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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Desafio dos Pássaros 3.0 #6

Tema: uma teoria da conspiração envolvendo Bill Gates, indústria alimentar, Xana Toc Toc e polichine

Atividade física idosos: vetores de stock, imagens vetoriais, desenhos  gráficos | Depositphotos

"Toc Toc", ouviu-se na porta de uma das casas da Ilha dos Sonhos.

- Quem é?

- É a Xana!

Vem à porta uma senhora com os seus 60 anos, cansada e suada.

- Olá Xaninha, entra. Desculpa o meu estado, mas estava aqui a praticar uns polichinelos para ver se abato estas gordurinhas.

- Oh dona Peraltina, a senhora não tem gordurinhas! Mas faz bem em praticar exercício físico. 

- Pois faço Xaninha. E ando em dieta também. Aqui neste corpo não entram mais processados. Só alimentos naturais.

- Então, mas desde quando é que a dona Peraltina anda assim tão preocupada com a sua saúde? Foi alguma recomendação médica?

- Qual médico, qual quê! Então, tu não sabes?

- Não sei o quê, dona Peraltina?

- Então, aquele outro lá da Microsoft anda a vender um software que dá para criar comida como a verdadeira. Até dá para imprimir em 3D e tudo, vê lá tu ao que chegámos!  

- É verdade que já se anda a estudar essa possibilidade. Mas é para que os nossos recursos naturais não se esgotem. 

- Eu não quero saber de nada disso. Vá que ainda aquilo vem com vírus, e me dá cabo do sistema todo.

- Oh dona Peraltina, a senhora lembra-se de cada coisa!

- É verdade, Xaninha. Até dizem por aí que quem comer aqueles alimentos passa a ser controlado lá pelas máquinas. Deve ser de alguma coisa que põem lá para dentro. Mas comigo não se safam.

- A senhora não devia dar ouvidos a boatos. Há por aí muitas teorias da conspiração!

- Se é conspiração ou não, a mim é que não me tramam.

- Mas deixe lá, dona Peraltina, que isso ainda não é para já. Ainda pode comer à vontade.

- A sério?! Então tenho que combinar com a minha comadre irmos ali ao McDonalds!

- Então, mas a senhora não tinha dito que não comia mais nada processado?!

- Ora, Xaninha, McDonalds não é comida processada.

- E olhe que dizem que os alimentos de lá têm qualquer coisa que torna as pessoas viciadas e dependentes.

- Ah, Xaninha! Isso são tudo teorias da conspiração!

 

mamie grand mere yoga zen grandmother Image, animated GIF

 

 

 

Desafio dos Pássaros 3.0 #5

Tema: Um encontro entre um anão e uma bodybuilder, marcado por ele, através do Tinder.

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Um pouco antes da hora combinada, lá está ele, sentado ao balcão do bar, naquele que será o seu terceiro encontro do ano.

Está um pouco ansioso. Não sabe como ela vai reagir. Afinal, são totalmente diferentes e, verdade seja dita, a máxima de que os opostos se atraem não tem resultado muito com ele nos últimos tempos.

Quando ela entra, ele sorri e acena-lhe.

Ela, reconhecendo-o, dirige-se até ao balcão. E só então, quando ele salta do banco, ela percebe...

 

Ele: Olá! É um prazer conhecer-te, Vickie.

Ela: Igualmente, Igor. És... um pouco mais baixo do que imaginei - disse, atrapalhada, baixando-se para o cumprimentar.

Ele: A sério?! Olha que até tenho uma altura acima da média!

Ela: Pois, se tu dizes... 

Ele: Só ficas um pouco mais alta por causa dos teus saltos agulha. 

       Mas, o que queres...

Ela (não o deixando terminar): Pode ser "Sex on The Beach".

Ele: ... para beber, queria eu dizer.

Ela: Sim, claro! É óbvio que não te estava a convidar para a praia. É um cocktail!

Ele: Ah, ok.

 

Pedidos feitos, e enquanto as bebidas não chegam, ficam ali um momento num silêncio constrangedor, quebrado, repentinamente, por uma voz que grita:

 

“Todos quietos, isto é um assalto!”

 

Ela: Era só o que me faltava. Isto é o que eu chamo de encontro perfeito.

Ele: Não tenhas medo. Eu protejo-te!

Ela (olhando para ele): Tu?!

Ele: Duvidas?

 

O ladrão: Ei, vocês aí, caladinhos! E tu, jeitosa, passa para cá a mala.

Ele: Não vou permitir que fales assim com uma dama.

O ladrão: E quem é que tu pensas que és tu, oh meia-leca? Estás a armar-te em defensor aqui da Branca de Neve?!

