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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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O Sacrifício de Um Homem, de Sandra Brown

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Ella é uma mulher forte, determinada, resiliente...

Uma mulher que, durante o dia, se refugia na rotina do seu trabalho para conseguir alcançar uma relativa normalidade, e guardar num lugar longínquo do seu coração todos os seus medos, receios, tristezas, inseguranças, preocupações...

 

 

Ella tem um filho, Solly, que todos sabem ter um problema, sem que ninguém consiga identificar, ao certo, qual é esse problema.

As crises estão a aumentar, e Solly poderá representar um perigo, não só para si próprio, como para quem o rodeia.

Mas Ella está a lutar para adiar uma decisão, para adiar o momento em que não consiga mais lidar com o filho e esconder o que se passa, e tenha que seguir os conselhos do médico da vila.

 

 

Ella tem uma pensão, que gere, e que lhe garante o seu sustento, e do seu filho. O marido há muito os abandonou.

E é na sua pensão que irá receber um hóspede especial, que mudará toda a sua vida.

 

 

Em plena Grande Depressão, e com o país a viver um período de recessão, o governo apoia os agricultores e criadores de gado, comprando-lhes as melhores cabeças de gado. Por outro lado, os animais que não forem escolhidos, são abatidos em massa, e enterrados em valas comuns.

Isto irá desencadear algumas guerras, carnificina, violência e agressões, porque, por um lado, os criadores queriam continuar com o gado não escolhido ou, pelo menos, depois de morto, partilhá-lo com o bairro pobre e as pessoas mais necessitadas mas, por outro, existem os interesses pessoais dos vendedores de carne, que temem ficar com negócio e, por isso, com o apoio das autoridades, ameaçam e proibem que qualquer um toque nos animais abtidos, até serem enterrados.

 

 

Ella será apanhada no meio de todo este ambiente hostil, de violência e retaliação, de luta pelos direitos dos mais fracos, numa região em que a lei está do lado do inimigo, e por questões pessoais, de alguém que ela sempre abominou e rejeitou.

 

 

Apesar de ter avisado o seu hóspede, David, de que não queria problemas, devido às suas intervenções nestas batalhas, Ella acaba por perceber que ele está apenas a lutar por aquilo que está certo, e a ajudar aquelas pessoas, contra tudo e contra todos, até porque não tem nada a perder, nem nada pelo que temer.

Resta-lhe pouco tempo de vida e, por isso, está a aproveitá-lo para ser útil a quem cá ficará.

Incluindo, Solly.

 

 

David tem trabalhado com Solly e feito algumas descobertas surpreendentes, que podem revelar-se uma esperança para o futuro do rapaz.

Perante uma Ella, de início ciumenta e zangada por nunca ter conseguido fazer o mesmo com o filho mas, depois, agradecida e confiante, tudo se poderá desmoronar numa noite, em que acontece algo que nunca deveria ter acontecido, e em que a vida de uma das pessoas que mais ama terá que ser sacrificada, para salvar a outra... 

 

 

Como tinha referido, um livro totalmente diferente do habitual, baseado numa história verídica, onde se focam temas como o racismo, a religião, a fome e miséria, o espírito de união, a impotência, o autismo, o cancro, a sede de vingança e a violência gratuita, a par com a impunidade dos criminosos, numa vila sem lei.

E, no meio de tudo isto, o amor...

 

 

Aos Olhos da Justiça

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O que é a justiça?

Terá a mesma definição para todos?

 

 

Como é a justiça?

Racista, xenofóbica, tendenciosa, política, corrupta, justa, imparcial, precisa?

 

 

O que é permitido em nome dessa dita justiça?

Até que ponto a necessidade de "fazer justiça", cega quem tem esse poder nas suas mãos?

Quantas vezes se cometem injustiças, ao tentar "fazer justiça"?

 

 

E quando se "faz justiça", será que os lesados o sentem como tal?

Haverá algo que possa compensar o sofrimento, a dor, a perda, o trauma, o que quer que seja pelo qual a pessoa passou?

 

 

Vi, este fim de semana, a série "Aos Olhos da Justiça" ou, em inglês, "When They See Us".

Para quem ainda não ouviu falar, trata-se de uma série baseada em factos reais, sobre "Os cinco de Central Park", nome pelo qual ficaram conhecidos - 5 jovens com idades entre os 14 e os 16 anos, residentes no Harlem que, naquela noite, foram para Central Park "bravejar", e acabaram acusados de agressão e violação de uma mulher de 28 anos.

