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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O facto de se gostar de dramas faz de alguém uma pessoa dramática?

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Quem me conhece, sabe que, de uma forma geral, não gosto de filmes de comédia.

Que não acho piada à maior parte dos humoristas, e àquilo que debitam com intenção de nos fazer rir. Mais depressa o faço com o Mr. Bean, por exemplo, que nem precisa de abrir a boca.

E que, raramente, me rio dos vídeos de parvoíces que circulam por aí, pelo youtube ou facebook, que a maioria gosta, e lhes acha graça.

Não tenho um sentido de humor igual ao das outras pessoas, lamento. 

Mas isso não quer dizer que não me ria, que não ache graça a certas coisas, situações, cenas com as quais me vou deparando. 

 

Por outro lado, estou quase sempre pronta para um bom filme ou história dramática, e é-me muito mais fácil e, diria até, inspirador, escrever sobre drama, sobre tristeza.

As emoções chegam de forma mais natural, e a escrita flui muito melhor, do que se tiver que exprimir algo oposto.

 

Sou assim. Posso ser diferente da maioria, mas não estou cá para agradar os outros. Estou cá para ter a minha própria opinião.

No outro dia, dizia-me o meu marido que eu era uma pessoa dramática, que só gosto de coisas tristes, de lágrimas, de sofrer, e nunca acho piada a nada, como se não quisesse viver alegre ou animada.  

 

Então, o facto de se gostar mais de dramas faz de alguém uma pessoa dramática?

Eu até me considero uma pessoa bastante divertida e animada, quando assim se proporciona. Sou pessoa para me rir de muitas parvoíces, de cenas espontâneas que assisto, até de mim própria!

Não sou pessoa de andar por aí a lamentar-me, a chorar pelos cantos, a vitimizar-me pela vida que me calhou.

Pelo contrário, até sou um pouco "palhaça". E, não raras vezes, acabamos a noite, eu e a minha filha, a rirmo-nos à gargalhada, por alguma coisa que disse ou fiz. 

 

Mas, se há coisa que me irrita, é que me tentem impingir, à força, algo a que não acho graça. Pior, que queiram que eu seja da mesma opinião que essas pessoas que gostam muito e acham piada, e que fiquem aborrecidos por eu não pensar da mesma forma.

 

 

Retribution, da Netflix

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Grace e Adam, um casal, recém casado e de regresso da lua de mel, é brutalmente assassinado na sua própria casa.
No sofá, o marido. No chão, a mulher grávida. E na outra ponta, o suspeito, com uma faca na mão.

Logo as respectivas famílias - Elliot e Douglas - vizinhas e conhecidas de longa data, são informadas do homicídio, e juntam-se na dor, pela perda dos seus filhos e neto.

 

Enquanto isso, o principal suspeito tenta, desesperadamente, arranjar dinheiro com a venda de objectos que roubou da casa das vítimas, para seguir viagem até um determinado local onde, diz, irá terminar o que começou.

E é perto da casa das famílias que, durante uma tempestade, à noite, ele acaba por sofrer um acidente, sendo socorrido por estas.

Até ao momento em que percebem que estão a acolher alguém que pode ser o assassino dos seus filhos e que, talvez, não mereça ajuda, mas também a morte. Até porque não sabem o que ele iria ali fazer, e porque razão teria o endereço dali, num envelope, dentro do bolso. O que é certo é que, na manhã seguinte, ele está morto.

 

Alguém, de entre cada uma daquelas pessoas que ali estiveram, foi o responsável. No entanto, ninguém se acusa. Por outro lado, com a polícia a investigar, a fazer perguntas e a andar por ali, e a imprensa à procura de algo para publicar, resta-lhes unir-se no encobrimento do crime, do cadáver, e de qualquer prova que os possa denunciar.

 

Que motivo teria este sem abrigo para matar o casal? Será que se conheciam?
Ao tentar descobrir mais sobre o que poderá ter levado ao assassinato do irmão, e enquanto tenta lidar com a perda, o luto, e a mentira, Claire acaba por puxar o fio de uma meada que, ao desenrolar, revelará toda a verdade sobre os segredos mais ocultos das respectivas famílias, o que levou o assassino a cometer o crime, e quem lhe pagou para o fazer.

 

Em paralelo, a investigadora do homicídio, que tenta apurar toda a verdade e critíca o seu colega por se mostrar tão pouco interessado estará, também ela, a determinado ponto, na mira de um traficante, a quem ela forneceu drogas a troco de dinheiro, e da própria justiça, se aquele abrir a boca e contar toda a verdade.

Ainda mais, porque essas mesmas drogas que ela vendeu, foram responsáveis pelo suicídio de uma jovem.

Deverá ela cometer outro crime, para esconder o primeiro?

Terá ela coragem de desafiar tudo, para lutar e salvar a única pessoa que ama, ainda que isso a torne uma criminosa e fugitiva?

