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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A realidade dos nossos idosos

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Em Portugal, não existem respostas viáveis para a maior parte dos idosos. Sobretudo, quando começam a depender de terceiros para a sua rotina diária, para a sua mobilidade, para afastar a solidão.

 

Nestes últimos dias, o estado de saúde do meu pai sofreu alterações.

Principalmente, a nível mental. A demência a vir em grande, e nós sem sabermos como lidar com isso.

Falámos com a médica de família, que passou umas análises, para confirmar se este quadro se devia a alguma infecção.

E aconselhou-nos a pô-lo num centro de dia, onde estaria umas horas acompanhado e, vendo e conversando com outras pessoas, sentir-se menos só e estimular o cérebro.

 

No entanto, ele não precisava de vigilância apenas por umas horas, ele estava completamente desorientado, alienado da realidade (com apenas alguns momentos de lucidez).

Ele não estava num estado propício à pura convivência. Uma pessoa consciente, que sabe que ali passaria umas horas com companhia de outros idosos, com quem conversar e interagir. 

Por muito que fosse uma solução, até porque tinham vagas, não me parecia suficiente.

 

Assim, continuávamos sem saber o que fazer.

Ele já se estava a colocar em risco. Um risco que corria a qualquer momento do dia, se lhe desse para isso.

Podíamos trancá-lo em casa, para evitar acidentes. Mas isso é crime. 

Podíamos deixá-lo à vontade, e arriscar encontrá-lo caído nos degraus, ou no meio da rua, morto. O que não deixaria de ser negligência.

 

Quem está de fora, diz aquilo que também nós sabemos: ele não podia estar sozinho!

Mas, e soluções? 

Onde se arranja, em tão curto espaço de tempo, uma pessoa de confiança e profissional, disposta a estar com ele 24 horas por dia? E que custos isso acarretaria?

 

Nem sempre os familiares têm disponibilidade para tomar conta. Para estar presentes.

Nem sempre os mais próximos têm a paciência necessária ou, sequer formação, ou ferramentas, para agir em casos destes.

E, a nível financeiro, quase nunca os apoios são suficientes, para quem decide ser cuidador informal.

 

Por outro lado, os lares residenciais estão sempre com enormes listas de espera. Quantas vezes, surge a vaga quando a pessoa já não precisa? Quando já não está mais entre nós?

Optar por lares particulares? É incomportável!

Pedi informações de um, deram-me valores acima de 4000 euros por mês.

 

Por outro lado, a nível físico, estava a deixar-se ir.

Já pouco comia.

Muito fraco.

Respiração ofegante. 

E diarreia.

 

Ontem de manhã, com muito custo, fez as análises ao sangue.

À tarde, recebi os resultados.

Do que vi, parece-me estar com problemas no fígado. Risco de AVC.

 

Entre "postas de pescada" e "não soluções", fiz o que achei que tinha de fazer.

Arrisquei ligar para a saúde 24.

A enfermeira que me atendeu não tinha jeitinho nenhum, deu-me nervos, mas lá me passou ao INEM, e veio uma ambulância dos Bombeiros de Mafra.

Duas meninas, impecáveis.

Não conseguiram medir a febre. Mas o oxigénio estava muito baixo.

Foi para o hospital.

 

E, confesso, foi um alívio!

Pode parecer, e quem sabe é mesmo, um pouco egoísta da minha parte.

Mas era eu que lidava com isto todos os dias. Que o via a definhar, sem saber como ajudar.

E a, eu própria, daqui a uns tempos, precisar de ajuda.

Ali, pelo menos , está vigiado, medicado, pode ser tratado.

Em casa, não sei se viveria muito mais tempo.

 

Há quem se queixe que os hospitais, para além do sobrelotamento a nível de doentes, está entupido com idosos, cujos familiares se recusam a ir buscar, por não terem condições para os ter em casa, ou em instituições para ricos.

Há quem se queixe que os hospitais têm, diariamente, custos com esses idosos, e recursos humanos "desperdiçados" com eles, que fazem falta a quem realmente precisa - os doentes mais urgentes.

Mas a verdade é que não há outras respostas, soluções, apoios para os nossos idosos e famílias.

 

Neste momento, está numa maca, com pulseira laranja, nas urgências do Santa Maria.

Provavelmente, ficará internado. Mas ainda não há vagas, por isso, tem de aguardar ali.

Provavelmente, terá de iniciar já a hemodiálise.

Ainda têm de ver o que vão fazer relativamente ao coração, e a nível neurológico.

Do fígado, não sabiam de nada.

Disseram ao meu irmão que, se quisesse, poderia levar as análises lá ao hospital!

 

Estou a aguardar o contacto da médica de família para ver se, também ela, entende que existe um problema no fígado, para comunicar então com o hospital.

