Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Existe algum fio condutor na nossa vida?

Preparado-de-Algodão-Doce-Rosa-.jpg

 

"Há algum fio condutor na nossa vida ou ela é um emaranhado de acontecimentos sem sentido e sem relação entre si?"

 

A minha filha anda a dar religião, na disciplina de filosofia e, às tantas, leu algures no manual esta questão, perguntando a minha opinião. 

A primeira imagem que me veio à mente, ao ler a questão, foi a do algodão doce: também ele tem um "fio condutor" - a vareta - mas, ao mesmo tempo, o que o caracteriza é o "emaranhado de fios de açúcar", que se vão juntando uns aos outros e formando o conteúdo.

 

Acredito que existe um fio condutor, que nos guia, a partir do momento em que nascemos, e até morrermos.

Esse fio condutor pode traduzir-se na sociedade em que estamos inseridos, através das regras, conduta, deveres e direitos, responsabilidades. Sem elas, cada um faria o que lhe desse na real gana, e viveríamos numa espécie de anarquia.

Traduz-se na família, nos valores que nos transmitem, no seu apoio e orientação, no seu suporte e alicerce.

Traduz-se nos planos que traçamos, nos objectivos que nos propomos concretizar, nas metas que ambicionamos alcançar.

De alguma forma, consciente ou inconscientemente, há algo a que estamos "presos", ligados, e que nos mantém no trilho que aparentemente escolhemos, ou nos foi destinado.

 

No entanto, isso não significa que, a esse fio condutor, não se possam ir juntando acontecimentos, experiências, vivências, que nos acrescentam enquanto seres humanos.

Ainda que alguns façam sentido, e outros nem tanto.

Ainda que alguns tenham relação entre si, e outros, nenhuma.

Mal de nós se nos limitássemos a seguir o fio condutor da nossa vida, sem absorver mais nada. Sem complementar, sem viver o inesperado, sem ser surpreendido.

Somos eternos seres em construção, e haverá sempre espaço para mais, ainda que não estejamos a contar com isso, ou não o tenhamos previsto.

 

E, da mesma forma que, quanto mais fios se forem juntando à vareta, maior o algodão doce, também quanto mais acrescentarmos à nossa vida, mais rica ela se tornará. E melhor nos saberá vivê-la!

Até mesmo nas dificuldades e momentos menos bons, que dispensaríamos de bom grado.

 

 

 

Da aplicação StayAway Covid

e porque ainda não a instalei

app-stayaway-covid.jpg

 

Quando foi disponiblizada a aplicação StayAway Covid, e o primeiro ministro afirmou que todos deveriam instalar, por uma questão de civismo, foram várias as pessoas que a instalaram de imediato, por si, e pelos outros.

 

A ideia em si, é boa. É mais uma forma de prevenção. De informação. De contenção.

Mas peca, por falta de informação e esclarecimentos, quanto à forma como deve ser utilizada, quais os procedimentos a tomar por quem a usa, e as implicações de não lhe dar o uso devido.

E se, por um lado, ainda existem resistentes que optam por não a instalar, por questões de privacidade ou segurança, parece-me que a preocupação deveria ser outra.

 


Se uma pessoa ficar infectada e inserir esses dados na aplicação, cumpriu o seu dever. Até aí, muito simples.
Mas, e se a pessoa estiver do outro lado? Se for a pessoa que recebe o alerta de que esteve próximo de alguém infectado? O que deve fazer? Quais são os seus deveres, e como ficam protegidos os seus direitos?
Se ignorar, e se vier a verificar que até está infectado e, entretanto, andou a infectar outros, o que lhe acontece? Afinal, ele foi avisado! Tem implicações legais? Pode ser alvo de processo disciplinar no trabalho? Ou de um processo em tribunal?


Se, por outro lado, decide ficar logo em isolamento, que justificação tem para faltar ao trabalho? Quem lhe fornece essa justificação?

Se decidir ir ao médico, para que lhe passe uma credencial para fazer o teste, o que faz nesse tempo entre o aviso recebido, e o resultado do teste?
E se, no espaço de uma semana, a pessoa receber dois ou três alertas? Tem que fazer o mesmo número de testes? Quem paga esses testes?

 


Acho que estas seriam as principais dúvidas a ser esclarecidas, antes de instalar a aplicação.

Porque, à falta destas informações, e sem saber muito bem o que fazer, é preferível não ter a aplicação instalada.

 

 

Imagem: decoproteste

 

Eu Queria Usar Calças, de Lara Cardella

doc20180618191128_001.jpg

 

Este livro conta a história de Annetta, uma miúda que sempre quis usar calças, numa época em que asmeninas e mulheres só estavam autorizadas a usar saia, estando as calças guardadas para o sexo masculino, ou para aquelas raparigas que ousavam desafiar a sociedade

 

No início, Annetta queria tornar-se freira, convencida de que as freiras usariam calças por baixo do hábito mas, quando essa teoria caiu por terra, desistiu.

Ainda pensou tornar-se rapaz, imitando em tudo o seu primo, até que percebeu que havia algo que diferenciava rapazes e raparigas, pelo que também essa ideia foi colocada de parte.

