, no nosso tempo. Agora, está pior. Pelo menos, para aqueles que se preocupam realmente em estudar e tirar partido desses 12 anos, em que são obrigados a frequentar a escola.

 

Por isso, a todos os estudantes:

- que todos os dias têm que acordar cedo para ir para as aulas, e muitas vezes chegam a casa tarde;

- que passam quase o dia todo enfiados numa escola;

- que têm horários sobrecarregados, que têm de gerir a par com tudo o resto que o estudo implica;

- que têm de saber uma enorme quantidade de informação, de múltiplas áreas e disciplinas;

- que têm de saber falar variadas línguas, e apresentar trabalhos nessas línguas oralmente, sem recurso a auxiliares (quando por vezes nem os professores o fazem);

- que têm que dividir o seu tempo entre trabalhos de grupo, trabalhos individuais e testes;

- que têm que abdicar do seu tempo em família, de lazer, de descanso, porque o estudo e a escola a isso obrigam;

- que todos os dias sofrem com a pressão da avaliação, das médias, e com a eventual desilusão quando as coisas não correm da melhor forma;

- que todos os dias têm que ir para um espaço onde nem sempre têm amigos ou colegas com quem possam estar;

- que têm que aprender a lidar com diferentes professores, e respectivas personalidades tão distintas;

- que, muitas vezes, têm que assistir a aulas tão desinteressantes que lhes dão mais vontade de dormir que entusiasmo pelo que deveriam estar a ouvir;

 

e tantas outras provações pelas quais passam todos os dias, ao longo de todo o percurso escolar, uma palavra de admiração e apoio, pela forma como enfrentam cada dia, e cada etapa desse percurso, sem enlouquecer!

Tão simples como isto!

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Ouvimos tantas vezes as pessoas queixaram-se da sua vida, e até mesmo nós, tantas vezes nos queixamos, mas o que fazemos, realmente, para melhorá-la ou vivê-la de forma diferente?

Por vezes, nem é preciso grandes mudanças. Bastam pequenas coisas que, no fundo, nos farão mais felizes e de bem com a vida.

E sempre são uma preparação para ganhar coragem para os grandes passos que viermos a ter que dar!