 

Ela, sentindo que deveria defender o seu mais recente conhecido, dada a clara desvantagem entre ambos, aplicou ao ladrão um “punho de fogo” que o fez cambalear e deixar cair a arma.

O ladrão: Minha grande vadia, vais arrepender-te de te teres metido comigo!

 

Mas o anão, que já tinha escorregado sorrateiramente do banco, e apanhado a arma, disparou para a perna do ladrão, fazendo-o cair. O outro ladrão, ao ouvir a sirene da polícia, e vendo que ali não se safava mais, fugiu.

 

Ele: Fazemos uma boa dupla, não?!

Ela: É… não correu mal.

Ele: Sei que a noite está arruinada mas, será que nos voltaremos a ver?

Ela: Hum… acho que é melhor ficarmos por aqui.

Ele: Podíamos ao menos aproveitar o que resta da noite.

Ela: Já é tarde, e amanhã tenho que estar logo às 9 no meu novo trabalho.

Ele (desapontado): Tá... Fica bem, então. E boa sorte.

 

No dia seguinte, estava ele ao chegar ao seu departamento, quando o chefe o chama para lhe apresentar o seu novo parceiro de trabalho.

Qual o seu espanto ao ver, quando entrou na sala, a mesma mulher com a qual se tinha encontrado na noite anterior.

E ela, ao perceber com quem iria trabalhar, pensou “Isto vai ser bonito, vai…”!

Desafio dos Pássaros 3.0 #4

Tema: Caramba, quase que conseguia! 

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Ela: - Então, vamos lá desenhar este gatinho lindo!

Gato: - Não sei se tens muito talento para o desenho, a julgar pelas tentativas que estou a ver por aí penduradas!

Ela: Oh, que encantador. Sem dúvida que sabes incentivar uma aspirante a artista!

Gato: Desculpa lá. Mas pelo menos és mais bonita que o outro fulano. E mais simpática.

Ela: Isso quer dizer que te vais portar bem, e ficar aí sossegadinho?

Gato: És louca?! Não sou nenhum bibelô. Nem um gato estátua.

Ela: Se não estiveres quieto, o teu retrato vai sair como aqueles.

Gato: Está bem. Mas deixa-me ver qual o melhor sítio onde posar.

 

E nisto começou a tentar subir para o cadeirão, mas ficou preso na manta de crochet, e lá teve ela que ir ajudá-lo.

Gato: Obrigada! Não foi lá muito boa ideia. Vou antes ali para cima. - disse, subindo para cima da mesinha.

Ali ficou durante uns minutos, até que reparou nuns frasquinhos de tinta que estavam ao seu lado. 

Ela (ao ver o que estava prestes a acontecer, apelando entre dentes): Não! Não vais fazer isso, pois não?

Gato (olhando para ela, ao mesmo tempo que esticava a pata, em câmara lenta): O quê? Isto?! - responde, atirando com o primeiro frasco, que se partiu e espalhou a tinta pelo chão.

Enquanto ela interrompia, mais uma vez, o trabalho, para tentar salvar os frascos ainda intactos, e limpar o chão, colocando os cacos dentro de um saco do lixo, o gato saltou da mesinha e passou com as patas cheias de tinta por cima da tela, deixando a sua marca naquele que deveria ser o seu retrato.

Ela: Ora bolas! Agora tenho que recomeçar.

Gato: Talvez seja melhor ficar ali no parapeito da janela. A luz do sol favorece a cor do meu pelo!

Ela: Está bem. Mas tenta ficar sossegado.

 

Ele ali ficou mais uns minutos, até que se distraiu com um mosquito, que andou a passear à sua frente, e depois fugiu, desafiando-o a ir atrás.

Quando ela levantou a cabeça, só o viu a atirar-se para cima dos seus ombros, fazendo-lhe uns valentes arranhões, que logo começaram a deitar sangue

Gato: "Caramba, quase que conseguia apanhá-lo!" 

Ela: A mim apanhaste-me, e bem! Isto está bonito, está. Não bastava as marcas de tinta, agora também há manchas vermelhas. 

 

E, pegando numa nova folha, fez mais uma tentativa agora que ele, cansado, se tinha deitado aos seus pés.

Fez o melhor que conseguiu mas, ao observar a sua obra, achou que lhe faltava qualquer coisa e, de súbito, teve uma ideia.

Pegou na tesoura, fez uns recortes e colagens e, só então, emoldurou o retrato.

Gato (com um olho meio aberto, ao ver o resultado final): "Ora, ora! Esmeraste-te! 

Ela: Gostas?

Gato: Não está mauzito! - disse, dando-lhe uma turra.

Ela: O mérito é teu, Manjerico! - respondeu, fazendo-lhe uma festinha, ao mesmo tempo que segurava o retrato dele, rodeado de patas coloridas e salpicos vermelhos!

