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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Skater Girl, na Netflix

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Habituada a ouvir o termo "casta" para designar as diferentes variedades das uvas, por exemplo, fiquei surpreendida por ouvir essa palavra, neste filme, num contexto diferente, relacionado com a estratificação social.

Em Rajastão, na Índia, as pessoas estão agrupadas por "castas superiores", e "castas inferiores". E castas diferentes não se misturam. 

Crianças de castas diferentes não brincam juntas. Jovens de castas diferentes não podem ter qualquer tipo de relacionamento. Pessoas de castas diferentes, têm direitos diferentes, deveres diferentes, e espaços diferentes.

 

Esta é apenas uma das questões culturais abordadas no filme "Skater Girl", numa história que mostra como as mulheres indianas nascem e crescem para casar e ter filhos, em casamentos, muitas vezes, arranjados pelos pais. Nem sequer imaginam considerar um futuro diferente, porque essa é a realidade que conhecem. 

E o quão indigno é, para os maridos, que estas tenham que trabalhar, porque isso significa que eles são fracos, falhados e não conseguem sustentar a família. É um verdadeiro atentado ao orgulho deles.

As meninas vão à escola, sim. Mas, se for preciso ajudar os pais, deixam de ir. Como foi o caso de Prerna, a protagonista da história.

 

Na verdade, Prerna vai desafiar todas as tradições, após conhecer Jessica e Erick, que lhe despertam o gosto pelo skate, algo que a faz sentir um pouco mais livre. Uma parte de algo. Mas que, para a comunidade, é considerada uma "coisa de rapazes".

Prerna vai enamorar-se pelo filho do director da escola, que também gosta dela e a ajuda sempre que pode mas, sendo este de casta superior, a relação estará condenada. 

Por conta de uma saída, que para nós seria absolutamente normal, entre dois adolescentes, para uma ida à feira, Prerna é obrigada a casar com um homem que não conhece.

 

É certo que a mãe de Prerna é bem mais compreensiva que o pai, e tenta incentivar a filha, e ajudá-la como pode mas, no fim, ela é apenas uma mulher sem qualquer poder, que tem que respeitar a tradição, e deve obediência ao marido, portanto, impotente.

O pai é um cabeça dura, orgulhoso, que põe a tradição e os costumes à frente da felicidade da própria filha, tendo algumas atitudes que nos revoltam.

Já o irmão mais novo de Prerna, é o seu maior fã, e irá colaborar com ela, quando mais precisar.

 

Sendo a história do filme baseada no skate, é importante referir a alegria das crianças quando vêem pela primeira vez na vida, os verdadeiros skates, que nada se comparam com as "tábuas de rodas" que constroem com o pouco que têm.

O gosto pela modalidade que desperta nelas a partir daquele momento.

E que leva Jessica a querer criar um parque de skate naquele local.

 

Só que, mais uma vez, está presente a desigualdade, a inferioridade das mulheres, o machismo.

Jessica não consegue o apoio financeiro que precisa, quem invista no seu projecto, quem torne possível a sua ideia, porque é mulher. 

Só lhe resta recorrer a uma outra mulher. Alguém que também desafiou as tradições. Alguém que arriscou e venceu. E pode agora tornar possível o sonho de outros jovens. Dar-lhes a oportunidade que precisam.

"Skater Girl" é sobre como o desporto pode unir as pessoas. Eliminar todas as barreiras. E em como, no lugar delas, passam a existir sonhos, e conquistas.

 

No final, há uma frase que fica:

"Se dermos uma oportunidade aos nossos filhos, talvez um dia encontremos um campeão mundial nesta aldeia. Mas um campeão, não é apenas alguém que ganha. Um verdadeiro campeão é alguém que demonstra coragem, paixão e determinação perante as adversidades."

 

Tornar-se-á, Prerna, uma verdadeira campeã?