 

Quando vemos uma série como esta, o primeiro pensamento que nos vem à mente é "e se fossem os nossos filhos"?

Dizia uma mãe, na série "criamos os nossos filhos, vemo-los a crescer, e achamos que estamos a fazer um bom trabalho, e depois...".

Nem sempre é o caso mas, na maioria das vezes, fizemos mesmo um bom trabalho, e não nos podemos responsabilizar por algo que não é culpa nossa e, muitas vezes, nem dos nossos filhos.

 

 

Num clima de crescentes crimes de violação, importa encontrar culpados e apresentar resultados, dando ao povo um falso e momentâneo "conforto", proporcionando um apaziguamento nos ânimos e nos receios da população.

E este é o primeiro passo para se manipular os factos, para se distorcer a verdade, para obter falsos depoimentos, se for preciso, para se fazer encaixar peças que não pertencem àquele puzzle, nem que para isso tenham que inventar uma nova imagem, e limar cada peça, até fazer algum sentido.

O segundo, é o racismo. Curiosamente, os 5 jovens eram negros ou hispânicos.

 

 

Para conseguir arrancar a verdade que precisavam, valeu tudo, desde falsas promessas, mentiras, agressão física por parte da polícia, interrogatórios a menores durante horas a fio, sem a presença dos pais e com privação de comida, água e descanso, obtenção de falsos depoimentos e confissões através de um conjunto de ilegalidades.

 

O medo, o cansaço, a violência física e psicológica a que estes jovens foram sujeitos, a enorme vontade de voltarem para casa, e o facto de os pais não terem muitos conhecimentos sobre os procedimentos legais, leva-os a agir conforme aquilo que acham que é melhor, mesmo que não o seja, efectivamente.

Das atitudes dos pais, destaco a do pai do Tron que, acho que mais para se safar a si próprio, do que ao filho, o obriga a mentir e dizer o que a polícia quer ouvir.

E a da mãe do Yusef que, embora mais informada, tendo conseguido tirar o seu filho da esquadra sem que o mesmo assinasse qualquer depoimento ou gravasse a confissão acaba por, ela própria, achar que o seu filho é diferente dos restantes 4 acusados, que não deve "ser metido no mesmo saco", criando alguns atritos com as restantes mães/ familiares, com esta atitude de superioridade, que não lhe fica nada bem, sobretudo quando um dos jovens de quem ela mais quer distância, é o único que só foi parar à esquadra, e àquele pesadelo, precisamente para acompanhar o seu filho.

 

 

Infelizmente, por diversos motivos, algumas pessoas acabam condenadas apesar de serem inocentes, com provas inconclusivas e insuficientes.

Foi o que aconteceu a estes 5 jovens.

Sendo quatro deles menores, foram enviados para reformatórios, onde cumpriram penas de cerca de 10 anos.

O 5º, apanhado no meio de tudo isto e, por azar, com 16 anos, mas, apesar disso, na minha opinião pessoal o mais frágil e inocente, foi condenado  uma pena mais elevada, e numa prisão de adultos. Foi o que mais sofreu. O que menos apoio teve. O que saiu com mais marcas, de mais de uma década de agressões e abusos que quase o mataram.

 

 

E depois?

Quando saem, como se recupera todo o tempo perdido?

Como voltam a viver, quando nada é igual?

Como se voltam a inserir na sociedade, quando todos os rejeitam?

Com todas as condicionantes que lhes são impostas?

Quando sentem que a liberdade não lhes traz nada de bom?

Quando começam a duvidar se as suas vidas não seriam melhores lá dentro, do que cá fora?

 

 

Uma coisa é certa: a prisão, e tudo o que acontece lá dentro, tem consequências na vida de quem por lá passa.

E se, alguns, conseguem lidar com elas e afastar-se de problemas, outros há que não o conseguem. Que tentam mas, juntando a elas a rejeição de que são vítimas cá fora, acabam por enveredar pelo caminho errado.

 

 

No caso destes 5 jovens veio, mais de 10 anos depois, a descobrir-se a verdade. Que tinham sido condenados injustamente, que estavam inocentes, e que o verdadeiro culpado era outro.

Foram indemnizados, naquela que foi a maior indemnização de sempre da história. Foi-lhes limpo o cadastro.

Mas, alguma vez, o rótulo de "violadores" será apagado da memória das pessoas?

Quem lhes devolve a vida, a adolescência, os anos perdidos?

