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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando nos ligam da escola...

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...a informar que os nossos filhos estão com quase 39 graus de febre, e que talvez seja melhor ir buscá-los.

 

Ontem estava queixosa - doía-lhe a cabeça, o corpo, estava mal disposta. Não tinha febre.

Hoje de manhã, ainda lhe doía a cabeça. Não tinha febre. Tinha apresentação de um trabalho de português. Foi às aulas.

Já tinha decidido que não iria fazer educação física logo à tarde, e preenchido a justificação.

Agora ligam da escola, a dizer-me que está no posto médico, queixosa, e com quase 39 de febre, e que é melhor ir lá buscá-la.

Ela não é de faltar às aulas por qualquer coisa, mas agora terá mesmo que ser.

 

 

Filhos, quem os entende?!

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A sair de casa, a caminho da escola:

 

Filha - Mãe, está a chover

Eu - Mas é só uns pingos, achas que vale a pena abrir chapéu?

Filha - Tu é que sabes... Se eu ficar constipada a culpa é tua!

Entretanto, começa a chover um pouco mais e abro o chapéu.

 

 

Perto da escola:

 

Filha - Ainda é cedo, não quero entrar já. Ficamos aqui um bocadinho.

Eu - Pois, mas eu ainda tenho coisas para fazer.

Filha - Então, se queres ir vai, que eu fico aqui à chuva...

 

Dei-lhe a mochila, a carteira, e fomos andando até próximo do portão.

Dá-me um beijo e diz-me adeus.

 

Eu - Espera que eu acompanho-te até ali ao portão, para não ires à chuva.

Filha - Quero lá saber. Eu quero ir à chuva mesmo!

Quando a possessividade e o despotismo dos pais estragam a vida dos filhos

Resultado de imagem para autoritarismo

 

Quando vejo, actualmente, situações destas, vem-me sempre à memória o caso de uma antiga vizinha minha, e da sua filha, alguns anos mais velha que eu.

Estava eu na pré adolescência, quando esta rapariga começou a namorar.

Antes, andava sempre com a mãe para todo o lado, tal como hoje a minha filha anda comigo e, até aí, nada de mais.

Como dizia, ela começou a namorar e o rapaz foi aparentemente bem aceite pela futura sogra. 

Aparentemente porque, se pela frente, era toda sorrisos e amabilidade, pelas costas, envenenava a filha contra ele, provocava intrigas, arranjava forma de se chatearem até que, um dia, conseguiu o seu propósito, e a relação acabou.

Tinha a filha para si, novamente. E esta situação repetiu-se até a rapariga se tornar uma mulher de quase 40 anos, solteira e sem qualquer namorado, porque a mãe se encarregava de estragar qualquer relação que ela tivesse.

Felizmente, a filha teve coragem de, a determinada latura da sua vida, se impôr. Hoje, tem um companheiro, e dá-se bem com a mãe mas houve alguns anos em que a relação entre mãe e filha ficou tremida ou mesmo cortada.

Dá a ideia de que a mãe queria a filha só para ela, o tempo todo ao seu lado, sem a deixar viver a sua própria vida.

 

Existem pais que conseguem, de tal forma, fazer uso do autoritarismo que exercem, e da manipulação que fazem com os filhos, que os sufocam, não os deixando ter vida, amigos, relações amorosas.

São pessoas que pensam apenas em si próprias e naquilo que lhes faz falta, sem se importarem com o que os filhos querem e precisam. Na verdade, os filhos não têm direito a qualquer opinião ou escolha.

E se há os que se vão deixando manipular, os que vão aceitando, os que se vão sujeitando porque não têm outra hipótese, também há os que, mal possam, fogem destas relações destrutivas, deixando aqueles que, nem por um momento, pensaram na sua felicidade.

 

Não percebo como é que estes pais não vêem isso, que quanto mais prendem e sufocam os filhos, mais depressa se arriscam a perdê-los.

Não percebo como é que existem pais para quem a única vontade, os únicos desejos, os únicos interesses, os únicos amigos, as únicas actividades e os únicos passeios que contam, são unica e exclusivamente aqueles que os pais querem e gostam. Não pensam nem um único momento nos filhos?!

