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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Está a amanhecer mais tarde

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Houve dias, há uns meses atrás, em que por volta das 5.30 da manhã já se notava, pela janela, a claridade a querer anunciar um novo dia.

As luzes da rua já estavam desligadas.

Mas ainda era cedo.

 

Hoje, acordei, levantei-me para separar as bichanas, que se estavam a morder, e voltei para a cama. 

Olhei para a rua. Era noite. As luzes ainda estavam acesas.

Pensei "ainda deve ser cedo, posso dormir mais umas horas".

Mas não!

Olhei para as horas, e eram 6 da manhã!

 

No sentido inverso, as noites já estão a chegar mais cedo.

No outro dia, sentada na sala, olho para a rua e já era noite, às 21 horas.

Ainda nem em Setembro estávamos!

A importância de filtrar cada dia da nossa vida

Tempo de aprender para filtrar |

 

Cada dia da nossa vida é uma espécie de matéria em bruto, com diversos constituintes.

É a soma de tudo aquilo que foi acontecendo nesse dia, daquilo que ouvimos, experienciámos, dissemos, fizemos, de bom e de menos bom.

Parece muito, porque está tudo junto, e confuso, porque está misturado. Não é fácil, no momento, arrumar ou organizar os nossos pensamentos e sensações.

 

Por isso, é importante, no final de cada dia, colocar tudo numa espécie de peneira, filtrar a matéria em bruto, e perceber o que foi realmente importante, e devemos levar connosco, e o que não passa de lixo, de impurezas que não servem para nada, e mais vale deitar fora.

É importante absorver tudo aquilo que nos é benéfico, que nos faz sentir bem, o que nos ajuda a melhorar e crescer, aquilo que queremos guardar, o que de bom resultou desse dia. 

E descartar aquilo que não nos servirá para nada, e não valerá a pena estar a guardar e a ocupar espaço. Aquilo que apenas nos corrói, que é destrutivo e prejudicial, e nos ensombrará os dias seguintes, impedindo-nos de ver o sol.

Primeiro dia de Agosto e eu...

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... ainda só consegui apanhar duas tardes razoáveis de praia

... ainda não consegui largar o casaco durante o dia (por vezes até dois)

... ainda durmo com a mesma roupa de cama que tinha no inverno, e tapada até ao pescoço 

 

 

Estamos em Agosto, meados do verão, e nem parece que ele chegou.

Longe vão os tempos em que vínhamos da praia quase às 20h, e havia apenas aquele ventinho fresco. E os dias pareciam maiores.

Este ano, parece que ainda estou algures entre o outono e a primavera envergonhada, às 18h já quase não se pode andar na rua e os dias parecem mais pequenos.

 

E se, há uns anos, nesta altura, as nossas gatas andavam por todos os cantos da casa à procura de um sítio fresco para se deitar, ainda na noite passada, uma delas quis ir para dentro da cama dormir!

Os gestos não precisam de um dia específico...

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...para serem colocados em prática.

 

Hoje fui deixar o meu computador a arranjar na loja de informática. 

À minha frente, entrou um senhor. Eu, em seguida.

O rapaz ia atender o dito senhor, que tinha chegado primeiro.

 

Mas esse senhor, virou-se para o rapaz e disse: atenda primeiro a senhora!

 

Mesmo quando eu disse que tinha tempo, ele insistiu. E lá fui atendida num instante, expliquei o que o computador tinha, o rapaz ficou com o contacto, e saí, agradecendo ao dito senhor por me ter cedido a vez!

Estarei eu, realmente, a viver?

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Olho para trás e vejo que se passaram dois fins de semana prolongados. Foram três dias, em duas semanas seguidas, a que a maior parte dos portugueses tiveram direito, para aproveitar da melhor forma, fosse para descansar, ultimar as compras de natal, enfeitar a casa, passear, estar em família, arrumar a casa, ou outra coisa qualquer.

 

E eu? 

Eu sinto que se passaram 6 dias, que o tempo voou e nem dei por ele, e não aproveitei nada de nada.

Não deu para dormir até mais tarde, porque as donas gatas começam a pedir o pequeno almoço a partir das 7h da manhã, bem como persianas levantadas, cortinas abertas e caixotes limpos.

Depois, há a loiça que ficou para enxugar da véspera, há roupa que é preciso estender antes que o sol fuja, camas para fazer e por aí fora.

Pelo meio, uma ida ao PC, para ver o email, actualizar o facebook, escrever uns posts no blog, responder a comentários e, quando dou por isso, já passei ali um tempão.

Está na hora de ir às compras. Perde-se mais de uma hora.

 

Almoço, arrumar a cozinha, arrumar compras, fazer contas.

Mais uns caixotes para limpar, comida para repôr às bichanas.

Há a roupa que já enxugou, e é preciso passar a ferro e arrumar.

 

Trabalhos com a filha, ou estudos, para a última fase do primeiro período. Quando vejo, é quase noite.

 

E isto repetiu-se durante todos estes dias, sem que eu possa dizer que aproveitei para alguma coisa que seja.

Sinto que estou apenas a passar pelo tempo (ou ele por mim), sem realmente viver a vida.

 

Espero que na semana que vou ter, no final do ano, consiga compensar este desperdício.