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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Do outro lado do telefone...

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(Para aquelas pessoas que ligam para os outros, e pensam que podem dizer tudo o que lhes apetece, sem pensar em quem está do outro lado)

 

...Antes de dizerem o que quer que seja, pensem nisto:

 

  • do outro lado do telefone está um ser humano, não uma máquina (por enquanto)
  • essa pessoa pode não estar a ter um bom dia, por isso, não liguem para, simplesmente, despejar o vosso mau humor em cima dela
  • a não ser que estejam a ligar para um profissional da área, lembrem-se de que, quem está do outro lado, não é psicólogo, para vos estar a ouvir falar da vossa vida
  • quem está do outro lado também terá os seus próprios problemas, não precisa de lidar também com os vossos problemas pessoais
  • se ligam em horário de expediente, devem saber que a pessoa não tem todo o tempo do mundo para estar ao telefone, pelo que devem limitar-se ao essencial, e não prolongar por tempo infinito a conversa
  • evitem a falta de educação e de respeito, a arrogância e a impertinência, com quem não vos faltou ao respeito
  • quem está do outro lado pode ser um mero intermediário, sem qualquer papel ou responsabilidade na resolução de eventuais problemas, pelo que não é justo que despejem o vosso rol de reclamações para, em seguida, pedir desculpa pelo desabafo
  • Há pessoas que ligam só para ocupar o seu tempo, e fintar a solidão, mas lembrem-se que, do outro lado, pode não haver vontade, ou sequer disponibilidade, para vos ajudar nesse sentido
  • se ninguém atendeu, foi porque não podia, e nesse caso, experimentem mais tarde, se virem que não foi retribuída a chamada, ou porque não quis - não vale a pena ligarem cinquenta mil vezes seguidas para a pessoa, não é por isso que ela irá atender
  • do outro lado pode estar uma pessoa cuja paciência, simpatia e amabilidade são características habituais, mas a quem talbém falta a paciência, atingidos so limites

 

Uma coisa é ajudar um familiar ou um amigo que precise, outra, é levar com um pouco de tudo isto, de pessoas que mal se conhece.

Do Outro Lado, de Maria Oliveira

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Quem está do outro lado? O que está do outro lado? O que nos espera, do outro lado?

Quem trabalha, sobretudo em contacto directo com outras pessoas, sabe que, na teoria, uma das regras fundamentais é separar a vida pessoal, da vida profissional. Na prática, nem sempre é possível.

 

É verdade que, independemente dos problemas que nos afectem a nível pessoal, não podemos deixar que os mesmos interfiram no nosso trabalho, e prejudiquem a forma como nos relacionamos com aqueles que nos procuram a nível profissional.

Mas, acima de tudo, somos humanos. Há situações que não conseguimos, de todo, camuflar, esconder, empurrar para debaixo do tapete até nos ser permitido tirá-las de lá. Por outro lado, é difícil não nos envolvermos nas situações profissionais que encontramos pela frente, agindo unica e exclusivamente como profissionais, desligando-nos delas no fim do turno.

 

Se é verdade que existe, do outro lado do profissional, um ser humano com as suas qualidades e defeitos, forças e fraquezas, momentos altos e baixos, também é verdade que, do outro lado do cliente/ paciente, existe alguém que precisa de ajuda, e cuja vida pode estar nas nossas mãos.

 

 

Não podemos, simplesmente, descarregar neles as nossas frustrações, nem tão pouco agir de forma mecanizada e estritamente profissional, quando, aquilo que dissermos, fizer a diferença entre a fé e a descrença, entre a desilusão e a esperança, entre a morte e a vida. E isso, quer queiramos, quer não, mexe connosco. É impossível ficarmos indiferentes.

 

Helena é uma médica psiquiatra que tenta ajudar os seus pacientes o melhor que pode mas sente, muitas vezes, que falhou, que poderia ter feito mais, agido de outra forma. Existem muitas vitórias, sim, e são de valorizar. Mas as derrotas...essas marcam-na mais, sobretudo naquele momento, em que se encontra emocionalmente fragilizada.

 

Porque, do outro lado da Helena, profissional, está uma mulher cujo marido e pai das suas duas filhas, desapareceu sem deixar rasto há cerca de dois anos, deixando-a sem saber o que pensar, sem saber o que aconteceu, e com muitos problemas para resolver.

