Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Valham-me todos os santinhos

Imagem relacionada

 

Quando as pessoas até estão de bom humor, têm vontade, e se esforçam, até conseguem ajudar-nos.

Mas quando já estão de mau humor logo pela manhã, quando só lhes apetece dificultar e mandar as pessoas de volta para donde vieram para não terem trabalho, e complicam, não ajudam em nada, fazem-nos perder tempo, e dá vontade de, também nós, as mandarmos para um determinado sítio.

 

 

Fui fazer tratar de um assunto de trabalho hoje de manhã. Era simples, já tinha sido visto por outras colegas 2 ou 3 vezes, e só faltava aquilo que eu levava agora. Mas a funcionária de hoje, tinha que complicar, que arranjar problemas, que achar que aquilo não podia ser assim, e que não podia aceitar algo que é válido. Resultado: por insistência minha, ficou com cópia de tudo para mais tarde analisar e dizer alguma coisa, ou seja, vou ter que lá ir novamente.

 

 

Fui à escola da minha filha para entregar as facturas dos livros e material escolar, no âmbito da acção social escolar. 

Tinha uma pessoa à minha frente. Pediram-me para esperar, que iria logo a seguir a essa pessoa. Chamaram-na, mas ela estava à espera que lhe trouxessem as facturas. A funcionária, em vez de me mandar entrar, já que era eu a seguinte, achou que tínhamos todos que esperar que as facturas viessem, cumprindo a ordem de chegada.Só ao fim de 5 minutos, sem facturas à vista, me mandou entrar então a mim.

 

 

Sentei-me. A funcionária que me ia atender começou a queixar-se do calor, e da muita roupa que tinha vestida, e do cheiro a suor! 

Entreguei-lhe as facturas. Reclamou da do Continente, que não se via quase nada, que não se percebia, que não dava para entender onde estava o valor a pagar. Ainda lhe dei uma cópia, se quisesse juntar ao original, e indiquei-lh onde estava o valor pago, mas achou que aquilo não era explícito, e que na tesouraria não iriam aceitar, e blá, blá, blá.

Queria que fosse pedir uma segunda via, e voltasse lá depois. Disse-lhe para deixar estar, que a fortuna de 8 euros não valia todo esse trabalho e tempo perdido. Lá descobri uma outra factura que tinha na mala, e juntou.

Avisou-me logo que no final do ano tinha que entregar os livros. Fez a conta a meia dúzia de livros, para ver um valor que se aproximasse do que me vão reembolsar, e escolheu os livros que eu deveria entregar. 

 

 

Saio da escola e vou à papelaria que fica ali perto, para pedir a 2ª via da factura que tinha acabado de entregar na escola. Como não sabia a data certa, fez a pesquisa pelo nome. Não encontrou nada.

Disse-lhe que tinha sido em setembro, e pouco depois de as aulas começarem. Não aparecia nenhuma factura.

Perguntou-me se não teria sido em outubro. Disse que não, mas procurou na mesma. Nada.

Pelo número de contribuinte, o sistema não permite a busca.

Ah e tal, mas no e-factura está lá. Pois, está lá o valor total, mas não dá para ver a factura em si, nem imprimir.

Como já estava ali à imenso tempo, e ela não conseguia fazer nada, disse-lhe que passava lá noutro dia.

Ela ficou de ver com o marido, para ele lhe explicar como se faz isso - emitir uma 2ª via da factura que, afinal, confirmei depois, sempre era de setembro.

 

 

Haverá mais alguém interessado em me dificultar a vida hoje?!

 

Meu santo bom deus, dai-me paciência!

 

Não sei se é do calor excessivo que tem feito por estes dias, ou já a adivinharem o frio que por aí vinha, algum vírus contagioso que anda pelo ar, ou falta de férias, mas os serviços públicos estão cada vez piores.

Já não é a primeira vez que aqui falo sobre a falta de profissionalismo de uns, e falta de jeito de outros para atender ao público, mas a verdade é que, de dia para dia, em vez dos serviços melhorarem, só pioram.

Hoje em dia, ao nos dirigirmos a um serviço público, temos que ter presente que podemos encontrar funcionários de mau humor, aos quais o dia pode não estar a correr bem, e que irão fazer de tudo para nos mandar embora dali sem termos tratado do assunto que nos levou lá ou, se insistirmos, irão fazer de tudo para nos dificultar a tarefa.

 

 

Todos sabemos a quantidade de pessoas que, diariamente, passa por um determinado serviço público. Por isso, sempre que vamos a um deles, sabemos que estamos a arriscar estar horas à espera.

Também sabemos que, hoje em dia, tudo funciona através de sistema informático e, como tal, esse é outro dos factores que pode pôr em causa a resolução dos nossos problemas. Porque se o sistema não estiver a funcionar, nada se pode fazer.

Mas, para além de tudo isto, temos também que equacionar a possibilidade de, simplesmente, não ser um bom dia para tratar dos nossos assuntos, de acordo com quem nos atende.

 

 

Apesar de já não haver uma obrigatoriedade, em alguns casos, de tratar desses assuntos na área de residência/ ocorrência dos factos, podendo os cidadãos fazê-lo em qualquer ponto do país, há funcionários que tentam "empurrá-los" para outro lado.

Apesar de quase tudo se fazer informaticamente, e na hora, há funcionários que, por implicância, se lembram de exigir impressos preenchidos à mão, só para nos fazer voltar para trás e passarem ao próximo.

