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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O que vale mais para um escritor?

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Vender o seu livro e tentar reaver o seu investimento, mesmo sabendo que o livro nunca será lido e que lhe espera um lugar numa qualquer prateleira, juntamente com tantos outros, que por lá permanecerão eternamente?

 

Ou esperar o tempo que for preciso, mas ter a certeza que está a vender a alguém que irá ler o seu livro, seja porque gosta do género, por curiosidade, ou amabilidade para com o autor do mesmo?

 

E quando as vendas revertem para causas sociais?

É legítimo colocar entraves, ou abdicar dessa ajuda, só porque o livro não terá um destino digno?

O que sente um escritor quando termina uma obra?

 

O que será que sente um escritor no momento em que acaba de escrever a sua história?

Alívio? Alegria? Uma sensação de missão cumprida, talvez.

Acredito que seja algo assim. Mas, e em relação à história, será que conseguem pegar nela, agora que está acabada, e voltar a lê-la do início ao fim?

Não faço ideia, mas poso-vos dizer que já experimentei, e não consegui!

Já li e reli tantas vezes a história que escrevi, nessa altura, por partes, que agora não consigo nem ouvir falar daquelas personagens, quanto mais estar a ler tudo!

Acho que vou ter que ler outros livros por enquanto, até me desligar daquela história, e só então pegar nela com outra disposição, e lê-la como se fosse a primeira vez.

 

À Conversa com Hugo Pena

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Imagem www.jornaldoalgarve.pt

 

O meu convidado de hoje nasceu no Montijo, mas há mais de 25 anos que reside no Algarve.

Para além de instrutor de condução, Hugo Pena participa também em vários projetos ligados à cultura e literatura no Algarve.

Gosta de escrever e ler vários géneros literários, como Ensaios, Poesia, Romance e principalmente o Romance Policial.

 

A sua primeira incursão na escrita ocorreu em 2013, quando escreveu o policial “Porquê Eu?”, que conta a história de uma arquiteta de sucesso que, numa altura em que o seu casamento atravessa uma crise, recebe um dom inesperado, que lhe permite ajudar a descobrir vários homicídios, sendo o seu marido um dos principais suspeitos.

 

Em 2014, lançou o seu segundo romance policial “Justiça Cega”, que relata a história do rapto de Joana Gomes, uma criança de tenra idade, cujo desaparecimento despoleta transtornos diversos nos pais, na comunidade escolar e nas instâncias policiais.

 

A apresentação de “Justiça Cega” ocorreu na Biblioteca Municipal de Castro Marim, e foi com este livro que conquistou, em 2015, o prémio “Escritor do Ano 2015”, atribuído pela Arte, associação que, no Algarve, promove e premeia a nível nacional quem se distingue em diversas áreas culturais.

Pedro de Oliveira Tavares, que assina o prefácio de «Justiça Cega», afirma que nesta obra “o autor chama a atenção para alguns perigos da nossa sociedade, como, por exemplo, os riscos escondidos nas redes sociais ou os fenómenos da prostituição e dos abusos sexuais”.

Hugo Pena está hoje connosco para nos falar um pouco mais sobre si e o seu trabalho.

 

 

O que leva um instrutor de condução a aventurar-se no mundo da escrita?

Olá. Antes de mais, quero agradecer-lhe a possibilidade de mostrar um pouco mais de mim e do meu trabalho nesta entrevista. Espero que as pessoas que a leiam possam passar a ter o meu trabalho debaixo de olho e lhes aguce o apetite para lerem as minhas duas obras, especialmente a última.

Para ser sincero, nem eu sei bem a resposta a essa pergunta. Era um desejo que tinha desde há uns anos a esta parte. Ganhei o gosto pela leitura, talvez um pouco tarde, já depois dos vinte e cinco anos e desde aí comecei a perceber que um dia gostava de escrever um livro. Curiosamente, comecei a escrever o primeiro livro de

forma um pouco caricata. Um aluno tinha faltado a uma aula de condução, sem avisar, e como fiquei aquela hora livre decidi começar a fazer um rascunho da história que pretendia. A partir daí foi escrever e apagar quase diariamente. Apaguei muitas vezes e cheguei à mesma conclusão que o saudoso e mestre da nossa literatura, José Saramago: “Os computadores são ótimas máquinas de apagar”.

Ainda hoje não me lembro qual o aluno que faltou – devo-lhe esse agradecimento.

