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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Look Both Ways" (Dois Caminhos), na Netflix

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Natalie é uma mulher com um "plano a cinco anos"!

Ela tem tudo definido, programado, planeado a longo prazo, e não quer fugir desse plano.

A não ser por umas horas, quando aquilo que pareceria uma loucura acontece.

 

Na noite da festa da licenciatura, Natalie sente-se mal e, por via das dúvidas, a amiga traz-lhe uns testes de gravidez, só para excluir essa hipótese.

A partir daí, assistimos a duas vidas, e dois percursos, paralelos: a vida em que Natalie está grávida, e todo o seu plano vai por água abaixo; e a vida em que o teste deu negativo, e o plano segue, embora não da forma como ela esperaria.

 

A questão é saber qual das duas vidas é a real, e aquela que poderia ter sido, mas não foi.

E a mensagem é bem explícita: não importa o caminho que se percorra, ou as escolhas que se façam porque, de uma ou outra forma, as coisas podem acontecer, podemos concretizar os nossos objectivos, e ser felizes.

No fim, Natalie estará bem, qualquer que seja o seu destino.

Será?

 

Vejam, que vale a pena!

"Purple Hearts", na Netflix

Watch Purple Hearts | Netflix Official Site 

 

Também conhecido por "Corações Marcados" ou "Continência ao Amor", este é o filme sobre o qual mais se fala ultimamente, não só pela história em si, como pela química entre os protagonistas, e pela banda sonora.

Sofia Carson, protagonista feminina, foi a responsável por vender a ideia do filme à Netflix, escolher aquele que viria a ser o seu par romântico, protagonista masculino, e também por criar as músicas que fazem parte do filme, nomeadamente, "Come Back Home", "I Didn't Know" e "I Hate The Way".

 

O filme, de cerca de duas horas (que quase não se dá por elas), adaptado do livro com o mesmo nome, da autora Tess Wakefield, fala da vida e dos problemas de duas pessoas que, vendo num casamento fingido a solução, decidem concretizar essa ideia, arriscando consequências legais, como serem acusados de fraude, caso se descubra que o casamento não é real.

 

Cassie é uma aspirante a artista, que sofre de diabetes e que, apesar dos vários trabalhos que tem, está com dificuldades em conseguir pagar todas as suas despesas, tendo que escolher entre os medicamentos que lhe salvam a vida, ou a renda da casa, de onde pode ser despejada.

Já Luke, apesar de agora estar bem, e se ter tornado fuzileiro, para reconquistar a confiança do pai, depois dos problemas em que se meteu, e que o levam agora a dever uma grande quantia em dinheiro a um traficante, vê-se encurralado, sem ter como pagar a dívida, e sob ameaças a si e à sua família.

São ambos muito diferentes, vêm de realidades distintas, mas têm algo em comum: precisam de dinheiro.

Assim, de forma a obter os apoios financeiros dados aos casais, em que um dos membros pertence ao exército, como seguro médico e aumento do salário, eles decidem casar-se, na véspera de Luke partir para o Iraque.

 

Eles achavam que seria fácil, até pela distância, fingir que estavam apaixonados, sem ter que conviver um com o outro. E que seria rápido.

Mas tudo muda quando Luke fica ferido e volta para casa. 

Logo agora que a carreira musical de Cassie e do seu grupo - The Loyal - está a descolar, eles terão que viver juntos e manter a farsa, até que Luke recupere, e se possam divorciar.

 

Conseguirão eles lidar um com o outro?

Serão capazes de esconder de todos, o que realmente, os une?

Haverá alguma possibilidade de, pelo caminho, se apaixonarem e o casamento se tornar real?

Ou deitarão tudo a perder?

 

Pelas muitas críticas que tinha lido, estava expectante se, de facto, era um filme que apelava à lágrima.

Posso dizer que há cenas que são muito tristes.

A despedida dos familiares, quando os seus filhos/ netos/ sobrinhos/ maridos/ namorados estão a partir para a guerra, sem saber se voltam a vê-los, é uma delas.

O funeral de Frankie, melhor amigo de Luke e Cassie, também comove, porque sabemos que, nas guerras, são vidas inocentes que se perdem, jovens que tinham tanto pela frente para viver, e que morrem ao serviço do seu país.

