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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Balanço da participação no Desafio de Escrita dos Pássaros 3.0

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Agora que chegou ao fim esta edição do desafio de escrita dos pássaros, não poderia deixar de fazer um balanço da minha participação, como estreante nestas andanças!

 

1 - De uma forma geral, sempre que era anunciado o tema, vinham-me mil ideias à cabeça, e acabava por, depois, optar por outra totalmente diferente. 

2 - Há medida que os temas iam avançando, maior a dificuldade em saber como conjugar as peças todas, e sair um texto apresentável, que fizesse o mínimo sentido. Nos últimos temas só pensava "Mas quem é que tem estas ideias?".

3 - Dei por mim a optar pelo texto em formato diálogo, na maioria dos temas, algo a que estava pouco habituada, mas que parecia a melhor forma de dar a volta à questão.

4 - Tentei, na maior parte dos textos, puxar por um pouco de humor e algumas risadas, que é coisa que  também não estou habituada, já que a escrita sai-me melhor, quando puxo pelo lado dramático.

5 - Penso que foi uma mais valia o desafio ter uma duração mais curta que os anteriores porque, caso contrário, arriscava-me a deixá-lo a meio, ou a saltar temas.

 

Foi um desafio superado, em vários sentidos, sem dúvida!

Só não digo "Venha de lá o próximo" porque, agora, quero mesmo é tirar férias deste desafio que chegou ao fim.

 

 

Desafio dos Pássaros 3.0 #7

Tema: Um negacionista, um padre e o Gustavo Santos entram num bar...

Três caras bebendo cerveja 268417 Vetor no Vecteezy

 

Pedaços de conversas distintas, de três pessoas diferentes, que bem poderiam ser uma única conversa, entre elas. 

Enquanto Gustavo Santos apresentava as suas obras, o padre vai espalhando a palavra de Deus, e o negacionista queixa-se, reclama e duvida de tudo, como não poderia deixar de ser!

 

Negacionista: - Acreditam que me mediram a febre à entrada? Sinceramente! Vim aqui tantas vezes engripado, e nunca se preocuparam com isso.

Padre: - Perdoai-os, Senhor. Não sabem o que fazem.

Negacionista: - Andam é todos loucos com esta história do vírus. Querem limitar-nos, tirar a nossa liberdade, voltar à ditadura. Não há quem se revolte contra esta cambada toda. 

Gustavo Santos: - "A Força das Palavras" fala disso mesmo, do poder que estas possuem, e de como podem mudar quem nos rodeia, e a nós próprios.

Negacionista: - Parecemos cordeirinhos, é o que é.

Padre: - O Senhor é nosso pastor, e nada nos faltará.

Negacionista: - Cada vez temos menos, ganhamos menos, e ainda nos querem tirar o pouco que têm. Nem sabemos para que lado nos viramos.

Gustavo Santos: - "O Caminho" ajuda a percebermos que rumo devemos seguir.

Padre: - O caminho de Deus é perfeito.

Negacionista: - Pois, com sorte, é a mão de Deus. Já não seria a primeira vez que ele fazia uma razia aos humanos. Não se lembram do dilúvio e da Arca de Noé, ou do fogo de Sodoma e Gomorra? 

Gustavo Santos: - É preciso encontrar o equilíbrio, de forma a manter a nossa sanidade mental. Acima de tudo, "Arrisca-te a Viver".

Padre: - Entreguem todas as vossas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês.

Negacionista: - Mas alguém acredita que Deus existe? E mesmo que existisse, queria lá ele saber de nós. Isto é mas é a natureza a vingar-se dos humanos, por a andarem a destruir há anos. Agora, olhem, temos que aguentar.

Gustavo Santos: - Concordo plenamente! ´"Agarra o Agora". Nada como encarar, aceitar e viver da melhor forma o momento presente, apesar de todas as adversidades.

Padre: - Vivemos tempos conturbados, mas todas as nuvens enviadas por Deus são passageiras.

Negacionista: - Isto nunca mais vai acabar. Agora que tomaram o gosto, vai ser estado de emergência a vida toda, recolheres obrigatórios, proibições. Querem-nos controlar à força. Ele é chips disfarçados de vacinas, ele é certificados. Qualquer dia nem sabemos quem somos.

Gustavo Santos: - Com "Reencontra-te", podes voltar a redescobrir-te!

Negacionista: - Uma treta, esta vida. E é cada um  por si.

Gustavo Santos: - "Ama-te", e tudo o resto virá por acréscimo.

Negacionista (ao ver o copo vazio): - Olha, por falar nisso, venha mas é de lá a segunda dose, que esta já se foi!

Padre: - Brindemos a um futuro melhor. Enquanto há vida, há esperança.

Negacionista (depois da segunda cerveja): - Agora sim, já estou vacinado! Venham cá agora dizer que não posso estar cá dentro!