 

E depois, no meio de todo este autoritarismo, egoísmo e possessão, acabam por, muitas vezes, negligenciar e deixar por sua conta esses filhos, se eles não fizerem a sua vontade. 

Acabam por não se preocupar com o mais importante. Acabam por ser pais frios, desligados.

Acabam por criar filhos desestruturados, problemáticos, infelizes, tímidos, vulneráveis, estragando-lhes, a longo prazo, a vida, se eles não se conseguirem impôr e dar a volta.

 

 

 

 

Ter filhos em Portugal...

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...não é justo, não compensa, faz cada vez menos sentido, e é cada vez mais impensável.

Portugal é um país com população, maioritariamente envelhecida, e a tendência é para continuar.

Cada vez mais, por incrível ou absurdo que possa parecer, as pessoas optam por ter animais de estimação, em substituição dos filhos que um dia desejaram, ou não, ter.

 

Porquê?

 

Vivemos num país em que a maioria de nós não tem o seu emprego de sonho, nem tão pouco um emprego razoável, com horas decentes de trabalho, e um ordenado que lhes permita grande coisa, além da sobrevivência. Trabalhamos horas a mais, num único trabalho ou na soma de vários para conseguir ganhar um salário mediano, na esperança de que, depois de assegurado o essencial, ainda sobrem uns tostões para alguma eventualidade que surja.

Ora, se passamos o dia todo (ou a noite, para os que trabalham nesse horário) fora de casa e, quando chegamos, só queremos é descanso, paz e sossego, que tempo sobra para dedicar a um filho? 

 

Criam-se creches, apoios ao estudo, centros de actividades de tempos livres, actividades extra curriculares, prolongamentos, e horários escolares que ocupem o maior número de horas possível durante o dia, para que os pais possam trabalhar descansados, entrar cedo e sair tarde, sem preocupações. 

Quando se deveria, isso sim, criar condições para que os pais pudessem passar parte desse tempo com os filhos.

Se os pais não têm tempo para estar com os seus filhos, para quê trazê-los ao mundo? 

Para descartá-los em casa dos avós para que cuidem deles? Para deixá-los entregues a amas ou outros que tomam conta deles no nosso lugar? Unicamente para alimentá-los, dar banho e pô-los a dormir? Para os ver uns minutos por dia? Não faz sentido.

 

Esta semana, a minha filha trouxe trabalhos de casa na terça-feira, de 3 disciplinas. Um dos trabalhos era para a próxima semana mas, como no fim de semana tem que estudar para os testes da semana seguinte, fê-lo naquele dia, juntamente com outro. Deitámo-nos cerca das 23 horas, já sem paciência e cheios de sono, para no outro dia acordar cedo.

Quarta-feira, trouxe novamente trabalhos mas, como tinha teste no dia seguinte, dedicou-se ao estudo, e deixou os trabalhos para quinta. Novamente, deitámo-nos por volta das 23 horas.

Quinta-feira, tinha obrigatoriamente que fazer os trabalhos de duas disciplinas, para hoje. Entre tentar perceber o que era pedido, cálculos, pesquisas, e responder a tudo, porque levar uma resposta por fazer pode equivaler a ter falta como se não tivesse feito nada, já eram quase 23.30 horas quando fomos dormir.

Para hoje ter que acordar cedo novamente.

Ora, no meio de jantares, banhos e TPC's sem fim, onde fica o tempo para estarmos juntos enquanto família? Para desanuviar de um dia de trabalho e de aulas?

Porque é que, em vez de sobrecarregarem os horários dos alunos com mais de 10 disciplinas, não criam um tempo em que eles façam os TPC's na escola, e esclareçam as dúvidas na hora, com quem mais os pode ajudar, tirando essa carga dos pais?

Se não há tempo para convívio e actividades divertidas com os filhos, muitas vezes nem aos fins de semana, para quê trazê-los ao mundo?

 

Basicamente, temos filhos para os entregar, desde cedo, a outras pessoas que irão cuidar deles enquanto passamos a maior parte do dia fora de casa, e que depois os avós irão buscar e cuidar até que os pais cheguem a casa, para dali a 5 minutos estarem na cama e, no dia seguinte, e no seguinte, repetir toda a rotina. 

É justo para nós, pais? Será justo, acima de tudo, para estas crianças crescerem desta forma?

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