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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A saga da compra de uma calculadora gráfica

CASIO Calculadora Gráfica FX-9860GIII, 8 Linhas, 21 Dígitos, Cinzento -  645549 em staples.pt.

A negação:

- Pode ser que seja das pilhas. 

Substituímos as pilhas. Melhorou um pouco, mas não ficou boa.

Estamos a pouco mais de um mês do ano lectivo. Não me apetecia estar a gastar cerca de 100 euros por uma calculadora que ela nunca mais vai usar na vida.

 

A constatação:

- Mãe, a calculadora está cada vez pior. Vais ter que comprar outra.

 

A tentativa de desenrasque:

- Na escola não emprestam calculadoras?

- Há na biblioteca, mas estão sempre esgotadas. E pode calhar uma Texas, e eu não sei trabalhar com essas. Ela usa a Casio.

 

A busca:

Na Fnac - esgotada

Na Worten - esgotada

E aqui tenho que dizer que liguei para a Worten de Mafra, e me atendeu uma funcionária que me deu informações erradas, ao dizer que as calculadoras gráficas eram para a universidade, e do 10º ao 12º ano eram científicas. Não é assim. A minha filha usa uma calculadora gráfica, no 10º e 11º ano. 

Disse que podia fazer encomenda, porque não tinha na loja, e que me ligaria em seguida. Até hoje estou à espera. 

Na Aquario - Fiz um registo na loja mas, vá-se lá entender porquê, achei que não enviavam pelo correio, que só faziam entrega nas lojas, e eram em Braga e no Porto. Desisti.

 

Na Inforeco - Estava disponível e com entrega entre 1 e 3 dias. Encomendei. Saiu-me mais cara que a que tinha comprado no 10º ano. Paguei no dia seguinte. 

Na segunda-feira, ligaram para o meu pai a dizer que havia um problema, mas ele não percebeu bem o que era e deu o meu contacto, para falarem directamente comigo.

Só depois me lembrei que, no momento de registo, era obrigatório colocar um número fixo, e dei o dos meus pais porque na nossa casa nunca está ninguém.

Mas tinham o meu telemóvel na ficha. Podiam ter-me ligado.

 

Na terça-feira, como ninguém me disse nada, entrei em contacto com a loja por chat. Disseram que iam averiguar e que alguém me ligaria. À hora de almoço, sem qualquer chamada, liguei para a loja. Tinha que ser com o departamento comercial, mas naquele momento não estava. Ligariam à tarde. Mas já me tinham ligado na 2ª feira. Disse-lhes que não podia ser, porque não tinha nenhuma chamada, nem mesmo anónimo.

Quando chego do almoço, tenho um email a informar que a calculadora foi descontinuada e, por isso, não poderiam satisfazer o meu pedido, porque não tinham mais nenhuma em stock. A alternativa era encomendar o modelo substituto, e ficava pelo mesmo valor, comprar uma outra, com desconto, da mesma marca, comprar uma Texas, ou devolverem o dinheiro, e começar a saga da procura novamente que, sabendo agora que estava esgotada, e com o tempo a apertar, seria muito difícil.

Perguntei à minha filha o que queria fazer. Disse para mandar vir o modelo substituto.

Entretanto, como ainda não tinha respondido, ligaram-me. E pediram desculpa pelo engano porque a tentativa de contacto anterior tinha sido feita para um número errado. Embora na minha ficha tivessem o certo, não se deram ao trabalho de ir lá ver.

Quase me arrependi de ter optado por essa opção porque, entretanto, me responderam da Aquario a dizer que tinham um modelo antigo ainda disponível na loja de Braga, que poderiam enviar de imediato, e mais barato. 

 

Quinta-feira, ligo para saber em que estado estava a encomenda. Era suposto enviarem na quarta, e chegar cá na quinta.

Mas, afinal, tinha havido um atraso. Estavam a contar recebê-la na quinta, e enviar para cá estar na sexta. Ficaram com uma nota para ligar assim que a recebessem na loja. Até agora estou à espera.

Ao final da tarde de quinta, recebo a factura, onde vem a hora de expedição.

Mas estava em meu nome, e com o meu número de contribuinte. Quando, no formulário da encomenda, escrevi em observações que era para ser passada em nome e no contribuinte da minha filha.

Envio email a pedir a correção, que fizeram.

