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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Vi ontem o The Voice Kids e só me pergunto: eram mesmo crianças?!

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Costumo acompanhar o The Voice Portugal. O The Voice Kids, nem por isso.

Mas tinha aquela ideia de que seriam crianças a cantar e, ainda que com talento, com a maturidade e voz de crianças, que são.

 

Não poderia estar mais enganada!

Como disse o Carlão, ao ver a qualidade, maturidade, talento e seriedade com que os concorrentes ali se apresentam, "sabes que isto é o The Voice Kids...".

Pois, é difícil não ficar na dúvida porque as crianças que ali vão, pelo menos aquelas que eu vi são, sem exagero, melhores que muitos adultos que já passaram no The Voice Portugal.

Um miúdo de 12 anos com uma voz de um experiente fadista?

Uma miúda de 11 anos que compõe e já canta e toca os seus originais?

Que belas vozes estas, uma atrás da outra. Que postura. Que profissionalismo.

De onde saíram estas crianças?!

 

Espero, sinceramente, que nunca desistam e consigam concretizar os seus sonhos porque já têm tudo para o conseguir, se assim o quiserem!

Estes foram, dos que vi, os meus preferidos.

 

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Rosa

 

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Aurora

 

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Yasmin

 

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Simão

 

 

Imagens: The Voice Portugal

 

 
 
 

 

Parque infantil ou casa de banho canina?

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O parque infantil da nossa zona esteve, há pouco tempo, em obras, a ser remodelado.

Tiraram o escorrega colorido, e com a casinha de madeira lá em cima, por outro mais moderno, mas sem graça.

Trocaram os tradicionais baloiços, por um único, em forma de cone, e o cavalinho por este da imagem.

Durante uns dias, andaram lá a colocar areia nova.

E o parque ficou pronto para ser utilizado pelas crianças. 

 

 

Ou seria esse o objectivo.

Na verdade, são muitos os adolescentes que para lá vão.

Mas o pior são mesmo os adultos, que se lembraram que, agora com o parque arranjado, aquele é um óptimo local para os seus animais fazerem lá as suas necessidades.

O resultado já se começa a ver, no meio da areia. 

Quanto tempo demorará a transformar, mais uma vez, o parque infantil numa casa de banho canina?

 

 

“Plástico, um desafio ambiental”

 

Este é o filme de animação “Plástico, um desafio ambiental”, promovido pela Câmara Municipal de Mafra.

 

“Super P” é o nome do super-herói deste filme, do qual também fazem parte outras personagens bem conhecidas, tais como a estátua do “Guardião da Reserva Mundial de Surf da Ericeira” ou os gamos da Tapada Nacional de Mafra.

 

Nesta história, as crianças são convidadas a refletir sobre as suas escolhas diárias, e propõe-se que sejam adotados novos comportamentos em família, nomeadamente a utilização de recipientes reutilizáveis e recicláveis, alternativos ao plástico.

 

Mente Brilhante

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"Deixem as crianças ser crianças"

 

Nunca uma frase fez tanto sentido!

 

Frank Adler é um homem solteiro, que vive numa cidade costeira na Florida, com a sobrinha, Mary, de sete anos, de quem cuida desde a morte da sua irmã, quando Mary tinha apenas poucos meses de vida.

Era esse o desejo da mãe de Mary, para que a sua filha, ao contrário dela, pudesse ter uma vida e uma infância normal, como uma criança normal.

Durante esses sete anos, tudo correu bem.

Mas Mary é uma criança prodígio, com incríveis habilidades matemáticas que começam a diferenciá-la na escola, e a chamar a atenção dos professores e, consequentemente, da sua avó que vê na neta a oportunidade de dar seguimento e concluir aquilo que a sua filha não foi capaz.

  

O que mais choca neste filme, embora já estejamos habituados, é ver do que são capazes as pessoas para levar os seus objectivos adiante, sem pensar na pessoa que está a ser objecto de disputa, nas suas necessidades, no seu bem estar, na sua felicidade.

 

Por um lado temos o bondoso tio Frank, que proporciona à sobrinha uma vida simples, descomplicada, transmitindo-lhe os valores que considera mais importantes.

Um professor que abandonou tudo, e que agora conserta barcos por conta própria, para pagar as suas contas, e que nunca teve qualquer reconhecimento ao contrário da irmã sendo, a certo ponto, acusado de limitar a sobrinha por inveja.

 

Por outro lado, temos uma avó que não quer desperdiçar o talento da neta, e acha que ela está reservada para grandes feitos, e por isso quer a sua guarda, para lhe proporcionar tudo aquilo que o tio não pode.

No entanto, esta atitude é desprovida de altruísmo, e significa ocupar Mary, a tempo inteiro, com problemas matemáticos, sem infância, sem vida própria, tal como o fez com a filha, levando-a ao suicídio.

 

Frank vai ter, assim, pela frente uma dura batalha judicial com a mãe, para ficar com a custódia da sua talentosa sobrinha. Ambos com receio de perder a batalha, chegam a um acordo tão absurdo, que passa por Mary ser adoptada por um casal estranho, podendo ambos visitá-la e passar algum tempo com ela.

 

Um erro que pode sair muito caro para Mary, que se revolta contra o tio, quando este a deixa naquela casa.

