Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando as obras provocam o caos até para quem anda a pé

Resultado de imagem para obras desenhos

 

Aqui na zona onde moro estão a construir um novo hospital.

Essa construção fica ao lado da estrada que dá acesso a todas as escolas. 

Nos últimos tempos, por conta das obras, destruíram um dos passeios dessa estrada. No outro, mesmo encostado ao local da obra, andam escavadoras, e parte do passeio também destruído, o que nos obriga a ir pela estrada.

Por outro lado, todas essas máquinas acabam por condicionar o trânsito que, numa situação normal, já não é fácil.

Todos os dias têm que passar ali vários estudantes, sem qualquer segurança ou condições, sujeitos a ser apanhados por algumas das escavadoras ou, fugindo delas, pelos veículos que por ali circulem.

 

 

Como se não bastasse, destruíram também o estacionamento, ao final da estrada, e estão a fazer escavações de um lado e outro, provocando constrangimentos.

Além dessa obra, estão também a fazer outra, numa outra rua.

 

 

Por conta de tudo isto, tinham primeiro cortado um acesso. Há dois dias, deparámo-nos com uma das ruas cortadas ao trânsito. 

Então, o que acontece é que na rua paralela, está o trânsito proibido para quem sobe, sendo que era por esse acesso, ou por essa rua, que circulavam. Como todos estão agora interditos, e não há qualquer informação sobre desvios ou alternativas, os condutores não fazem a mínima ideia do que fazer, ou por onde seguir.

Ontem, vi um a ir em sentido contrário, sujeito a vir outro de frente. Hoje, deparei-me com um congestionamento de veículos num espaço de 50 metros, que não resultaram em choque por mero acaso.

 

 

A continuar assim, boa coisa não irá resultar. Só espero que, no meio de toda esta confusão, ninguém saia ferido, nem prejudicado, por culpa de quem não pensa, e não tem o mínino de bom senso para levar a cabo este tipo de trabalhos ao acaso.

 

Oh não, outra vez os Lusíadas!

Resultado de imagem para os lusíadas

 

 

 

Imaginem os alunos a ler 20 estrofes dos Lusíadas, e a ter que responder a diversas perguntas sobre aquilo que acabaram de ler, sem qualquer explicação ou orientação.

Não dará bom resultado, por certo.

Quando acabam de vir do Auto da Barca do Inferno, que é muito mais cativante, torna-se ainda mais difícil mostrar interesse nesta obra.

 

Eu já não me lembro muito bem do que falei na altura, quando era eu a aluna. Mas sei que, ontem, a olhar para aquelas estrofes que a minha filha tinha que ler, não percebi nada!

Tive que ler várias vezes, para conseguir retirar de lá umas "pingas", apesar de muito espremer.

Claro que, depois de ver a análise daquele excerto, tudo começa a fazer mais sentido.

 

Para mim, Lusíadas tem que ser dado em aula. Tem que ser uma obra analisada e explicada em conjunto por alunos e professores. Não se pode esperar que os alunos cheguem ali e percebam o que está lá escrito, implícito, o que é para reter e perceber, quando nem sequer a linguagem percebem.

 

Penso que, para a maioria dos estudantes, os Lusíadas continuam a ser o pesadelo da escola, na disciplina de português, e nos exames finais!

 

Deixo-vos aqui esta opinião sobre a inclusão do estudo desta obra nas escolas: https://www.publico.pt/2015/02/22/sociedade/opiniao/o-ensino-de-os-lusiadas-1686615

 

Carta aberta de uma mãe a todos os professores

Resultado de imagem para mãe e filha

 

"Exmos.(as) Srs.(as) Professores(as),

 

Não entendam esta minha missiva como desrespeito pelo vosso trabalho enquanto professores nem, tão pouco, desconsideração pela disciplina que leccionam, ou pela importância da mesma no percurso escolar da minha filha, vossa aluna, e no seu futuro.

No entanto, permitam-me manifestar, desta forma, a minha opinião que, certamente, enquanto pais que são ou virão a ser, compreenderão.