Sinceramente, não estou muito optimista. O organismo dele está dar sinal de querer colapsar. Já começa a ser muita coisa junta.

Mas também é verdade que, felizmente, ele sempre me surpreendeu ao recuperar de todos os internamentos até aqui, ainda que com mazelas. 

 

Sei que ele não vai aguentar horas e horas de hemodiálise, por muito tempo.

No entanto, dado o estado dele, não terá poder de decisão, e sobrará para nós, filhos.

Mais uma vez, o dilema entre aquilo que seria o desejo dele, e aquilo que devemos fazer.

O deixá-lo morrer, ou mantê-lo vivo e em sofrimento.

Mas, enfim, um dia de cada vez.

 

E hoje, pelo menos, posso respirar um pouco, sem estar preocupada se ele vai sair de casa e perder-se, se vai cair e bater com a cabeça, se não vai comer porque eu não estou lá.

Amanhã, logo se verá...

 

 

Oh Meo, começamos bem!

(só que não)

Novidades Logótipos: Meo - Logotipo.pt

 

Contratado o serviço para casa, da Meo, até foram rápidos na instalação do mesmo, e a enviar as condições contratuais.

Uns dias depois, recebo um email com novas condições, para aceitar, de uma coisa que nada tinha a ver com o serviço contratado. Não respondi.

Entretanto, recebo em casa um cartão de internet móvel, que eu não tinha pedido, para pc ou tablet. Ficou dentro do envelope.

 

Ontem de manhã, ligam-me, da Meo, a informar que tinham enviado o dito cartão, mas que tinha sido engano e, por isso, iam proceder ao cancelamento mas que, de qualquer forma, se por acaso viesse reflectido na factura, deveria ligar para eles, para rectificarem.

 

Cá para mim, já estavam fartos de saber que era isso que ia acontecer porque, à tarde, recebo a dita factura electrónica, com um valor absurdo para pagar.

E lá tive eu que ligar, e gastar dinheiro na chamada, sem necessidade, por um erro deles, para me corrigirem a factura.

 

Oh Meo, estamos a começar bem, não haja dúvidas!

A saúde não tem preço, mas pagamos caro por ela!

É verdade que a saúde não tem preço? É!

E que não se compra? Sim!

Ainda assim, pagamos tão caro por ela!

Mas o que seria daqueles que investem em pessoal especializado e em laboratórios para que sejam levadas a cabo pesquisas e buscas por curas ou tratamentos de doenças, até agora desconhecidos?

O que seria das farmacêuticas se não obtivessem algum lucro com os medicamentos "milagrosos"?

O que seria das farmácias se os medicamentos nos fossem oferecidos?

A saúde não tem preço, mas tem custos para quem dela carece!

A saúde não se compra nem se vende, mas faz parte de um grande mercado onde é negociada como quem negoceia raridades valiosas! A necessidade dela faz funcionar uma indústria de milhões.

Quanto custam determinadas cirurgias? Quanto custam determinados tratamentos? Quanto custam determinados medicamentos? E quem consegue, em termos financeiros, ter acesso aos mesmos?

Vejamos, por exemplo, o actual caso da hepatite C. São, à partida, 150 os escolhidos pelo Ministério da Saúde para beneficiarem do novo tratamento com um medicamento inovador contra a doença - o Sofosbuvir - que garante taxas de cura superiores a 90%. O custo deste medicamento anda entre os 45 mil e 150 mil euros.

Disse o ministro da Saúde (e concordam os profissionais) que "se a todos os pacientes de hepatite C fosse ministrada esta cura, gastar-se-ia mais de 80 por cento do orçamento do Serviço Nacional de Saúde".  Já Emília Rodrigues, do SOS Hepatites, contrapõe que “É triste alguém ter que estar em pré-morte para que lhe seja dada esta medicação”.

Exceptuando aqueles que, com ajuda, milagre ou condição financeira conseguem ter acesso a determinado tipo de medicamento ou tratamento, e usufruir de meios de diagnóstico modernos e tecnologia avançada, a grande maioria nem sequer tem dinheiro para pagar uma taxa moderadora que, misericordiosamente, decidiram baixar este ano em 5 cêntimos!

A maioria, não tem dinheiro para se submeter àquela cirurgia que tanto necessita. Nem para pagar os exames que tem que fazer. Ou o internamento a que, involuntariamente, terá que ser sujeito.

E quando tem, nem sempre é tratada de forma digna e humana nos serviços de saúde públicos, ainda que tenha que pagar da mesma forma. 

No fundo, não estamos a falar exatamente de saúde, mas de cuidados de saúde, dizem os entendidos no assunto. Mas bem lá no fundo, todos sabemos que, ainda que os "caminhos" sejam diferentes, ambos levam à mesma e única questão - o limbo entre a saúde e a doença, entre a vida e a morte!