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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Adeus, June"

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Deparei-me com este filme na Netflix, na noite da consoada.

Vi o trailer e gostei, mas não é o filme mais indicado para se ver numa época destas. 

Menos ainda, quando perdemos os nossos pais há pouco tempo.

 

No entanto, a curiosidade falou mais alto e, no fim de semana, acabei mesmo por vê-lo.

Com Helen Mirren, Kate winslet (que também dirige), Toni Collette, Timothy Spall, Johnny Flynn e Andrea Riseborough, o filme aborda uma doente com cancro em fase terminal, em contagem decrescente para a morte, enquanto cada um dos seus filhos, e o próprio marido, lidam com a situação e com os seus sentimentos, à sua maneira.

 

Para além do momento frágil em si, há ainda as desavenças entre duas irmãs, que June quer ver resolvidas antes de partir.

 

A aparente insensibilidade dos médicos responsáveis, a contrastar com a empatia e cuidado de um enfermeiro que é apologista de uma boa despedida em família.

A coragem e resistência de June, apesar da sua condição cada vez mais débil, em contraste com o desmoronar dos filhos.

A aceitação do destino por parte da doente, por oposição a uma certa negação dos seus entes queridos.

 

Não há uma forma certa de agir, de reagir, de sentir, de encarar a realidade.

Cada um fá-lo à sua maneira.

No fundo, todos partilham a mesma dor.

O mesmo amor por quem está prestes a despedir-se desta vida, e deste mundo.

E é isso que importa.

 

 

 

 

Chesapeake Shores

(uma das melhores séries que já vi)

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De "ressaca", após seis temporadas de Virgin River, procurei uma nova série, dentro do mesmo estilo, para me entreter até ao lançamento da sétima temporada.

A escolha recaiu em Chesapeake Shores.

E posso dizer que saíu pior a emenda, que o soneto!

 

Chesapeake Shores superou, sem qualquer dúvida, Virgin River.

O problema, é que esta série, ao contrário de Virgin River, termina mesmo na sexta temporada, sem retorno.

E agora? Onde vou descobrir outra série que me prenda desta forma?

 

Enquanto Virgin River faz da toda a comunidade uma grande família, Chesapeake Shores centra-se mesmo numa família: os O'Brien.

E cada uma das personagens é cativante, de forma diferente.

 

Tal como Virgin River, Chesapeake Shores é uma cidade fictícia, ainda que exista, na realidade, a Baía de Chesapeake.

Em ambas as séries, as paisagens são deslumbrantes. Muitas das cenas de Chesapeake Shores, tal como as de Virgin River,  foram filmadas na Ilha de Vancouver, no Canadá, em locais como Parksville e Qualicum Beach.

Outra ligação entre estas duas séries é a presença de alguns dos mesmos actores, ainda que em papéis mais secundários ou não tão relevantes. É o caso de Libby Osler, Teryl Rothery e Christina Jastrzembska.

E ambas nos deixam "viciadas", a ponto de devorar episódios e temporadas num curto espaço de tempo.

Até o riso de algumas personagens se entranhou em mim.

 

 

 

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No entanto, são séries diferentes, com temáticas diferentes.

Chesapeake Shores centra-se no drama da família O'Brien, uma família que, de certa forma, se começou a desmoronar com a partida de Megan, a mãe, deixando os cinco filhos, alguns ainda pequenos, aos cuidados de Mick, um pai muitas vezes ausente, e da avó Nell, a matriarca que é o porto seguro de todos.

A série começa, após uma pequena introdução, na actualidade, muitos anos (15) após essa partida.

Agora, por motivos diferentes, todos os filhos parecem regressar às origens, tal como a mãe deles, e terão de aprender a perdoar, a superar o passado, e voltar a ser uma família unida, nos bons e nos maus momentos.

 

As primeiras temporadas exploram o romance entre Abby e Trace, também ele interrompido, quando Abby partiu para Nova Iorque sem se despedir. Agora, com ambos de volta a Chesapeake Shores, o inevitável acontece.

Abby é a primogénita, muito parecida com o pai, quer a nível de personalidade, quer em termos profissionais.

Divorciada e com duas filhas, volta a viver em Chesapeake Shores, mas nem tudo serão rosas. 

É, dos cinco filhos, a personagem que gosto menos.

 

Bree é a filha escritora. Adora escrever, tanto como adora ler.

