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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Retrato de Uma Espia, de Daniel Silva

Retrato de uma Espia, Daniel Silva - Bertrand Editora

 

O livro já tem alguns anos.

Tinha começado a lê-lo, mas abandonei-o ainda nas primeiras páginas. Não estava a gostar. 

Voltou à estante, e por lá ficou, até há uns dias, quando voltei a pegar nele, à falta de outra coisa para ler.

Tive que voltar ao início, para perceber.

 

Como foi o primeiro e único livro que li deste autor, não acompanhei algumas das personagens, e respectivas histórias passadas, mas também não influencia a forma como lemos a presente.

Não é um daqueles livros em que tive vontade de ler página após página, sem parar. Fui lendo aos bocados, até que já mais para o final conseguiu cativar.

 

É uma história sobre confiança, e sobre traições.

Sobre espírito de equipa, e de sacrifício.

Sobre alianças, e conflitos de interesses.

Sobre fazer o que é certo, porque assim queremos, e ser obrigado a fazer o que nos ditam as normas, a religião, as origens.

Sobre crenças. Aquelas que contribuem para um futuro melhor, e as que dizimam centenas de inocentes.

 

Este é um livro que aborda o terrorismo, o islamismo, o poder.

A simplicidade, e a sofisticação.

A astúcia, a ambição, e a resiliência e resignação.

 

No fundo, naquele grupo de espiões, que tenta salvar o mundo com as "armas" que tem ao dispor, existe uma espécie de família, em que cada pessoa tem um pedaço de vida normal que, a qualquer momento, tem de pôr de parte, por uma causa maior.

E ninguém deixa ninguém para trás, ainda que nem sempre se consiga cumprir as promessas feitas.

 

 

 

Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga

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Estava curiosa para ver este filme, sobre o Festival da Canção, onde Salvador Sobral iria fazer uma participação especial.

Sabia que era uma comédia, que não é o meu estilo favorito. Quando vi que o filme tinha uma duração de 2 horas e meia, assustei-me.

Mas fui-me deixando-me levar. E não dei por passar o tempo. Quando dei por isso, já estava a acabar.

 

Como comédia, é muito fraco, forçado e poucas cenas tem, que me façam rir.

Também não é propriamente uma história sobre o festival da canção que, aqui, serve apenas de fundo para uma comédia romântica.

Às tantas, aparece-nos no ecrã, sem qualquer propósito, que não seja dar destaque aos participantes do Festival da Canção, Jamala, Conchita, Netta, Alexander Rybac e John Lundvik.

Também Salvador Sobral tem direito a uma participação neste filme, mas ao seu estilo, com simplicidade, e beleza.

Demi Lovato interpreta a candidata favorita a representar a Islândia no Festival da canção mas, confesso, só soube que era ela quando vi o elenco! 

Gostei de algumas das músicas, e imaginei-as como candidatas ao festival, ou mesmo como hits das rádios. Melhores que muitas que por aí andam, ou que por lá já passaram.

 

Sobre a história:

Lars é um miúdo que cresce com um único sonho na vida: representar a Islândia no Festival da Canção, e pisar o grande palco. E, se possível ganhar. 

Nesse sonho, acompanha-o a sua amiga Sigrit, uma menina que adora cantar e que, à medida que cresce, se vai apaixonar por Lars.

Juntamente com Lars, vão formar a banda Fire Saga, que é totalmente descredibilizada e ridicularizada pelos islandeses.

Sigrit tem talento, mas falta-lhe cantar com alma e paixão. Todos acham que o caminho dela seria mais feliz se se afastasse de Lars. Mas ela fá-lo por ele, e para que ele possa realizar o seu sonho.

Já Lars, está tão focado da Eurovisão, que não vê mais nada à frente. Ele compõe, ele confecciona as roupas, ele escolhe os arranjos e os temas, ele imagina cenários, enfim, ele trata de tudo, e Sigrit segue-o nessa aventura.

Até ao dia em que tudo muda.

Sigrit é uma artista, no verdadeiro sentido da palavra. Lars é uma criança com mau perder, e que não sabe lidar com as contrariedades. Isso vai afastá-los, e deitar tudo a perder, com a mãozinha dos vilões da história, claro.

Portanto, como comédia romântica, não está mau de todo, embora não seja nada por aí além, como outras que já vimos.

 

Sendo assim, bem espremido, o que se pode tirar do filme?

