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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Começou bem, a manhã!

Quem - NOTÍCIAS - Jim Carrey leva banho de tinta verde em ...

 

Haverá algo melhor que chegar ao trabalho e levar um banho de tinta?!

Não foi bem um banho, mas deu para fazer estragos.

 

Há já uns dias que andam aqui ao lado do prédio onde trabalho a fazer alguma coisa, não sei se limpeza, se pintura. Como é lá para cima, não se vê.

Hoje, estava eu a chegar à porta do prédio, e lá andavam os homens a fazer não sei o quê. Só sei que, em segundos, até entrar no prédio, fiquei com a roupa, a mala, o cabelo e a cara todos sarapintados de branco.

E se, da cara e do cabelo, ainda consegui limpar, a roupa tem que ir para lavar. E a mala tem que ser limpa com um pano, porque os toalhetes de papel molhados não resolveram o problema.

 

Dos tombos que vamos dando na vida

e das marcas que nos levam a ser mais prudentes

Quedas: por que elas são um dos maiores terrores para os idosos ...

 

Quando somos novos, parece que nada nos afecta, nem deixa marca.

Caímos, e logo levantamos.

Partimos a cabeça, mas dali a pouco está pronta para outra.

Esfolamos um joelho, mas voltamos à brincadeira.

Damos um tombo, fracturamos algum osso, mas logo recupera.

Torcemos um pé, mas depressa esquecemos isso.

Nódoas negras? Faz parte!

Cicatrizes? São “marcas de guerra”!

Água gelada no mar? Para quem?!

Queremos é estar lá dentro!

Noitadas, e poucas horas de sono? Que se lixe!

Queremos é aproveitar.

O nosso corpo regenera rapidamente, e é como se nunca tivesse acontecido nada.

 

Mas, no fundo, o nosso corpo não esquece.

E, à medida que vamos envelhecendo, ele vai dando sinais disso mesmo.

Começamos a sentir um incómodo que desconhecíamos existir.

Começamos a querer fazer as coisas de outra forma.

Começamos a sentir as dores de tudo o que o corpo foi acumulando, e a ficar mais prudentes.

Começamos a não querer cometer os mesmos erros ou disparates de outrora.

Começamos a sentir o nosso corpo dizer "Basta. Já está na hora de te deixares disso.".

Vamos tendo cada vez menos vontade de fazer algo que nos possa lesionar, porque cada vez as marcas serão mais acentuadas, e a recuperação mais lenta e dolorosa.

E não há necessidade disso, se podemos viver de outra forma, mais tranquila, e saudável.

Chega o momento em que temos que pensar no que é, realmente, melhor para nós, antes que os estragos se tornem difíceis, ou mesmo impossíveis, de superar.

Como é que uma mãe se prepara...

Imagem relacionada

 

...para uma possível retenção escolar de um filho?

 

Quando os nossos filhos vão para a escola, e começam a tirar boas notas, ficamos felizes da vida, achando que está tudo encaminhado, e vai sempre correr tudo bem.

Nessa altura, só nos preocupa o facto de uma ou outra nota baixar um pouco em relação ao habitual, mas temos esperança que tenha sido uma vez sem exemplo.

 

Quando a responsabilidade começa a ser maior, e o número de disciplinas também, aumenta o receio de que as coisas possam mudar. Mas, quando chega o primeiro teste com nota negativa, é sempre um choque! Porque não estamos habituadas a isso, estamos acostumadas às boas notas, e apanha-nos totalmente desprevenidas.

 

Passado o choque inicial, o impacto provocado pelos próximos testes negativos causa menos estragos. Até porque vão alternando com positivas, e os professores são generosos e até dão boas notas no final.

 

Entrei neste ano lectivo da minha filha, com a noção de que seria um ano difícil, e que ela poderia não estar preparada para algumas disciplinas, nomeadamente, História. Iniciámos, cientes de que a possibilidade de vir a ter negativa a esta disciplina poderia ser real. 

A verdade, por muito que nos custe, e apesar de ser este o "trabalho" deles, é que as crianças não têm obrigação de ser boas a tudo. Há disciplinas para as quais terão mais aptidão que outras, e isso não é caso para desespero. E uma negativa não impede a passagem de ano.

Claro que também entrámos com o espírito - vamos lá dar tudo o que temos, e conseguir o melhor possível. Assim, depois de umas notas bem melhores que no ano anterior, nos primeiros testes, surge a primeira negativa - a História, como já esperávamos. Não custou tanto, porque já era algo para o qual estava preparada.

E, aí, surge a segunda negativa, a Físico-Química. Mais uma bofetada, mas vamos lá encher-mo-nos de positivismo, para contrariar e dar a volta a estes resultados.

 

Até que chega a avaliação intercalar e...três negativas - aquela a que ela tem-se safado sempre, e que eu não condeno, porque também para mim era sempre o meu calcanhar de Aquiles - Educação Física.

De um momento para o outro, percebemos que um filho está em risco de retenção. Claro que ainda estamos no primeiro período, que ainda foram só os primeiros testes e tudo pode mudar, e que os professores não iriam, provavelmente, reter um aluno assim, sem ponderar onde poderiam puxar uns cordelinhos.

Mas eu não gosto do incerto.

 

Tentámos perceber em qual destas disciplinas haveria mais hipóteses de recuperar. A História, dificilmente. Educação Física, tendo em conta o professor deste ano, idem. Se até aos rapazes que sempre tiveram boas notas, foi parco na avaliação. Resta-nos a Físico-Química. E tentar não baixar nas restantes, o que também já começa a ser complicado de gerir.