 

Que futuro terá uma criança/ adolescente que passa os dias no estabelecimento de ensino e, quando chega a casa, vê o seu tempo de lazer ocupado com trabalhos de casa, interrompidos apenas pelo lanche, pelo banho e pelo jantar?

Que vê os seus fins-de-semana preenchidos com trabalhos de casa de várias disciplinas, a que muitas vezes se juntam trabalhos de grupo e o estudo extra para os testes da semana seguinte, apenas interrompidos pelas refeições, pelo banho, e pelas breves pausas que, por entre o estudo, aproveitam para pegar no telemóvel e aceder às redes sociais, ou ouvir um pouco de música?

 

Sei que, certamente, haverão pais que sofrem desse mesmo problema, e vêem a sua vida reduzida a trabalho e tarefas domésticas. A que, muitas vezes, ainda se junta a ajuda aos filhos nos estudos.

Sei que vocês, como professores e pais, também terão o vosso tempo ocupado e limitado, sem muito tempo para a vossa vida familiar, com muita pena vossa e, provavelmente, com queixas por parte dos vossos filhos.

 

Mas sabem uma coisa? 

Sinto falta de passar tempo de qualidade com a minha filha!

Não, simplesmente, estarmos as duas na mesma casa, cada uma ocupada com as suas tarefas, ou as duas às voltas com livros, cadernos e matéria. Mas de estarmos as duas, sem preocupações, sem pressas, sem o relógio a contar o tempo que temos para conviver, no meio de tudo o resto.

 

Tenho saudades dos tempos em que a escola ficava na escola, e a casa era para a família. 

Para uma ida ao cinema, ao teatro ou ao circo, para um passeio num sábado ou domingo, ou até para uma festa de aniversário, tenho que andar a ver no calendário, o melhor dia, em que ela não tenha nada para fazer ou estudar. Passam-se meses, sem que o consigamos fazer. Valem-nos as férias escolares, apenas, e o escasso período de pausa entre fornadas de testes.

 

E, então, pergunto-me:

Não será, por vezes, mais produtivo e educativo, um programa familiar onde possam aprender algo, conviver com a natureza, aprender valores que não vêm nos livros, do que dias a fio encerrados em casa, agarrados a matéria que nem percebe para que lhes servirá?

Não será preferível trocar os nervos, as dificuldades da matéria, o stress dos testes, a correria, as maratonas de estudo, por momentos divertidos e alegres com aqueles que mais os amam?

Não deveria valer uma boa acção, ou um bonito gesto, mais do que uma nota num teste ou na pauta final?

Não deveria um sorriso no rosto, a paz, a tranquilidade, valer mais que o receio de um mau resultado e que as lágrimas por algo que não conseguem perceber, ou não correu bem?

 

Ensinar não tem que ser uma coisa má, deveria ser algo que encarariam com recetividade e curiosidade.

Mas era preciso que o ensino não fosse algo que quisessem enfiar à força na cabeça dos alunos, como quem tem um prazo para enfiar uma infinidade de coisas em algum sítio, dê por onde der, não permitindo que os estudantes apreendam, no seu tempo, aquilo que estão a receber.

O ensino deveria ser o complemento da vida familiar, e não o seu substituto, a tempo integral.

 

E, acreditem, por vezes, tenho vontade de a deixar livre, para aproveitar as coisas boas que a vida tem para lhe oferecer, sem ter que pensar em mais nada. Tenho vontade de obrigá-la a trocar os livros por uma sessão de riso, com as nossas patetices, por umas horas de brincadeira, por uns momentos de solidariedade para com quem mais precisa, por tempo para se divertir com as amigas, por tempo para, simplesmente, não fazer nada!

 

Sinto falta da minha filha, apesar de estar com ela todos os dias!

Como tenho a certeza que vocês, professores, enquanto pais, também sentirão, relativamente aos vossos filhos, ou familiares com quem deixam de passar tempo por conta do vosso trabalho.

