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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Tipos de pais numa reunião escolar

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- Os que entram mudos e saem calados (basicamente o meu caso) - as minhas dúvidas acabam por ser esclarecidas através das questões dos outros pais, por isso, digo boa tarde, passo e assino o que há para anotar e assinar, peço a declaração de presença e despeço-me.

 

- Os colocam questões pertinentes e úteis - são poucos, mas existem

 

- Os que fazem aquele ar surpreendido quando ficam a saber que os filhos não são tão santos como pensam - uma vez uma mãe perguntou à professora se o filho era um dos alunos que tinha ROND (registo ocorrência natureza disciplinar) e a professora disse que o filho era dos que tinha mais

 

- Os que criticam os filhos e os deitam ainda mais abaixo

 

- Os que, pelo contrário, gabam os filhos o mais que podem - uma vez uma mãe andava à procura do trabalho do filho, para se sentar na cadeira respectiva, e a professora indicou-lhe o lugar errado. A mãe virou-se para mim e disse logo, naquele tom depreciativo "eu vi logo, a minha filha não faz estes desenhos". A mesma mãe, a propósito de um livro que saiu, e do qual outra mãe falou, fez questão de informar os presentes que a capa era da autoria da filha.

 

- Os que aproveitam para fazer queixinhas dos colegas dos filhos

 

- Os que quase contam a vida toda na reunião, com direito a drama e muitas lágrimas para reforçar a ideia - já aconteceu numa das reuniões

 

- Os que vão à reunião mas aproveitam para falar de tudo menos do que ali se está a discutir

 

- Os pais que também são professores, e acabam por dar umas quantas sentenças e meter-se no trabalho e na reunião da colega

 

- Os que entram tarde e saem cedo

 

- Os que nem sequer aparecem

 

 

Querem acrescentar mais algum? Estejam à vontade!

No Limiar dos 18

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Gravei este filme para ver com a minha filha, no fim de semana. 

Embora ela esteja na fase dos filmes de terror, achei que poderia ser uma boa opção ver um filme de, e sobre, adolescentes, já que ela própria se encontra nessa fase da vida.

 

No início do filme, ficamos a conhecer Nadine, uma jovem de 17 anos que está completamente perdida na vida, sem noção do que é certo ou errado, e que toma atitudes loucas, umas atrás das outras.

Entretanto, recuamos no tempo e vemos Nadine e o seu irmão Darian, em crianças, a ir para a escola. O pai a conduzir, a mãe ao seu lado, e eles atrás. E é aqui que percebemos como a família é: o irmão autoconfiante e extrovertido, que se relaciona bem com todos e integra-se facilmente em qualquer grupo; Nadine, uma criança calada e introvertida, vítima de bullying, que não quer ir à escola e por isso faz birra e obriga a mãe a fazer todos os dias uma verdadeira ginástica para a arrancar do carro; o pai, um homem ponderado e brincalhão, que é o grande apoio de Nadine; e a mãe, uma mulher um pouco fútil e sem capacidade para entender ou ajudar a filha, preferindo o seu menino bonito e bem comportado.

 

 

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A vida de Nadine muda um pouco quando conhece Krista, e se tornam melhores amigas, ainda na infância, uma amizade que se prolonga pela adolescência até que, um dia, Krista começa a namorar com o irmão de Nadine.

 

 

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E é assim que a vida de Nadine começa a descambar. Depois de ter perdido o pai, o seu grande amigo, Nadine "obriga" Krista a escolher entre a amizade ou o amor, levando a que Krista lhe faça a vontade, e escolha o seu irmão.

Nadine não tem amigos, não se enquadra em lugar nenhum, nem consegue conviver com os restantes jovens da sua idade. 

Vive em guerra com o irmão, e com a mãe.

 

 

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E começa a passar as suas horas de almoço, na escola, na sala de aula com o professor, Mr. Bruner. 

Em todo o filme, esta foi a personagem que mais gostei.

Qualquer estudante gostaria de ter um Mr. Bruner na sua vida - mais que um professor, um educador, um amigo, uma espécie de psicólogo também. A sua paciência, e a capacidade para lidar com Nadine é fora de série. 

 

 

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Há uma cena em que ela chega ao pé dele, senta-se e diz que se vai suicidar. E ele, fingindo ser apanhado de surpresa, diz-lhe que também tinha essa ideia, pega numa folha, e finge que lê o seu próprio bilhete de despedida.

 

 

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Assim, enquanto vê todos à sua volta felizes, Nadine sente-se a mais, só quer desaparecer. E nem está minimamente interessada no seu colega Erwin, que gosta dela. 

 

 

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O seu coração bate por Nick e, num dia em que está completamente fora de si, escreve uma sms para ele, bastante explícita e até obscena, que acaba mesmo por enviar por engano.