Quem lhes devolve a inocência?

Que dinheiro lhes paga todas as atrocidades de que foram vítimas?

Haverá justiça suficiente para isso?

 

 

Nota:

Quando se acompanha uma série destas ao mesmo tempo de "Como Defender Um Assassino", é impossível não as comparar já que, na primeira, são condenados jovens inocentes enquanto na segunda, são várias as vezes em que, com uma boa advogada, se consegue ilibar assassinos.

 

 

Mais sobre a história:

https://www.dn.pt/cultura/interior/30-anos-depois-esta-serie-volta-a-fazer-justica-pelos-cinco-de-central-park-11015202.html 

Não Me Deixes, de Gilly MacMillan

Wook.pt - Não Me Deixes

 

 

Num domingo como outro qualquer, Rachel e o seu filho, Ben, passeiam pelo bosque com o cão de ambos.

Quase na hora de irem embora, Ben pede para ir ao baloiço de corda. A mãe acede. Ben propõe ir à frente com o cão, já que conhece bem o caminho. A mãe fica relutante mas, achando que não haverá problema, deixa-o ir.

Quando ela chega lá, Ben não está.

Desapareceu. E ninguém sabe dele.

É o início do pesadelo...

 

 

A polícia em geral, e os investigadores, em particular, estão ainda muito ligados a estereótipos, no que se refere ao perfil de um criminoso.

Isso, e o facto de o tempo estar a passar, e haver pressão para se encontrar um culpado o quanto antes, podem levar a que se cometam erros que só prejudicam e empatam ainda mais a investigação, podendo até descredibilizar as entidades envolvidas.

 

 

Foi o que aconteceu nesta investigação, quando Jim decidiu ir atrás de uma pessoa que encaixava no perfil, e que até teria motivos para o fazer, apostando tudo nessa teoria, quando o verdadeiro culpado andava por aí.

E, por incrível que pareça, teve que ser a mãe, a pessoa que mais foi afectada, e cujo discernimento e raciocínio poderiam estar toldados pelas emoções resultantes de todos os acontecimentos, e julgamento público, a fazer aquilo que mais ninguém teve competência para fazer!

 

 

Mas não são só as entidades policiais a guiar-se por esses estereótipos.

Também as pessoas têm muito essa tendência e, nos dias que correm, é muito fácil acusar os outros, ter certezas (mesmo que totalmente descabidas) e julgar os outros por algo que provavelmente nem fizeram, nem são responsáveis. 

Quando se trata de crianças, os culpados são sempre os pais!

Neste caso, a mãe. Aquela mulher irresponsável que deixou o filho caminhar sozinho à sua frente por escassos minutos, num local no qual o miúdo até já estava habituado a andar, mostrando alguma confiança e dando alguma liberdade ao filho.

Como se nós, mães, tivessemos a obrigação de estar cada segundo da nossa existência preocupadas com o que possa acontecer aos nossos filhos e, como tal, andar sempre em cima deles. Que até andamos a maior parte do tempo! Mas não é saudável nem para nós, nem para eles.

O que é certo é que, basta um deslize, e acontecer alguma coisa, para sermos julgadas em praça pública. Ou, pior, sermos mesmo acusadas de crimes.

E, quando são as pessoas a julgar, a acusar, a querer fazer justiça ou manifestar aquilo que pensam, não só através de palavras, mas também de acções, ainda que seja apenas baseado em opiniões, sem provas, boa coisa não se pode esperar.

No caso de Rachel, ela vai sentir a perseguição na pele, tal como o ex-marido, que acaba numa cama de hospital em estado grave.

 

 

E, por vezes, a verdade passa por nós, e nem a vemos! 

Está ali escarrapachada à nossa frente, e não a percebemos.

Porquê?

Porque são pessoas confiáveis. Porque são pessoas inofensivas. Porque são boas... E, mais uma vez, estereótipos que nos são incutidos, e que vamos absorvendo e tomando como certos.

Mas é verdade é que até as pessoas menos suspeitas podem cometer os maiores crimes.

 

 

SINOPSE

"Viras-te por um segundo…E o teu filho desapareceu.
Rachel Jenner distraiu-se por breves momentos. E agora Ben, o seu filho de oito anos, desapareceu.
Mas o que aconteceu realmente naquela fatídica tarde?
Dividida entre a sua tragédia pessoal e uma opinião pública que se virou contra ela, Rachel não sabe em quem confiar. Será que as outras pessoas, por seu turno, podem confiar nela?
O tempo urge para que Ben seja encontrado com vida.
E TU, DE QUE LADO ESTÁS?"