Os próprios professores já avisaram que eles podem contar com cada vez mais dificuldades, e que os testes não serão mais fáceis, pelo contrário. 

 

Os segundos testes já estão aí, e já houve baixas, embora dentro da positiva, que me deixaram em alerta máximo.

É estranho, porque a minha filha não é daquelas crianças que segue o modelo da estabilidade, dentro do que é pedido. Ora tira grandes notas, ora tira notas fraquíssimas. É capaz de tirar 80/90 a determinadas disciplinas, e 20/30 a outras! Anda sempre em picos, em altos e baixos, o que só prova, mais uma vez, que não é uma questão de dificuldade geral, é falta de aptidão, motivação ou interesse, por algumas das disciplinas que lhe são impostas.

 

Sim, é só o primeiro período. Mas dou por mim, consciente ou inconscientemente, a preparar-me para uma possível retenção escolar. E de que forma é que isso me afecta? De que forma é que encaro essa possibilidade?

E, mais importante, em que é que isso a afectará?

 

Vai perder os colegas que seguirem em frente, e começar de novo no que respeita a integração numa nova turma.

Vai perder um ano de estudos, mas há tanta gente que os perde em determinadas fases da vida - seja em anos sabáticos, a fazer disciplinas que ficaram para trás, à procura de emprego. 

Vai ouvir tudo de novo, e talvez consiga perceber melhor e adquirir os conhecimentos que faltaram no ano anterior. É para isso que serve, afinal, a retenção, e não para andar lá mais um ano a passear, como muitos fazem.

 

Se isto significa que estou resignada? Nem por isso. Nem quero, porque senão daqui a pouco dou por mim a achar normal duas ou três retenções!

Continuo a insistir com ela para que dê o máximo que consiga, para que safar-se, nem que seja com duas negativas mas, de preferência, sem elas.

Mas que já vi essa hipótese mais remota, não posso negar...

 

Diário de Férias - 1º dia

 

Ontem foi o primeiro dia de férias, e o primeiro dia do ano em que fomos à praia.

Estava sol, com algumas pinceladas de nuvens brancas que o tapavam de vez em quando, e um vento horrível. O mar também não estava muito famoso, mas valeu-nos a maré vazia.

A cada ano que passa fico mais triste com o estado em que encontro a praia que frequento desde criança. O cantinho para o qual costumava ir, e que já o ano passado era preciso uma ginástica para lá chegar, por causa das pedras que colocaram a dividi-lo do resto da praia, está ainda mais difícil de alcançar.

Mesmo assim, experimentámos lá ir, até porque é nesse cantinho que estavam os melhores sítios para se tomar banho com alguma confiança, e sem receios. E digo estavam porque, aquela "piscina" que tínhamos, e à qual se acedia através de um espacinho de areia, está este ano totalmente rodeada de rochas escorregadias, o que torna difícil lá entrar, e sair de lá a correr, como fazíamos antes.

Estou a ver que, a continuar assim, vou ter que escolher outra praia alternativa para as nossas férias, e desistir da nossa praia de sempre.

A mulher silenciosa

 

Pelo menos uma lição os homens podem tirar deste livro: nunca substimem uma mulher!

Principalmente, aquelas que se calam, que fingem que está tudo bem e que parecem aceitar tudo sem reclamar. Essas podem, por vezes, ser as piores, e revelar a outra face da sua personalidade, que os companheiros nunca conheceram.

Muitas vezes, os homens devem ficar gratos quando as parceiras gritam, discutem, reclamam e deitam tudo cá para fora. Pelo menos ficam a saber exactamente o que elas pensam. Não têm surpresas!  

São mulheres que fervem rapidamente, deitam para fora e voltam ao normal. Já as silenciosas, vão cozinhando lentamente, mas quando fervem, nem dão tempo aos homens de perceberem o estrago.

 

Um dos comentários a este livro dizia que os fãs de Em Parte Incerta, da Gillian Flynn, iriam gostar deste livro. Eu tive essa esperança...

Mas a Amy de Em Parte Incerta é mil vezes superior à Jody de A Mulher Silenciosa, no plano que arquitecta para se vingar do marido. 

Digamos que a Jody tem a teoria, tem a bagagem, tem o conhecimento, tem melhores armas. Mas não é nem de perto nem de longe tão maquiavélica, tão meticulosa, tão fria, tão calculista como a Amy.

Jody é uma mulher que tenta manter o seu casamento ainda que para isso tenha que ignorar as aventuras e traições do marido. Tem a sua maneira própria de se vingar, mas sem grandes estragos. Parecem mais pequenas partidas de menina travessa, e que acabam por ser bem merecidas pelo seu marido. Mesmo quando ele sai de casa, ela age como se ainda tivesse tudo sob controlo, como se fosse algo temporário. Só quando se apercebe que vai ficar sem nada, e mais por sugestão da amiga do que por ideia própria, é que ela resolve contratar alguém para matar o marido. O plano é tão primário, tão básico, tão óbvio, que não entusiasma. Já depois do crime cometido, e ao ver outra pessoa ser acusada, ela decide confessar.

A Amy nunca admitiria nem para a própria sombra aquilo que fez. A Amy é doentia. Ela interpreta na perfeição as personagens que criou para a sua pessoa. Uma mulher ardilosa, astuta, diabólica, cruel, e faz uso das armas que tem de forma surpreendente. 

Por tudo isso, A Mulher Silenciosa ficou, infelizmente, muito aquém das minhas expectativas.