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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Café de Gatos", de Charlie Jonas

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Digamos que, em primeiro lugar, adorei a capa!

Depois, gostei do título, simples e desprendido, sem desvendar muito. Meramente, "Café de Gatos".

Já visitei dois cafés do género, aqui em Portugal.

Agora, "viajei" até este, em Colónia, na Alemanha, através da leitura.

 

Voltando ao livro, e assim numa espécie de pregão, o que esperar dele?

Não uma, não duas, mas três histórias de amor. Pelo preço de uma!

Não um, não dois, mas 6 gatos, como elo comum entre as personagens principais - a Mimi e os seus filhotes! Portanto, muita fofura junta, numa única história.

Livros, como não poderia deixar de ser, num café de gatos que se preze.

Um pouco de história, e muitos passeios pela ilha de Ísquia, em Itália, onde se encontra, por exemplo, o Monte Epomeo.

E comida caseira, tradicional, herança de família, nomeadamente, os maravilhosos bolos da proprietária do café, feitos com receitas da sua tia Paula.

O que poderíamos querer mais?!

 

Tudo começa quando Susann decide fazer a sua última viagem, antes de uma cirurgia à anca.

Susann é viúva e tem, por única companhia, a gata Mimi.

E não a quer deixar com qualquer pessoa. Por isso, será a Leonie, uma professora francesa e sua vizinha, que Susann pedirá o grande favor de ficar com a sua bichana, por apenas alguns dias.

Só que Leonie não percebe nada de gatos, não tem jeito nenhum para lidar com Mimi, e Mimi também não aprecia muito dividir os seus dias com Leonie, fechada naquele apartamento.

Em desespero, Leonie pede à sua amiga Maxie, que adora gatos, que fique com Mimi, para bem da sua sanidade mental. Afinal, serão apenas alguns dias, e em breve tudo voltará ao normal.

Só que não...

 

Susann apaixona-se em Ísquia, e vai prolongando as suas férias, semana após semana, acreditando que Mimi está em boas mãos, e que Leonie não se importará de passar mais uns dias com ela. Aliás, mais à frente, Susann pondera mesmo deixar definitivamente Mimi com a sua vizinha, para poder viver a sua história de amor.

Já Leonie, que tem vindo a mentir descaradamente a Susann acerca de Mimi, tem cada vez mais dificuldade em desfazer a farsa, já que não quer estragar as férias da vizinha e, de qualquer forma, Mimi está nas suas "sete quintas", no café de Maxie!

Um café que era suposto ser normal mas que, com a chegada de Mimi, e com os filhotes que esta, entretanto, deu à luz, se transformou num café de gatos, com livros à mistura, que poderá ser, de certa forma, um porto de abrigo para alguns dos seus clientes.

Maxie ama Mimi, um amor que parece ser recíproco, e ela nem quer imaginar que terá que devolvê-la brevemente. Ainda mais, quando Mimi adora o espaço, e se sente a rainha do café.

E por falar em amor, tanto Leonie, que não tem sorte nenhuma nesse campo, dadas as suas relações anteriores, e Maxie, que se envolve com um impostor, vão encontrar o amor da forma mais inesperada que imaginariam.

 

Ou seja, este é um livro leve, e sem grandes enredos ou reviravoltas, com histórias de amor e finais felizes, como manda a tradição.

E com um miminho no final do livro, que é mesmo a cereja no topo do bolo, de um café de gatos que passou a trama toda a abrir-nos o apetite: algumas das receitas dos bolos feitos por Maxie, incluindo os tão famosos caracóis de canela!

 

É caso para dizer que este livro é como um bombom, e que a sua leitura nos adoça e nos deixa com água na boca, para além de reforçar, aos apaixonados por gatos, que temos muito a aprender com eles!

 

 

 

 

 

Sinopse:
 

"Susann está prestes a partir para Itália numas férias que poderão ser as últimas. Quando regressar, vai submeter-se a uma cirurgia que a impedirá de viajar durante muito tempo. É agora ou (provavelmente) nunca. Mas a ideia de deixar a sua querida gata Mimi com estranhos deixa-a desconsolada. É então que se lembra de Leonie, a vizinha com quem se dá tão bem. Estará a jovem professora disposta a aceitar o seu pedido? Com certeza que sim, afinal, a Mimi é um amor…

Leonie está familiarizada com as excentricidades das outras pessoas (principalmente se forem homens franceses), não com as de pequenos animais de estimação. Mas quando Susann lhe expõe o seu plano, ela não consegue recusar, pois tem a sensação de que a felicidade da vizinha depende demasiado daquela viagem.