Ainda que queira esconder aquilo que, na sua profissão, teria o dever de desvendar? 

 

 

 

Diecisiete - um filme Netflix a não perder!

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Será que todos os jovens que estão em centros educativos ou outras instituições do género são delinquentes?

Será que todos os jovens que ali vão parar são mal-educados, pouco inteligentes, e sem vontade de mudar de vida?

Qual será a história de vida de cada um destes jovens, e de que forma essa história contribuiu para aquilo que hoje são?

O que estará por detrás de cada acto?

Serão, esses jovens, os casos perdidos da sociedade?

 

E o que acontece a quem sai fora da norma, e desses padrões definidos? A quem é diferente, a quem tenta ser diferente, a quem quer mudar?

Que influência poderá exercer a maioria, sobre as excepções, levando-as ao mesmo caminho?

Para aqueles que resistem, resta-lhes a solidão, o isolamento. Algo que eles até preferem, e a que já estão habituados.

Até ao dia em que, ainda que com pouca vontade ou contrariados, tenham que lidar com outros seres, como forma de terapia. Não com outros humanos, mas com animais. E, de um momento para o outro, surpreendemo-nos com o que daí resulta.

 

 

 

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Héctor é um desses jovens, com 17 anos, detido num centro de menores por delitos que tem vindo a cometer, o último dos quais o furto de algo que a avó, internada num lar, precisava para ter uma melhor qualidade de vida, uma vez que o aquecimento no seu quarto tinha avariado.

Como lhe fizeram ver, em tribunal, os fins não justificam os meios, mas é fácil perceber que Héctor não rouba por diversão, por prazer, e muitas vezes nem sequer para ele próprio.

Este adolescente é conhecido pelas suas fugas planeadas, que lhe garantem o isolamento que ele tanto quer.

Desde logo se vê que Héctor é um jovem inteligente, perspicaz, com um grande sentido de família, apesar de a sua estar separada, e uma enorme dificuldade de socialização, vivendo ali no centro sem amigos.

 

Quando lhe é proposto, tal como a alguns dos seus companheiros, tomar conta de animais vítimas de maus tratos, e treiná-los, Héctor não fica muito entusiasmado mas, com o tempo, acaba por criar uma bonita amizade com o cão “Ovelha”.

Até que, um dia, o “Ovelha” não vem. É-lhe explicado que o cão foi adoptado, e que ele poderá treinar outros, que também precisam.

Mas Héctor só quer o seu “Ovelha” de volta, e torna a fugir do centro, para recuperá-lo.

Só que o jovem está prestes a fazer 18 anos e, se se meter em algum problema ou sarilho, não voltará para o centro educativo, nem será julgado como menor.

 

 

 

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E é assim que Héctor, com a ajuda do irmão, de quem há muito está afastado, parte numa aventura para descobrir o paradeiro de “Ovelha”, juntamente com a avó, que está prestes a falecer.

Mais do que recuperar o seu amigo canino, poderá Héctor voltar a ter de volta o seu irmão, como antes?  

E se nunca encontrar o “Ovelha”?

Estará Héctor a colocar em risco a sua liberdade, em vão?

 

 

 

Depois d' "A Rede"...

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... acho que vamos andar todos desconfiados sobre aquelas pessoas que temos adicionadas no facebook, e que não conhecemos pessoalmente!

Não se vá dar o caso de ser um perfil falso, uma personagem inventada, uma pessoa fictícia.

 

 

A verdade é que, quando nos inscrevemos e utilizamos este tipo de redes sociais, sabemos os riscos e perigos que corremos, sabemos que nem tudo o que por lá se vê é verdade, que cada um diz e coloca lá o que mais lhe convém, e que há muito boa gente que faz, de enganar e manipular os outros, o seu modo de vida, sobretudo se conseguir lucrar alguma coisa com isso.

E se não sabemos, é porque somos mesmo muito ingénuos, ao ponto de acreditar em tudo o que vemos, sem desconfiar, sem duvidar.

 

 

Claro que, apesar de tudo isso, não estamos livres de sermos apanhados no meio de uma rede como esta, de que fala a reportagem de Conceição Lino.

A forma como é engendrada, de forma a que tudo pareça real e credível, torna mais difícil desconfiar de que algo não bate certo, até porque, por um lado, temos tendência a acreditar que ninguém tem necessidade de estar a enganar os outros e, por outro, temos tendência a solidarizar com as desgraças alheias e a criar empatia por quem por elas passa.

 

 

Hoje será transmitida a terceira e última parte desta reportagem, que nos mostra como Sofia conseguiu arrastar para a sua "rede", Nuno, Maria, Ana, Margarida e até Irene, mãe de Nuno.

E talvez aí se consiga perceber qual o principal objectivo de toda esta história inventada, o porquê de envolver estas pessoas, ou a necessidade de o fazer.

