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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

The Greatest Showman: um filme em que as músicas se sobrepõem ao conteúdo

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Não sou muito fã de musicais, nem mesmo em desenhos animados.

Gosto de uma ou outra música marcante, em cenas que a pedem, mas pouco mais do que isso. 

Um filme que é mais cantado, do que falado, acaba por saturar, e me fazer perder o interesse no mesmo.

 

Relativamente ao The Greatest Showman, apesar da publicidade feita ao filme na altura em que saiu, nunca cheguei a ver.

Mais tarde, ao ouvir algumas músicas de que gostava, e ir pesquisar, percebia que eram do filme.

 

Há uns tempos, andava eu a percorrer os canais, a ver o que iria ver, quando me deparo com a exibição de The Greatest Showman.

E vi-o.

Acho que foi o primeiro filme que me cativou pelas músicas, uma quase atrás da outra, quase cada uma melhor que a outra.

Atrevo-me até a dizer que as músicas se sobrepuseram ao conteúdo, porque na verdade, apesar da mensagem, não considerei que o filme fosse assim algo de extraordinário.

Não é um filme que veja outra vez, ou que me tenha marcado. A não ser, lá está, pela excelente banda sonora!

 

Temas como "A Million Dreams", "Never Enough", "Rewrite the Stars" ou "This Is Me" não se esquecem.

Pronto, também destaco a interpretação e versatilidade do actor/ cantor Hugh Jackman.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pieces of a Woman, na Netflix

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Pieces of a Woman aborda a gestação, o momento do parto e a perda de um filho, com as implicações que esse acontecimento refletem em cada um dos pais, família mas, sobretudo, do ponto de vista da mãe.

Aquela que viu o seu corpo transformado ao longo dos meses. Que sentiu todas as dores. Que pôs a sua filha no mundo. Que a teve nos braços e experimentou minutos de felicidade para, logo a seguir, a perder, e o seu mundo desmoronar.

Aquela cujo corpo continua a comportar-se como se houvesse um bebé para alimentar e cuidar.

Aquela a quem todos olham com pena, a quem querem consolar, muitas vezes, sem qualquer tacto. Aquela a quem são exigidas determinadas reacções e acções, sem lhe perguntar o que ela realmente sente e quer, ou precisa.

 

Sou mãe.

Tenho uma filha.

Não quero sequer imaginar a dor de a perder.

Não será mais fácil para quem perde os seus filhos poucas horas depois de nascerem, do que seria para quem com eles teve oportunidade de conviver e ver crescer.

Por isso, não consigo imaginar a dor de Martha. Mas seria normal que, enquanto mãe, me sentisse solidária com a sua dor.

Pois, por muito boa que tenha sido a actuação da protagonista, ela não conseguiu despertar a minha empatia.

“Estive” com ela no momento do parto. Identifiquei-me. Quase senti as dores como ela mas, a partir daí, foi-me totalmente indiferente no resto do filme.

 

Toda a história do filme tem, por base, um parto caseiro.

Por opção do casal ou, talvez, mais de Martha que, como vimos, não tinha muita vontade de abdicar do parto no aconchego do seu lar, para ter a sua filha num hospital.

Não condeno a sua escolha.

Sei, por experiência própria, como pode ser stressante, e ficar marcado como uma má experiência, um parto na maternidade, quando não existe privacidade, quando não conseguem (ou não querem) perceber as nossas dores, a necessidade de ter alguém ao lado, o facto de, uma coisa que é normal para quem lá trabalha, ser especial para quem o vive na pele, sem ser encarada e tratada como apenas um número, alguém fraco que só sabe gritar e queixar-se. Como pode ser invasivo, quando decidem levar avante procedimentos sem questionar a grávida. Quando, para terem menos trabalho e preocupações, e “despacharem o serviço”, decidem dar uma “ajudinha” da qual muitas mães preferiam abdicar, se lhes fosse perguntado.

E é por isso que algumas grávidas preferem ter os seus filhos num ambiente familiar, de forma o mais natural possível, rodeadas de quem lhes quer bem, vivendo o momento de forma tão tranquila quanto possível.