Mas Leonie rapidamente percebe que ela e Mimi não fazem uma boa dupla: a gata parece fazer de propósito para tornar a sua vida num inferno, desde personalizar o sofá a destruir os frascos de verniz Chanel. E quando Susann decide prolongar as férias, Leonie entra em pânico e recorre a Maxie, a sua melhor amiga, que acaba de abrir um café. Pois Maxie também não consegue recusar um pedido de ajuda e aceita ficar com a gata. E é assim que Mimi e os seus bebés (sim, Susann vai ter uma surpresa…) tomam o café de assalto.

A vida destas três mulheres (e do café) não voltará a ser a mesma.

Porque a Mimi sabe o que nós humanos apenas intuímos: um gato muda tudo - para melhor, obviamente."

"Coração Marcado", na Netflix

Pôster Coração Marcado - Pôster 1 no 2 - AdoroCinema

 

Num dia, uma mulher vence a maratona, e celebra com os filhos e o marido.

Nesse mesmo dia, uma outra mulher está prestes a casar, quando é levada para o hospital, com um problema cardíaco.

Numa noite, uma mulher é atacada para lhe retirarem o coração.

Nessa mesma noite, uma outra mulher, cuja vida depende de um transplante urgente, recebe o coração que precisa.

 

Um homem tenta, a todo o custo, salvar a mulher que ama, mesmo que da pior forma possível.

Enquanto isso, outro homem perde a mulher que ama, e vai fazer de tudo para descobrir quem a matou, e vingar-se.

 

Vale tudo, por amor?

Poder-se-á recriminar Zacarias, por ter feito o que fez, para salvar Camila?

Será que esse acto desesperado foi mesmo um gesto de amor?

 

Poder-se-á recriminar Simón, por não compreender por que razão, para salvar uma desconhecida, teve que perder a sua própria mulher?

Será que a vida de uma, justifica a morte da outra?

 

E como se sentirá Camila, quando souber a origem do seu coração?

A atrocidade que foi cometida, para o conseguir?

Conseguirá ela lidar com a verdade? 

Deverá ela sentir-se grata? Sortuda? Revoltada? Culpada?

 

Como se tudo isto não bastasse, Zacarias arrisca-se mesmo, depois de tudo o que fez, a perder Camila que, desde que recebeu o novo coração, nunca mais foi a mesma e, por coincidência ou obra do destino, se aproxima de Simón, como se algo a atraísse para ele.

E como irá Simón, que entretanto se apaixona por Camila, encará-la, quando souber o que ela representa?

 

Por outro lado, a série aborda os meandros do tráfico de órgãos.

Onde, e de que forma, são escolhidos os "candidatos" a doadores.

Quem faz o "trabalho sujo", e quem mais lucra com o negócio.

E o quão perigoso pode ser entrar nesse mundo, e querer vingar-se de todos os que dele fazem parte.

 

Já para não falar que, quando se deixa de cuidar da família, nomeadamente, dos filhos, no momento em que mais precisam de apoio, em nome de uma vingança que não trará a mãe deles de volta, é meio caminho andado para eles se virarem para caminhos duvidosos, e colocar-se, também eles, em perigo.

E a paz de espírito, por se ter feito justiça, pode dar lugar a mais desespero, culpa, e sofrimento.

 

Conseguirão estas pessoas, algum dia, voltar a ser felizes?

Conseguirão voltar a ser família?

Que destino estará reservado para Camila, Zacarias e Simón?

 

Uma série de 14 episódios, a não perder, na Netflix!

 

 

"O desaparecimento de Stephanie Mailer", de Joël Dicker

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Em 1994 ocorreu, em Orphea, nos Hamptons, um quádruplo homicídio.

O alvo seria o perfeito, e a sua família. Meghan teria sido um dano colateral.

Um homem foi acusado do crime, e a vida seguiu em frente para todos.

Vinte anos mais tarde, a jornalista aborda um dos policiais responsáveis pelo caso afirmando que, apesar da sua carreira impecável, ele deixou escapar o verdadeiro culpado daquele homicídio, porque só viu aquilo que "quis ver".

E é assim que, contra a vontade de muitos, Jesse, Derek e Anna voltam a desenterrar o caso, e a ressuscitar fantasmas do passado.

