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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Um "eu" perdido

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Olho para o meu "eu", que deixei para trás há uns meses. 

Já não me identifico muito com ele.

Observo o meu "eu" de um passado recente, muito diferente do anterior.

No entanto, também não me revejo nele.

 

O meu "eu", do presente, está perdido. 

Entre aquele que não quer voltar a ser, e aquele que tem dúvidas de conseguir voltar a ser.

Ainda assim, está mais perto de se voltar a fechar, do que abrir.

E isso nunca é bom.

 

Se o pudesse comparar com algo, seria com um gato.

Não com todos, claro. 

Com aqueles a quem sabe bem serem acariciados, ou mimados, mas não em demasia.

Aqueles que, quando passa da fase em que sabe bem, para aquela em que já é demais, retribuem com uma arranhadela, ou uma dentada, estabelecendo um limite, e afastando.

 

O meu "eu", do presente, está perdido.

Entre as dúvidas que se vão infiltrando, os pensamentos contraditórios que se vão acomodando, os sentimentos confusos que nele vão habitando.

Entre a esperança, e a desconfiança.

Entre a realidade, e uma sabotagem mental à mesma.

 

Diria o meu "eu" imaginário, resolvido e assertivo, que devo viver a vida, e entregar-me aos momentos, sem receios. Porque, se sair magoada, isso nada tem a ver comigo, mas com quem me magoar.

No entanto, também esse "eu" me diria que, se estiver numa situação em que não me sinta confortável, então, é porque não é boa para mim.

Há que sair dela. Eliminar esse desconforto, que não levará a lado nenhum.

 

Mas o meu "eu" real, continua perdido.

Como se ainda esperasse a poeira assentar. O mar acalmar. O nevoeiro dispersar.

Para pensar, e perceber, com clareza, que rumo seguir.

 

O que é demais nunca pode ser considerado normal

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Que bom seria se pudessemos escolher o tempo que faz, à nossa medida, e só para nós.

Mas, infelizmente, ainda não temos esse poder.

Vem o que vem, para todos, e ninguém pode fazer nada para o mudar.

 

Por isso, quando não nos agrada, e à falta de melhor que fazer, queixamo-nos.

Ora porque chove. Ora porque faz sol.

Ora porque está frio. Ora porque está calor.

Ora porque não corre uma aragem. Ora porque está vento.

 

No verão, por exemplo, quando está quente e oiço pessoas queixarem-se do calor, costumo dizer "estamos no verão, é normal".

No inverno, e sofrendo com o frio, sou eu que me queixo, e as pessoas que me respondem "é inverno, querias o quê?".

Sim, é normal que haja calor no verão, frio e chuva no inverno, e tempo ameno nas restantes estações. Ou era, porque há muito que as estações deixaram de ser "normais".

 

No entanto, por vezes é algo mais do que meras queixas nossas, de eternos insatisfeitos.

Tudo o que é demais, nunca pode ser considerado normal.

Temperaturas de 40º ou mais no verão não são normais.

Temperaturas de 0º ou menos no inverno, em quase todo o país, não são normais.

Pelo menos, não aqui em Portugal. Não nas nossas estações habituais. Não no sítio onde, por exemplo, eu vivo.

 

E, por isso mesmo, o nosso corpo não está preparado, nem tão pouco adaptado ou habituado a estes extremos.

Nem as nossas casas o estão. Ou as escolas. Ou muitos postos de trabalho. E, definitivamente, não as ruas.

Seja calor ou frio a mais, fenómenos extremos de vento ou chuva, ou quaisquer outros que nos apareçam pela frente.

 

Por muito que, noutras regiões, noutros países, noutro hemisfério, o cenário seja ainda mais duro e penoso, quem lá vive está acostumado e equipado para o efeito, porque é a norma.

Aqui, é a excepção.

Uma excepção a que não podemos fugir, mas que enfrentamos sem o mínimo de condições.

E que, a curto, médio ou longo prazo, terá repercussões na nossa saúde.