Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Pequenas "mentirinhas" que nos vão contando...

png-transparent-the-adventures-of-pinocchio-the-fa

 

No futebol existem as faltas tácticas.

São cometidas, intencionalmente, com o objectivo de travar uma jogada de ataque perigosa. Ou com outra intenção que seja benéfica, naquele momento, para a equipa de quem as comete.

Ainda que saibam que estão a cometer faltas e, como tal, serão penalizados, compensa-lhes.

 

Na nossa vida, em vez de falhas tácticas, somos brindados com pequenas "mentirinhas" que nos vão contando e que, de certa forma, nos apaziguam temporariamente, embora depressa percebamos que não passam de conversa fiada.

Mentirinhas como "já estou quase a chegar", quando, muitas vezes, ainda nem de casa se saiu!

Ou do género "ainda hoje alguém entrará em contacto consigo", e nunca ligam!

 

Ontem, calhou-nos outra: "Ah e tal, demora cerca de uma hora, uma hora e meia"

Pois...

A minha filha chegou à loja perto das 14.30h. Disseram-lhe que só às 18h poderia ir buscar o equipamento. Portanto, 3 horas e meia! Que se transformaram em 4 horas, porque à hora prevista ainda não estava pronto.

 

E é isto.

Anda meio mundo a mentir, estrategicamente, a outro meio mundo, e vamos engolindo todas, sabendo que o são, umas mais fáceis de digerir que outras, porque, afinal, somos nós que precisamos das coisas.

 

Como lidar com alguém que tem cancro?

Resultado de imagem para dar as mãos

 

O cancro é uma doença bastante conhecida e, atrevo-me a dizer, muito temida e odiada por todos nós.

Ela é responsável por levar muita gente desta vida. Familiares, amigos, conhecidos...

E, se é verdade que nem sempre mata, e é possível vencê-la, uma vez, e outra, se for preciso, também é verdade que, por vezes, leva a melhor. E quando não é ela própria, é o "rastro" que ela deixa. Como se costuma dizer, muitas vezes, não se morre da doença, mas da cura.

 

Claro que, quando uma pessoa recebe um diagnóstico destes, muita coisa lhe passa pela cabeça. Acredito que deva ser uma mistura de sentimentos contraditórios. Por um lado, quer lutar e acredita que pode vencer. Por outro, só a palavra por si só é suficiente para a pessoa achar que está condenada, e nem lhe apetecer lutar, numa guerra que já está perdida, à partida.

Acredito que, da mesma forma que a pessoa vai buscar forças que nem imaginava que tinha, também se vai depressa abaixo, noutros momentos.

Além disso, suponho que tenha dois pesos em cima de si. O de ganhar coragem para a sua luta, e o de transmitir coragem a quem a rodeia. Mostrar, muitas vezes, aquilo que os outros esperam. 

 

Mas, pergunto-me, o que será que uma pessoa diagnosticada com cancro espera de quem a rodeia? De quem está ao seu lado? 

Lembro-me de ir visitar a minha tia. De lhe dizer que não podia estar a pensar de forma negativa. Que não deveria pensar que ia deixar as filhas, os netos. Porque é o que se espera que digamos. E porque queremos que assim seja. Mas, não estaremos a enganar-nos, a nós, e à pessoa?

Lembro-me de a ver chorar, resignada, por aquilo que sabia que a esperava, embora fosse suposto nós dizermos o contrário, e ela ter que mostrar que sentia o contrário, para não nos incomodar, e deixar ainda mais tristes. Mas, no fundo, ela sabia. E partiu pouco tempo depois.

Uma vizinha nossa, também a lutar contra um cancro, sempre que a via, estava com um ar abatido, de lágrimas nos olhos, ciente do seu destino. Os médicos diziam que era tratável, que tinha cura. Pois... mas a medicação excessiva para essa cura acabou por lhe tirar a vida. 