 

Porquê a escolha do género policial para estes dois primeiros trabalhos?

A resposta é simples: porque são os meus géneros favoritos – policial e romance policial. Também gosto de outros géneros, tal como indica na apresentação, mas esses dois são os meus preferidos. Gosto de ação, suspense, mistério, thriller e investigação.

 

Qual tem sido o feedback que tem obtido por parte do público relativamente a “Porquê Eu?” e “Justiça Cega”?

O “Porquê Eu?” foi o primeiro. Foi com ele que iniciei a minha vertente de escrevente. Sim, escrevente e não escritor. Um escritor é aquele que é capaz de transformar o que escreve numa verdadeira obra literária: eu ainda não sou escritor. Divirto-me a escrever o que gosto, como gosto e onde gosto. Vou escrevendo as minhas histórias e tentando aperfeiçoar a escrita. Repare, os meus leitores dizem ter notado uma boa evolução do primeiro para o segundo – e eu também notei. Porquê? Porque estamos sempre a aprender e ao escrevermos mais, temos tendência a evoluir. No primeiro nem tudo foi perfeito; existiram situações que já não vemos no segundo – umas por inexperiência, outras por desconhecimento e algumas por confiar demasiado nos outros. Frequentei alguns cursos de escrita criativa, li mais sobre a vertente da escrita e, neste momento, sinto-me mais capacitado para fazer mais e melhor. No entanto, o feedback foi bastante positivo. É claro que não podemos agradar a todos, mas as críticas, sejam elas construtivas ou destrutivas, são sempre bem-vindas – dou o peito às balas, pois só assim podemos crescer enquanto escreventes e, mais tarde, enquanto escritores. Para a primeira vez, ter a Biblioteca de Castro Marim completamente cheia com cerca de duzentas pessoas na apresentação da minha obra, sendo a primeira vez que a mesma encheu para a apresentação de um livro, é um enorme motivo de orgulho.

“Justiça Cega” foi um trabalho mais elaborado e mais cuidado que o primeiro, fruto já de alguma experiência e conselhos acumulados. Tem sido muito importante o excelente feedback por parte dos meus leitores, aos quais agradeço a sua sinceridade nas opiniões emitidas e nos conselhos que me têm dado. Já tive uma crítica bastante

positiva num blogue brasileiro “Amoras com Pimenta”, que me deixou bastante satisfeito e, ao mesmo tempo, algo perplexo por “Justiça Cega” também dar que falar no Brasil.

Em ambos, tento sensibilizar as pessoas para algum flagelo social e, neste último, o facto de uma criança de treze anos ter sido raptada e agredida fisicamente, psicologicamente e sexualmente, mexeu muito com as pessoas, ao ponto de dizerem que estavam a sentir-se tão entranhadas na personagem da menina, que parecia que eram elas que estavam a viver aquela história. Muitas disseram-me que choraram bastante, que sentiram angústia, revolta, raiva e vontade de fazerem elas a sua própria justiça e quando se consegue que os leitores tenham esses sentimentos e reações, é porque a mensagem chegou exatamente como eu queria: tocou-lhes.

 

“Justiça Cega” valeu-lhe o prémio de “Escritor do Ano 2015”. Qual é a sensação de ver o seu trabalho reconhecido desta forma? Foi algo inesperado?

Sinceramente, foi algo que não esperava. Tenho apenas dois livros editados e ser distinguido logo no segundo livro que escrevo, é algo que não me passava pela cabeça. A sensação é ótima, como deve calcular, mas ganhar o galardão Estrelas d’Arte para “Escritor do Ano 2015”, entre mais quatro nomeados com excelentes trabalhos, era algo que não pensava poder concretizar-se. Outras personalidades foram distinguidas, desde o desporto (Telma Monteiro) ao fado (Ana Moura), passando pela melhor banda (Amor Electro), melhor ator (Ruy de Carvalho), revelação do ano (Lívio Macedo), personalidade do ano (Papa Francisco), melhor jornalista (José Ataíde). É um orgulho ver o meu nome entre estas personalidades.

Assim foi e é sinal que “Justiça Cega” mexeu mesmo com os leitores.

 

Tenho lido vários comentários que referem que “Justiça Cega” é um bom livro para todos os pais lerem, uma espécie de alerta para os perigos que os seus filhos podem correr na atualidade. Concorda com esta opinião?

