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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Máscaras: obrigatoriedade e liberdade

Vetores de Emoji De Sorriso Usando Uma Máscara Cirúrgica Protetora Ícone  Para Surto De Coronavírus e mais imagens de Amarelo - iStock
"A liberdade consiste em fazer-se o que se deve e não o que se quer. Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela."

Bernard Shaw

 

Quem me conhece, sabe que evitei ao máximo o uso da máscara.

Nunca usei quando era facultativo.

Comecei a usar nos espaços em que era obrigatório, continuando a evitar o seu uso onde ainda era permitido respirar ar puro.

 

E agora? 

Continuo a considerar que o uso da máscara não é a solução por si só, nem um factor determinante para o controlo da pandemia.

Continuo a pensar que pode trazer outros problemas associados ao uso contínuo.

Continuo a não me sentir bem com ela posta.

E é por isso que, sempre que não tenho pessoas perto de mim, na rua, continuo a não usá-la.

 

Mas, a minha liberdade termina onde começa a do outro. 

Por isso, sempre que estou a passar por locais onde estão outras pessoas, ainda que seja de passagem, por alguns segundos, coloco-a.

Porque eu posso não querer usá-la, mas não tenho o direito de prejudicar os outros. Mesmo que eu não acredite muito na sua eficácia, há quem acredite que a máscara protege, e a use para proteger os demais, para me proteger.

Por isso, é meu dever, retribuir esse cuidado.

 

Ainda hoje, li esta passagem d'"Os Maias", e faz tanto sentido no dias que correm:

"Aí está por que em Portugal nunca se faz nada em termos! É por que ninguém quer concorrer para que as coisas saiam bem... Assim não é possível! Eu cá entendo isto: que num país, cada pessoa deve contribuir, quanto possa, para a civilização."

 

Não só pelo uso das máscaras, mas por todos os comportamentos que o bom senso deveria ditar, mas que acabam por ficam perdidos nas intenções, ou regulados pelo egoísmo de cada um.

Privacidade: um direito inviolável ou a chave para salvar alguém?

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A privacidade é um direito que nos assiste, e que ninguém tem permissão para invadir, ou violar.

Por norma, quando alguém o faz, é quase sempre para fins menos dignos, por motivos pouco altruístas, mas por puro egoísmo, curiosidade, desconfiança, lucro, ou outros igualmente condenáveis.

Mas, e se essa invasão for essencial, não para benefício próprio, mas para ajudar a salvar alguém? Justificar-se-ia invadir a privacidade, violar esse direito?

 

Quando uma mãe, após o suicídio do seu filho, lê o diário escrito por este, e percebe que estava ali a possível chave, que poderia ter, quem sabe, evitado o que veio a acontecer, o que pensa ela?

Que a resposta esteve sempre ali.

 

Mas ela não queria estar a invadir a privacidade do filho e, por isso, nunca leu o diário, nunca soube como ele se sentia, nem o que o atormentava e, como tal, não conseguiu ajudá-lo a ponto de evitar o pior.

Deveria ela ter quebrado a confiança?

Deveria ela ter invadido a privacidade?

Agradecer-lhe-ia, o filho, por tê-lo feito?

Seria garantido que essa invasão seria útil, e impediria o suicídio?

Não sabe... Mas sabe que, não o tendo feito, pode ter contribuído para o desfecho, pela inação.

 

Parece-me a mim que, nos dias que correm, a privacidade é muitas vezes violada sem motivos válidos e, poucas vezes, invadida por razões que o justifiquem.

O que levanta outra questão: existem razões ou motivos que justifiquem essa invasão?

Ou é, imperiosamente, um direito inviolável?

 

Um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever?

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A minha filha está a fazer, para a disciplina de Filosofia, um ensaio filosófico que, após escolha de algumas das ideias em cima da mesa, acabou por recair na defesa da Eutanásia, como um direito à dignidade.

Ela teria que expôr a sua tese, os seus argumentos a favor da mesma, as objecções e a respectiva resposta a estas, de forma a manter a sua defesa.

Confesso que é um tema que me interessa.

Tal como relativamente ao aborto, defendo a sua despenalização, e não condeno quem a peça, ou quem a pratique a pedido de alguém.

O facto de defender a eutanásia não significa, obrigatoriamente, que essa seja uma opção à qual recorreria. Penso que só quem está nas situações, saberá o que sente e o que quer para si.

Quanto mais leio sobre o assunto, sobre os argumentos a favor e contra, mais me apercebo da complexidade da questão.

Mas o que me abriu, de facto, uma nova visão para o tema, foi a perspectiva, vista do lado dos profissionais de saúde.

 

 

Podemos ter o direito a morrer dignamente, mas teremos o direito de pedir ao médico, que nos mate?

Assim de uma forma um pouco radical, o que era defendido era que, se o paciente tem o direito de morrer, então o médico tem o dever de matar.

Isto porque partem da premissa de que um direito implica sempre um dever. O direito de um, implica o dever de outro. 

 

 

Mas será que um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever? Em qualquer circunstância? 

Não me parece. Nem sempre.