Com um bloqueio criativo, acaba por se mudar para Chesapeake Shores em busca de inspiração.

Vai ficar com uma livraria que ia encerrar portas, e escrever um livro baseado na sua família, que não irá agradar a todos os membros, gerando alguns conflitos mas, também, curando antigas feridas.

Não tem muita sorte ao amor, mas é uma mulher cheia de estilo. Aliás, o seu guarda-roupa foi destaque em toda a série.

É, juntamente com Jess e Connor, uma das minhas preferidas.

 

Jess é a filha mais nova, a que mais sofreu com a partida da mãe, e a menos disposta a perdoá-la.

É, sem dúvida, a minha personagem favorita!

É daquelas mulheres que sente tudo à flor da pele, em que tudo lhe sai pela boca antes, sequer, de pensar no que vai dizer. Erra muitas vezes, mas lança-se de cabeça. É uma pessoa natural, sem máscaras, genuína. Uma espécie de furacão ou "espalhas brasas". E linda!

As irmãs e a avó são o seu pilar.

É a personagem que mais irá evoluir ao longo da série.

 

Já Connor, é o incompreendido, e desvalorizado.

Muitas vezes, ao tentar provar o seu valor, e o seu mérito, toma atitudes precipitadas e impulsivas.

No fundo, ele só quer ser aceite pelo pai, com quem tem uma relação conturbada.

Também será das personagens com maior evolução.

 

Depois, temos Kevin, que é fuzileiro (outra semelhança com Virgin River), mas acaba por vir para casa, após um grave acidente, que o faz repensar toda a sua vida.

É o filho certinho e ajuizado.

 

A avó Nell representa a sabedoria, a paz, a união, o elo de ligção entre todos. O amor, o conforto, o carinho, os cuidados, os mimos.

Apesar de, a determinada altura, quase todos terem as suas próprias casas, é na casa da avó que se juntam, que fazem as suas refeições, que passam o tempo.

 

A série é recheada de boa música, ou não fosse Trace Riley um famoso cantor de música country, sendo Freefall uma das mais bonitas, e mais tocadas na série.

Mas toda a banda sonora é espectacular.

 

Ao longo das várias temporadas, muitas personagens novas vão chegar, mas há uma que não posso deixar de mencionar, pela sua personalidade, e por tudo o que esconde dentro de si: Evan Kincaid.

Um multimilionário adulto solitário, e com alguns traumas, que se esconde numa máscara de criança imatura, impulsiva, fútil e exibicionista quando, na verdade, tudo o que quer é alguém que goste de si, que o compreenda, e uma família que nunca teve. Mais uma vez a provar que nem sempre o dinheiro compra a felicidade, ou substitui tudo na vida.

 

Poderia passar aqui horas a falar da série.

Mas, em vez disso, vejam-na!

 

 

 

Virgin River

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Não sou de séries longas. Com muitos episódios.

E, muito menos, com várias temporadas.

No entanto, estava um pouco cansada de ver mais do mesmo.

Ao contrário do que andei a ver até aqui, séries curtinhas, com muita acção, suspense e reviravoltas, numa espécie de volta na montanha-russa, estava a apetecer-me algo diferente.

Uma série familiar. Uma história em que sentisse que fazia parte da mesma. 

Foi assim que dei por mim a começar a ver Virgin River!

 

Virgin River tem um pouco de tudo o que podemos encontrar noutras séries, incluindo os ingredientes que mais aprecio mas, ao contrário das séries curtas, assemelha-se mais uma volta tranquila e demorada na roda gigante, com tempo e calma para apreciar a vista, para uma conversa, para um momento intimista. E não apenas adrenalina.

Algo que se vai saboreando devagarinho, apreciando aos poucos.

Como uma bebida que nos aconchega e reconforta.

Uma iguaria que se prova por prazer, e não por mera fome.

Aliás, o facto de seis temporadas mostrarem, em termos práticos, cerca de apenas nove meses de história, já diz muito sobre como as coisas decorrem lentamente.

 

Virgin River é mais do que um lugar para viver.

É uma comunidade, no verdadeiro sentido da palavra.

E os seus habitantes, como uma grande família.

Com direito a zangas, mexericos, intromissões nem sempre desejadas na vida uns dos outros. Mas também a entreajuda, apoio, camaradagem e união.

No fundo, estão lá uns para os outros, para o bem e para o mal.