Ainda que cada uma das pessoas que falasse com ela lhe desse força, lhe quisesse tirar os pensamentos negativos da mente, e acreditar que tudo iria correr bem.

No fundo, parece que estamos a enganar a pessoa, a dar-lhe falsas esperanças. A dizer e mostrar algo em que nem nós acreditamos. Portanto, uma farsa.

 

Assim, de que forma nós, que estamos do outro lado, devemos lidar com pessoas com cancro? 

Com positivismo? Com realismo? Com fingimento? Com sinceridade?

A pessoa diagnosticada preferirá frases feitas, ainda que quem as pronuncia não acredite muito nelas? 

Preferirá verdade?

De que forma podemos ou devemos apoiá-la, sem pintar um quadro negro derrotista, mas também sem mascarar a situação, enchendo-a de uma cor que não tem?

Ainda que encaremos, pra nós, a situação de uma forma realista, devemo-la expôr? Ou ficar em silêncio?

Devemos andar ali com "paninhos quentes", e "pezinhos de lã"? Ou mostrar que a batalha é dura, poderá não ser ganha, mas estamos ali, para o que for?

 

A frase que mais se adequa à minha forma de pensar, e que me vem logo à mente, é "Always expect the best, prepared for the worst...", ou seja, esperar sempre o melhor, mas estando, ao mesmo tempo, preparado para o pior.

Quer quem está a passar pela doença, quer para quem está do outro lado.

 

Mas só quem já passou por isso, ou quem está a passar, poderá dizer aquilo que, verdadeiramente, quer e espera de quem está ao seu redor.

 

 

Estratégia para enganar ou mera falta de visão minha?

Resultado de imagem para descontos

No hipermercado onde costumo fazer as compras, são vários os fins de semana em que têm campanhas especiais para os clientes, que consistem em dar vales de 10 euros, por um determinado valor em compras (que nem sempre é o mesmo), vales que poderão ser utilizados posteriormente, em futuras compras, de valor igual ou superior.

 

Por norma, têm vários cartazes, na entrada e espalhados pela loja, a anunciar.

Nesses cartazes, o que mais salta à vista, em tamanho grande, é o número 10. O resto vem em tamanho mais pequeno.

No passado sábado, quando entrei, vi o tal cartaz com o número 10. Em letras mais pequenas, dizia que a oferta respeitava a compras no valor de 40 euros, e era limitada a 80 euros de compras.

 

Ora, o meu cérebro, habituado à campanha dos vales, associou automaticamente a oferta a essa campanha. 

Claro que não estive a fazer compras de propósito para chegar a esse valor, mas até ultrapassou, e estava convencida de que iria ganhar dois vales.

 

Afinal, e depois de ir confirmar a informação de forma mais detalhada, após interpelar a funcionária para a oferta, percebi que o 10 gigante se referia a 10% de desconto no valor das compras, a acumular em cartão.

Terá sido estratégia para enganar quem lá fosse ou, simplesmente, falta de visão minha?

Agora que penso nisso, a verdade é que o tal limite de 80 euros não faz qualquer sentido, porque os 10% que acumulou no cartão foi do total da minha conta, que era superior a 80 euros.

 

Pelo sim, pelo não, vou estar muito mais atenta das próximas vezes que for às compras.

 

Nesse mesmo supermercado, e a propósito das falsas promoções que apregoam, reparei no outro dia que uma embalagem de rolos de papel higiénico, que costumo comprar a € 2,99, estava em promoção.

Só que a dita promoção, apregoada por eles, era de um desconto de 2 euros (de € 3,99 para € 1,99) quando, na verdade, o desconto era apenas de 1 euro. Em vários meses que compro o mesmo papel, ele nunca custou € 3,99.

 

 

Será verdade que "toda a gente tem um preço"?

Resultado de imagem para preço

 

Se há coisa que me irrita é deparar-me com pessoas falsas, que têm duas caras, que mudam de opinião conforme mais lhes convém, e que tentam desculpar, defender ou, até gabar, aquilo que, antes, criticavam.