E, pelo menos, não neste caso. O facto de se ter direito a morrer dignamente, não faz da morte, automaticamente, um dever do médico. A não ser que este seja a favor, e considere seu dever, apresentado o pedido do paciente e analisado o seu quadro e situação clínica, aceder ao mesmo e pôr fim à vida e ao sofrimento.

Mas nada o obriga a matar, se ele assim não o entender, ainda que não venha a ser penalizado por tal acto.

Talvez o ideal fosse a pessoa que quisesse morrer dignamente, pôr fim à sua própria vida. Aí, falaríamos de suicídio. Mas faltar-lhe-iam sempre os meios, que levassem ao fim. E, talvez, a coragem.

Algo que também não se pode exigir do profissional de saúde. Eu quero morrer mas não tenho coragem de me matar, por isso, preciso de si. Não seria justo.

Mas acredito que um qualquer médico que pratica o aborto que, no fundo, não deixa de ser matar um ser humano, que teria toda uma vida pela frente, que desliga uma máquina, por não ser útil na reversão de um determinado quadro clínico, ou até mesmo eutanasia um animal para lhe acabar com o sofrimento, não terá problemas em o fazer, aos humanos que querem partir.

 

Sobre os argumentos contra e a favor, sobre eutanásia activa e passiva, voluntária ou não voluntária, o matar e o deixar morrer, muito haveria para falar, quer em termos éticos ou religiosos, e não chegaríamos a lado nenhum.

Até que ponto estão os médicos dispostos a ir, na defesa da vida humana, e daquilo que consideram que é melhor para o paciente, ainda que esse não o veja dessa forma?

Até que ponto estão os pacientes dispostos a ir para ver satisfeito esse seu desejo e direito que lhes assiste, a uma morte digna?

E o que é, para cada um de nós, uma morte digna?

 

 

 

 

Da abstenção nas eleições do passado domingo

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Eu diria que a abstenção se traduz numa única palavra: desesperança!

 

Muito se tem falado sobre a enorme taxa de abstenção que caracterizou as eleições do passado domingo.

Muitas têm sido as críticas a quem não foi às urnas, a quem não exerceu o seu direito de voto, a quem se esteve a marimbar para o que estava ali em causa, e preferiu ficar em casa, ou ir para qualquer outro lado passear.

 

 

Ah e tal "Abster-se de votar não é uma forma de protesto. Existem outras formas de mostrar descontentamento."

Ah e tal "Quem não vota não tem depois o direito de reclamar ou exigir nada, porque não fez nada para mudar o que considera que está mal."

Talvez.

 

 

Mas uma coisa é certa: 

Não chega apenas apelar ao voto.

Não chega a possibilidade de votar em branco.

Não chega ir lá e entregar um voto nulo.

 

 

 

Mais do que isso, é preciso que surja um candidato/ partido, que nos faça acreditar na causa que defende, que nos convença de tal forma, que nos leve a levantar o rabo do sofá para dar esse voto de cidadania (e de confiança) com vontade, e gosto por exercer o nosso direito. Com esperança numa mudança.

E não é o que acontece hoje em dia, à excepção, talvez, do PAN, que tem vindo a marcar pontos e a revolucionar aos poucos. O PAN é aquele que, à falta de outro melhor, acaba por se mostrar diferente, e mais convincente. Mas não ainda o suficiente.

 

 

Os portugueses vivem em desesperança pelas propostas que são apresentadas. São mais do mesmo. E do mesmo que ninguém quer.

Os portugueses acreditam que, qualquer um que seja escolhido, fará o mesmo que os outros, mesmo que tenha prometido o contrário.

 

 

Só no momento em que surgir alguém capaz de revolucionar o actual panorama político, capaz de nos fazer juntar à causa, e lutar por ela, como fazemos, hoje em dia, em tantas outras áreas, se poderá reverter este quadro de abstenção.

Isso, ou então acenar aos portugueses com uma "cenoura", a que terão direito se cumprirem a sua parte (votando). Por norma, costuma ser ainda mais eficaz!

É legítimo ocultar um erro médico?

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Para salvar a reputação de um membro da equipa médica, quando esse erro, ainda que, de certa forma, desculpável, dadas as condições em que a vítima se encontrava e a grande probabilidade de aquele pormenor escapar aos olhos da maioria, resultou na morte da vítima?

 

Como se sente um médico que tentou tudo para salvar um paciente e fez uma manobra perfeita e complicada de emergência que lhe salvou a vida temporariamente, para depois saber que essa mesma pessoa faleceu porque, embora aquele procedimento tenham sido essencial, houve outro que falhou, por sua culpa? 

 

Como se sentem os familiares da vítima mortal, ao tomar conhecimento de que a mesma faleceu, sem sequer imaginar que, talvez, pudesse ter resistido se não fosse um erro médico? Não terão eles o direito de saber? Ainda que isso não devolva a vida de quem partiu?

 

E quem pode julgar se o médico que cometeu o erro tem desculpa ou não? Terão os responsáveis pelo hospital o direito de esconder/ omitir os erros, para savar a pele e a reputação? Ou o dever de denunciar e apurar responsabilidades, quando existam, para manter a credibilidade e confiança?