Algo tão simples e tão importante, que devemos aplicar em tudo na vida:

- em qualquer relação, deve-se rumar no mesmo sentido, trocar opiniões, chegar a um consenso ou entendimento, ouvir os dois lados, para que as coisas resultem

- por vezes, estamos tão obcecados com um determinado objectivo pessoal, que arrastamos todos connosco sem, por um momento, pararmos para olhar se essas pessoas não terão, também elas, os seus próprios objectivos e sonhos, se não estamos a ser egoístas, se não estamos, em nome de uma obcessão, a arruinar algo muito melhor que, e que nos pode fazer mais felizes 

- por vezes, aquilo que realmente importa, está nas coisas mais simples

- é bom vencer, mas não é tudo na vida, e aquilo que para uns é uma derrota pode ser, para outros, um conjunto de pequenas vitórias muito melhores de saborear

- a melhor música, é aquela que se canta com o coração, com alma, com sentimento

 

E acho que esta música, uma verdadeira candidata a um próximo festival da canção, que já está na minha lista das favoritas, resume tudo o que acabei de mencionar.

 

 

A Busca - História de Um Crime, na Netflix

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Numa manhã, como qualquer outra, a ama entra no quarto para acordar Paulette.

Mas ela não está na cama. Nem no quarto. Nem em casa. Nem fora dela.

Paulette desapareceu sem deixar rasto.

 

Os pais são pessoas influentes, e vivem num condomínio de luxo. O segurança desse condomínio diz que Paulette não saiu do mesmo. Que era impossível.

 

A mãe, desde o início, não se mostra como uma mãe triste e desesperada, mas antes indiferente ou, até, normal.

O pai, espera que as autoridades descubram a sua filha, mas mantendo-se afastado do mediatismo.

Já Amanda, a melhor amiga da mãe de Paulette, parece a mais transtornada, e disposta a fazer tudo para encontrar a menina, incluindo chamar a imprensa e divulgar o desaparecimento nas redes sociais.

 

O corpo de Paulette foi encontrado, 8 dias depois do desaparecimento, no seu quarto, num espaço entre o colchão e o estrado da cama, e o caso foi, convenientemente, tratado como acidente.

 

Este caso ocorreu em 2010, no México e, na altura, foi comparado ao desaparecimento de Maddie.

Até hoje, ninguém sabe o que realmente aconteceu a Paulette.

 

Quem acompanhou de perto, acha pouco provável que o corpo tenha estado ali durante 8 dias, com pessoas a dormirem naquela cama, e entrevistas a serem feitas no quarto, sem que notassem nada, nem qualquer cheiro. Sem que os cães tão pouco tenham detectado o corpo. E sem que este ficasse exposto, logo no primeiro dia, quando tiraram um lençol da cama para dar a cheirar aos cães, ou quando as amas fizeram a cama nos dias seguintes.

O que é certo, é que houve incongruências nos vários relatos das pessoas daquela casa e, perante a proximidade da verdade, foi necessário encontrar uma história que convencesse, e em que ficassem todos bem na fotografia.

 

O que ficou explícito, pelo menos na série, é que o dinheiro, o poder e os interesses podem transformar todo um cenário, e corromper as pessoas. Desde o subprocurador, a Amanda, todos procuraram dar prioridade aos seus interesses pessoais, ainda que isso prejudicasse a investigação, e a opinião pública sobre os pais, neste caso, sobre a mãe da menina.

E que quem de direito, ainda que não seja um exemplo de profisionalismo, é facilmente derrotado num jogo em que, á partida, não tinha qualquer hipótese de vencer.

A corrupção no seu melhor!

 

 

 

13 Reasons Why - quarta e última temporada

13-Reasons-Why-Netflix.jpg

 

A quarta temporada de 13 Reasons Why estreou no dia 5 de junho.
Posso dizer que, em 10 episódios, só o último, e mais longo de todos, vale a pena ver!
No final da temporada anterior comentava eu "Fala-se de uma quarta temporada. Não sei se valerá a pena, ou se não irão acabar por destruir a série."
Foi o que aconteceu...

 

De um suicídio controverso, à descoberta de abusos sexuais no meio escolar, chegámos ao mistério da morte de um dos "maus da fita" e, agora, na quarta e última temporada, em que mais alguém morre, fico na dúvida se era suposto ser uma série de terror (não conseguida), ou qualquer outro género que não percebi ainda bem qual será.

 

Dizem que esta temporada foca-se nos problemas de saude mental, nomeadamente, através da personagem Clay.

Guardar segredos é um peso que, a determinada altura, pode revelar-se difícil de carregar. Bem como a culpa e o remorso. E isso é visível um pouco em todos eles. Desde alucinações, pesadelos, ou atitudes impensáveis, esse peso parece estar a tomar conta deles, uns mais do que outros, e a roubar-lhes a sanidade mental.

Clay tem um problema (ou vários), mas este parece-me o maior. Ele meteu na cabeça que veio a este mundo para ajudar toda a gente, e é isso que tenta fazer o tempo todo. Mas ainda não percebeu que, neste momento, é ele que precisa de ajuda. E que não conseguirá ajudar mais ninguém, por muito que tente, se não se ajudar a si próprio primeiro.

