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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Um Beijo à Meia Noite, na Netflix

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Existem pessoas que estão, desde sempre, presentes na nossa vida e, por isso, achamos que essa presença se manterá para sempre inalterada.

São pessoas que damos como certas, independentemente das circunstâncias, com as quais podemos contar e, por isso, inconscientemente, acabamos por "abusar" delas, pensando apenas em como nos fazem sentir melhor, sem ter consciência de como, com algumas atitudes, as fazemos sentir a elas.

 

Isto ganha ainda maiores proporções quando está em causa mais do que uma amizade, quando se escondem sentimentos de parte a parte, quando cada um teima em ignorar o que todos os outros à volta já perceberam há muito tempo.

Dizem que é o "medo" o grande culpado. E o medo é tramado.

Mas é também um bom indicador daquilo que uma pessoa realmente sente.

Se alguém conseguir enfrentar os seus piores receios, pela pessoa que está ao seu lado, então é amor. Como diz o pai da Maggie "conseguir passar as teias de aranha"!

 

Maggie e Jack são amigos desde que se lembram. Cresceram juntos, e as famílias de ambos formam uma espécie de família única.

Estão sempre lá um para o outro. Até mesmo o trabalho na rádio é partilhado por ambos, com um programa em dupla, que começa a ganhar protagonismo.

E logo agora que a ideia é apresentar os respectivos companheiros às famílias, ambos vêem as suas relações terminadas.

Com um plano em mente, para supreender os fãs do programa, e não defraudar as expectativas daqueles que estão a apostar na dupla, ambos fingem ter iniciado uma relação que, no fundo, sempre esteve destinada a existir mas que ambos, até determinado momento, levam como uma farsa inofensiva e necessária.

 

O problemas começam quando os sentimentos adormecidos despertam, a família começa a fazer pressão, e a amizade parece prestes a desmoronar.

Conseguirão eles enfrentar os seus piores receios, e abdicar da sua carreira em ascenção, para restabelecer a verdade perante todos e, acima de tudo, perante eles próprios?

 

Um romance leve e descontraído para ver nesta época natalícia.

 

"Lobo Solitário", de Jodi Picoult

Lobo Solitário

 

Um pai...

Dois filhos...

Um deles quer manter o pai vivo. O outro, nem por isso.

Duas motivações diferentes. Duas perspectivas diferentes. Duas decisões contrárias.

Nesta história, nenhuma está certa ou errada.  Ambas estão certas. E ambas estão erradas.

E as decisões que tomam, tomam-nas pelas razões certas, e pelas erradas.

Porque, quando se tomam decisões que dizem respeito a terceiros, é mais fácil pensar naquilo que nós próprios queremos, e em como as mesmas nos afectarão, do que pensar naquilo que esses terceiros desejariam, e em como eles se sentiriam.

Se deixássemos de pensar em nós, e pensássemos apenas na pessoa que é a principal visada e interessada, talvez as decisões fossem mais acertadas, e menos difíceis de tomar.

Mas o ser humano é egoísta por natureza. E é com base nesse "egoísmo", que teima em justificar as suas acções e decisões, pelo fim a que as mesmas levariam e que, para ele, é o único fim possível.

No entanto, pior ainda que agir, ou decidir, é optar por não fazê-lo, esperando que outro o faça por si.

Deixar uma qualquer decisão nas mãos de outra pessoa retira, a quem não a quer tomar, a responsabilidade e o peso que a mesma acarretaria, ao mesmo tempo que lhe concede o argumento necessário para culpar quem a tomou por si, ou em nome dos dois.

É uma atitude cobarde. Mas, tantas vezes posta, em prática...

 

Uma mãe...

Dois filhos...

Um que fugiu de casa há seis anos, sem ela saber bem porquê, e que não vê desde então. Outro que preferiu ir morar com o pai, com quem se sentia bem.

E que, agora, regressam, ao mesmo tempo, pela mesma razão, para junto da mãe. Por força das circunstâncias. Embora cada um queira voltar à sua vida o mais depressa possível.

Dois filhos que a disputam entre si. Que procuram nela uma aliada. 