 

Mas…

Um parto num hospital, será, à partida, mais seguro. Se houver algum problema, estão no sítio certo. Existem os meios, e uma equipa de profissionais. Poupa-se tempo, por vezes precioso. E o transporte desnecessário de casa até ao hospital.

Isso não significa que o desfecho fosse diferente.

Por mil e uma razões, a bebé poderia estar, à partida, condenada. Poderia ter havido, como há tantas vezes, erros médicos no parto, na vigilância, no acompanhamento, no procedimento de expulsão.

No entanto, fica sempre a dúvida se não teria sido diferente…

Não sei se Martha, de alguma forma, se culpa por ter insistido nessa escolha, e ter resistido quando a parteira lhe falou da ambulância e do hospital. Ou por achar que há algo de errado com o seu corpo e, por isso, não conseguiu salvar a filha. Talvez se culpe, e seja por isso que não quer iniciar um julgamento contra a parteira que a assistiu. A sua mãe, certamente, fá-lo. E como não pode julgar a filha, decide virar-se para a parteira, a quem acusa pela morte da neta.

 

Penso que outro dos motivos para não ter criado empatia com Martha, é o facto de ela se mostrar, aparentemente, tão indiferente, tão fria, tão controlada, sem exteriorizar qualquer emoção, ainda que ela exista, e a esteja a corroer por dentro. 

Ao mesmo tempo que não quer saber de quem também está a sofrer.

Sim, uma mãe é uma mãe. Mas porque tem a dor do pai que ser tão desvalorizada, como se não se pudesse comparar à dor de uma mãe? Como se o pai fosse incapaz de sentir, de sofrer. E de compreender.

Como disse há dias, num outro post, perante uma desgraça, ou a família se une, ou desmorona.

Aqui, começou a desmoronar-se, sem retorno.

Eventualmente, Martha conseguirá, algum dia, juntar os seus pedaços, e seguir em frente.

 

Achei o filme demasiado longo.

Achei que poderia ser melhor explorado. 

Não me emocionou.

Não cativou.

Não marcou.

E não o veria novamente.

Fuga do Hospício: A História de Nellie Bly

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Era uma vez uma mulher que, querendo escrever, com a maior veracidade possível, sobre a malvadez do lobo mau, entrou na floresta e colocou-se mesmo à frente dele. Só que acabou mesmo por ser devorada por ele. 

E agora, como fará ela para sair de dentro da sua barriga?

Conseguirá alguém aniquilar o lobo mau, e salvá-la, antes que seja tarde demais?

 

 

Se, ainda hoje, as doenças mentais são um assunto "tabu", e ainda há tanto por saber sobre elas, imaginem há dois ou três séculos atrás.

Nesse tempo, qualquer coisa fora do padrão era considerado loucura.

Até mesmo as mulheres que se tornavam, em algum momento, incovenientes, eram enviadas para manicómios como loucas.

E, dado os "tratamentos" a que estas pessoas eram sujeitas naquela altura, mesmo aquelas que entrassem lá na posse da sua sanidade mental, acabavam por a perder.

 

Para retratar essa realidade e denunciar as práticas abusivas, Nellie Bly, uma conceituada jornalista, infiltra-se num hospício onde a enfermeira-chefe é, ela própria, uma mulher louca a precisar de tratamento urgente, e o médico que acompanha as pacientes, muito suspeito.

 

Só que...

Nellie não se lembra de nada. Não sabe quem é. Perdeu a memória.

Tem noção de que não é louca. Que não pertence ali.

Vai tendo algumas visões, mas nada de concreto, que a possa ajudar a descobrir quem é, ou o que faz ali.

E, à medida que o tempo passa, pior a sua situação vai ficando, no meio de toda aquela gente sem qualquer piedade.

 

Conseguirá Nellie escapar daquele hospício com vida?

Ou ficará, para sempre, presa na teia que ela própria teceu, para apanhar as suas presas?

 

Como já li alguns livros sobre os hospitais psiquiátricos, hospícios e tratamentos desumanos que eram prática habitual, este filme não foi assim nada de especial, de novo ou muito chocante mas, ainda assim, vale a pena ver.