 

Grata pelo tempo dispendido na leitura desta missiva que, tenho a certeza, reflete o pensamento e sentimento de muitos pais deste país."

 

 

Não sei até que ponto enviar uma carta destas aos professores da minha filha seria considerado caso grave de internamento! Mas o que aqui está escrito é a mais pura verdade.

E por aí, há alguém que se reveja?

Expliquem-me como se eu fosse muito burra!

Resultado de imagem para burra

 

Ontem, para ir ao cinema, apanhámos o autocarro para Lisboa.

Tendo a minha filha 13 anos, perguntei se já pagava bilhete inteiro. A motorista confirmou que sim, com essa idade, já paga um bilhete inteiro mas, como é férias da Páscoa, a empresa tem a promoção que permite aos estudantes pagar meio bilhete. Por isso, foi meio bilhete que ela pagou. Sem stress, tendo a motorista sido muito simpática e atenciosa.

 

Também no cinema, paga o bilhete estudante em vez do normal. Sem stress.

 

À vinda, ela pediu meio bilhete. O motorista tirou, mas perguntou se ela tinha documento de identificação com ela. Por acaso eu tinha-o comigo, e já ia tirar quando ele me diz que não precisava de mostrar, era só para o caso de aparecer o fiscal.

Perguntei eu "então mas ela mesmo tendo 13 anos, não está abrangida pela campanha da Páscoa?".

Respondeu o motorista "sim, sim, mas tem que ter o documento de identificação com ela, senão paga bilhete inteiro".

 

 

Agora, expliquem-me como se eu fosse muito burra, porque depois de toda esta explicação, continuo sem perceber o que uma coisa tem a ver com outra.

Partindo do princípio que o dito "documento de identificação" é o cartão de cidadão, o que é que o mesmo prova? Que ela tem 13 anos. 

Estariam por acaso a pensar que ela seria uma adulta disfarçada de criança? É que mesmo com 18 anos, ainda poderia ser estudante! E no cartão de cidadão não diz que ela está a estudar. Ainda se pedisse o cartão de estudante, aí compreendia. Assim, não consigo perceber.

É que nem no cinema pediram nada disso.

 

De qualquer forma, fiscais é algo que não vejo há décadas nestes autocarros. Não sei para quê tanta conversa fiada.

 

De repente, todos se lembraram de vir para aqui

Resultado de imagem para igreja de santo andré mafra

 

Moro na zona velha da vila de Mafra, onde o sossego ainda é uma realidade. 

Pelo caminho, temos um parque infantil, onde cheguei a ir muitas vezes com a minha filha, ficando mais tarde abandonado às moscas. Só iam para lá meia dúzia de gatos pingados, a maioria sem idade sequer para lá andar. Muitos pais deixaram de lavar os filhos porque o parque servia também de casa-de-banho para alguns cães.

 

Já na Igreja de Santo André, quando por lá víamos alguém, pensávamos logo "boa coisa não é". Suspeitávamos de drogados, delinquentes e afins. Uma vez por outra lá vinham alguns jovens até ao palco onde costumam fazer as festas, mas quase sempre figuras de aspecto duvidoso.

 

Ainda assim, sendo raro, era um sossego passar ali naquelas ruas, numa zona quase esquecida e abandonada, que nada tem de interessante para ver.

 

No entanto, nestes últimos tempos, não sei se devido ao facto de a Universidade de Valores se situar nesta zona, e ter dado uma nova vida ao Palácio dos Marqueses, parece que esta parte da vila virou moda!

Todos os dias vejo malta do ciclo no parque, a andar de baloiço! Até as colegas da minha filha já ganharam esse gosto.

E na igreja, vejo frequentemente vários grupos, rapazes e raparigas, ora a apreciar a vista, ora a namorar ou até a jogar à bola.

A isso se deve também o facto de ficar relativamente perto da escola, e de aproveitarem os furos e horas sem aulas para dar uma voltinha.

 

Mas que é estranho, é!

E eu preferia os tempos em que tudo era mais calminho :) 

  • Blogs Portugal

  • BP