Absolutamente. Esta história é exatamente um alerta que tento fazer aos pais, crianças e adolescentes, acerca dos perigos escondidos (ou não) na nossa sociedade. Temos a tendência para pensar que as coisas más só acontecem aos outros, mas quando nos tocam à porta, a coisa complica-se e damos conta que não é bem assim. Há um rapto, agressões físicas, psicológicas e sexuais, prostituição, uso descontrolado das redes sociais, tentativa de fuga do cativeiro, homicídios, tentativa de fazer justiça pelas próprias mãos, investigações policiais e forenses…enfim, uma série de situações que não deixam o leitor indiferente.

Note que este livro já foi utilizado por vários alunos no final do ensino secundário para a realização de vários trabalhos acerca destes temas. É muito gratificante vermos o nosso trabalho como uma «referência» para estes jovens e adultos e as solicitações para a minha presença nas escolas para falar aos alunos e professores acerca deste livro.

 

Como mãe que sou, pergunto-lhe se não existirão neste livro cenas demasiado chocantes para um pai ou uma mãe lerem?

Sim, existem. Sou daquelas pessoas que entende que as coisas têm de ser ditas e escritas com o maior realismo possível, sabendo de antemão que podem provocar algum desconforto em algumas pessoas mais sensíveis. Mas se não o fizesse, estava a ir contra os meus princípios e ao escrever apenas como algumas pessoas querem ou gostam, deixava de ser eu: dessa forma, estava a prostituir a minha escrita. No entanto, a crítica dos meus leitores refere que é um livro que se lê bastante bem, tem uma escrita simples e fluida, de fácil entendimento, que se lê num abrir e fechar de olhos, que prende o leitor do início ao fim (sempre na expetativa para ver o que se vai passar mais à frente – os capítulos curtos acabam por ajudar nesse sentido) e, o melhor de tudo: os leitores dizem que sentem tanto realismo nas descrições que faço, que se sentem personagens daquela história.

 

A justiça pode, por vezes, ser mesmo cega?

Pode e é, muitas vezes. Terão oportunidade de verificar isso neste livro. É ficção, mas podia ser bem a realidade, infelizmente.

 

Sendo o Hugo um fã do género policial, que romance policial mais gostou de ler, de outro autor?

Gosto de tudo o que é policial ou romance policial. Logicamente, gosto mais de uns do que de outros. É difícil escolher um entre vários, mas talvez a minha escolha recaia sobre: “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, “O Boneco de Neve”, de Jo Nesbo e “A Ameaça”, de Ken Follett. Mas atenção, gostei muito de outros dos mesmos autores e de outros que não referi e, não sendo o género totalmente policial, gosto muito da escrita de José Rodrigues dos Santos.

 

Vamos poder contar com uma nova obra brevemente?

Acho que sim. Atualmente estou a escrever outra história – também ela aborda um flagelo social – e julgo ter os ingredientes necessários para, tal como “Justiça Cega”, agarrar o leitor do princípio ao fim, tirando-lhe algum fôlego no momento de desfolhar

página a página. Ainda está muito no início, por isso não consigo fazer ideia de quando estará cá fora.

 

Hugo, agradeço-lhe mais uma vez por ter aceitado este convite e pela sua disponibilidade. Foi um prazer!

 

O prazer foi todo meu, e aproveito para convidar as pessoas a visitarem as minhas páginas no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100001915303678

https://www.facebook.com/Justi%C3%A7a-Cega-Romance-907157672657958/?ref=hl

 

E também para informar que terei todo o prazer em enviar as minha obras, com dedicatória personalizada, por correio. Podem fazer o pedido para o meu email: hugopena7@gmail.com

 

*Esta conversa teve o apoio da Chiado Editora, que estabeleceu a ponte entre o autor e este cantinho.

 

À Conversa com Luís Corredoura

 

Nascido em 1975, natural de Pêro Pinheiro, Luís Corredoura é Arquitecto e Mestre em Recuperação de Património.

No entanto, além dos projectos de arquitectura em que trabalha, também se dedica, desde muito cedo, à escrita.

A sua estreia deu-se em 2013, com o romance histórico “Nome de Código – Portograal”, obra cujo enredo decorre no período da Segunda Guerra Mundial e que tem como mote, entre outras coisas, um dossier sobre o passado de Hitler, que Salazar tem em sua posse, e que o ditador nazi tudo faz para recuperar.