 

Na noite após ter conversado com Jesse dando a entender que o verdadeiro assassino estava à solta, Stephanie Mailer desaparece.

Mas esse desaparecimento é apenas o início. O ponto de partida para desvendar a verdade. E, nesse caminho, muitos segredos serão revelados, e mais algumas pessoas, directa ou indirectamente envolvidas, eliminadas.

Há pessoas que procuram respostas às dúvidas que as consomem há 20 anos. Que procuram justiça. 

E há outras, como o assassino, que farão de tudo para que nada seja descoberto.

 

Confesso que, apesar do início cativante, a determinado momento, com tantas personagens novas a entrar na história, sem qualquer ligação aparente entre elas, e sem ligação aparente à trama principal, houve um momento em que pensei ficar por ali na leitura.

Felizmente, não fiquei.

Continuo a achar que houve ali partes desnecessárias, e personagens a mais, das quais se poderia prescindir, sem afectar a história.

Mas valeu a pena chegar ao fim.

 

Este livro mistura drama, comédia, suspense, crime e um pouco da realidade de cada um de nós.

E prova, tal como Stephanie disse, que muitas vezes a verdade está mesmo ali à nossa frente, mas só vemos aquilo que queremos ver.

Porque a pessoa que eles procuravam, esteve sempre ali!

 

Quem era, afinal, o verdadeiro alvo a abater? E porquê?

E quem será o assassino, que continua a fazer vítimas?

Estas são as perguntas para as quais o tempo se está a esgotar, e a que a equipa agora responsável pela reabertura do caso terá que responder.

"A Última Viúva", de Karin Slaughter

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Assim de repente, o título do livro poderia sugerir uma história bem diferente daquela que, na verdade, conta.

E ainda bem. 

Porque surpreendeu, pela positiva.

 

Em primeiro lugar, quero destacar a relação entre os protagonistas.

Ambos marcados pelo passado.

Ambos com receios.

Ambos muito diferentes, mas com um objectivo comum: ser felizes.

Sara já foi, em tempos, casada. Agora, é viúva. E esse facto é um entrave na medida em que nunca se sabe bem se uma nova relação é o "seguir em frente", ou se é visto como "traição".

Depois, há sempre as inevitáveis comparações. E essas podem interferir, e muito, sobretudo quando vindas de familiares directos, e em modo negativo, relativamente à nova pessoa.

E Will não parece ser aceite pela mãe de Sara.

Aliás, há algo em particular, que ela lhe diz, em jeito de acusação, que o deita abaixo e o faz duvidar de si próprio, culpar-se pelo que aconteceu.

 

E o que é que aconteceu?

Sara foi raptada enquanto tentava ajudar algumas pessoas feridas devido a um ataque bombista. Estava no lugar errado, à hora errada. E tinha a profissão errada.

Na verdade, ela foi levada apenas porque era médica.

Tal como, um mês antes Michelle tinha sido levada, por ser cientista.

 

Agora, estão ambas nas mãos de criminosos, um grupo que pretende levar a cabo uma missão, transmitir uma "Mensagem", como lhe chamam, que vai chocar o mundo, e fazer história.

Dado o objectivo, para Michelle compreende-se o porquê de a terem escolhido. Pensa-se logo num ataque terrorista relacionado com a disseminação de alguma doença, infecção, ou algo do género. 

Já Sara, como médica, não se sabe se foi raptada apenas para auxiliar os membros feridos do grupo ou para, mais tarde, no acampamento, tentar controlar o sarampo que atingiu grande parte das crianças. O que não faz sentido, tendo em conta o que aconteceu mais para o final do livro.

Mas, a determinado momento, é claro que ela servirá de testemunha para o que aí vem, e simbolizará "a última viúva", a sobrevivente.

Se os terroristas não mudarem de ideias antes...

 

Will não conseguiu proteger Sara.

Não conseguiu evitar que fosse levada.

Ficou ferido e, agora, teme perdê-la para sempre, às mãos dos bandidos.

Mas não desiste. E, em parte por Sara, em parte por si, e por considerar que deve isso à família da sua amada, Will fará de tudo para a encontrar e trazer de volta, sã e salva.

 

No acampamento, Sara percebe que está no meio de um grupo em que abusos sexuais, pedofilia, racismo e extremismo estão presentes.

