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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Your Honor, na HBO

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O que faria um pai, ou uma mãe, para salvar o seu filho?

Acho que não haverá grandes dúvidas quanto a isso: tudo o que pudermos!

Independentemente das consequências. Acima de qualquer lei.

 

Será mesmo?

Ou seríamos daqueles que preferem sacrificar um filho, porque há que fazer as coisas bem?

Porque somos pessoas honestas e justas? E consideramos que, se erraram, devem pagar pelos seus erros?

 

"Your Honor" apresenta-nos um juiz, habituado a inocentar e condenar quem a ele se apresenta para ser julgado e que, no exercício da sua profissão, deve sempre ser isento, procurar a verdade e fazer justiça mas que, a determinado momento, se vê no dilema de continuar a agir como tal, ou quebrar todas as regras.

O seu filho atropelou mortalmente um outro rapaz. Foi um acidente. Ele não queria. Estava assustado, sem saber o que fazer, e fugiu. Contou ao pai, e este, deixando a sua veia de juiz falar, aconselhou-o a ir até à esquadra contar o que tinha acontecido. No fundo, fazer a coisa certa.

Até perceber que o rapaz atropelado é filho de um mafioso que não olhará a meios para atingir o seu fim, que é acabar com a vida, de quem acabou com a vida do seu filho.

E agora? O que deve Michael fazer?

Condenar o seu próprio filho à morte, fazendo o que está certo, ou salvar o seu filho, fazendo tudo o que não deve?

 

A escolha é fácil.

E Michael terá de viver com ela. Com uma morte na consciência. E com uns quantos outros crimes, originados pelo encobrimento do seu filho.

Até que ponto um juiz, que atira inocentes para dentro de uma prisão e os vê serem condenados por um crime que ele sabe bem quem cometeu terá, daí em diante, qualquer moral para julgar os outros?

 

Adam, o filho, estava assustado. 

Agora, parece ter dificuldade em lidar com a mentira. Com o facto de outros estarem a pagar pelo seu erro. E até em relação à atitude do pai, que age como se a mentira fosse a única verdade existente, e se recusa a falar do que aconteceu, reforçando a mentira o tempo todo.

Parece que, a qualquer momento, Adam poderá arrepender-se, e confessar. Já o fez, com a professora. Que, na verdade, é mais do que isso. Mas é mais uma verdade que deve ser escondida. E Adam já começa a ficar cansado de viver uma mentira.

 

 

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Seja como for, Kofi é condenado pela morte do tal rapaz, e acaba por morrer na prisão, quando estava prestes a sair, depois de Michael ter conseguido que uma sua estagiária aceitasse a sua defesa, e conseguisse a libertação.

Agora, já são duas mortes na consciência.

E passamos a ver o juiz como alguém que, apesar das circunstâncias, não é assim tão diferente de outros criminosos que condena no dia a dia. Que não é assim tão isento. Que pode, também ele, corromper. Pedir e fazer favores.

 

Mas tudo parece ficar resolvido por ali, para satisfação de todos, e não se percebe o que vai acontecer na metade que ainda falta da série.

Começamos a desanimar, a perder o interesse, e a considerar que não vale a pena continuar a ver.

No entanto, quando o assunto parecia morto e enterrado, depressa algo nos fará mudar de ideias

 

Alguém sabe a verdade. 

E faz questão de o dar a conhecer a Michael.

Nada ficou por ali.

E toda a sua família corre perigo.

 

Como fará agora o juiz, para continuar a proteger o seu filho, e a proteger-se, quando o cerco começa a apertar, e a verdade a vir à tona?

Conseguirá ele evitar aquilo que mais temia? Ou terá tudo sido em vão? 

O destino até pode ter sido adiado. Mas poderá ser travado?

 

 

 

"Uma Família Quase Normal", de Mattias Edvardsson

Uma Família Quase Normal, Mattias Edvardsson - Livro - Bertrand

 

Quando uma tragédia, seja ela qual for, se abate sobre uma família, só existem dois caminhos possíveis: ou essa família se une e se fortalece, ou se desintegra de vez. 

 

Stella, a filha de Adam, um pastor de uma Igreja da Suécia, e de Ulrika, uma advogada, uma jovem que acabou de fazer 18 anos, é detida por suspeita de assassinato de um homem com mais de 30 anos.

Aparentemente, porque alguém diz que a viu, naquela noite.

No entanto, se, à partida, não haveria praticamente nada contra ela, e seria libertada na boa, afinal, parece que havia mais do que se pensava, e terá que continuar em prisão preventiva, impedida de contactar com quem quer que seja, excepto o seu advogado.

E o que pode um advogado de defesa fazer nestes casos?

 

Quando não existem provas suficientes para condenar alguém inequivocamente, mas também não existem provas suficientes que possam inocentar o suspeito de forma clara, a missão do advogado é criar a "dúvida razoável".

A dúvida que, entre uma condenação e uma absolvição, penda para a segunda hipótese. Porque, do lado oposto, sob pressão e ausência de outros suspeitos, o objectivo é que a dúvida seja suficiente para condenar.