 

 

Nota: A pista de skate Desert Dolphin Skatepark, localizada na região rural de Khempur, perto de Udaipur (a cidade dos lagos e palácios), foi construída especialmente para o filme com o apoio de voluntários da Índia e de outros países. O seu objetivo é manter o impacto social nas comunidades rurais, podendo ser usada pelo público de forma gratuita. É uma das maiores pistas de skate da Índia e a primeira de Rajastão, atraindo skatistas de todo o mundo.

 

Katla, na Netflix

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"Katla" poderia ser uma série sobre o vulcão subglaciar da Islândia.

Ou poderia ser uma série de suspense, e ficção científica, sobre o mistério que se esconde por detrás do surgimento de pessoas cobertas de cinza que, numa situação normal, não sobreviveriam. De pessoas iguais, como se de clones se tratassem. Ou das mesmas pessoas, em épocas diferentes.

Até poderíamos ir para o campo do sobrenatural, em que os mortos, de certa forma, ressuscitam.

Onde há lugar a lendas, mitos e segredos que, por vezes, é melhor não serem descobertos.

Ou sobre religião. Anjos? Demónios? Haverá, em tudo aquilo que está a acontecer, a mão de Deus? Ou nem por isso?

 

Mas "Katla" não é apenas sobre isso.

Aliás, é muito pouco sobre isso.

 

"Katla" é, sobretudo, sobre um reconciliar com o passado.

E, com ele, uma nova oportunidade no presente.

É sobre poder emendar o que não está bem. Sobre poder esclarecer o que ficou por dizer.

Sobre tomar consciência dos erros. Daquilo em que a vida se transformou. Ou foi transformada.

 

"Katla" é sobre aceitação. Constatação. Perdão.

Sobre ultrapassar os traumas. E seguir em frente.

Tudo o que aconteceu ao longo da série teve um propósito. 

E esse propósito foi, quase na sua totalidade, cumprido.

 

Um ano depois da erupção do Katla, e do desaparecimento de Ása, irmã de Gríma, esta vive uma crise no casamento, para além de estar a recuperar de um esgotamento que teve na altura em que procurava a irmã.

Um ano depois, aparece uma mulher coberta de cinza, em hipotermia, afirmando ser uma mulher que, na realidade, trabalhou ali há 20 anos atrás mas, para ela, é como se fosse no tempo presente.

No entanto, a "verdadeira" Gunhild está mais velha, como é óbvio, e vive na Suécia com o filho. Então, quem é esta mulher?

Mais tarde, outra mulher coberta de cinza aparece. Desta vez, é Ása, que todos julgavam morta, apesar de o corpo nunca ter aparecido.

O que é mais difícil de acreditar é que Mikael, o filho de Darri e Rakel, falecido há três anos, esteja vivo, e tenha aparecido naquele lugar.

Surge também uma versão mais nova de Magnea, a mulher de Gísli, que está acamada e em estado terminal.

E, por último, uma segunda Gríma, igual à original, mas muito melhor psicologicamente, e com muita vontade de viver a vida e o amor por Kartjan que, a legítima, parece ter esquecido.

Com o surgimento de cada uma destas misteriosas criaturas, descobrem-se segredos há muito guardados, e muitas vidas irão mudar. Umas para melhor. Outras nem tanto.

Ainda assim, eram mudanças necessárias.

 

No fim, tudo parece ter seguido o seu rumo.

Mas novas figuras, nascidas no vulcão que, segundo Darri, esconde um meteorito capaz de gerar criaturas humanas, estão a caminho de Vík, o que deixa em aberto uma segunda temporada.

 

Uma série que vale a pena ver!

 

 

"O Poder das Pequenas Coisas", de Jodi Picoult

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Racismo.

Este é o tema central da história, inspirada num acontecimento real,  que Jodi Picoult quis abordar levando-a, porém, para um caminho e desfecho diferente.

 

Serão, as pessoas brancas, racistas por natureza?