Dois filhos que precisam dela mais do que nunca mas, ajudando um, estará a afastar o outro.

Como provar que ama igualmente os dois?

 

Dois irmãos...

O reencontro após seis anos de ausência, traz com ele toda a mágoa, toda a recriminação, todo o ressentimento.

Se houve um dia em que foram companheiros, e amigos, hoje que estão em lados opostos.

Um, luta pela vida, ainda que essa possa não vir a existir da forma como gostaria. Uma vida sem dignidade. sem liberdade. Uma vida de dependência. Uma vida à espera da morte.

O outro, luta pelo direito a uma morte digna. Pela satisfação de um antigo desejo formulado pelo pai. Pelo salvamento de outras pessoas que ainda possam ter esperança numa vida melhor.

Pode alguém conviver diariamente com uma pessoa e, ainda assim, perceber que, ao contrário do que pensava, não a conhece minimamente?

Pode alguém ausente, ainda assim, conhecer mais uma pessoa que não vê há anos, do que aqueles que lhe são mais próximos?

 

Uma mulher...

Uma nova família, um novo recomeço. Um novo marido. Dois novos filhos.

E, quando tudo parecia perfeito, o passado volta a bater à porta. Como dividir-se em duas? Em quatro? Em cinco? Ou, até mesmo, em seis, sem deixar de ser ela própria? 

Como agradar a uns, sem desagradar a outros?

 

E os lobos...

Esses seres tão peculiares, que nos são dados a conhecer mais profundamente nesta história.

A forma como se organizam dentro da alcateia. Como protegem a sua família.

Como se guiam pelo instinto de sobrevivência, pelo sentido de responsabilidade, pelo dever.

A forma como ensinam as suas lições, como marcam as suas posições.

Como comunicam. Como sentem. Como reagem entre si, e como interagem com os humanos.

 

 

Adorei o livro, e estas foram algumas das frases que destaco desta leitura:

“Não importa o que fazes por alguém, não importa se lhe dás o biberão em bebé, ou se te enroscas com ele à noite para o manter quente, ou se lhe dás comida para que não tenha fome… Dá um passo errado na altura errada e tornas-te irreconhecível.”

 

“Podemos tirar o homem da natureza selvagem, mas não podemos tirar a natureza selvagem do homem.”

 

“Após dois anos a viver com os lobos, tinha-me esquecido da quantidade de mentiras que é precisa para construir um relacionamento. Há uma honestidade no mundo dos lobos que é libertadora. Mas aqui, entre os humanos, havia tantas meias-verdades e mentiras inofensivas que era demasiado difícil lembrar o que era real e o que não era.”

 

 

 

 

 

 

"La vita davanti a sé" (Rosa e Momo), na Netflix

(e como um filme despertou algo que não é comum em mim)

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Por norma, sou daquelas pessoas que acredita que algumas circunstâncias da vida podem levar as pessoas a comportamentos menos aceitáveis. E, como tal, de certa forma, desculpáveis.

Sou daquelas que acredita naquele pensamento de que "atrás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida".

Que tem uma predisposição para querer compreender e ajudar aqueles que parecem ter problemas. Para querer encontrar o melhor, debaixo daquela carapaça que só deixa ver o pior.

Que acha que, por vezes, basta alguém que acredite nessas pessoas perdidas, que lhes mostre o caminho, que as apoie, que lhes dê a mão, que as vejam como realmente são, que as ajude a ultrapassar os traumas.

Ainda que nem sempre haja algo para salvar, e nem sempre se venha a ser bem sucedido nessa missão.

 

A verdade é que cada pessoa é única, diferente dos demais, e tem formas diferentes de reagir e lidar com uma mesma situação.

E se, em alguns casos, é uma questão de sobrevivência, de falta de opções, noutros é mesmo uma questão de escolha. E nem sempre se fazem boas escolhas.

 

Por isso, quando comecei a ver este filme, seria de supor que iria ter compaixão pelo jovem Momo, pela situação em que vive, pelo trauma com o qual tem que lidar.