 

E eis que, finalmente, na sexta, a dita chegou!  

 

Quando o "eu" é anulado pelo "nós"

Resultado de imagem para eu e nós

 

 

Numa relação, existem sempre duas pessoas que, antes de formarem um casal, já existiam individualmente.

Cada uma com a sua personalidade, identidade, características, qualidades e defeitos, sonhos e aspirações, objectivos e metas.

A partir do momento em que nascemos, somos um "eu", que nos acompanhará por toda a vida.

Quando estamos numa relação, esse "eu" deve continuar a coexistir com o "tu" e com o "nós".

Porque "eu" sou assim, "tu" és assim, e "nós" somos a junção dos dois, o complemento um do outro, o equilíbrio entre as duas partes.

 

 

Se deixamos que o "eu" seja anulado pelo "nós", é como se deixássemos de existir enquanto pessoas individuais, e passássemos a existir unicamente enquanto casal. 

E isso não é benéfico para ninguém. Nem para a pessoa que se anula, que vive exclusivamente em função do nós, que deposita aí toda a a sua energia e pensamento, esquecendo-se de si próprio, nem para a pessoa que continua a saber separar as águas, que se começa a sentir sufocada e esgotada, por do outro lado não perceberem que para além do "nós", há um "eu" que não quer, nem deve, ser apagado.

Se quem se anula começa a exigir o mesmo do outro, quem se mantém firme percebe que a pessoa que tem ao seu lado não lhe interessa, que não tem a sua própria individualidade, que não traz nada de seu.

 

 

Ao vermos o programa "Casados à Primeira Vista", eu e o meu marido vamos discutindo as personalidades dos concorrentes, nomeadamente, do Hugo.

O meu marido "defende" o Hugo, diz que ele tem um bom coração, que está iludido, e que a Ana não está a fazer jogo limpo, daí muitas das suas acções. Ah e tal, o Hugo ficava melhor com uma pessoa como a Daniela ou a Eliana.

E eu contraponho: do Hugo, qualquer mulher quer distância. Nenhuma mulher conseguiria ter uma relação com um homem assim.

O meu marido diz que se identifica com o Hugo, e que também já foi assim.

Eu contraponho: pois eras, não a este ponto tão doentio, mas mudaste, senão já não estaríamos juntos.

 

 

É provável que o seu comportamento esteja a ser condicionado pela pressão, pelo programa, pelo facto de a Ana não querer saber dele para nada. É provável que, com uma mulher que se mostrasse mais interessada, mais aberta, mais disponível, mais carente, as coisas funcionassem, no início. Mas, chegaria o momento em que até elas quereriam o seu espaço, o seu tempo. Quereriam manter o seu "eu", e um homem assim não o permitiria porque, para estas pessoas, a partir do momento em que há uma relação, o "eu" e o "tu" têm que ser sacrificados, em prol do "nós".

E, tal como há homens assim, também há mulheres que pensam desta forma.

Quando de uma parte começa a haver exigências, cobranças, conflitos porque se anularam totalmente, e não vêem o mesmo sacrifício do outro lado, está aberto caminho para o fracasso.

A culpa? Será daquele “eu” que não se anulou, ou daquele “eu” que decidiu apagar-se?

Já conhecem este filme?!

 

Acredito que sim!

 

Sempre me disseram que sou uma pessoa paciente. Sempre apontei como um defeito meu, precisamente, o contrário!

No entanto, nos últimos tempos, a pouca paciência que ainda pudesse ter, foi à sua vida e deixou-me sozinha. E, quando a paciência nos abandona, é um cabo dos trabalhos.

Porque nos obriga a respirar fundo o triplo das vezes, a contar até 100 em vez de 10, a desenvolver ainda mais a capacidade de contenção, e o poder de assimilar e ignorar. 

Porque nos força a manter um sorriso no rosto, e pôr para trás das costas a nossa irritação. Porque nos obriga, pelo bem de todos os que estão à volta, a treinar a nossa capacidade de viver em modo "panela de pressão", sem que o vapor saia disparado, assim que se retira a válvula.

É pena não se vender paciência ao quilo nos supermercados, nem embalagens familiares numa qualquer farmácia, porque daria imenso jeito.

Mas parece-me que, se isso acontecesse, já teria esgotado o stock há muito tempo!