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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Tipos de pais numa reunião escolar

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- Os que entram mudos e saem calados (basicamente o meu caso) - as minhas dúvidas acabam por ser esclarecidas através das questões dos outros pais, por isso, digo boa tarde, passo e assino o que há para anotar e assinar, peço a declaração de presença e despeço-me.

 

- Os colocam questões pertinentes e úteis - são poucos, mas existem

 

- Os que fazem aquele ar surpreendido quando ficam a saber que os filhos não são tão santos como pensam - uma vez uma mãe perguntou à professora se o filho era um dos alunos que tinha ROND (registo ocorrência natureza disciplinar) e a professora disse que o filho era dos que tinha mais

 

- Os que criticam os filhos e os deitam ainda mais abaixo

 

- Os que, pelo contrário, gabam os filhos o mais que podem - uma vez uma mãe andava à procura do trabalho do filho, para se sentar na cadeira respectiva, e a professora indicou-lhe o lugar errado. A mãe virou-se para mim e disse logo, naquele tom depreciativo "eu vi logo, a minha filha não faz estes desenhos". A mesma mãe, a propósito de um livro que saiu, e do qual outra mãe falou, fez questão de informar os presentes que a capa era da autoria da filha.

 

- Os que aproveitam para fazer queixinhas dos colegas dos filhos

 

- Os que quase contam a vida toda na reunião, com direito a drama e muitas lágrimas para reforçar a ideia - já aconteceu numa das reuniões

 

- Os que vão à reunião mas aproveitam para falar de tudo menos do que ali se está a discutir

 

- Os pais que também são professores, e acabam por dar umas quantas sentenças e meter-se no trabalho e na reunião da colega

 

- Os que entram tarde e saem cedo

 

- Os que nem sequer aparecem

 

 

Querem acrescentar mais algum? Estejam à vontade!

Porque deixamos que os outros condicionem o nosso comportamento?

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A propósito deste post, e de uma questão que foi abordada num seminário sobre parentalidade positiva, a que assisti há pouco tempo:

 

Porque condicionamos o nosso comportamento em relação aos nossos filhos, na presença ou perante o olhar de terceiros?

Porque nos preocupamos tanto com o que os outros possam pensar ou dizer?

 

No que respeita à minha filha, sempre tentei agir de acordo com aquilo que eu penso ser o melhor, e não segundo o que os outros achariam que deveria fazer. Como eu costumo dizer, da minha filha cuido eu. É muito fácil dar conselhos ou sugestões, quando não se está por dentro das situações, quando se analisa à distância, de fora. É muito fácil criticar a forma como agimos, enquanto pais. E a única coisa que eu respondo é: quando estiverem na mesma situação, voltamos a falar!

 

E sempre tentei não dar importância àquilo que os outros pensam ou possam dizer da forma como educo a minha filha, principalmente aquelas pessoas que se metem só porque sim, sem qualquer verdadeira intenção de ajudar, mas apenas de se meterem na vida dos outros, à falta de vida própria e melhor coisa para fazer.

 

Mas a verdade é que, hoje em dia, somos obrigados a condicionar o nosso comportamento, somos obrigados a pensar duas vezes, porque esses terceiros podem, de facto, prejudicar-nos.

 

E dou-vos um exemplo muito simples: a minha filha, quando era pequena, ficava com a minha mãe. Volta e meia, fazia birras e desafiava-a, e a minha mãe gritava com ela. Soube mais tarde, já não me lembro como, que uma vizinha esteve para fazer queixa da minha mãe, por suspeitar de maus tratos! 

 

Dizia uma mãe, nesse seminário, e eu confirmo, que hoje em dia, os pais preferem fazer a vontade aos filhos, para eles pararem a birra e deixarem de ter cem olhos postos neles, à espera de os ver arrastar a pobre criança, do primeiro grito, ou da primeira palmada, para os recriminar ou denunciar. 

E sei de casos em que essas queixas resultaram em sinalização, e visitas de assistentes sociais (pena que não actuem em situações onde realmente fazia falta).

 

Ninguém nasce ensinado, os filhos não vêem com manual de instruções, os pais não são sábios que detêm toda a arte da educação. Acaba por ser uma constante aprendizagem, em que temos que ir experimentando várias formas, para perceber aquela que mais resulta, para o bem de todos.

 

Sim, já houve momentos em que simplesmente me rendi e fiz as vontades, para não me chatear e não ter um hipermercado inteiro a olhar para nós. E momentos em que não me importei minimamente com os outros, e fiz o que tinha que fazer. E sim,também já houve momentos em que dei umas boas palmadas, em que gritei, em que conversei, em que agi da forma correcta, e em que agi de forma errada. De qualquer forma, acabamos sempre por ser "presos por ter cão e por não ter". 

 

Também já assisti a uma cena em que uma mãe deu umas estaladas à filha num café, e não gostei da atitude dela.

Mas caberá a mim intrometer-me nessas situações, que não me dizem respeito?

 

Caberá a nós intrometer-mo-nos ou interferir na forma como os outros pais educam os seus filhos, por muito que tenhamos vontade e, muitas vezes, razão?

 

Carta aberta de uma mãe a todos os professores

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"Exmos.(as) Srs.(as) Professores(as),

 

Não entendam esta minha missiva como desrespeito pelo vosso trabalho enquanto professores nem, tão pouco, desconsideração pela disciplina que leccionam, ou pela importância da mesma no percurso escolar da minha filha, vossa aluna, e no seu futuro.

No entanto, permitam-me manifestar, desta forma, a minha opinião que, certamente, enquanto pais que são ou virão a ser, compreenderão.