 

Enquanto isso, temos um casal que tem muito por resolver, que foi ignorando ao longo do tempo. Um casal que se foi deixando levar, deixando estar, acomodando-se, e que agora se vê perante a suspeita de que a filha é uma assassina.

Acreditarão, realmente, na inocência dela?

Acusar-se-ão, um ao outro, de não terem sido, respectivamente, bom pai, ou boa mãe?

Conseguirão ultrapassar a situação juntos, ou estarão condenados a desfazer-se, enquanto família?

 

Até que ponto está uma mãe disposta a ir para proteger a sua filha?

O que estará um pai disposto a fazer, para inocentar a sua filha e livrá-la da prisão?

Mentir? Esconder provas? Acusar outra pessoa?

E como é que lidarão, nesse caso, com a luta contra os seus próprios valores e convicções? Com a fé, e a ética?

Vale tudo, pela família?

 

Stella nunca foi uma criança fácil. E tão pouco uma adolescente fácil.

Ao contrário da sua amiga Amina, a bem comportada, Stella sempre foi de se meter em problemas, de desafiar, de se testar, e testar os outros. Amina conforma-se, ainda que depois reclame. Stella reclama na hora, sem guardar nada para si. 

Mas bastará isso para se pensar que poderia ter cometido um crime? 

Por vezes, é uma mera ilusão.

Nem sempre a fama leva ao proveito, e as acções surgem das pessoas mais inesperadas. E Amina já provou que não é tão santa como aparenta.

O que quer que tenha acontecido, Stella não parece estar a colaborar para a sua absolvição. Pelo contrário, parece resignada, derrotista, conformista com a condenação que todos parecem já ter levado a cabo, ainda antes do julgamento.

 

Ao longo do livro vamos conhecer a história do ponto de vista do pai, do ponto de vista de Stella, e do ponto de vista da mãe.

Quem matou, afinal, Christopher Olsen?

Pode uma pessoa inocente ser condenada injustamente?

Pode o verdadeiro culpado sair impune?

 

 

 

 

Perder um filho é perder um pedaço de nós...

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É perdermo-nos, também nós...

É ficar sem ar...

É ficar sem chão...

É sentir uma dor tão forte no coração, que parece que também ele quer deixar de bater...

 

É sentir arrancada uma parte de nós...

Sem dó, nem piedade...

A vida, eventualmente, segue sem ela...

Tem que seguir... Sobretudo, se houver quem ainda dependa de nós...

Mas nunca mais será a mesma.

Não há nada que substitua esse pedaço, ou nos devolva a vida como ela era antes, completa.

 

É perceber que queremos tanto proteger os filhos e, ainda assim, nunca os conseguiremos proteger o suficiente.

É sentir que a nossa missão foi interrompida, muito antes de terminada.

É sentir que, a esse filho, lhe foram cortadas as asas. Vedado o caminho que começava a trilhar...

Ninguém cria um filho, para vê-lo ficar pelo caminho, sem viver a vida para a qual o preparou, e onde queria vê-lo, feliz e realizado, a passar por todas as etapas que, também os pais, um dia, passaram, mas à sua própria maneira.

 

O tempo atenua a dor.

Apazigua o espírito.

Acalma o coração.

Embala a lembrança.

Mas não nos faz esquecer, que uma parte de nós, um dia, cedo demais, antes de nós, se foi...

 

 

 

Da liberdade que se deve dar aos filhos

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Todos sabemos que, antigamente, havia liberdade a menos e que, pelo contrário, hoje em dia e cada vez mais, há uma tendência a dar liberdade a mais. Sabemos que o ideal, seria o meio termo.

Mas, mais do que muita ou pouca liberdade, acho que devemos também pensar no tipo de liberdade estamos a dar aos nossos filhos, e na forma como a mesma é dada, à medida que eles crescem, e para que possam crescer.

 

Porque existe uma forma e tipo diferente para cada etapa, para cada idade, e que devemos saber gerir, para que os nossos filhos saibam para que serve essa liberdade, e até onde podem ir, sabendo que, se a ultrapassarem, haverão consequências mas também que, não a ultrapassando, têm uma larga margem para usufruir dela e tirar o máximo partido, sem estarem limitados.

 

Porque uma criança a quem só lhe é dada liberdade para estar em contacto com o preto e o branco, não tem oportunidade de descobrir que o mundo pode ser mais colorido. 

Se mantivermos os nossos filhos dentro de uma pequena bolha, eles nunca saberão o que há para além dela.

Os nossos filhos não precisam que lhes sejam vendados os olhos, para aquilo que não queremos que eles vejam porque, mais cedo ou mais tarde, eles irão mesmo ver.

Não precisam que lhes amparemos as quedas porque, um dia, não estaremos cá para isso e, quando caírem, irá doer ainda mais.

 

Por vezes, é preciso soltar a mão, deixá-los dar os seus passos, ainda que sejam atabalhoados, ainda que não consigam manter-se em equilíbrio. E deixá-los cair. Porque só assim aprenderão com os erros, com a tentativa. Só assim saberão o que devem ou não fazer.

 

Mais do que proteger, é preciso preparar. Dar as ferramentas, para que eles as possam conhecer, manusear, e aprender a utilizar, adaptando a cada uma das fases da sua vida.