Mas ele despertou o meu lado menos compreensivo, menos paciente, e mais insensível. Um lado de quem  já não está para se cansar porque, por vezes, as pessoas são mesmo assim. Não adianta ajudar quem não quer ser ajudado. 

E irritou-me tanto! Só me apetecia dar-lhe dois pares de estalos, para ver se acordava para a vida. Se aprendia a respeitar os mais velhos, aqueles que o tentam ajudar e querem o seu bem. Para ver se abria a pestana, e percebia que o tipo de vida que andava a levar não o faria chegar a lado nenhum, apesar do dinheiro, do prestígio, da sensação de poder. Se percebia que ele não é o único que carregava o passado às costas, e que estava a pagar o preço pelas injustiças da vida e da sociedade.

Eu só conseguia ver que Momo estava na vida que tinha, porque ele próprio a queria, e não fazia nada para mudar. 

No fundo, gostava de se armar em rufia. Era pobre e mal agradecido. Convencido. Irritante. Ciumento. Invejoso. Malcriado. Egoísta. E tantos outros adjectivos me ocorreram, tal como a Madame Rosa, que acabou por acolhê-lo em sua casa (que Momo apelidava de pocilga), a pedido do Dr. Cohen, tutor de Momo.

 

Depois de me ter feito despejar tudo o que de pior eu poderia estar a sentir em relação ao Momo, e não sei se era esse o objectivo do filme, comecei então a ver o verdadeiro Momo.

Aquele que, no fundo, só precisava de uma presença materna, de protecção, de um objectivo na vida, e de ajuda para conseguir, com apoio, o que não conseguiria fazer sozinho.

No fundo, como perceberam o Dr. Cohen, Madame Rosa e Hamil, ele era um bom menino.

E, tal como referi atrás, coube a ele a escolha de continuar na vida que levava, ou mudar, e tornar-se uma pessoa melhor. Ou seja, a escolha estava nas mãos dele. Mas talvez ele ainda não tivesse percebido isso.

 

Já tinha ouvido falar do filme, e a crítica afirmava que o filme era emocionante. Pois a única parte em que chegou perto disso foi mesmo no final, em que a música da Laura Pausini deu um bom contributo.

 

A música

(que será submetida à consideração do Oscar para o prémio de canção do ano)

 

 

Há quem diga que é o novo "Milagre na Cela 7". Para mim, foi menos bem conseguido.

Não foi dos meus filmes preferidos. Começou enfadonho, depois stressou-me e, quando finalmente se poderia ver um outro lado, acabou.

Mostrou-nos pouco do outro Momo, que agora estava a desabrochar.

Mostrou-nos muito pouco da Madame Rosa, que tinha tanto para dar a conhecer.

E impossibilitou-nos de acompanhar a relação que se estava a desenvolver entre ambos.

 

 

O trailer do filme

 

 

"Amor com Data Marcada", na Netflix

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Quem disse que a vida de uma mulher solteira e sem namorado, é uma vida triste e amargurada?

Quem disse que estar só é sinónimo de vergonha? De exclusão?

Quem disse que a vida, para ser plenamente vivida, tem que ser a dois?

Quem disse que a felicidade de uma mulher depende, em grande parte, de uma relação amorosa?

 

Será mesmo assim, ou é uma ideia errada, formulada por aqueles para quem é inconcebível uma mulher estar bem e sentir-se bem consigo mesma e, logo, com todos à sua volta, sem precisar de um homem para o conseguir?

 

Uma coisa é certa:

A vida, os sentimentos, os momentos, tudo aquilo que experienciamos, ganham outra cor e outro sentido, quando partilhados.

Por isso, não raras vezes, as pessoas sozinhas não se sentem mesmo felizes. Não se sentem bem por não ter uma relação. Mas outras haverá a quem um parceiro não lhes faz falta, porque têm todo um outro tipo de suporte humano e familiar à sua volta.

No entanto, isso é algo difícil de compreender por quem não pensa da mesma forma.

 

E, embora, as mulheres sejam mais massacradas que os homens, também há muito boa gente a censurar um homem solteiro, sem qualquer intenção de manter relacionamentos sérios.