E nós sentimo-nos, ao longo de seis temporadas (a caminho da sétima), parte dessa comunidade, dessa família.

 

Tudo começa quando Mel aceita uma proposta de trabalho, como enfermeira, e se muda para Virgin River.

Lá, conhece Jack, com quem vai viver uma história de amor com muitos contratempos pelo caminho.

Confesso que a Mel me irrita um pouco, de tão bondosa e "melosa" que é. Existem pessoas assim?! Foi bom ver que, de vez em quando (muito raramente), ela também tem um outro lado.

Exceptuando o querer meter-me na vida dos outros, identifico-me mais com a personalidade da Hope - teimosa, orgulhosa, prática, um pouco fria na forma como age e diz as coisas, embora tenha um coração enorme.

Na verdade, o que não falta é personalidades fortes, humanos com lados mais bonitos e mais sombrios.

O que é comum a quase todas, é o cresimento, a aprendizagem, a transformação que vai ocorrendo a cada temporada.

 

Não vou aqui falar de seis temporadas de uma história que está longe de ter fim, mas posso dizer que a quinta e a sexta temporada foram as que tiveram mais desenvolvimentos, as que mais me emocionaram, e as que mais gostei. 

Agora, é esperar pela sétima!

 

 

 

 

 

"Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade", de Jojo Moyes

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Percebemos que é amor quando todo o ruído, bagunça, confusão e desordem, de que sempre nos afastámos, agora nos fazem falta.

Quando percebemos que aqueles momentos em que a nossa vida estava, de certa forma, virada do avesso foram, apesar disso (ou talvez por isso), momentos felizes.

 

"Um Mais Um" mostra-nos, de forma dura e crua, que nem sempre adianta ser positivo, ou pensar positivo.

Que nem sempre os problemas se resolvem por si só. Nem, muitas vezes, com esforço. 

Há momentos em que, quando parece que as coisas não podiam ser piores, o universo arranja forma de provar que sim, ainda podem piorar mais.

Que a vida não é fácil. E, tão pouco, justa. 

 

Mas também nos mostra que tudo fica menos difícil, quando não estamos sós.

Quando partilhamos a nossa história. Quando aceitamos ajuda. 

Quando dividimos o peso do fardo que carregamos.

Quando temos alguém, verdadeiramente, ao nosso lado.

Alguém que seja, por uma vez, positivo quando, do outro lado, a esperança foge por entre os dedos. Só para equilibrar a balança.

Alguém que nos dê paz. Que faça os nossos filhos sentirem-se seguros e tranquilos.

Alguém que nos faça rir.

Alguém que dê um novo sentido à nossa vida. E faça sentido, na nossa vida.

 

Jess trabalha duplamente, para poder cuidar dos seus filhos, Tanzie e Nicky.

Embora Nicky não seja seu filho biológico, ela assumiu essa responsabilidade já que o pai do rapaz, seu ex-marido, não quis saber dele.

Nicky é vítima de bullying e agressões físicas, por se atrever a ser diferente. Os agressores, saem sempre impunes, porque não há como provar nada.

Tanzie tem a oportunidade de participar numa Olimpíada de Matemática, algo que ela adora, e ganhar uma bolsa para uma boa escola, que a impediria de vir a ser uma vítima, tal como o irmão, na escola onde este estuda.

Para isso, Jess tem de a levar até à Escócia, ainda que não tenha qualquer dinheiro para essa viagem.

 

Ed é um nerd que, juntamente com um amigo, criaram uma empresa de sucesso, prestes a fazer um novo lançamento.

No entanto, Ed deita tudo a perder quando se envolve com uma mulher do seu passado, que o engana para obter lucro, à custa de informações privilegiadas que ele, sem pensar, lhe dá. 

Agora, Ed perdeu tudo aquilo pelo qual sempre trabalhou, e arrisca-se a ir para a prisão.

Mas não é isso que o incomoda. É o facto de ter "traído" o amigo, e de desiludir o seu pai, que está a morrer de cancro.

 

Quiseram, as circunstâncias, que as vidas de Ed e Jess se cruzassem, nos piores momentos de ambos.

E quis, o destino, ou o que quer que seja, que esses piores momentos fossem, para todos, os seus melhores momentos.

Claro que, como tudo na vida, não duram para sempre.

E o pior, ainda está por vir.

 

O que esperar quando já não se espera nada?

Em quem, ou no quê, confiar ou acreditar, quando toda a confiança, em todos os sentidos, foi quebrada?