Desesperada, recorre mais uma vez a Mr. Bruner, que a aconselha a relaxar, tirar a tarde, ir comer um gelado e, se precisar e as coisas correrem mal, a ligar para ele.

Quando Nick lhe retribui a sms, com um convite para sair, Nadine fica eufórica e produz-se de tal forma que a transformação é grande, e ela fica muito bonita e feminina.

Só que Nadine, ingénua, achava que era uma saída romântica quando o que Nick queria mesmo, era passar à acção, tal como ela tinha mencionado na mensagem.

Nadine percebe então que foi um erro, e teve a sorte de o poder desfazer a tempo, saindo do carro. Poderia não ter corrido tão bem, e ter destruído ainda mais a sua vida.

 

 

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É o professor que acaba por ir buscá-la e levá-la para casa, onde ela tem oportunidade de conhecer a sua mulher e o filho de ambos.

É também aí que ela leva uma bofetada sem mão do irmão, que passou a noite à procura dela, e que sempre esteve lá para tomar conta dela, e resolver os problemas pela mãe, para tentar manter o que resta da família de pé,com uma responsabilidade nas costas que não deveria ser sua. E que lamenta que estar com a única pessoa que o faz feliz (a namorada Krista), significa estar a destruir-la (a irmã).

Foi o abre olhos que Nadine precisava para deixar de se fazer de vítima, e começar a agir correctamente, fazendo as pazes com o irmão e a amiga, e dando uma oportunidade a quem realmente gosta dela, e que ela sempre menosprezou.

 

 

 

Quando miúdos pequenos têm que se desenrascar sozinhos

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Antigamente, era habitual irmos para a escola sozinhos, muitas vezes a pé, fizesse chuva ou sol. Não havia pai nem mãe para nos levar ou buscar.

Se recuarmos ainda mais, ao tempo dos nossos pais, era normal ainda antes de irem para a escola, fazer algum recado, ir buscar o leite ou o pão, ou algo do género.

 

Actualmente, e eu sou um bom exemplo disso, desde que a minha filha entrou para o Jardim de Infância que, sempre que posso, vou levá-la e buscá-la, seja a pé ou de carro. E, quando nem eu nem o meu marido podíamos, ia o avô.

Quando ela foi para o ciclo, teve mais liberdade, mas continuo a fazê-lo, se os horários derem para isso.

A primeira vez que quis ir visitar a antiga professora à escola primária, deixei, mas com indicações para ter muito cuidado com as passadeiras, os carros, e para ligar à saída e à chegada.

Ainda hoje, não deixo a minha filha andar muito na rua sozinha.

 

E é por isso que olho para alguns miúdos pequenos, muito mais novos que a minha filha, a irem sozinhos para a escola, com uma mistura de admiração mas, ao mesmo tempo, receio pelo que lhes possa acontecer, e alguma pena, por não terem ninguém que os acompanhe.

Há uns tempos, quando ia com a minha filha, precisamente para deixá-la na escola e seguir para o trabalho, vi um rapaz pequenino, com uma mochila que tinha quase o mesmo tamanho que ele às costas. Ia sozinho. Mal conseguia andar. Achei graça ao miúdo. Ele, propositadamente ou não, acabou por ir ao nosso lado, e estive quase para lhe perguntar se queria ajuda, se queria que lhe levasse a mochila. Mas depois, achei melhor estar quieta, não fosse o miúdo assustar-se, afinal, eu era uma estranha.

 

Hoje, estava a ir para o trabalho, e o miúdo ia à minha frente. O meu pai também ia mais à frente, e o miúdo perguntou-lhe se vinha algum carro, para poder passar. Depois, agradeceu. Não é para todos. A maior parte, até mais velhos, não diria nada.

De repente, o miúdo vira-se para trás e vê-me. Faz uma festa, a rir e a dizer olá, como se já nos conhecessemos há muito tempo e eu fiquei naquela "é comigo?!".

Disse-lhe olá, e ele esperou por mim, para ir para cima comigo. Anda na primária, no 2º ano. Diz que está habituado a ir sozinho, e que a mãe não pode, porque está a tomar conta da irmã mais nova. Conversámos um bocadinho, enquanto caminhávamos.

Quando páro para colocar comida aos gatos, ele fica ali comigo mas depois, preocupado,pergunta-me as horas e diz que tem que ir andando, para não chegar atrasado. E lá foi ele, a correr, porque o caminho até à escola ainda é longo. Se tivesse mais tempo, tinha ido com ele até meio do caminho.

 

Sim, o miúdo é pequeno, mas teve que aprender a desenrascar-se sozinho. Estará mais preparado que muitos mais velhos. Mas, ainda assim, sinto que ele não se importava de ter companhia, e que se sentiria mais seguro se alguém estivesse com ele.

Simpatizei mesmo com o miúdo, apesar de não ter jeitinho nenhum com crianças. Espero reencontrá-lo um dia destes novamente.