 

 

 

Desafio dos Pássaros 3.0 #6

Tema: uma teoria da conspiração envolvendo Bill Gates, indústria alimentar, Xana Toc Toc e polichine

Atividade física idosos: vetores de stock, imagens vetoriais, desenhos  gráficos | Depositphotos

"Toc Toc", ouviu-se na porta de uma das casas da Ilha dos Sonhos.

- Quem é?

- É a Xana!

Vem à porta uma senhora com os seus 60 anos, cansada e suada.

- Olá Xaninha, entra. Desculpa o meu estado, mas estava aqui a praticar uns polichinelos para ver se abato estas gordurinhas.

- Oh dona Peraltina, a senhora não tem gordurinhas! Mas faz bem em praticar exercício físico. 

- Pois faço Xaninha. E ando em dieta também. Aqui neste corpo não entram mais processados. Só alimentos naturais.

- Então, mas desde quando é que a dona Peraltina anda assim tão preocupada com a sua saúde? Foi alguma recomendação médica?

- Qual médico, qual quê! Então, tu não sabes?

- Não sei o quê, dona Peraltina?

- Então, aquele outro lá da Microsoft anda a vender um software que dá para criar comida como a verdadeira. Até dá para imprimir em 3D e tudo, vê lá tu ao que chegámos!  

- É verdade que já se anda a estudar essa possibilidade. Mas é para que os nossos recursos naturais não se esgotem. 

- Eu não quero saber de nada disso. Vá que ainda aquilo vem com vírus, e me dá cabo do sistema todo.

- Oh dona Peraltina, a senhora lembra-se de cada coisa!

- É verdade, Xaninha. Até dizem por aí que quem comer aqueles alimentos passa a ser controlado lá pelas máquinas. Deve ser de alguma coisa que põem lá para dentro. Mas comigo não se safam.

- A senhora não devia dar ouvidos a boatos. Há por aí muitas teorias da conspiração!

- Se é conspiração ou não, a mim é que não me tramam.

- Mas deixe lá, dona Peraltina, que isso ainda não é para já. Ainda pode comer à vontade.

- A sério?! Então tenho que combinar com a minha comadre irmos ali ao McDonalds!

- Então, mas a senhora não tinha dito que não comia mais nada processado?!

- Ora, Xaninha, McDonalds não é comida processada.

- E olhe que dizem que os alimentos de lá têm qualquer coisa que torna as pessoas viciadas e dependentes.

- Ah, Xaninha! Isso são tudo teorias da conspiração!

 

mamie grand mere yoga zen grandmother Image, animated GIF

 

 

 

Desafio dos Pássaros 3.0 #5

Tema: Um encontro entre um anão e uma bodybuilder, marcado por ele, através do Tinder.

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Um pouco antes da hora combinada, lá está ele, sentado ao balcão do bar, naquele que será o seu terceiro encontro do ano.

Está um pouco ansioso. Não sabe como ela vai reagir. Afinal, são totalmente diferentes e, verdade seja dita, a máxima de que os opostos se atraem não tem resultado muito com ele nos últimos tempos.

Quando ela entra, ele sorri e acena-lhe.

Ela, reconhecendo-o, dirige-se até ao balcão. E só então, quando ele salta do banco, ela percebe...

 

Ele: Olá! É um prazer conhecer-te, Vickie.

Ela: Igualmente, Igor. És... um pouco mais baixo do que imaginei - disse, atrapalhada, baixando-se para o cumprimentar.

Ele: A sério?! Olha que até tenho uma altura acima da média!

Ela: Pois, se tu dizes... 

Ele: Só ficas um pouco mais alta por causa dos teus saltos agulha. 

       Mas, o que queres...

Ela (não o deixando terminar): Pode ser "Sex on The Beach".

Ele: ... para beber, queria eu dizer.

Ela: Sim, claro! É óbvio que não te estava a convidar para a praia. É um cocktail!

Ele: Ah, ok.

 

Pedidos feitos, e enquanto as bebidas não chegam, ficam ali um momento num silêncio constrangedor, quebrado, repentinamente, por uma voz que grita:

 

“Todos quietos, isto é um assalto!”

 

Ela: Era só o que me faltava. Isto é o que eu chamo de encontro perfeito.

Ele: Não tenhas medo. Eu protejo-te!

Ela (olhando para ele): Tu?!

Ele: Duvidas?

 

O ladrão: Ei, vocês aí, caladinhos! E tu, jeitosa, passa para cá a mala.

Ele: Não vou permitir que fales assim com uma dama.

O ladrão: E quem é que tu pensas que és tu, oh meia-leca? Estás a armar-te em defensor aqui da Branca de Neve?!