Como dar a volta sem escorregar, ainda mais, na lama, da qual ainda não se conseguiram levantar?

 

"Um Mais Um" é uma bonita história, que nos faz ter alguma fé na humanidade, acreditar que ainda existe bondade e justiça no mundo.

Que não podemos julgar todos da mesma forma, pelos erros que cometem. 

E que nunca é tarde para se ser feliz.

 

SINOPSE:

"Uma mãe por conta própria

Jess Thomas faz o seu melhor, dia após dia. É difícil lutar sozinha.

E, por vezes, assume riscos que não devia. Apenas porque tem de ser…
Uma família caótica
Tanzie, a filha de Jess, é uma criança dotada e brilhante a lidar com números, mas sem apoio nunca terá oportunidade de se revelar.
Nicky, enteado de Jess, é um adolescente reservado, que não consegue sozinho fazer frente às perseguições de que é alvo na escola.
Por vezes, Jess sente que os filhos se estão a afundar…
Um desconhecido atraente
Ed Nicholls entra nas suas vidas. Ele é um homem com um passado complicado que foge desesperado de um futuro incerto. Ed sabe o que é a solidão. E quer ajudá-los…
Uma história de amor inesperada
Um mais um - A fórmula da felicidade é um romance cativante e original sobre duas pessoas que se encontram em circunstâncias difíceis."

"The Waterfront - Marginal"

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A família Buckley construiu um "império" pesqueiro em Havenport, e não está disposta a perdê-lo.

Nem que, para isso, tenha que fazer alianças duvidosas, envolver-se em negócios obscuros, e cometer crimes.

Sim, haveria sempre outras opções, mais honestas, e legais.

Mas para os Buckley, só há uma única escolha possível: salvar o seu património, a qualquer custo. Ainda que, nessa missão, acabe por colocar toda a família em risco.

 

Harlan e Belle estão casados há décadas, com todos os altos e baixos que um casamento pode ter, traições e um certo distanciamento afectivo. Ainda assim, no que respeita a negócios, mantêm-se parceiros. Ou, talvez, nem tanto... Embora o objectivo seja o mesmo, têm formas de pensar e agir diferentes. E nem sempre partilham aquilo que estão a fazer, escondendo segredos um do outro.

Apesar disso, nos momentos mais difíceis, estão lá para se apoiar mutuamente. Talvez ainda haja uma réstia de amor, mesmo que não o saibam demonstrar.

 

E isso inclui os filhos: Cane e Bree.

Cane é um homem frustrado, que virou costas a uma carreira no desporto, para ficar em Havenport, no negócio da família.

Com o pai afastado, por motivos de saúde, e outras aventuras, e com as dívidas a acumularem, tentou dar a volta, com o apoio da mãe, tomando algumas decisões que pareciam certas mas, logo se percebe, não eram. E são elas que vão desencadear toda a história.

É casado com Peyton, com quem tem uma filha. No entanto, o seu casamento também já viu melhores dias. Principalmente, depois de reencontrar Jenna, uma ex namorada da juventude.

 

Bree é uma ex alcoólica e toxicodependente.

Acusada de ter incendiado a casa, com o filho lá dentro, colocando em risco a vida deste está, agora, com uma medida de afastamento que a impede de chegar perto de Diller, a não ser em encontros previamente agendados, na presença de uma assistente social.

Ao longo da história, vamos percebendo o que a levou àquele ponto. Lá está - mais uma vez, haveria sempre outras escolhas. Mas as pessoas não são todas iguais, e não reagem sempre da mesma forma.

Nos primeiros episódios, vemos Bree completamente desajustada da sua família, como se fosse a ovelha negra, a renegada. Decidida a vingar-se do irmão, que depôs contra ela no tribunal, ela alia-se ao agente da DEA que anda a investigar a morte de dois homens, aparentemente, relacionada com os negócios de Cane.   

Ao mesmo tempo, tenta manter-se sóbria, limpa, e conquistar a confiança e o amor do filho.

 

A determinado momento, Cane e Bree conseguem resolver os problemas entre eles e, tal como seria de esperar, unem-se aos pais para proteger e salvar a família, nem que para isso, tenham que matar, para não serem mortos.

Quanto a Harlan e Belle, não há dúvida de que, quanto mais cavam, mais fundo chegam. Resta saber se conseguirão, depois, sair de lá, e a que preço.