Apesar de não termos qualquer culpa pelos eventuais problemas que estejam a ocorrer nesse dia, que tivemos o azar de escolher, ainda corremos o risco de ser confrontados com respostas tortas, porque cometemos o enorme erro de lhes aparecer à frente!  

 

 

Agora digam lá como se sentiriam se, depois de estarem não sei quanto tempo à espera, fossem chamados e vos dissessem para ir lá noutro dia, porque o sistema está com falhas e podem não conseguir tratar do que iam fazer (embora muitas vezes até se consiga)?

Se vos dissessem para lá ir noutro dia porque lhes dá mais jeito a eles, e que se têm urgência fossem antes?

Se estivessem a descarregar em vocês, que nada têm a ver com os problemas dos funcionários ou do serviço, a irritação ou frustração que eles próprios sentem?

Se vos dissessem que, dada a hora tardia e porque já têm outros comprimissos aos quais não podem chegar atrasados, não vos vão poder atender?

Não é fácil! Por vezes, é mesmo preciso uma boa dose de paciência, e dar um desconto, porque todos têm dias maus e não será nada pessoal. Até porque somos nós que precisamos das coisas resolvidas.

 

 

 

PS: O pior é que isto se anda a alastrar para todo o lado. Ainda no outro dia fomos almoçar fora. Chegámos cedo ao restaurante, e fomos os primeiros. Uma das funcionárias estava cá fora a fumar.

Não sei se não gostaram de ter que começar a trabalhar tão cedo, mas não estavam nos seus dias. Elas já não costumam ser simpáticas, por natureza, mas fiquei com a impressão que, pelo menos uma delas, estava mal disposta.

Já estávamos sentados há alguns minutos, e a comer as entradas, quando os meus pais chegaram com o meu tio. O meu marido, sem pensar, perguntou então se podíamos passar para a mesa do lado, que dava para todos.

A funcionária, de trombas, respondeu: "Agora?". Claro que não tinha lógica, uma vez que já tínhamos começado a usar pratos e copos, mas podia ter falado de outra forma.

Disse que o que podia fazer era juntar uma outra mesa à nossa.

Diz o meu marido "mas assim são só mais dois lugares".

Responde ela, novamente com maus modos: "Então e não tem aí um lugar vazio ao seu lado? Dá para a terceira pessoa".

Se fosse eu, provavelmente não dizia nada, mas o meu marido não se fica, e confrontou-a mesmo: "Você está mal disposta? Só está a falar mal com as pessoas. É que as pessoas armam-se em estúpidas mas eu também sei ser".

A partir daí, continuou a não mostrar simpatia, mas também não ousou mais responder com quatro pedras na mão!

 

 

A saúde em Portugal no seu melhor!

 

A situação já não é uma novidade, mas nem por isso choca menos. Nem tão pouco me deixa menos inconformada com o estado a que as coisas chegaram e com a forma como é encarada a saúde em Portugal.

Vem isto a propósito das filas que se formaram à porta do Hospital da Ordem Terceira, no Chiado, em Lisboa, para a tentativa de marcação de um exame essencial de diagnóstico com anestesia - a colonoscopia!

E isto porquê? Porque apesar de o exame ser agora comparticipado, não existem muitos locais que o façam nesses termos e, os que fazem, exigem marcação presencial!

Por isso, as pessoas que realmente precisam de realizar o exame, e não podem pagá-lo numa clínica privada, "montam acampamento" à porta do hospital onde esperam ter a sorte de conseguir uma das tão desejadas 150 senhas diárias!

Umas com banquinhos para esperarem, literalmente, sentadas! Outras com espreguiçadeiras e mantas para passar a noite. Vê-se de tudo um pouco por ali. 

Que meia dúzia de adolescentes e adultos saudáveis o façam, de livre vontade, para assistir a um concerto, é lá com eles. Mas "obrigar" pessoas mais idosas, como é o caso da maior parte destas que vêm para a fila, a estar ali horas ou noites, sujeitas às condições meteorológicas, ao cansaço, ao desespero, a uma espera pela senha da sorte, quando a saúde deveria ser um direito garantido a todos, é revoltante.

Pior ainda, quando muitas dessas pessoas, depois de se terem levantado cedo, e gastado dinheiro em transportes, têm que voltar a fazê-lo novamente no dia seguinte, porque naquele dia não conseguiram senha.

Tudo isto poderia ser evitado com um simples telefonema. Mas parece que gostam de dificultar ao máximo o acesso à saúde gratuita.

E não é só com a marcação de colonoscopias que isto acontece. Cheguei a ter que ir para a porta do meu centro de saúde, às quatro da madrugada, para conseguir uma das 10 vagas do dia para consulta com a minha médica de família!

Quem tivesse carro, ainda pode esperar dentro dele. Mas também se viam por lá muitos idosos e outras pessoas sem qualquer protecção, nem local onde se abrigar, naquelas horas de espera, até o centro de saúde abrir. Apesar de a situação se ter alastrado durante anos, ninguém foi capaz de, ao menos, colocar ali um telheiro, um banco para sentar, nada! Felizmente, hoje em dia, já não acontece isso. 

Mas, de uma forma geral, a saúde em Portugal deixa muito a desejar, no que ao seu acesso, direitos e gratuitidade diz respeito.

Enquanto estamos vivos ela é bastante inacessível. Depois de mortos, já não precisamos dela!

 

  • Blogs Portugal

  • BP