Este romance histórico valeu a Luís Corredoura, no passado mês de Abril, o prémio “Encouragement Award”, atribuído pela European Science Fiction Society, reunida em S. Petersburgo, na Rússia, organização internacional de profissionais e fãs de ficção científica, cuja primeira convenção aconteceu em 1972, em Itália, e que tem por objectivo promover a ficção científica na Europa e a ficção científica europeia no mundo. A obra em questão foi também reconhecida pela organização do 9º Fórum Fantástico do Lisboa, em Novembro de 2014, tendo recebido o “Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica”.

Em 2014, é a vez de “Lusitano Fado”, o seu segundo romance, ver a luz do dia. Trata-se de uma obra que fala de coragem e determinação, de mistério e revelação, de vingança e corrupção, mas também de paixão, companheirismo e amizade.

O “Lusitano Fado” teve a sua apresentação oficial a 30 de Setembro na FNAC do C.C. Alegro Alfragide. Em Mafra, a apresentação ocorreu no final de Novembro, no Café Basílica.

Este livro teve o privilégio de ser incluído na renovada colectânea “Livros RTP”, colecção que conta com o devido patrocínio e reconhecimento da estação televisiva estatal.

 

 

Luís Corredoura aceitou o convite do Marta – O meu canto, sendo o convidado de hoje da rubrica “À Conversa com…”:

 

 

 

Marta: Começo por perguntar, quem é o Luís?

Luís Corredoura: O Luís é um rapaz normalíssimo, nascido e criado em Pêro Pinheiro, entre o lioz com que é feito, entre outras coisas, o Convento de Mafra, o Aqueduto das Águas Livres, o Teatro D. Maria II, etc., etc., e que sempre teve uma obsessão quase patológica por História para tentar perceber os motivos que levaram a Humanidade, em geral, e Portugal, em particular, a seguir determinados rumos e a tomar certas decisões que marcaram indelevelmente o futuro das gerações que sucederam àquelas que viveram esses eventos na primeira pessoa.

 

Marta: Como surgiu a escrita na sua vida?

Luís Corredoura: Como diz um anúncio de uma conhecida marca de água, é algo “tão natural como a sua sede”. Quiçá por ter tido o privilégio de ter sido criado com livros – romances clássicos, dicionários, enciclopédias, etc. –, o certo é que sempre vivi com isso à minha volta. Daí à escrita, vai um pequeno passo, não obstante não haver tradição de “escritores” na família. De leitores, sim. E, p’lo que sei, desde o tempo dos meus bisavós.

 

Marta: Como arquitecto que é, e também escritor, o que lhe dá mais prazer – imaginar e desenhar todo um projecto arquitectónico ou escrever um romance?

Luís Corredoura: P’la experiência que tenho, posso dizer que é-me mais fácil fazer um projecto de “pedra e cal” do que um “projecto literário”. O primeiro, não obstante toda a complexidade que possa ter, envolve sempre uma multidisciplinaridade e um contínuo diálogo com os mais diversos intervenientes – dos donos da obra a técnicos das chamadas especialidades (térmico, acústico, estabilidade, etc.) -, o que obriga a manter um rigor e a não haver “dispersão”. O segundo é um processo mais moroso – e “doloroso” – porque, além de ser solitário, é algo deveras absorvente, o que se reflecte nas relações sociais e familiares. Costumo dizer que o melhor a fazer seria instalar uma ligação tipo USB na base da cabeça para poder ligar um cabo directamente a um computador e assim descarregar num ápice toda a informação acumulada, neste caso, o livro que se pretende escrever. Até lá, enquanto tal dispositivo não está disponível, tenho que me cingir às minhas limitações físicas e ir escrevendo/dactilografando conforme as minhas possibilidades.

 

Marta: E o que é mais difícil?

Luís Corredoura: Bom, creio que, sem querer, respondi a isto na pergunta anterior. Realço, somente, que até ao momento tem sido mais complicado escrever do que projectar. No entanto, são ambas actividades deveras exigentes, principalmente quando nelas “mergulhamos de cabeça”.

 

Marta: Em ambas as obras “Nome de Código – Portograal” e “Lusitano Fado” está presente a abordagem a factos históricos. Pode-se dizer que é um apaixonado por História?