E não há nada que ela possa fazer, senão colaborar, e esperar.

A frustração, o desespero, a descrença e a repulsa são evidentes.

Apesar de ser relativamente bem tratada, tendo em conta a situação, ela não sabe o que o destino lhe reserva, e quanto tempo aguentará.

Quanto tempo faltará para lhe fazerem o mesmo que fizeram a Michelle, quando não lhes foi mais útil.

 

Conseguirá Will cumprir a promessa, chegar até ela e tirá-la dali?

Sairá, ele próprio, se lá chegar, daquele acampamento, com vida?

 

E com este livro já aprendi algo que desconhecia: o que é o botulismo, como se manifesta, como actua, e quais as suas consequências.

 

 
SINOPSE

"Um sequestro por resolver
Numa noite quente de verão, Michelle Spivey, cientista do Centro para o Controlo de Doenças (CDC) de Atlanta é levada por desconhecidos de um parque de estacionamenteo de um centro comercial. Não há pistas, ela parece ter-se desvanecido como se fosse fumo e as autoridades procuram-na desesperadamente.

Uma explosão devastadora
Passado um mês, a tranquilidade de uma tarde de domingo vê-se sacudida por uma explosão que faz tremer o chão a quilómetros em redor, seguida segundos depois por uma segunda, igualmente potente. O coração de Atlanta, onde se encontra a Universidade de Emory, a sede do FBI da Geórgia, os hospitais e o próprio CDC, foi atacado.

Um inimigo diabólico
A médica forense Sara Linton e o seu namorado, o polícia Will Trent, aparecem na cena do crime... E sem o saberem, mesmo no epicentro de uma conspiração letal que ameaça acabar com a vida de milhares de inocentes. Quando os terroristas sequestram Sara, Will vai-se infiltrar colocando a sua vida em perigo para salvar a mulher e o país que ama."

"Assim se revisita o coração", de Ana Luísa Amaral

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"Só mal tocando as cordas
Da memória
Consegue o coração ressuscitar

Porque era este lugar
que eu precisava agora
como em deserto até
ao infinito,
e de repente,
uma gravidez imensa,
um cacto verde e limpo

Porque os olhos conhecem
estes sons
de dar à luz o vento
e são-lhe amantes
de tangível luz

Só mal tangendo as cordas
da memória
como estas flores
se tingem de alegria

Porque era neste azul
que eu me queria
como a rocha transpira
e se resolve
em mar"

 

 

Há duas expressões que eu escolheria para sintetizar este poema:

"Recordar é viver" e "Somos as memórias que criamos".

Porque ambas caracterizam aquilo de que o sujeito poético fala neste poema: a forma como as memórias nos parecem devolver a vida.

 

Quando começamos a esquecer as pessoas, as coisas e os momentos que nos fizeram felizes, a esquecer as lembranças e recordações passadas, a perder a memória de tudo o que de bom vivemos, o nosso coração começa a morrer. 

Mas se essa memória, que estava a desvanecer, for reavivada, seja por vontade própria, ou porque algo inesperado contribuiu para esse reavivar, então é como se o coração ganhasse um novo fôlego.

E, de repente, ele volta a bater com mais força, ao relembrar aquilo que estava esquecido. 

 

Por vezes, quando nos sentimos mais tristes, cabisbaixos, sem ânimo e sem vontade, bastam essas memórias para nos trazer de volta a alegria perdida, para nos transmitir a paz e serenidade, e nos fazer sentir bem connosco próprios, mostrando que tudo tem a sua razão de ser, e que tudo acontece na hora e no momento certos.  

Mesmo que não possamos viver, de novo, todas essas lembranças, é quase como se estivéssemos a viver as situações, uma segunda vez, porque conseguimos visualizá-las e senti-las, como se estivéssemos lá.

 

Por vezes, basta um gesto, para que as nossas memórias passadas venham até ao presente, e nos façam abstrair da realidade que estamos a viver, funcionando como um refúgio seguro, ou um escape temporário, que nos devolve a alegria sentida nesses momentos.  

 

Ainda assim, ao mesmo tempo que as memórias nos transportam para onde mais precisávamos estar, naquele momento, como se precisássemos delas para nos reforçar, reerguer, respirar, renovar a força e a esperança também nos relembram que, apesar de tudo, estamos onde deveríamos estar, e não devemos recear o que está por vir, porque ainda poderemos ser felizes, e criar novas memórias.