Não É Bem Meu, de Catherine Bybee

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E se, de repente, nos deixassem um bebé à porta, com uma carta a expressar o desejo de que assumamos essa criança, e com toda a documentação legal tratada para que assim seja?

E se, de repente, essa mãe que abandonou o seu filho à nossa porta, nos conhecesse e soubesse segredos nossos, dos quais não deveria ter conhecimento?

E se essa mesma mãe, dali a uns tempos, se arrepender, e vier reivindicar o bebé de volta?

 

 

Quando alguém deixa um bebé à porta de uma mulher, que viu a sua vida destruída pelo facto de nunca poder ter filhos, para que ela possa ser mãe, o que deve essa mulher fazer?

Ficar com a criança, ou entregá-la às entidades competentes?

Tentar descobrir a mãe? E os motivos que a levaram a abandonar a criança e a escolher quem deveria ficar com ela? Ou ignorar?

 

 

E o pai da criança? Não terá uma palavra a dizer sobre tudo isto?

 

 

Katie está no hotel com a irmã da cunhada, quando batem à porta do quarto. Ao abrir, depara-se com um ovo, e um bebé lá dentro, junto com uma carta.

Nela, a mãe revela que não está preparada para ser mãe, e que sabe que Katie será a melhor mãe que a filha poderia desejar. Dá também a entender que o pai da criança não sabe da sua existência mas que esperava, um dia, vê-los aos dois, juntos, a cuidar da filha.

 

 

Katie não é uma mulher qualquer. É filha de um rico empresário. Está num dos hotéis do seu pai, com segurança apertada, que não deixaria qualquer um subir até à suite onde se encontrava.

E é, também, uma mulher que abdicou do único homem que amou, porque nunca lhe poderia dar os filhos que tanto desejava, tendo-o sabido após o aborto que sofreu, do filho de ambos.

 

 

Agora, numa fase de mudança, é-lhe dada a oportunidade de ser mãe. Mas a que preço?

Será uma brincadeira de mau gosto? Uma partida? Uma decisão tomada a quente, que a qualquer momento pode ser mudada?

Deve Katie apegar-se a Savannah, para depois sofrer ainda mais?

 

 

Enquanto tenta resolver a questão e fazer o que acha melhor, Katie terá que levar uma vida dupla, e esconder de todos o bebé, o que não será fácil, com a imprensa sempre à espera do seu próximo escândalo, o irmão prestes a regressar da lua de mel, e Dean, que não a tem debaixo de olho e não a deixará escapar com qualquer desculpa.

Até quando conseguirá ela esconder o segredo, enquanto tenta descobrir o segredo por detrás dele?

 

 

 

SINOPSE

"A deslumbrante Katelyn Morrison, também conhecida como «Katie», herdeira da cadeia de hotéis Morrison, parece ter tudo para ser feliz. Mas quando no casamento do irmão se confronta com Dean Prescott - o único homem que realmente amou - Katie percebe que alguma coisa falta na sua vida. Então, o destino traça o seu caminho quando alguém abandona à porta de sua casa, envolvida num cobertor, uma bebé adorável. Uma carta comovente da mãe acompanha a menina, chamada Savannah, e perturba Katie, que decide ficar com ela até descobrir a identidade dos pais.
Katie está ocupada com a criança e a última coisa de que precisa é de Dean... sobretudo quando a sua presença vem acordar sentimentos ela pensava já estarem esquecidos.
Dean sabe que Katie lhe está a mentir acerca da bebé e que não deve continuar a sofrer, mas não consegue ignorar a sua necessidade de proteger Katelyn, ou o seu desejo de estar perto dela. 
Com o mistério que envolve a criança-surpresa em vias de resolução, Katie e Dean ainda terão uma segunda oportunidade para serem felizes?"

Sobre a série Quicksand

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PP sugeriu esta série da netflix, e eu segui a sugestão!

 

Quicksand é a primeira série sueca original, baseada no romance best-seller do reconhecido autor Malin Persson Giolito.

Poder-se-á dizer que esta estreia até foi bem sucedida: uma série com abordagem de temas actuais, pequena, com algum suspense. Mas não deixa grande marca.

 

 

Diria que é uma tentativa de aproximação a "13 Reasons Why", pelos temas que aborda - sexo, drogas, abusos, violência, adolescência - que tenta, ao mesmo tempo, aproximar-se do suspense de "Elite", sem o conseguir tão bem, e ao fio principal - um estudante que mata um colega.  