Posso também dizer que cada actuação de Cassie, e cada música que ela canta, reflecte o seu estado de espírito, os seus sentimentos, e promovem momentos emotivos, e sinceros, que passam para quem a ouve.

Mas nada que faça derramar um rio de lágrimas.

 

Depois, há também as relações entre Cassie e a mãe, que tenta ajudar a filha como pode, mas sem poder fazer muito, porque também ela tem pouco.

E de Luke com o pai, um ex polícia militar que cortou relações com o filho depois de ele ter enveredado por caminhos que não devia, e que agora se reaproximará. 

 

Por tudo isto, é um filme que devem ver porque, sem esmiuçar demasiado as questões da guerra, sem forçar demasiado um romance, e sem se demorar muito numa longa recuperação e stress, acaba por abordar tudo de forma leve, mas sentida.

E, no fim, percebemos que resultou!

 

 

 

 

 

"Ruby ao Resgate", na Netflix

Ruby ao Resgate | Site oficial da Netflix

 

Este é um filme baseado numa história verídica, em que uma cadela de rua, levada para um abrigo, após ser devolvida várias vezes, por diversas famílias, e em risco de abate, foi finalmente adoptada e tornou-se K-9, uma cadela de resgate da unidade canina, e heroína.

 

O filme retrata a realidade de muitos animais, de muitos abrigos, e de muitos adoptantes.

Os animais não nascem ensinados.

Nem todos têm o mesmo tipo de comportamento, e agem da mesma forma.

Cada um tem a sua própria personalidade, e o seu próprio tempo para aprender e perceber as coisas.

Acredito também que, cada animal, neste caso, os cães, sabe quando encontra o dono certo ou a família certa para si.

Aliás, penso mesmo que são mais eles que nos escolhem, do que nós os escolhemos a eles.

 

Ruby era uma cadela com problemas comportamentais, indisciplinada, não ouvia nem obedecia a ninguém, não era sociável e, por isso, ninguém estava disposto a dar-lhe uma oportunidade, a dar-lhe tempo.

A única pessoa com quem Ruby estabeleceu uma ligação foi com a sua tratadora do abrigo, a única que se preocupava com ela, que temia o pior, caso não aparecesse alguém que, realmente, soubesse lidar com Ruby, e compreendê-la.

E ainda não tinha aparecido essa pessoa.

No fundo, ela só precisava de alguém que acreditasse nela. Que a ensinasse à sua medida. Que não desistisse dela.

 

Tal como Dan, o polícia que, no filme, ao tentar cumprir o seu sonho de pertencer à unidade canina, recorre ao abrigo, na esperança de adoptar um cão que possa treinar, e ajudá-lo a concretizar esse objectivo.

A ligação é imediata até porque, como afirma a mulher de Dan, eles são muito parecidos.

 

O problema é que, quando não se tem confiança em si próprio, quando se duvida de si mesmo, é difícil fazer com que os restantes, ao redor, pensem de outra forma.

Dan tem esse problema. 

Até àquele momento, Dan teve que ultrapassar diversas dificuldades, e superar várias limitações, esforçando-se o dobro ou o triplo dos restantes, para conseguir chegar onde está.

Ainda assim, há momentos em que a falta de confiança, e de esperança, voltam a atormentá-lo, e isso irá reflectir-se em Ruby, ou seja, Dan acaba por projectar tudo isso, e as suas frustrações, culpando Ruby, não confiando nela, não acreditando nela.

 

Ora, Ruby, como todos os animais, tem sentimentos.

Percebe quando os humanos estão a ser injustos, quando parecem desiludidos e tristes com os seus animais.

Percebe quando é desejada, e quando não a querem.

Por isso, depois de Dan ter duvidado do instinto de Ruby, numa operação, e a ter culpado pela sua má sorte, Ruby abandona a casa.

No dia seguinte, percebe-se que Ruby tinha razão. Que Dan fora injusto com ela.

Que Dan fez a Ruby, aquilo que sempre acusou os outros de fazerem com ele.

Mas, agora, é tarde.

Ruby desapareceu. E ninguém a encontra.