 

Que futuro terá uma criança/ adolescente que passa os dias no estabelecimento de ensino e, quando chega a casa, vê o seu tempo de lazer ocupado com trabalhos de casa, interrompidos apenas pelo lanche, pelo banho e pelo jantar?

Que vê os seus fins-de-semana preenchidos com trabalhos de casa de várias disciplinas, a que muitas vezes se juntam trabalhos de grupo e o estudo extra para os testes da semana seguinte, apenas interrompidos pelas refeições, pelo banho, e pelas breves pausas que, por entre o estudo, aproveitam para pegar no telemóvel e aceder às redes sociais, ou ouvir um pouco de música?

 

Sei que, certamente, haverão pais que sofrem desse mesmo problema, e vêem a sua vida reduzida a trabalho e tarefas domésticas. A que, muitas vezes, ainda se junta a ajuda aos filhos nos estudos.

Sei que vocês, como professores e pais, também terão o vosso tempo ocupado e limitado, sem muito tempo para a vossa vida familiar, com muita pena vossa e, provavelmente, com queixas por parte dos vossos filhos.

 

Mas sabem uma coisa? 

Sinto falta de passar tempo de qualidade com a minha filha!

Não, simplesmente, estarmos as duas na mesma casa, cada uma ocupada com as suas tarefas, ou as duas às voltas com livros, cadernos e matéria. Mas de estarmos as duas, sem preocupações, sem pressas, sem o relógio a contar o tempo que temos para conviver, no meio de tudo o resto.

 

Tenho saudades dos tempos em que a escola ficava na escola, e a casa era para a família. 

Para uma ida ao cinema, ao teatro ou ao circo, para um passeio num sábado ou domingo, ou até para uma festa de aniversário, tenho que andar a ver no calendário, o melhor dia, em que ela não tenha nada para fazer ou estudar. Passam-se meses, sem que o consigamos fazer. Valem-nos as férias escolares, apenas, e o escasso período de pausa entre fornadas de testes.

 

E, então, pergunto-me:

Não será, por vezes, mais produtivo e educativo, um programa familiar onde possam aprender algo, conviver com a natureza, aprender valores que não vêm nos livros, do que dias a fio encerrados em casa, agarrados a matéria que nem percebe para que lhes servirá?

Não será preferível trocar os nervos, as dificuldades da matéria, o stress dos testes, a correria, as maratonas de estudo, por momentos divertidos e alegres com aqueles que mais os amam?

Não deveria valer uma boa acção, ou um bonito gesto, mais do que uma nota num teste ou na pauta final?

Não deveria um sorriso no rosto, a paz, a tranquilidade, valer mais que o receio de um mau resultado e que as lágrimas por algo que não conseguem perceber, ou não correu bem?

 

Ensinar não tem que ser uma coisa má, deveria ser algo que encarariam com recetividade e curiosidade.

Mas era preciso que o ensino não fosse algo que quisessem enfiar à força na cabeça dos alunos, como quem tem um prazo para enfiar uma infinidade de coisas em algum sítio, dê por onde der, não permitindo que os estudantes apreendam, no seu tempo, aquilo que estão a receber.

O ensino deveria ser o complemento da vida familiar, e não o seu substituto, a tempo integral.

 

E, acreditem, por vezes, tenho vontade de a deixar livre, para aproveitar as coisas boas que a vida tem para lhe oferecer, sem ter que pensar em mais nada. Tenho vontade de obrigá-la a trocar os livros por uma sessão de riso, com as nossas patetices, por umas horas de brincadeira, por uns momentos de solidariedade para com quem mais precisa, por tempo para se divertir com as amigas, por tempo para, simplesmente, não fazer nada!

 

Sinto falta da minha filha, apesar de estar com ela todos os dias!

Como tenho a certeza que vocês, professores, enquanto pais, também sentirão, relativamente aos vossos filhos, ou familiares com quem deixam de passar tempo por conta do vosso trabalho.

 

Grata pelo tempo dispendido na leitura desta missiva que, tenho a certeza, reflete o pensamento e sentimento de muitos pais deste país."

 

 

Não sei até que ponto enviar uma carta destas aos professores da minha filha seria considerado caso grave de internamento! Mas o que aqui está escrito é a mais pura verdade.

E por aí, há alguém que se reveja?

Sobre o programa Super Nanny

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Eu resumiria o programa numa simples frase: 

"Exploração de crianças que nunca deveriam ser expostas desta forma, consentida pelos pais que nunca deveriam submeter os seus filhos a este circo, para dar audiências à Sic, que deveria ter vergonha na cara, e ajudar estas famílias sem as colocar em frente às câmaras!"

 

No domingo, tinha a televisão na Sic e estava a dar o programa quando fui à sala. A minha filha quis ver, e acabei por ver um pouco também.

Não vi a parte das birras, mas contei à minha filha algumas das birras que ela própria fez, e tudo o que, com elas, veio em termos de acções condenáveis. Ela ficou admiradíssima por ter feito tudo isso, não se recordava já.

Perguntei-lhe como se sentiria se, no lugar daquelas crianças, fosse ela ali na televisão, a ser vista por toda a gente, a fazer as ditas birras. Respondeu-me que se sentiria mal e não ia gostar.

Está tudo dito. Quem realmente precisa de ajuda, procura-a, mas de forma particular. Não para ganhar dinheiro expondo-se a si, e aos seus filhos, para o mundo, no ecran.

Para isso, contratem atores para simular cenas reais, que o resultado é o mesmo.

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