Como é que uma mãe se prepara...

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...para uma possível retenção escolar de um filho?

 

Quando os nossos filhos vão para a escola, e começam a tirar boas notas, ficamos felizes da vida, achando que está tudo encaminhado, e vai sempre correr tudo bem.

Nessa altura, só nos preocupa o facto de uma ou outra nota baixar um pouco em relação ao habitual, mas temos esperança que tenha sido uma vez sem exemplo.

 

Quando a responsabilidade começa a ser maior, e o número de disciplinas também, aumenta o receio de que as coisas possam mudar. Mas, quando chega o primeiro teste com nota negativa, é sempre um choque! Porque não estamos habituadas a isso, estamos acostumadas às boas notas, e apanha-nos totalmente desprevenidas.

 

Passado o choque inicial, o impacto provocado pelos próximos testes negativos causa menos estragos. Até porque vão alternando com positivas, e os professores são generosos e até dão boas notas no final.

 

Entrei neste ano lectivo da minha filha, com a noção de que seria um ano difícil, e que ela poderia não estar preparada para algumas disciplinas, nomeadamente, História. Iniciámos, cientes de que a possibilidade de vir a ter negativa a esta disciplina poderia ser real. 

A verdade, por muito que nos custe, e apesar de ser este o "trabalho" deles, é que as crianças não têm obrigação de ser boas a tudo. Há disciplinas para as quais terão mais aptidão que outras, e isso não é caso para desespero. E uma negativa não impede a passagem de ano.

Claro que também entrámos com o espírito - vamos lá dar tudo o que temos, e conseguir o melhor possível. Assim, depois de umas notas bem melhores que no ano anterior, nos primeiros testes, surge a primeira negativa - a História, como já esperávamos. Não custou tanto, porque já era algo para o qual estava preparada.

E, aí, surge a segunda negativa, a Físico-Química. Mais uma bofetada, mas vamos lá encher-mo-nos de positivismo, para contrariar e dar a volta a estes resultados.

 

Até que chega a avaliação intercalar e...três negativas - aquela a que ela tem-se safado sempre, e que eu não condeno, porque também para mim era sempre o meu calcanhar de Aquiles - Educação Física.

De um momento para o outro, percebemos que um filho está em risco de retenção. Claro que ainda estamos no primeiro período, que ainda foram só os primeiros testes e tudo pode mudar, e que os professores não iriam, provavelmente, reter um aluno assim, sem ponderar onde poderiam puxar uns cordelinhos.

Mas eu não gosto do incerto.

 

Tentámos perceber em qual destas disciplinas haveria mais hipóteses de recuperar. A História, dificilmente. Educação Física, tendo em conta o professor deste ano, idem. Se até aos rapazes que sempre tiveram boas notas, foi parco na avaliação. Resta-nos a Físico-Química. E tentar não baixar nas restantes, o que também já começa a ser complicado de gerir.

Os próprios professores já avisaram que eles podem contar com cada vez mais dificuldades, e que os testes não serão mais fáceis, pelo contrário. 

 

Os segundos testes já estão aí, e já houve baixas, embora dentro da positiva, que me deixaram em alerta máximo.

É estranho, porque a minha filha não é daquelas crianças que segue o modelo da estabilidade, dentro do que é pedido. Ora tira grandes notas, ora tira notas fraquíssimas. É capaz de tirar 80/90 a determinadas disciplinas, e 20/30 a outras! Anda sempre em picos, em altos e baixos, o que só prova, mais uma vez, que não é uma questão de dificuldade geral, é falta de aptidão, motivação ou interesse, por algumas das disciplinas que lhe são impostas.

 

Sim, é só o primeiro período. Mas dou por mim, consciente ou inconscientemente, a preparar-me para uma possível retenção escolar. E de que forma é que isso me afecta? De que forma é que encaro essa possibilidade?

E, mais importante, em que é que isso a afectará?

 

Vai perder os colegas que seguirem em frente, e começar de novo no que respeita a integração numa nova turma.

Vai perder um ano de estudos, mas há tanta gente que os perde em determinadas fases da vida - seja em anos sabáticos, a fazer disciplinas que ficaram para trás, à procura de emprego. 

Vai ouvir tudo de novo, e talvez consiga perceber melhor e adquirir os conhecimentos que faltaram no ano anterior. É para isso que serve, afinal, a retenção, e não para andar lá mais um ano a passear, como muitos fazem.

 

Se isto significa que estou resignada? Nem por isso. Nem quero, porque senão daqui a pouco dou por mim a achar normal duas ou três retenções!

Continuo a insistir com ela para que dê o máximo que consiga, para que safar-se, nem que seja com duas negativas mas, de preferência, sem elas.

Mas que já vi essa hipótese mais remota, não posso negar...

 

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