Luís Corredoura: O conhecimento da História é fundamental, nomeadamente numa época – esta, aquela em que vivemos – em que há cada vez mais uma alienação do que foi o nosso passado, inclusivamente o mais recente, aquele que diz respeito aos últimos cinquenta ou quarenta anos. Os jovens portugueses, por exemplo – e refiro-me a pessoas com vinte e cinco/tinta anos -, desconhecem, na sua esmagadora maioria, o que foi o 25 de Novembro de 1975, o 11 de Março de 1975, o que ocorreu em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980… E estou só a referir alguns dos factos mais importantes da História de Portugal das últimas quatro décadas. Quando recuamos um pouco mais, o descalabro é total. O paradigma, a bitola, passa p’los feriados civis. O que foi o 5 de Outubro? E o 1º de Dezembro? Este último, então, já nem sequer é feriado!...

Daí a importância da História. Num mundo cada vez mais globalizado, em que há um claro objectivo de “normalizar” as pessoas conforme os ditames das sociedades dominantes, i.é, anglo-saxónicas, nomeadamente a americana, as pessoas carecem cada vez mais de valores e de referências que as inspirem e que as distingam – no bom sentido, claro!... – da mediocridade que vai imperando, da ausência de valores e da superficialidade e futilidade que obnubilam as mentes dos que perdem tempo sentados diante de uma televisão ou nas chamadas “redes sociais”.

 

Marta: Qual tem sido o feedback recebido relativamente aos seus dois romances? Está previsto o lançamento de um novo livro para breve?

Luís Corredoura: Tem sido bom, nomeadamente quanto ao primeiro, algo que não deixa de ser curioso, visto o segundo ter tido muito mais divulgação pelo facto de estar englobado nos “Livros RTP”.

Jamais imaginei que pudesse vir a ganhar um prémio – quanto mais dois!... – por algo que escrevi. Independentemente de terem sido reconhecimentos por parte de entidades que não estão associadas ao chamado “mainstream” – e não, não houve direito, para lá de um diploma, a qualquer prémio pecuniário!... -, há que dar ênfase à componente moral, o que estimula qualquer autor a continuar, principalmente quando à nossa volta vemos que a esmagadora maioria dos chamados “best-sellers” são obras que, quando “espremidas”, pouco ou nenhum “sumo” deitam.

E como não sou filiado em partido algum, nem tão pouco tenho “padrinhos” ou “afilhados” inseridos ou ligados ao mundo das edições – ou a qualquer outro mundo!... -, como não faço parte de nenhuma organização secreta ou “discreta”, nem sou vedeta televisiva, foi com grande satisfação – e surpresa!... - que recebi os prémios mencionados.

No entanto, aproveitando a deixa de não ter “padrinhos” e de não ser vedeta televisiva, permitam-me que faça somente este reparo: praticamente nenhum meio de comunicação social referiu o sucedido. Tirando alguns periódicos locais e um jornal on-line, não tive conhecimento da divulgação do sucedido na imprensa de grande tiragem, nem tão pouco nos programas televisivos de informação… Talvez tudo isto se deva à ausência de um “cartão de sócio” de algum partido na minha carteira – ironicamente falando.

Quanto a um novo “projecto”… Pois, como diz o adágio, “o segredo é a alma do negócio”!... Posso, no entanto, adiantar que tenho vários guardados na gaveta, à espera de verem a luz do dia. Veremos, então, o que o futuro me reserva.

 

Marta: Pretende manter-se na linha dos romances históricos, ou gostava de se aventurar num estilo diferente?

Luís Corredoura: A questão dos chamados “romances históricos” é-me mais cara p’lo facto de, ao longo de toda a vida, ter “acumulado” informação que me facilita entrar em determinada época e aí desenvolver certo enredo. No entanto, assumo que tenho um ou outro “projecto” em gaveta que não se centra tanto na componente histórica, mas, sim, na vivência contemporânea, nos dias que vamos vivendo.

De qualquer modo, reconheço que me sinto mais à vontade no passado e até na chamada distopia, na realidade paralela, no “what if”, conforme os anglo-saxónicos designam o que não sucedeu, mas que podia ter acontecido, não fosse um casual capricho ou situação aparentemente insignificante, do que nos tempos correntes. Talvez isto suceda devido ao facto de haver demasiada “poeira” no ar por estes dias, desinformação, contra-informação e afins que só nos confundem. Há que deixar o pó assentar para, então, termos uma visão mais focada e concreta do que sucede e/ou aconteceu. Talvez seja também por isso que gosto de História. Não sou um saudosista, nem quero um regresso do passado; sou, sim, alguém que quer saber o que aconteceu para melhor poder preparar o que está para vir.

 

Luís, muito obrigada pela sua participação, e pela sua disponibilidade para esta pequena entrevista!

 

 

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