Mais tarde, enquanto Frank é impedido de ver Mary, por esta não querer estar com ele, percebe-se que Evelyn está a controlar a neta, rodeando-a de professores, e privando-a daquilo que mais gosta, incluindo o seu companheiro felino, Freddy.

 

E esta foi uma das cenas mais emotivas para mim: o momento em que a antiga professora de Mary vê uma foto de Freddy, que foi dado para adopção, e avisa Frank. Quando este chega ao canil, o prazo da adopção já terminou, e Freddy está, juntamente com outros gatos, na fila para o abate.

 

Conseguirá Frank salvá-lo, e recuperar a sobrinha? 

Conseguirá Evelyn perceber o que está a fazer de errado, e emendar os seus erros a tempo?

Ou estará Mary condenada a viver a mesma vida que a mãe, com todas as consequências que isso possa trazer para a sua vida?

Lion - A Longa Estrada Para Casa

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Vi no fim de semana este filme,por insistência do meu marido, que já tinha visto uma parte e achou que o filme era bom.

Sei que, por ocasião dos Óscares de 2017, era um dos candidatos e reuniu várias críticas, algumas positivas, mas não me lembrava já do que se tinha falado ao certo sobre ele.

 

Na primeira parte do filme, foi possível constatar a miséria, a pobreza, as más condições em que vivia aquele povo, a forma como tinham que se desenrascar para sobreviver. Ainda assim, em família, o pouco que tinham era partilhado. Havia amor, havia união.

Quando Saroo é levado para Calcutá, voltamos a ver mais miséria, a forma como vivem os sem abrigo, muitas crianças nas ruas obrigadas a sobreviver a traficantes, pedófilos, e à própria polícia mas, ainda assim, na sua pobreza, solidários com aqueles que encontram em condições semelhantes.

Ali, todas aquelas crianças estavam em risco. E se, por cá, temos instituições e casas de acolhimento para estas crianças e jovens (ainda que algumas sejam pouco recomendáveis), duvidei que por ali houvesse algo do género.

No entanto, até havia! Mas o objectivo, por muito nobre que fosse tendo em conta o local e as condições, assemelhava-se mais a uma prisão, em que as crianças eram maltratadas e vítimas de abusos, pelo que acabamos por ficar na dúvida se teria sido preferível Saroo continuar nas ruas, ou ter sido levado para tal abrigo.

Destaco a assistente social que, ao contrário daquilo que poderíamos estar à espera - uma carrasca e sem coração - era a única pessoa decente, que viu que Saroo não poderia ficar ali muito tempo na instituição. Pena que as restantes crianças não tenham tido a mesma sorte.

E, assim, Saroo é adotado por uma família australiana, cheia de amor para lhe dar, e que acabou por ser a sua salvação. À semelhança do que fizeram com Saroo, adoptaram mais tarde outro menino indiano - Mantosh, mas este com marcas muito mais profundas, que lhe valeram o desenvolvimento de problemas mentais. E por aí percebemos que nem todas as adopções correm da melhor forma, e nem todas as crianças são iguais.

Mas estas duas adopções foram gestos de amor, de generosidade - abdicar de ter os próprios filhos, para dar uma vida melhor a crianças que mais precisam.

 

 

E saltamos agora para a segunda parte, em que ambos são adultos, para chegar a uma conclusão - embora seja dada a mesma oportunidade a duas pessoas diferentes, haverá sempre aquela que aproveita e tira partido dessa oportunidade, e aquela que a desperdiça e deita no lixo.

Haverá sempre aquela com quem se consegue trabalhar e levar a bom porto, e aquela que nenhuma ajuda poderá alterar o seu destino. E é, também, por isso, que nem sempre é gratificante e compensador trabalhar com crianças e jovens em risco. Porque no meio de muitas, poucas são as que fazem valer a pena todo o trabalho que se desenvolveu com elas.

Claro que haverá muito mais na história de Mantosh, para além do que nos é mostrado, e as coisas podem não ser assim tão lineares e tão "preto no branco". Mas isso ficará,quem sabe, para outro filme.

 

A determinada altura, Saroo começa a querer procurar a sua família verdadeira, e torna esse desejo uma obsessão. Não acho que ele esteja a ser ingrato para com os pais adotivos. Considero apenas que algumas das suas atitudes, erradas e parvas, são resultado de uma mente em extrema confusão, de um homem perdido entre o passado e o presente, sem conseguir encontrar o seu caminho.

Por vezes, até os filhos mais certinhos saem da casca e agem como perfeitos idiotas.

 

 

Achei o filme demasiado longo, com cenas que eram escusadas e que em nada contribuiram para valorizá-lo. Poderia ter sido dada outra dinânica a esta segunda parte em que Saroo tenta descobrir de onde veio, e se a sua família ainda estará viva. Houve também um pormenor que talvez me tenha escapado, ou delirei, mas fiquei com a sensação de que, no início do filme, eram quatro irmãos: Guddu, Saroo, Kallu e Shekila. No entanto, no final, quando se reencontram, não fazem referência a Kallu, como se nunca tivesse existido.

Embora tenha sido um filme que deu origem ao debate de alguns temas, lá por casa, e que o meu marido adorou, confesso que não é daqueles filmes que tenha vontade de ver uma segunda vez, ou me tenha tocado como outros o fizeram.