 

Ela, sentindo que deveria defender o seu mais recente conhecido, dada a clara desvantagem entre ambos, aplicou ao ladrão um “punho de fogo” que o fez cambalear e deixar cair a arma.

O ladrão: Minha grande vadia, vais arrepender-te de te teres metido comigo!

 

Mas o anão, que já tinha escorregado sorrateiramente do banco, e apanhado a arma, disparou para a perna do ladrão, fazendo-o cair. O outro ladrão, ao ouvir a sirene da polícia, e vendo que ali não se safava mais, fugiu.

 

Ele: Fazemos uma boa dupla, não?!

Ela: É… não correu mal.

Ele: Sei que a noite está arruinada mas, será que nos voltaremos a ver?

Ela: Hum… acho que é melhor ficarmos por aqui.

Ele: Podíamos ao menos aproveitar o que resta da noite.

Ela: Já é tarde, e amanhã tenho que estar logo às 9 no meu novo trabalho.

Ele (desapontado): Tá... Fica bem, então. E boa sorte.

 

No dia seguinte, estava ele ao chegar ao seu departamento, quando o chefe o chama para lhe apresentar o seu novo parceiro de trabalho.

Qual o seu espanto ao ver, quando entrou na sala, a mesma mulher com a qual se tinha encontrado na noite anterior.

E ela, ao perceber com quem iria trabalhar, pensou “Isto vai ser bonito, vai…”!

Desafio dos Pássaros 3.0 #4

Tema: Caramba, quase que conseguia! 

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Ela: - Então, vamos lá desenhar este gatinho lindo!

Gato: - Não sei se tens muito talento para o desenho, a julgar pelas tentativas que estou a ver por aí penduradas!

Ela: Oh, que encantador. Sem dúvida que sabes incentivar uma aspirante a artista!

Gato: Desculpa lá. Mas pelo menos és mais bonita que o outro fulano. E mais simpática.

Ela: Isso quer dizer que te vais portar bem, e ficar aí sossegadinho?

Gato: És louca?! Não sou nenhum bibelô. Nem um gato estátua.

Ela: Se não estiveres quieto, o teu retrato vai sair como aqueles.

Gato: Está bem. Mas deixa-me ver qual o melhor sítio onde posar.

 

E nisto começou a tentar subir para o cadeirão, mas ficou preso na manta de crochet, e lá teve ela que ir ajudá-lo.

Gato: Obrigada! Não foi lá muito boa ideia. Vou antes ali para cima. - disse, subindo para cima da mesinha.

Ali ficou durante uns minutos, até que reparou nuns frasquinhos de tinta que estavam ao seu lado. 

Ela (ao ver o que estava prestes a acontecer, apelando entre dentes): Não! Não vais fazer isso, pois não?

Gato (olhando para ela, ao mesmo tempo que esticava a pata, em câmara lenta): O quê? Isto?! - responde, atirando com o primeiro frasco, que se partiu e espalhou a tinta pelo chão.

Enquanto ela interrompia, mais uma vez, o trabalho, para tentar salvar os frascos ainda intactos, e limpar o chão, colocando os cacos dentro de um saco do lixo, o gato saltou da mesinha e passou com as patas cheias de tinta por cima da tela, deixando a sua marca naquele que deveria ser o seu retrato.

Ela: Ora bolas! Agora tenho que recomeçar.

Gato: Talvez seja melhor ficar ali no parapeito da janela. A luz do sol favorece a cor do meu pelo!

Ela: Está bem. Mas tenta ficar sossegado.

 

Ele ali ficou mais uns minutos, até que se distraiu com um mosquito, que andou a passear à sua frente, e depois fugiu, desafiando-o a ir atrás.

Quando ela levantou a cabeça, só o viu a atirar-se para cima dos seus ombros, fazendo-lhe uns valentes arranhões, que logo começaram a deitar sangue

Gato: "Caramba, quase que conseguia apanhá-lo!" 

Ela: A mim apanhaste-me, e bem! Isto está bonito, está. Não bastava as marcas de tinta, agora também há manchas vermelhas. 

 

E, pegando numa nova folha, fez mais uma tentativa agora que ele, cansado, se tinha deitado aos seus pés.

Fez o melhor que conseguiu mas, ao observar a sua obra, achou que lhe faltava qualquer coisa e, de súbito, teve uma ideia.

Pegou na tesoura, fez uns recortes e colagens e, só então, emoldurou o retrato.

Gato (com um olho meio aberto, ao ver o resultado final): "Ora, ora! Esmeraste-te! 

Ela: Gostas?

Gato: Não está mauzito! - disse, dando-lhe uma turra.

Ela: O mérito é teu, Manjerico! - respondeu, fazendo-lhe uma festinha, ao mesmo tempo que segurava o retrato dele, rodeado de patas coloridas e salpicos vermelhos!