A pressão existe para ambos. Sobretudo da família, e dos amigos. Ainda que não seja exercida directamente.

A diferença, é que as mulheres são vistas como fracassadas, como as encalhadas, a vergonha da família, as “tias”.

Já os homens, podem ser eternos solteirões, mas não ganham uma conotação tão negativa.

 

Assim, para evitar essa pressão e sentimento de “não pertença” ao clube dos comprometidos, que incomodam os demais, que Sloane e Jackson fazem um pacto, de ser o par um do outro nos feriados e datas festivas que, habitualmente, “obrigam” à exibição de um parceiro do sexo oposto, calando assim as más línguas e acabando com o incómodo que a falta de um companheiro causava.

 

A ausência de compromisso, por comum acordo, gera uma cumplicidade e um à vontade muito maior, e eles acabam por se divertir e viver inúmeras peripécias juntos, de forma descontraída.

 

Até ao dia em que se dá o “click”.

O dia em que percebem que se estão a apaixonar um pelo outro, mas não querem admitir, dar o braço a torcer, e preferem fugir, daquilo que está a sentir, sobretudo Sloane, com receio de voltar a sofrer.

E, muitas vezes, o receio é nosso inimigo, fazendo-nos deitar tudo a perder, quando tínhamos tanto a ganhar.

Conseguirá Sloane perceber isso a tempo?

"Operação Feliz Natal", na Netflix

Operação Feliz Natal (2020) - Netflix | Flixable

 

Baseado em factos reais, fica a lição:

Havendo vontade, dedicação, empenho, tudo o resto se torna mais fácil.

Se cada um der um pouco de si, do seu tempo, do seu contributo, no final, consegue-se muito.

Mais vale pouco ou insuficiente, que nada.

Tudo se aproveita, tudo se reutiliza, tudo se pode transformar e tornar útil, embora para muitos já não sirva.

Temos que ser uns para os outros, ajudar uns aos outros, tornar a vida dos outros um pouco melhor, se o pudermos.

Quase tudo gira à volta do dinheiro, mas ainda muito se pode conseguir através de meras trocas, de algo que não precisamos, por algo que outros possam ter, e que queremos.

E a isso se chama viver numa verdadeira comunidade!

 

Neste filme, é fácil perceber como funcionam os políticos e homens com poder e dinheiro.

Tudo se resume a votos, manutenção dos cargos que alcançaram, e a negócios lucrativos.

A promessas e intenções louváveis que abandonam, mal obtêm aquilo que querem, e que passam a não ter qualquer importância ou espaço na agenda.

 

Por fim, relembra-nos um pouco o espírito que deveria haver no Natal (e em qualquer momento do ano), e que o Natal pode ser como, onde, quando, e com quem quisermos.

Para quem já está cansada do Natal que é suposto acontecer todos os anos, este Natal surge como uma lufada de ar fresco, como uma alternativa muito mais animadora e desejável.

 

 

Com o objectivo de encerrar aquela base militar em pleno pacífico, Erica é enviada para encontrar todos os problemas e defeitos que a mesma apresentar, mostrando que é um custo desnecessário a sua manutenção, pela pouca, e inútil, utilidade que tem. 

Andrew, por seu lado, vai tentar fazer Erica mudar de ideias, dando-lhe a conhecer a realidade que, só quem ali vive, conhece, e a missão desenvolvida pelos militares, a custo zero para os EUA, mas ainda com vantagens para estes, ao mesmo tempo que, em comunidade e com o apoio de todos, se dedicam a ajudar os povos das várias ilhas que ficam longe de tudo, de difícil acesso, que poucos recursos têm e, ainda assim, os veem, frequentemente, ainda mais reduzidos pelas tempestades que ali se fazem sentir.

E como filme romântico que é, obviamente que os dois vão viver a sua história de amor que, como sempre, começa como cão e gato.

 

No filme, Erica estava um pouco desligada no Natal, mas este "Natal" diferente fez a diferença para ela, e devolveu-lhe o espírito há muito perdido.

Acho que também precisava de um Natal assim, para ver se recuperava o meu!