Está magoada. Sente-se, mais uma vez, rejeitada. Só que agora, é pior, porque foi rejeitada pela pessoa de quem ela gostava.

 

Entretanto, um rapaz desaparece, e Dan é chamado para integrar a equipa de resgate.

No entanto, sem Ruby, nada pode fazer.

 

Conseguirá Dan encontrar a sua cadela?

Voltarão a formar, ambos, uma dupla de sucesso?

Ao contrário dos humanos, os animais perdoam mais depressa. Mas, será este o caso?

 

Só vos posso dizer que o final do filme reserva uma surpresa inesperada, e que nos faz pensar que, se calhar, tudo tem uma razão de ser.

Que, por vezes, sem saber, salvamos vidas que, um dia, nos salvaram a nós.

 

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Vejam o filme!

Sim, é emotivo. Puxa para a lágrima.

Mas é, também, uma aprendizagem sobre os animais.

E uma lição para nós, humanos.

 

 

 

"Sem Dizer Adeus", na Netflix

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"Sem Dizer Adeus" estreou há poucos dias na Netflix.

 

Sim, é mais um filme romântico.

Sim, há o homem que só vive para o trabalho. E a mulher, que é totalmente o oposto.

E sim, como em quase todos os filmes do género, os opostos vão atrair-se!

 

Então, o que faz de "Sem Dizer Adeus", um filme que valha a pena ver? Que se destaque entre tantos do género?

As paisagens mágicas, por exemplo!

O filme é passado em Cusco, cidade situada nos Andes do Peru.

Também encontramos por lá Machu Picchu.

Ficamos a conhecer Salcantay, no pico da Cordilheira dos Andes.

Ou Puno, uma cidade no sul do Peru, no lago Titicaca, um dos maiores lagos da América do Sul. 

E Paracas, uma pequena cidade portuária muito virada para o turismo.

Portanto, natureza no seu melhor! 

Um passeio de tirar a respiração, sem sair do sofá.

 

Cultura, tradições, arte e história - uma parte importante de qualquer viagem!

A música tradicional de Cusco

Os pratos típicos, e uma diferente forma de cozinhar

O Império Inca

Arquitectura, e vestígios arqueológicos

Um povo simples, prático, com espírito de confiança, entreajuda, amizade, humildade.

 

As raízes

Ariana é aquilo a que se chama uma "mulher do mundo". Sempre a viajar, não consegue estar muito tempo no mesmo sítio, mesmo que esse sítio seja aquele que guarda as suas memórias, e onde estão assentes as suas raízes.

Apesar da sua grande ligação à tia, à terra e ao povo, Ariana parece aquele tipo de pessoa que não se quer prender a nada, e a ninguém, seja de que forma for.

 

Salvador é um arquitecto que vive para o trabalho. 

Embora criativo, e bem sucedido, Salvador tem como paixão os números e, por isso, vive para o lucro. 

Quer sempre levar a sua ideia avante, em parte muito pressionado pelo pai, e não costuma olhar a meios, para atingir os fins, com o lema de que "tudo tem um preço".

Salvador e o pai parecem uma dupla em termos familiares e profissionais.

Ao contrário de Ariana, Salvador não se deixa desprender nem por um momento.

O objetivo, e equilíbrio, é cada um deles deixar-se levar por aquilo que tenta evitar a todo o custo, ou não sabe como parar de evitar.

Para que possam ser ainda mais felizes.

Sem promessas.

Mas assumindo um compromisso.

Portanto, mais que o romance em si, é uma descoberta e mudança em cada um deles!

 

 

 

 

 

"Amandla", na Netflix

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"Amandla", palavra que nas línguas Nguni (angunes) significa "poder", era um grito de guerra e de luta contra a opressão e a segregação racial, também conhecida como apartheid.

A história deste filme começa, precisamente, no Dia da Reconciliação, feriado da África do Sul, em que se celebra o fim da segregação racial e a promoção da reconciliação e a unidade nacional.  

 

É também o dia do aniversário de Impi.

Impi é um rapaz de 11 anos, que vive com os pais e o irmão mais novo, Nkosana, na propriedade dos patrões dos pais. Impi e a sua família são negros. Os patrões, brancos.