 

Do outro lado, está uma Helena que se apoia no ex namorado de há muitos anos, que nunca deixou de amar, e que agora quer reconquistá-la, surpreendendo-a até com uma proposta de trabalho e negócios, que deixa as suas filhas como herdeiras de metade dos seus bens, o que a leva a crer que ele estará doente, ou até a morrer.

 

Do outro lado desta Helena, de marido desaparecido, e mãe galinha das suas duas filhas, está uma mulher que escondeu um segredo por 20 anos, e que lhe poderá custar tudo o que ainda lhe resta: o amor das filhas, e o amor de Luis.

 

É com tudo isto que Helena terá que lidar, do outro lado da sua vida. Com as descobertas em relação ao marido, com o revelar do seu segredo e as consequências que daí advêm, com a verdade, por mais terrível que ela seja.

E com quem está do outro lado da sua secretária, paciente ou familiar, que a procura em busca de uma solução, absolvição, consentimento, uma luz ao fundo do túnel, uma orientação, ou uma desculpa.

 

O que acontece quando uma médica psiquiatra acha que está a enlouquecer, no seu limite, e a precisar de ajuda médica ou baixa? Como pode ela salvar a vida de alguém, quando o seu próprio mundo está a ruir, e ela não sabe o que fazer com os seus próprios problemas? 

Com que moral poderá ela acusar o seu marido de ser uma fraude, e de ter enganado todos, ao longo dos anos que estiveram juntos, quando ela própria fez o mesmo, toda a sua vida?

 

Eu confesso, compreendo o lado da Helena, tal como compreendo o lado do Luís. Mas, como ela própria diz, o que está feito, está feito, é passado e ela não pode mudar. E ele, ou aceita, ou não, e deixa-a seguir o seu caminho. Porque estar com alguém que nos atira a cada instante, à cara, os erros que cometemos, não é vida, nem tão pouco amor. É rancor, é ressentimento, é não conseguir esquecer e seguir em frente, nem permitir que os outros o façam.

Fugir é sempre mais fácil do que enfrentar o que nos afecta mas, por vezes, é necessário. Muitas vezes, tomamos determinadas decisões achando que é o melhor para todos, mesmo que na realidade não seja. E por muito que não tenhamos como adivinhar o que, quem está do outro lado, pensa ou como irá reagir, a verdade é que o fazemos, e agimos muitas vezes com base em pensamentos que são apenas nossos, não dessas pessoas.

Resta-nos admitir os erros, pedir perdão, e esperar que um dia compreendam o nosso lado...

 

Um livro a não perder, de uma autora que já me conquistou com a sua escrita!

 

 

Sinopse

"Do outro lado da bata branca, do outro lado da secretária, do outro lado do clinico, está um ser humano como eu, como tu. Um ser humano para nos servir, que tem uma vida, uma história própria e que muitas vezes é mais sofrida e dolorosa do que a nossa. 

Batemos-lhe à porta, pedimos-lhe socorro.

Alguma vez pensamos, que ele também poderá estar a sofrer, e a ele quem o socorre?

“…

- Helena Vasconcelos de Andrade?

- Sim, e o senhor é quem? – Pergunto.

- Inspetor Pedro Pina, polícia judiciária. – Responde-me.

- Policia Judiciária?

…”

Com esta visita inesperada, Helena, vê a sua vida desmoronar.Médica psiquiátrica, mãe, mulher e amante apaixonada, perde o controlo da sua vida e a ética profissional.No dia em que um doente ameaça abandonar uma consulta a meio, atinge o seu limite e pede ao colega que a dispense, pedindo atestado. Descobrir que partilhou a cama, durante 20 anos com um desconhecido, não seria tão grave, secom a sua ausência, o passado, que queria deixar eternamente adormecido,não se fosse revelando a cada dia.

Afinal quem enganou quem? –

- Não penses assim. A vida às vezes é tão cruel que não conseguimos discernir qual a lição que está iminente.

- Perder um filho, não tem nenhum ensinamento, porque não há a possibilidade de emenda.

Uma história de amor, mistura perfeita entre ficção e realidade, diálogos reais transcritos letra por letra, e personagens também reais e algumas, infelizmente, já não estão connosco …"

 

Autor: Maria Oliveira

Data de publicação: Novembro de 2017

Número de páginas: 378

ISBN: 978-989-52-1060-2

Colecção: Viagens na Ficção

Género: Ficção

Idioma: Pt

 

 

 

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