 

 

Mas Quicksand é mais do que isso.

 

 

É uma reflexão sobre como, muitas vezes, os pais são demasiado permissivos, demasiado superficiais, demasiado deslumbrados com o luxo e riqueza, demasiado despreocupados, desinteressados ou, por vezes, fúteis.

 

A determinado momento, Maja questiona a mãe "Porque nunca me perguntas nada importante?".

 

O facto de um filho ser um brilhante aluno, ajuizado, confiável, responsável, e nunca se meter ou dar aos pais qualquer tipo de problema, não significa que não precise dos pais. De apoio, de segurança, de protecção, de perceber que os pais se interessam pela sua vida, pelo que fazem, pelo que sentem.

E, se algo de errado se passa, há que mostrar abertura para que os filhos se sintam à vontade para falar sobre isso.

 

Não me parece que isso tenha, alguma vez, acontecido na família de Maja.

 

 

Por outro lado, por muito que os pais se preocupem e até mostrem essa abertura, ainda assim, não têm uma varinha de condão, ou uma bola de cristal, para adivinhar o que se passa com os filhos. Como tal, é importante que estes não tenham receio, e conversem sobre o que estão a passar, denunciem, peçam ajuda. Por vezes, não conseguimos nada sozinhos.

 

Como diz o professor de Maja "O facto de seres uma miúda responsável, não te obriga a responsabilizares-te pelos outros". 

 

 

 

Mas Maja, ainda assim, assume essa responsabilidade de tentar ajudar Sebastian, o namorado, que vem de uma família totalmente desestruturada, e se tenta abstrair da ausência da mãe, e da indiferença e rejeição do pai, através das drogas.

Sebastian é um menino rico, que pode ter tudo o que quer, e possa ser "comprado" pelo dinheiro, mas que não consegue ter aquilo que nenhum dinheiro no mundo compra - amor, compreensão, afecto, pais presentes.

Por isso, entra numa espiral da qual dificilmente conseguirá sair, arrastando consigo quem estiver mais próximo de si que, no caso, será Maja.

Ao ver a relação entre Sebastian e o pai, Claes, surge-me a seguinte questão: 

 

Agirão, em muitos casos, os pais, da forma que agem, como consequência do comportamento dos filhos? Ou será, em contrapartida, o comportamento dos filhos, um reflexo das acções de muitos pais?

 

Será o comportamento de Sebastian justificado pelas acções do pai para com ele ao longo de toda a vida? Ou agirá o pai dessa forma, como consequência do comportamento errático do filho?

 

 

 

Começamos a série com vários corpos no chão da sala de aula, e Maja a ser levada como suspeita do homicídio. Ao longo dos seis episódios, é-nos dado a conhecer, aos poucos, como tudo se desenrolou até chegar ao fatídico dia, ao mesmo tempo que vamos acompanhado os dias que Maja passa detida, sem poder ter qualquer contacto com outros, nem visitas, a não ser o advogado, o padre, o psicólogo e a guarda prisional, que a tenta ajudar como pode, nos momentos em que Maja parece prestes a enlouquecer e desistir sabendo que, já condenada aos olhos de todos, o será também em tribunal, esperando-lhe 14 anos de prisão.

 

 

 

A verdade é que Maja mudou muito desde que conheceu Sebastian. Tornou-se numa outra pessoa. 

E que ela disparou a arma e matou a sua melhor amiga Amanda, e o namorado, Sebastian, sabemos. Ela própria o confessa.

As circunstâncias e o porquê de o ter feito, é o que temos que descobrir.

Ela conta a sua versão, mas há uma testemunha, sobrevivente, que afirma o contrário. Verdade, ou orgulho ferido? Verdade, ou desejo de que alguém pague pelo que aconteceu? Verdade, ou aquilo que se  pensa ser a verdade?

Quem diz, afinal, a verdade, e quem mente?

E o que acontecerá a Maja?

A dúvida manter-se-á até à luta final entre acusação e defesa, de onde sairá o tão temido veredicto.

 

 

 

 

 

 

Sinopse:

"Quando uma tragédia tem lugar na escola preparatória nos subúrbios ricos de Estocolmo, Maja Noberg, uma estudante normal, é julgada por um assassinato. Quando os eventos do dia são revelados, também os detalhes mais privados da sua relação com Sebastian Fagerman e da sua família disfuncional são descobertos."

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