Acredito que todos sejamos um pouco racistas. Não especificamente, os brancos em relação aos pretos, mas de uma forma geral. Muitas vezes, sem nos darmos conta. Em pequenas coisas, ou situações. Ainda que sem aquela intenção inerente de "agredir", de menosprezar, de diminuir os outros.

Todos nós podemos discriminar, ou ser discriminados, por qualquer uma das nossas características, seja ela física, cultural ou qualquer outra.

 

Serão, as pessoas brancas, privilegiadas à nascença, e ao longo de toda a sua vida, apenas pela sorte de ter nascido com esse tom de pele?

Sim, há pessoas que, mesmo não tendo feito nada para tal, acabam por ser privilegiadas por diversos motivos, como o local onde nasceram, a riqueza, o tom de pele, a religião e por aí fora.

Mais uma vez, não é um exclusivo das pessoas brancas.

 

No entanto, esta história é sobre pessoas brancas, e pessoas negras.

Sobre oportunidades, e privilégios.

Sobre aquilo que é tido por adquirido, e aquilo pelo qual se tem que lutar.

Sobre aceitação. Sobre poder de encaixe. Sobre resiliência e resignação.

Sobre ouvir, calar e perdoar.

Sobre desvalorizar, ainda que se tenha que anular.

Sobre pré julgamentos.

Sobre direitos. E deveres.

 

E, se é verdade que pessoas negras, como Ruth, estão em clara desvantagem, por conta de um sistema que aí as coloca à partida, de racistas activos, que fazem questão de mostrar o seu ódio, e de racistas passivos, que não questionam e nada fazem para mudar o sistema, também é verdade que esse "racismo" não é, de todo, unilateral.

Por outro lado, não se deve julgar o todo pela parte. E descarregar frustração, e anos de discriminação, apenas por serem negros, culpando os brancos, não deixa de ser, também, uma prática implícita de racismo.

Sim, podem não ter facilitado as coisas, podem não ter desbravado o caminho, podem ter ficado alheados ou abster-se de intervir.

Mas a culpa não recai sempre, e só, sobre uma das partes envolvidas. Sobretudo, se a outra não se impuser, não lutar, não se aceitar, não se valorizar. Se passar o tempo todo a agir como inferior. A acreditar que o seu lugar é a servir, e não a ser servido. Se passar o tempo todo a querer ser como aqueles que acusa de racismo, e a tentar encaixar-se no meio deles, em vez de mostrar o que vale, e se orgulhar da pessoa que é.

Cada vez mais as pessoas, ao querer estar um pouco em cada um dos lados, acabam por nunca estar em nenhum deles, nem pertencer verdadeiramente a nenhum deles.

 

Posto isto, e no que respeita à história em concreto, não há dúvidas de que Ruth, uma enfermeira negra com mais de vinte anos de experiência, é vítima de racismo.

Primeiro, por parte de Turk e Brit, dois brancos supremacistas que exigem que Ruth não volte a tocar no seu bebé, apenas porque é negra, sem qualquer outra queixa a nível de atendimento e trabalho enquanto enfermeira.

Depois, por parte da chefe que, atendendo ao pedido dos pais, e querendo salvaguardar o bom nome do hospital, acede ao pedido, sabendo que ela é das enfermeiras mais qualificadas e profissionais que ali trabalha.

E, por fim, quando o bebé morre, e Ruth é acusada de homicídio. Porque alguém tinha que ser sacrificado, em detrimento do hospital, e ela era o bode expiatório perfeito.

Porque, se ela cumpriu as ordens da sua superior, e não auxiliou o bebé porque a tal não estava autorizada, agiu mal e pôs em risco a vida do bebé. Ou então, ela ignorou essa ordem, prestando auxilio, e não o fez como deveria, levando à morte do bebé. 

Estes são os argumentos que vão ser levados a tribunal, para dá-la como culpada. Para além do óbvio, que os pais do bebé veem: é negra, logo, culpada.