Para além de ter feito Nuno apaixonar-se pela imagem e personagem por si criada, ainda conseguiu arrastar outras pessoas desconhecidas, que com ela criaram laços por conta do seu drama, e que passaram a fazer parte da sua falsa vida.

 

 

Porquê? 

Por prazer em brincar com os sentimentos, emoções e vida das pessoas?

Para se sentir mais poderosa, capaz de controlar estas pessoas, e fazê-las jogar o seu jogo sem o saberem, como marionetas nas suas mãos?

O que ganhou esta mulher com toda esta trama inventada?

 

 

E sim, é perfeitamente normal que as pessoas envolvidas estejam revoltadas, e se sintam usadas, manipuladas, enganadas. Que se sintam frustradas consigo mesmas por terem estado tão cegas durante todo aquele tempo, por não terem desconfiado de nada, por terem engolido toda a história de boa fé, sem se questionarem.

 

 

No entanto, embora condenando a atitude desta mulher, não posso deixar de constatar que, apesar de tudo, ela acabou por, de certa forma, dar um sentido à vida destas pessoas que com ela se envolveram.

No caso de Nuno, apesar de todo o desgaste, abuso e chantagem emocional, durante aquele tempo, ele teve um objectivo na sua vida. Se precisava? Se calhar, sim. 

Não criticando a sua atitude, que qualquer um de nós poderia ter, a verdade é que sendo ele um homem bem resolvido, de bem com a vida, com o seu trabalho, amigos e família estruturada, que necessidade tinha de se envolver com alguém, desta forma, sem nem sequer a conhecer pessoalmente? 

A necessidade de se apaixonar. Faltava essa parte na sua vida, e foi por aí que a suposta Sofia atacou.

 

 

Quanto às restantes, todas afirmam que, a determinado momento, foi essa Sofia que lhes deu força e apoiou em situações mais delicadas que elas próprias passaram. Que acabaram por desabafar os seus problemas com ela, e de receber uma força do outro lado que não esperavam.

Ou seja, estas pessoas precisavam de alguém que as ouvisse, com quem pudessem conversar, sem julgamentos. E Sofia aproveitou-se dessa necessidade.

Por outro lado, o facto de apoiarem uma pessoa tão jovem, que sofria de cancro mas que, apesar de tudo, parecia sempre de bem com a vida e bem disposta, também lhes deu um sentido à vida, um propósito. Sentiam-se úteis, por ajudarem alguém. Mais uma vez, Sofia encarregou-se disso.

 

 

E por aqui se pode perceber que, quem planeia engendrar uma teia ou rede como esta, vai procurar pessoas que, à partida, sabe que precisam de alguma coisa, que estão mais susceptíveis, que fazem destas redes o seu escape do dia-a-dia, que procuram fazer amizades e travar novos conhecimentos nas redes sociais, que têm aquilo de que precisa para que mordam o isco.

São estratagemas planeados, bem estudados para que tudo bata certo, construídos ao pormenor, com tempo, e orquestrados por uma mente perversa ou, simplesmente, doente. 

Fazer várias vozes diferentes, e personagens diferentes, fingir uma doença, fingir lágrimas e desespero, inventar mortes de familiares, e acidentes, não é para todos.

Mas, que há pessoas capazes disso, e muito mais, lá isso há. E podem estar mais perto de nós do que pensamos, até mesmo no nosso grupo de "amigos" do facebook!

 

 

E por aí, têm acompanhado a reportagem?

Qual é a vossa opinião?

Já começaram a fazer uma limpeza nas vossas redes sociais, ou estão seguros das pessoas com quem falam?

 

 

Imagem: https://mag.sapo.pt/

 

Manchester By The Sea

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Fui só eu que não achei este filme nada de especial?

Depois de tanto ouvir falar dele, e como estava a dar na televisão, pedi ao meu marido para gravar.

Vi-o mais tarde, a andar uns bons momentos para a frente, tal a seca que estava a apanhar com o filme.

 

Cenas mais chocantes: aquela em que percebemos o que se passou, e que destruiu a vida de Lee, e aquela em que Patrick tem um ataque em frente ao congelador.

O mais irritante e, ao mesmo tempo, hilariante: aquela espécie de "bloqueio, ausência, apatia" de Lee, que parece "acordar" sempre uns minutos depois dos acontecimentos.

O mais divertido: a relação dupla de Patrick com as colegas.

 

O filme trata de situações trágicas, como a perda dos filhos por algo que consideramos culpa nossa, a morte precoce de um pai devido a doença, uma mãe alcoólica, a tentativa de sobrevivência após a tragédia, o enfrentar dos fantasmas do passado, perante um presente que não se desejou. 

 

Tinha tudo para ser um filme que marca, que toca, que mexe com o público. 

A mim, não conseguiu, infelizmente, nem chegar perto. 

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