 

O meu marido começou, há uns anos, a falar com um senhor que acabava por ser seu colega de profissão, embora em empresas e funções distintas.

Nessa altura, e por aquilo que o meu marido me ia contando, percebi que era alguém que defendia com unhas e dentes a empresa onde trabalhava, como se estivesse a ser pago para dizer bem dela.

Não digo que cada um não fale por si, e da sua experiência pessoal e, se esta é boa, não pode dizer o contrário. Mas a forma como essa pessoa defendia e gabava a empresa, mesmo quando confrontado com situações que apontavam no sentido inverso, fez-me passar a vê-lo como alguém não confiável.

De há uns tempos para cá, desconfio muito de pessoas que se mostram logo muito amigas, muito prestativas. E, de algumas pessoas com quem nunca fui muito à bola, esta foi uma delas.

 

O dito senhor foi, até há pouco tempo, um activista no sector, no sentido de alertar para as más práticas das empresas, a nível geral, de incentivar à denúncia, de ajudar os colegas a resolver as suas questões, de contactar entidades competentes e fazer de intermediário.

Fê-lo porque quis. Perdeu uma boa parte do seu tempo a dedicar-se a isto, porque quis.

Fundou, inclusive, juntamente com outros, um sindicato para defender os trabalhadores.

 

Como em tudo na vida, quando alguém se mete nestas coisas, há sempre quem apoie e quem desconfie das boas intenções. E isso dá azo a guerras e picardias. A acusações de parte a parte. A lavagem de roupa suja e baixarias, a que nem vale a pena dar importância.

Não tenho dúvidas de que esta pessoa terá feito, em determinado momento, um serviço público a alguns trabalhadores e ajudado, de facto, muitos deles. Acredito que, em determinada altura, tenha lutado pela classe.

Mantive a minha opinião, sem dar relevância ao que se ia ouvindo sobre a pessoa, porque, nestas coisas, é fácil difamar e acusar alguém quando não se vai com a cara dele, ou quando consegue aquilo que outros também queriam, mas não conseguiram.

 

O dito senhor mudou, entretanto, para uma outra empresa, onde trabalha o meu marido. 

Até então, o senhor denunciava todas as empresas em incumprimento. Apenas aquela em que trabalhava cumpria as normas. Agora que é gestor de clientes desta empresa, é esta que ele defende, argumentando que nenhuma cumpre a lei a 100%, e desvalorizando as situações que estão a ser denunciadas.

 

O que é que mudou?

Porque é que lhe custa tanto admitir o que está à vista de todos?

Será mesmo verdade que toda a gente tem um preço?

 

No passado mês de Janeiro, os salários não foram pagos no final do mês. Ainda há pessoas que não receberam subsídios de refeição. O meu marido é um deles.

 

Mas o dito senhor vem dizer que nada está em atraso!

Insiste em defender a empresa.

Diz-se que é pelo cargo que tem, pelo ordenado que já lhe foi pago, e pelas regalias que a empresa lhe ofereceu.

Que ele tenha aceitado o cargo e pensado primeiro em si, ninguém tem que criticar. Se a empresa já lhe pagou a ele, e aos outros não, também não é algo que dependa dele. Faríamos o mesmo no seu lugar. Que se abstenha de falar da empresa, também compreendo.

 

Mas tapar o sol com a peneira e ainda gozar com o mal dos outros, isso não.

Para que percebam a dimensão do problema, vejam a reportagem que deu ontem na SIC, no Jornal da Noite, sobre o mesmo.

Ou AQUI.

A realidade é uma só: existem vencimentos em atraso, bem como subsídios de refeição ainda por receber.

 Os problemas, para mim, são vários: junta-se o Estado, que é o pior pagador/ devedor do país, a empresas que, para ganharem os concursos, praticam preços baixos, que não lhes permitem sustentabilidade para pagar os trabalhadores de que necessitam.