Só restava uma última hipótese. Quando formulou o seu pedido à mãe esta respondeu-lhe "os homens e as putas* é que usam calças". E foi uma dessas mulheres que Annetta tentou ser.

 

Até ao dia em que um tio a apanhou aos beijos com o namorado, e a levou ao pai, que lhe deu uma valente tareia. Sem conseguirem esquecer a vergonha, acabam por enviá-la uns dias para casa de uma tia, onde vai descobrir terríveis segredos, e perceber que nem tudo é o que parece.

 

Anos mais tarde, Annetta está casada. Os tempos são outros, e as regras não são tão rígidas.

No entanto, Annetta nunca usou calças.

Quando questionada pela tia sobre o que a levou a casar-se, Annetta responde:

 

"Posso mudar uma cabeça, todas não!"

 

Um livro que fala de violência infantil, pedofilia, da vida em meios pequenos onde todos se conhecem, de direitos, de mentalidades, da mudança, de sonhos proibidos e desfeitos.

 

 

 

*mulheres que, pelo modo de vestir e atitudes, possa ser considerada libertina

 

Postura louca ou acertada, é a minha!

Resultado de imagem para adolescentes e pais desenhos

 

Uma das formas de promover uma boa relação entre pais e filhos, sobretudo filhos adolescentes, é uma espécie de “metamorfose mútua”, em que os pais devem tentar colocar-se no lugar dos filhos, e tentar compreender o que está a acontecer com eles, da mesma forma que os filhos se devem tentar colocar no lugar dos pais, e compreender o que os leva a agir de uma determinada forma, os limites que muitas vezes colocam, e os receios que sentem.

 

Os filhos crescem, não serão para sempre aqueles meninos(as) pequeninos(as) de há uns anos atrás. De nada adiante querer tapar o sol com a peneira, esconder a cabeça na areia e fazer de conta que nada muda.

 

O que os filhos mais precisam, é que os pais estejam presentes e os apoiem, aconselhem, orientem. Se os filhos sentirem abertura e confiança nos pais, mais facilmente partilharão com estes os seus sentimentos e mudanças que estão a ocorrer na sua vida, em vez de esconder. Caso contrário, irão fechar-se, guardar para si ou procurar noutras pessoas, aquilo que deveriam ter e não têm naqueles que deveriam ser os primeiros a lá estar.

 

E com este apoio, abertura e confiança, não quero dizer permitir, fazer as vontades, e estar de acordo com tudo, só porque eles falaram connosco. Mas, se não devemos cair no facilitismo e total permissão, também não devemos pecar pela recusa ou rejeição imediata.

 

Já todos tivemos a idade dos nossos filhos, sabemos bem como éramos e o que fazíamos, ou queríamos fazer, e as consequências que, eventualmente, resultaram da proibição, falta de diálogo, desconhecimento ou alienação dos pais.

 

É certo que as coisas, hoje em dia, tendem a ocorrer em idades cada vez mais precoces, e cabe a nós, pais, adaptar-mo-nos a essa nova realidade, encarando cada situação com a seriedade e respeito que ela merece, mas com alguma leveza também, sem entrar em parafuso ou fazer um bicho de sete cabeças de cada uma delas.

 

Acima de tudo, é importante dialogar com os nossos filhos, tentar perceber o que sentem e se o que pretendem faz sentido ou não, expôr o nosso ponto de vista sobre as situações que nos apresentam.

 

E, se for o caso, com a permissão para alguns direitos que os filhos pretendam ter, incluir também alguns deveres, que deverão cumprir, para que tudo resulte nos dois sentidos, sem prejuízo para o seu futuro. 

 

Afinal, é disso que se trata, do seu futuro e da sua vida, do seu sucesso a todos os níveis - escolar, pessoal, familiar e emocional - através da interacção com todos aqueles que os rodeiam.

Vamos todos ser refugiados?!

 

Não querendo minimizar a situação complicada que os refugiados estarão a viver, não deixa de ser triste quando os problemas dos outros se conseguem sobrepor aos que se vivem no nosso país. E quando é manifesta a facilidade e rapidez com que os resolvem, por comparação às lutas que temos que travar por direitos fundamentais, e que quase sempre perdemos, com justificações que já não convencem ninguém.

A última notícia, que caiu como uma bomba entre nós, diz respeito à saúde. Ao que parece, os refugiados vão ter direito, no prazo de uma semana, a um médico de família! O meu marido, está à espera da atribuição de um médico de família há meses! Como ele, estão muitos outros portugueses.

E, adivinhem, vão ficar isentos do pagamento de taxas moderadoras!

Por outro lado, 4500 refugiados "não representam um número importante de pressão para os serviços", diz Francisco Jorge, responsável para a Saúde do Grupo de Trabalho para a Agenda Europeia para as Migrações. Mas basta haver um surto de gripe ou outro problema, para os serviços de saúde ficarem caóticos.

Aos portugueses, que se vêem de um momento para o outro numa situação financeira complicada, retiram-lhes as casas que não conseguiram pagar ao Banco. Essas mesmas casas, servem agora para alojar os refugiados que precisam de abrigo! E isto são apenas alguns exemplos.

Então e nós? O que somos aqui em Portugal? Que consideração é que mostram por nós?

Se calhar, temos todos que passar a ser refugiados...