Ruth terá que provar que tudo fez para salvar o bebé e que, o que quer que tenha feito, não o foi por vingança, ou retaliação por ter sido vítima de racismo.

 

Quando as pessoas vivem demasiado tempo oprimidas, com questões por resolver, com palavras caladas e atitudes contidas, é normal que, um dia, a coisa descambe, e elas saiam fora dos eixos.

Por vezes, é libertador. É inofensivo. E funciona, permitindo seguir em frente.

Outras, leva a caminhos mais sombrios, a violência gratuita, a culpabilização de terceiros, para evitar a autoculpabilização.

Penso que Ruth e Turk representam bem estes dois opostos.

Ruth quer soltar a voz que durante anos calou, e falar do racismo de que é vítima, acabando por mostrar um pouco do seu racismo contra os brancos, ainda que isso lhe tenha saído no calor do momento.

Já Turk e, sobretudo, Brit, mostram às claras aquilo que defendem, o seu ódio aos negros, e chegam mesmo às ameaças.

Tudo indica que, se não obtiverem justiça de uma forma, a farão por sua conta, de outra.

 

Mas, um dia, tudo pode mudar.

A vida gosta de, quando menos esperamos, mostrar a sua ironia.

A hipocrisia por detrás da inflexibilidade.

A essência por debaixo da capa

E provar que as pessoas podem mudar.

Seja para pior. Ou para melhor...

 

 

 

 

Elite - 4ª temporada

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Ainda antes de começar a ver esta quarta temporada, já as críticas negativas me chegavam aos ouvidos. E não eram poucas!

Mas, como gosto de ser eu mesma a avaliar, e porque tenho vindo a acompanhar todas as temporadas, comecei a ver.

 

Com a saída da Nádia, da Carla, do Valério e da Lucrecia, houve necessidade de trazer caras novas para o colégio, que proporcionassem novas aventuras e dilemas.

É dessa forma que ficamos a conhecer Ari, Patrick, Mencía e Phillipe, os novos alunos de Las Encinas. 

Os três primeiros, são filhos do novo director do colégio, Benjamín, que vem substituir Azucena, a mãe do Ander.

 

Pode parecer estranho, mas eu gostei do Benjamín.

É pai. Viúvo. Com três adolescentes a seu cargo. Age muitas vezes como pai e, por isso, nem sempre percebe que não é disso que os filhos precisam. Ou talvez sejam eles que não percebam que é, precisamente, disso que eles precisam, e por isso se afastam, sem que ele consiga ter mão neles.

Pelo menos, em Patrick e Mencía, os mais rebeldes, que só lhe dão problemas.

Ari é, apesar de tudo,  a mais certinha, e aquela na qual ele projecta as suas esperanças, exercendo uma certa pressão que também não é saudável.

Conseguirá Benjamín, um homem que nem dos filhos dá conta, pôr ordem no colégio? Lidar com todos aqueles alunos? Talvez não...

No entanto, à medida que os episódios se vão sucedendo, mais empatia criei com ele, e mais ele vai mostrando que não é aquele ditador que parecia ter mostrado ao início.

 

O trio Omar, Ander e Patrick

Confesso que não gostei desta abordagem.

Omar e Ander já tinham a sua história, o seu amor reconquistado.

A chegada e interferência de Patrick veio, de certa forma, mostrar os homossexuais como instáveis, inconstantes, promíscuos. Faz parecer que, apesar de até poderem gostar do seu parceiro, precisam de outros para se satisfazer e ser felizes.

Pelo amor da santa! O Patrick chega, e o Ander fica logo apanhadinho, a ponto de terminar com o Omar. Já este, a certa altura, também acha que está apaixonado por Patrick. Mas logo de seguida já clareou as ideias, e já tem certeza de que quem ama mesmo é Ander. E Ander, afinal só queria sexo com Patrick, porque ama Omar mas, apesar disso, acha que ainda é novo e tem que viver novas experiências.