Por outro lado, os seus amigos estão tão habituados a vê-lo como o "salvador", que exigem o tempo todo que se controle, que não se passe, que não faça ou diga nada de que se venha a arrepender. Mas não percebem que, agora, é Clay que precisa deles. 

Nesta temporada, Clay torna-se irritante, parvo, detestável, egoísta, invejoso, idiota. No fundo, pode até ser involuntário, ou resultado do seu problema mental, mas não vamos gostar dele. Dá vontade de dar-lhe uns pares de estalos, para ver se acorda para a vida, e deixa de agir como um imbecil.

 

Para mim, uma das melhores personagens de toda a série é o Justin.

Acabado de sair da clínica de reabilitação, Justin está diferente. Para melhor.

Mais calmo, controlado. Com vontade de recuperar a sua vida, e dar o seu melhor.

Mas as pessoas parecem preferir os "coitadinhos", os "casos perdidos", aos "corajosos", "valentes" e "bem sucedidos". 

O novo Justin, responsável e ponderado, não agrada a Clay, nem a Jessica. Porque este é um Justin que, no momento, está melhor que eles, sem o peso que eles carregam e, por isso, sem tanto a temer como eles. E isso fá-los parecer, a eles próprios, desorientados, paranóicos e inconsequentes, algo que não deveriam ser. Fá-los parecer piores do que aqueles a que sempre se habituaram a ver pior que eles.

Justin terá sido, de todas as personagens, a que mais passou e sofreu, e a que mais evoluiu até agora. E é por isso que nos vai custar vê-lo ser criticado pelo que faz bem, vê-lo sentir-se indesejado, vê-lo ser constantemente associado ao antigo Justin, o drogado, viciado, que não tem salvação, aquele de que apenas sentem pena. 

Vai ser difícil para ele ouvir tudo isto e permanecer limpo. Ver a mulher que ama com outro. E mais ainda quando souber que a mãe faleceu de overdose. Porque, ao contrário dele, não teve ninguém que lhe desse uma oportunidade, como ele teve.

 

De resto, vai ser uma temporada em que todos estão a ficar fartos de guardar segredos, de ter medo, de não viverem uma vida normal mas, ainda assim, sabem que têm que permanecer calados, e acabam por desconfiar uns dos outros, quando a verdade parece estar prestes a ser revelada.

Quem acabará por falar? Quem acabará por trair os amigos?

 

Enquanto isso, o liceu está a terminar e começam as candidaturas para a universidade que, de certa forma, podem significar um recomeço para todos eles.

Ou, pelo menos, àqueles que sobreviverem para lá chegar.

 

 

 

 

 

 

 

Uma Mente Brilhante

Uma mente brilhante” que venceu a esquizofrenia e ganhou o prêmio ...

 

Pode parecer mentira mas, até ontem, nunca tinha visto o filme “Uma Mente Brilhante”!

Claro que ouvi falar ao longo destes anos, sabia quem interpretava a personagem principal mas, nunca calhou.

Provavelmente, achei que seria um filme aborrecido, sobre algo que não me dizia muito e, por isso, dispensável.

O filme é de 2001. Estamos em 2020.

Ao vê-lo, tenho a sensação de quase estar a ver um filme de época, antigo, e isso já me levou, em alguns casos, a perder o interesse, porque até poderia ver-se bem na altura em que saiu mas, agora, nem tanto. Não foi o caso.

As fórmulas, equações e cálculos, depois de anos a tentar ajudar a minha filha, e depois destes últimos meses, também me fizeram torcer o nariz. Mais matemática, não!

Mas Russel Crowe conseguiu fazer-me esquecer essa parte, com a sua brilhante interpretação, de um homem com uma mente brilhante, mas que sofre de esquizofrenia.

Confesso que, até mais de metade do filme, realmente acreditei que aquelas personagens existiam, e que tudo era uma conspiração contra ele, para fazê-lo passar por louco.

Custou-me perceber que era tudo fruto da sua imaginação, e que a sua situação estava a piorar, começando a destruir a sua carreira e família.

Foi preciso uma imensa coragem, e força de vontade, para conseguir lidar com a doença, controlá-la, e levar uma vida minimamente normal, sem perder a sua genialidade e simplicidade.

Emocionaram-me, sobretudo, as cenas finais, já com a personagem bem mais velha, a ser reconhecida e respeitada.

Quando acabei de ver o filme, fui pesquisar mais sobre John Nash, Nobel da Economia em 1994 que, curiosamente, faleceu em 2015, não do problema que tinha, mas na sequência de um acidente de viação.

O filho que teve com a sua mulher, Alicia, herdou a genialidade e a doença do pai.