Neste dia, a mãe de Impi aconselha os seus filhos a manterem-se longe da "casa grande", onde os patrões darão uma festa e receberão convidados, para celebrar o feriado.

E estes, assim fazem.

 

Ainda assim, os irmãos são abordados por 3 homens brancos, obviamente racistas, que lhes atiram bosta à cara e ao corpo, até que a filha dos patrões intervém, e os faz parar e sair dali para fora.

Elizabeth, uma miúda que pretende, quando for adulta, lutar pelos direitos humanos, é a melhor amiga de Impi e Nkosana. E, nesse dia, acaba por beijar Impi, momento que é observado pelos tais homens, e que lhes atiça ainda mais o ódio pelos pretos, e a revolta pela farsa que o Dia da Reconciliação simboliza. 

 

Este é o ponto de partida.

Como vingança, estes homens matam os pais de Impi e Nkosana, obrigando-os a fugir a meio da noite, sem destino.

No entanto, não diria que este é um filme sobre racismo, mas antes sobre dilemas morais.

Sobre decisões que, em determinadas circunstâncias, as pessoas são levadas a tomar. E que podem transformar completamente uma pessoa.

Impi é o mais velho. Aparentemente, o mais sensato. Aquele que deve tomar conta do irmão. Faz o melhor que pode, com o pouco ou nada que têm, mas nem assim conseguem o que quer que seja.

Nkosana tem dificuldade em perceber as intenções do irmão, e o porquê de estarem naquela situação. Ele está cansado. Tem fome. O irmão prometeu, ainda que em jeito de brincadeira e incentivo, uma boa refeição só que, ao cair da noite, não existe.

E Impi, faz aquilo que o coração lhe mandou - roubou duas garrafas de leite que estavam à porta de uma casa, por onde passavam...

 

Agora, ambos são adultos.

Confesso que, apesar das evidências, inicialmente, troquei os irmãos. Só depois percebi.

Impi é, agora, um ladrão, também conhecido como "o fantasma".

Nkosana, está a formar-se para ser polícia.

Logo aqui, temos um antagonismo.

Para o irmão poder estudar, e ter uma profissão decente, para trazer comida para casa, para terem uma casa, Impi teve que arranjar dinheiro da única forma que soube fazê-lo, embora mentindo ao irmão, afirmando que trabalhava nas minas.

Aparentemente, Nkosana acreditou, e aceitou tudo o que Impi lhe deu.

 

Num dos últimos momentos entre irmãos, ambos são confrontados com essas decisões, acções, reacções, ou falta delas.

Sobre aquilo que sabiam, mas fingiram não ver, aceitando, e usufruindo.

Sobre aquilo que poderiam ter feito de diferente. Sobre escolhas.

Há uma responsabilização e culpabilização mútua e, no entanto, será que algum deles teve culpa?

 

Tenho ouvido muitas vezes que "não se deve fazer pactos com o Diabo" e "não se deve fazer negócios com a Morte". Nunca dá bom resultado. E isso ficou bem latente neste filme.

Numa região onde, mais do que o racismo, existem guerrilhas dentro da própria raça, a sede de poder, e uma constante vigilância e rede de informantes, Impi acabou por se colocar na "boca do lobo".

E, uma vez lá dentro, não há volta a dar.

Impi acaba por ser suspeito de violação de uma estudante, nada mais, nada menos, que a sua amiga de infância, Elizabeth, que sempre o ajudou e defendeu.

Nkosana, sabendo disso, tenta ajudar o irmão a fugir, juntamente com a mulher e a filha, começando uma nova vida longe dali, mas sem conseguir desculpar Impi pelas atrocidades que cometeu, condenando-o pela vida que escolheu.

 

A questão é: escolheu?

Teve hipótese de escolha? 

Escolheu o caminho mais fácil? Ou o único possível?

E agora, terá ainda uma oportunidade para fazer diferente? Para se redimir?

Para viver a vida que sonhava quando era apenas uma criança?

 

Que destino estará reservado a Impi, a Nkosana e a Elisabeth, quando todos os seus sonhos lhes foram, abruptamente, roubados e atirados ao lixo?