Mas pronto, vamos acreditar que isto é só a adolescência a falar mais alto.

 

Rebeka e Mencía

Depois da desilusão com Samuel, Rebeka não quer nem sequer falar com ele. E tão pouco está virada para novas relações. Mas Mencía vai quebrar algumas dessas barreiras.

Apesar de gostar de as ver juntas, e de gostar da personalidade de cada uma destas personagens, também não gostei da abordagem.

Pareceu um pouco o querer mostrar "se os homens te desiludirem, vira-te para as mulheres". A Mencía surge como um "prémio de consolação" para Rebe. Por outro lado, a Rebe parece mais uma forma de Mencía desafiar o pai, a vida e a sorte.

Mas, lá está, são adolescentes, e estão na idade da descoberta, e das experiências.

Vamos ver como correm as coisas, na quinta temporada, entre ambas.

Mas gostava que a Rebe tivesse mais sorte do que até aqui.

 

Cayetana

Bem...

Que grande evolução da Cayetana!

A par com a Rebe e a Mencía, é uma das minhas personagens favoritas nesta temporada.

Quase nem acreditamos que ela, um dia, não foi assim.

Onde anda a Cayetana que queria ser rica à força? Que estava disposta a tudo para conseguir o que queria?

Afinal, Cayetana é muito mais do que isso e, como diz Ari, a determinada altura, ela "tem talento, e tem dignidade".

Continua Caye!

 

O príncipe Phillipe

Não gostei dele.

Há ali qualquer coisa que ele esconde, e não me cheira.

Talvez seja excesso de protecção, por ser quem é. Talvez seja de si mesmo. Ou talvez tenha sido da educação que a mãe lhe deu.

A certo ponto, ele terá que assumir a sua parte da responsabilidade, mas é certo que não é exclusiva dele.

Phillipe acaba por ser um jovem só, sem amigos, e de quem a maior parte se aproxima apenas por interesse.

Apaixona-se por Cayetana, mas as coisas não vão correr como ele esperava. Talvez em outros tempos, fosse possível. Mas não agora.

 

O trio Samuel, Ari e Guzmán

Foi-se embora a Lucrecia, veio a Ari.

E os dois amigos vão andar mais parvos que nunca, num disputa pela atenção e amor desta, que pode pôr em causa a sua amizade, quando as velhas diferenças de classe, e acontecimentos do passado, já ultrapassadas, voltam a fazer-se sentir.

É certo que Samuel não tinha, propriamente, uma relação com Carla. E Guzmán e Nadia terminaram o seu namoro à distância.

Mas valerá tudo, por uma mulher? Valerão golpes baixos e sujos? Sobretudo por uma que não sabe o que quer, e vai brincando com os dois?

 

Então e, afinal, o que aconteceu nesta quarta temporada?

Ari é encontrada no lago, insconsciente, na noite da passagem de ano.

Não se sabe se viva, ou morta.

E todos são suspeitos! Outra vez!

Haverá um crime e, de novo, os amigos terão que se unir, para se proteger.

 

O último episódio vale a pena.

As emoções tomam conta das personagens, e dos espectadores.

Finalmente, o amor e a amizade falam mais alto, e são tomadas decisões difíceis, mas necessárias, e mais adultas do que até então.

E tudo está bem, quando acaba bem. Ou será que ainda não acabou, e a quinta temporada virá ressuscitar fantasmas adormecidos?

Uma coisa é certa: neste final da quarta temporada, dizemos adeus a Guzmán e Ander. Com alguma pena minha.

 

Assim sendo, com muitas passagens para a frente, em excessivas cenas de sexo que não servem para mais do que ocupar tempo, que poderia ser utilizado de forma mais proveitosa, a quarta temporada segue a mesma linha das temporadas anteriores, e vale a pena ver os 8 episódios que a compõem.