 

Desafio dos Pássaros 3.0 #3

Tema: - Não aguento mais contigo! - afirmou, enquanto o atirava para longe.

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Estava a vir para casa, depois de um dia de trabalho, pensativa e inquieta.

Ela sempre gostara dele. Desde o início. 

Ele era tudo aquilo que se podia pedir, ou desejar. 

Davam-se bem. Entendiam-se.

Ela tinha orgulho nele, e não se inibia de o mostrar.

Sempre tinham tido uma excelente relação um com o outro mas, ultimamente, as coisas tinham mudado.

Ela não sabia explicar. Não é que já não gostasse dele. Mas já não era como antes.

Agora, a relação estava a tornar-se difícil. Não se andavam a entender.

Havia dias em que ela já não podia olhar para ele. Era difícil lidar com ele. Levar as coisas a bom porto.

As pessoas diziam que ela devia livrar-se dele. Que poderia experimentar outras opções, alternativas. Que se sentiria mais feliz sem ele. Até mais rejuvenescida, a partir do momento em que terminasse aquela relação.

Mas as pessoas não sabiam.

Não era fácil pôr fim a uma relação de tantos anos. E, depois, havia sempre a possibilidade de ele a surpreender. De, um dia, ela acordar e perceber que ele voltara a ser o mesmo de antes. E descobrir que aquele amor ainda se mantinha, apesar de tudo.

Só que, naquele momento, não era isso que ela via.

O que ela via, é que já não havia aquele brilho de antigamente. Aquela vivacidade. Aquela graça.

Cada dia que passava, e tinha que lidar com ele, era um tormento. Ou tentava fazer as coisas resultarem, e terminava esgotada, sem qualquer resultado ou, simplesmente, ignorava-o, o que também não a fazia sentir melhor.

Chegou a casa.

Em modo automático, dirigiu-se à gaveta do escritório, de onde tirou aquilo que precisava.

Entrou no quarto. Lá estava ele. Olhou-o uma última vez, como quem tenta descobrir uma última esperança que a impeça, mas não vê nada.

De repente, fez aquilo que nunca pensou fazer.

- Não aguento mais contigo! - afirmou, enquanto o atirava para longe.

E lá estava, ao longe, o punhado de cabelo que ela tinha acabado de cortar!

Desafio dos Pássaros 3.0 #2

Tema: Afinal havia outro... fogão

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Certo dia, conversava um casal de namorados...

 

Ele: Tens mesmo que ir?

Ela: Sabes que sim.

Ele: Porque não ficas aqui comigo?

Ela: Porque tenho que ir trabalhar.

Ele: Estou farto de ter que te partilhar com ele. Queria-te só para mim.

Ela: Pois, mas é ele que me garante o dinheiro ao fim do mês.

Ele: Eu também te podia pagar. E não tinhas que o ver mais.

Ela: Já te disse várias vezes que não quero misturar as águas. Uma coisa é a minha relação. Outra, é o trabalho. Além disso, eu gosto do que faço.

Ele: Mas depois, sempre que estou contigo, sinto o cheiro dele. Daquilo que fazes com ele. E fico cheio de inveja, e ciúmes, por não ser eu. 

Ela: Amor, sabes que eu gosto muito de ti, mas nunca na vida poderias ser ele. Nem eu ia querer isso. Prefiro que sejas quem és. Além disso, sabes que partilho sempre contigo aquilo que fizemos juntos.

Ele: Mas não é suficiente. Precisamos de mais tempo para nós. E ele está constantemente a roubar-te de mim.

Ela: E tu estás a querer roubar-me a ele! Não sejas imaturo.

Ele: Não sou imaturo. Sou realista.

Ela: Bem, podes sempre vir comigo e divertimo-nos os três!

Ele: Alguma vez? Não fui feito para isso. Não tenho esse teu dom para aguentar gestos repetitivos, fazer o mesmo uma vez e outra, sem querer fugir.

Ela: Então, não te queixes. 

Ele: E se eu te pedisse para escolher entre eu e ele? Eras capaz de me deixar?

Ela: Tens dúvidas?! Isso seria demasiado infantil da tua parte, até porque também acabas por usufruir daquilo que faço. Mas não me ponhas à prova, porque ficas a perder.

Ele: Traidora! 

Ela: Exagerado! E, por falar nisso, estou atrasada. Tenho mesmo que ir cometer umas infidelidades!

 

E nisto, ela levanta-se, veste-se, e dirige-se ao seu posto de trabalho, na cozinha, onde o fogão a espera, para mais uma maratona de iguarias que ela terá que cozinhar, para satisfazer as encomendas do dia!