Depois, haverá, provavelmente, um problema de má gestão. E uma enorme falta de honestidade por parte da empresa que se vale de desculpas que não explicam, e nas quais é difícil de acreditar.

E quanto mais vão mentindo, ocultando, inventando, mais difícil se torna manter a pouca credibilidade que ainda tivesse.

É certo que honestidade não paga as dívidas ao final do mês, nem põe comida na mesa. Mas preferia ver um chefe ou patrão que se chegasse à frente e esclarecesse a situação aos trabalhadores: a empresa não tem dinheiro para pagar tudo, o que há é isto, só podemos pagar isto, para que todos possam receber alguma coisa (ou ninguém recebe nada), não sabemos quando ou se conseguiremos pagar o resto, e cada um é livre de ficar e esperar ou de sair, sem prejuízo.

Tão simples como isto.

Só não queiram é fazer os outros de parvos.

E, quanto ao dito senhor, se por força da sua posição na empresa e assegurado o seu salário e regalias, estiver obrigado a não falar mal da mesma, que se abstenha de certos comentários e de ostentar a sua sorte, face ao enorme azar geral dos outros.

"Atirar areia" para os olhos do público

xpinoquio2_opt.jpg.pagespeed.ic.POoEgWoIBd.jpg

 

Ninguém gosta de ser enganado.

Que o façam de parvo.

Que o tomem por idiota.

Que lhe atirem "areia para o olhos".

 

E o público, que sempre apoiou e esteve presente, ao longo da carreira de um determinado artista, não é excepção.

O público pode parecer iludido, "amestrado", incondicionalmente fiel e devoto mas, quando percebe que está a ser ludibriado, facilmente se volta contra aqueles que, antes, defendeu.

Não há nada como a verdade e, com ela, pode-se ganhar ainda uma maior admiração pelo artista.

Sem ela, o público que, ontem, era defensor pode, hoje, tornar-se o inimigo. O público que, ontem apoiava pode, hoje, criticar e condenar, se se sentir enganado.

 

 

E vem isto a propósito de quê?

Poder-se-ia aplicar a vários artistas mas, refiro-me, em específico, a Raquel Tavares que, há umas semanas, tinha dado uma entrevista emotiva e aparentemente, sincera, na qual anunciava o fim da sua carreira como fadista, porque estava cansada de ser uma figura pública, com tudo o que isso acarretava. Frisou que queria dedicar-se a outras áreas, de preferência, de forma anónima.

 

Ora, ela tem o direito de fazer o que bem quiser com a vida dela, sem ter que dar satisfações a ninguém. E dedicar-se ao que bem entender, que ninguém tem nada a ver com isso.

Mas, a partir do momento em que dá a entrevista que deu, com o ênfase que lhe atribuiu, com a tristeza e mágoa com que o fez, e com as declarações que prestou, as suas decisões tomam uma outra proporção.

Partiu-se do princípio que o fez com verdade.

Para, logo em seguida, ela própria contradizer as suas palavras, com as suas acções.

Uma pessoa que está saturada da exposição pública, e de ser figura pública, não deixa de ser fadista para ser atriz! Uma pessoa, que diz que já não gosta de cantar, não continua a fazê-lo.

 

É, por isso, normal que, agora, seja acusada de ter enganado o seu público, de a sua entrevista e decisão não passarem de uma farsa ou, talvez, de uma estratégia de marketing para o que aí vinha.

Não teria sido tão mais simples ser honesta, e afirmar apenas que queria fazer uma pausa na sua carreira como fadista, para se dedicar a outros projectos? Ninguém a iria criticar. Ninguém teria nada a apontar.

Mas fazer aquele "teatro" todo, mostra-se no papel de vítima do mediatismo, para depois continuar a ser mediática? Só fez com que ficasse totalmente descredibilizada.

 

Apenas me pergunto como irá ela lidar com este mediatismo resultante da TV, quando não o conseguiu "supostamente" fazer enquanto fadista?