 

 

 

 

 

Uma Hora de Vida, de M. J. Arlidge

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Este seria um bom livro para se transformar em filme, ou em série!

O que faríamos se, de repente, alguém desconhecido nos ligasse e dissesse as temidas palavras "Tens uma hora de vida"?

Eu penso que alternaria entre acreditar que era uma piada de mau gosto, e começar a premeditar e olhar para trás a cada passo que desse, durante a próxima hora, ansiando para que chegasse ao fim e a profecia não se concretizasse.

 

Mas, aqui na história, não é uma piada. 

E a primeira vítima está feita.

Outra se seguirá.

E se, no início, a investigação estava renitente em seguir um caminho, por não haver indicadores suficientes, cedo se percebe que, afinal, terão que ir pelo rumo que queriam descartar, uma vez que a segunda vítima leva a crer que os homicídios estão relacionados.

Na verdade, tanto Justin, o primeiro a morrer, como Callum, o segundo, tal como Maxine que, curiosamente, foi a segunda a receber a chamada mas ainda está viva, e Fran, que ainda não foi contactada, faziam parte do grupo de adolescentes que foi preso numa quinta, e torturado, tendo escapado com vida por pura sorte.

Daniel King, o sequestrador, nunca foi encontrado. Suspeita-se que terá cometido suicídio, após incendiar a quinta, com Rachel, a única dos cinco jovens que ele conseguiu matar, lá dentro, mas nunca se comprovou.

Será que é ele o assassino? Será que voltou para completar aquilo que não fez anos antes? Aniquilar os restantes quatro, um por um?

E porquê agora?

Terá o livro de Maxine, sobre esse pesadelo, acabado de lançar, sido o que acendeu o rastilho?

 

A verdade é que as pistas apontam para outro suspeito, e Emilia Garanita, a jornalista que vai cobrir os acontecimentos, terá um papel fundamental na captura desse suspeito.

Só que... pode não ser ele!

E, entretanto, Maxine é assassinada.

Só resta Fran que, neste momento, está numa casa de protecção da polícia, para mantê-la em segurança, até desobrirem quem anda a matar deliberadamente, os sobreviventes de King.

No entanto, também ela parece esconder alguma coisa.

 

Numa corrida contra o tempo, toda a equipa, liderada por Helen Grace, tenta apanhar o assassino que parece estar sempre dois passos à sua frente e que, após uma testemunha visual o descrever, poderá mesmo ser King.

 

Eu, que à medida que fui avançando na leitura, apontei as minhas suspeitas para outra direcção, embora parecesse absurdo, fiquei satisfeita por ver que, mesmo não sabendo de todos os contornos, tinha acertado em cheio.

 

A narrativa está muito bem construída, tal como todas as personagens, excepto Joseph que, ao longo da história, não chegamos a perceber que tipo de pessoa é, o que esconde, o que quer, e o que será capaz de fazer, para o obter.

Será um homem violento? Manipulador? Egocênctrico? Calculista?

Ou ainda se esconde algo de bom, por detrás dessa capa?

Ficou a dúvida, que talvez possa vir a ser esclarecida num próximo livro do autor.

 

 

 

SINOPSE

 

O que faria se recebesse uma chamada a dizer:
"Tens uma hora de vida"?
Estas são as únicas palavras recebidas num ameaçador telefonema. A seguir, desligam. Certamente que só pode ser uma brincadeira… Um engano? Um número errado? Qualquer coisa menos a verdade arrepiante… Que alguém está a observar, à espera, a trabalhar para roubar uma vida no espaço de uma hora. Mas porquê?
A tarefa de o descobrir recai sobre a inspetora Helen Grace: uma mulher com um histórico de caça a assassinos. No entanto, este é um caso em que o homicida parece estar sempre um passo à frente da polícia e das vítimas. Sem motivo, sem pistas e sem dicas — nada além de puro medo —, uma hora pode parecer durar uma vida inteira…