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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Milagre na Cela 7, na Netflix

Milagre na Cela 7 Torrent (2020) Dublado e Legendado

 

É um dos filmes mais vistos desta Páscoa, na Netflix!

Diz, a maior parte das pessoas que o viram, que o filme é lindo, que adoraram, e que choraram ao vê-lo.

Fiquei curiosa. E também o vi.

 

Sem tirar o mérito aos protagonistas, sobretudo à personagem Memo, que está incrível, achei o filme, e toda a sua história, um pouco forçado, e surreal em algumas partes, quase feito exclusivamente para apelar ao sentimentalismo, e às lágrimas.

 

Li, algures, que o filme toca em todos os botões do espectador, accionando as emoções. 

No meu caso, acho que teve o efeito contrário. De tantos botões querer accionar, acabou por não convencer, nem emocionar, como outros o fizeram.

 

A premissa era boa, mas a adaptação, e o desenvolvimento da história acabou por ser pobre, e deixar muito a desejar.

 

"Milagre na Cela 7" conta a história de um pai com deficiência, que é preso pelo homicídio da filha de um comandante, e condenado à morte tendo, a partir daí, de provar a sua inocência para regressar para junto da sua própria filha.

 

Mas, num meio pequeno em que a deficiência é vista como algo aberrante, que deve ser eliminado, perante uma fatalidade em que é preciso haver um culpado, e gente poderosa que quer afirmar o seu poder, o elo mais fraco perde, quase sempre, a batalha.

E, neste caso, o elo mais fraco é o Memo, que pode nunca mais ver a sua filha Ova, e deixá-la orfã, sem qualquer hipótese de defesa, ou absolvição.

 

 

Diferentes mas iguais - como é preciso tão pouco para fazer alguém feliz!

 

Quando decidimos ir à festa de aniversário organizada pela APERCIM - Associação para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra, emforma de arraial, esperávamos dançar, gastar algum dinheiro em rifas e, assim, dar o nosso contributo para uma causa nobre.

Mas, com certeza, não previmos o que viria a acontecer nessa noite.

Uma coisa é sabermos que existem pessoas com diversos tipos de deficiência, seja ela mental ou motora, outra é observar-mo-las por breves instantes.

Outra ainda, é entrarmos no seu ambiente, misturarmo-nos com elas e lidarmos com as mesmas, de igual para igual.

E, por muito diferentes que possam ser, não deixam de ser iguais a todos nós. Têm a mesma necessidade de afecto, compreensão, carinho, atenção...Têm a mesma vontade de se divertir, alegrar e ser felizes. Foi isso mesmo que percebemos, de uma forma muito especial, na passada sexta-feira.

Um dos rapazes residentes na associação viu a Inês e ficou encantado com ela. De tal forma, que a monitora teve que voltar para trás para ele falar com a Inês. E a Inês, coitada, apanhada de surpresa e sem saber como lidar com isso, pareceu-me que ficou assustada. Não pela deficiência em si, mas porque não conseguia percebê-lo nem sabia muito bem como interagir com ele.

Mas, ainda assim, à sua maneira, fê-lo! Dançou com ele (embora com ele sentado na cadeira de rodas), tirou algumas fotos abraçada a ele e tornou aquela noite uma noite especial para aquele jovem! Ele só queria estar com a Inês, de mãos dadas, e até perguntou se ela podia ser namorada dele!

Não queria dançar com mais ninguém, nem ir embora quando a monitora lhe disse que estava na hora. Quando a Inês não conversava com ele ou quando foi dançar comigo, ficou triste. Mas quando ela voltou para estar com ele, os seus olhos brilhavam, e via-se que estava muito feliz.

E porque, não podia deixar de ser um exemplo para a minha filha, também eu dancei com um senhor que bem poderia ser meu pai, quando outras recusaram. Também ele ficou tão feliz que, no fim da dança, me deu um abraço e dois beijinhos. E fez o mesmo à Inês, que estava ao meu lado.

Foi uma noite especial para nós também, e uma experiência enriquecedora. Foram pequenos gestos, mas para aquelas pessoas, valeram muito.

O que só prova e confirma que é preciso muito pouco para fazer alguém feliz!