Um Beijo à Meia Noite, na Netflix

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Existem pessoas que estão, desde sempre, presentes na nossa vida e, por isso, achamos que essa presença se manterá para sempre inalterada.

São pessoas que damos como certas, independentemente das circunstâncias, com as quais podemos contar e, por isso, inconscientemente, acabamos por "abusar" delas, pensando apenas em como nos fazem sentir melhor, sem ter consciência de como, com algumas atitudes, as fazemos sentir a elas.

 

Isto ganha ainda maiores proporções quando está em causa mais do que uma amizade, quando se escondem sentimentos de parte a parte, quando cada um teima em ignorar o que todos os outros à volta já perceberam há muito tempo.

Dizem que é o "medo" o grande culpado. E o medo é tramado.

Mas é também um bom indicador daquilo que uma pessoa realmente sente.

Se alguém conseguir enfrentar os seus piores receios, pela pessoa que está ao seu lado, então é amor. Como diz o pai da Maggie "conseguir passar as teias de aranha"!

 

Maggie e Jack são amigos desde que se lembram. Cresceram juntos, e as famílias de ambos formam uma espécie de família única.

Estão sempre lá um para o outro. Até mesmo o trabalho na rádio é partilhado por ambos, com um programa em dupla, que começa a ganhar protagonismo.

E logo agora que a ideia é apresentar os respectivos companheiros às famílias, ambos vêem as suas relações terminadas.

Com um plano em mente, para supreender os fãs do programa, e não defraudar as expectativas daqueles que estão a apostar na dupla, ambos fingem ter iniciado uma relação que, no fundo, sempre esteve destinada a existir mas que ambos, até determinado momento, levam como uma farsa inofensiva e necessária.

 

O problemas começam quando os sentimentos adormecidos despertam, a família começa a fazer pressão, e a amizade parece prestes a desmoronar.

Conseguirão eles enfrentar os seus piores receios, e abdicar da sua carreira em ascenção, para restabelecer a verdade perante todos e, acima de tudo, perante eles próprios?

 

Um romance leve e descontraído para ver nesta época natalícia.

 

"La vita davanti a sé" (Rosa e Momo), na Netflix

(e como um filme despertou algo que não é comum em mim)

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Por norma, sou daquelas pessoas que acredita que algumas circunstâncias da vida podem levar as pessoas a comportamentos menos aceitáveis. E, como tal, de certa forma, desculpáveis.

Sou daquelas que acredita naquele pensamento de que "atrás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida".

Que tem uma predisposição para querer compreender e ajudar aqueles que parecem ter problemas. Para querer encontrar o melhor, debaixo daquela carapaça que só deixa ver o pior.

Que acha que, por vezes, basta alguém que acredite nessas pessoas perdidas, que lhes mostre o caminho, que as apoie, que lhes dê a mão, que as vejam como realmente são, que as ajude a ultrapassar os traumas.

Ainda que nem sempre haja algo para salvar, e nem sempre se venha a ser bem sucedido nessa missão.

 

A verdade é que cada pessoa é única, diferente dos demais, e tem formas diferentes de reagir e lidar com uma mesma situação.

E se, em alguns casos, é uma questão de sobrevivência, de falta de opções, noutros é mesmo uma questão de escolha. E nem sempre se fazem boas escolhas.

 

Por isso, quando comecei a ver este filme, seria de supor que iria ter compaixão pelo jovem Momo, pela situação em que vive, pelo trauma com o qual tem que lidar.

Mas ele despertou o meu lado menos compreensivo, menos paciente, e mais insensível. Um lado de quem  já não está para se cansar porque, por vezes, as pessoas são mesmo assim. Não adianta ajudar quem não quer ser ajudado. 

E irritou-me tanto! Só me apetecia dar-lhe dois pares de estalos, para ver se acordava para a vida. Se aprendia a respeitar os mais velhos, aqueles que o tentam ajudar e querem o seu bem. Para ver se abria a pestana, e percebia que o tipo de vida que andava a levar não o faria chegar a lado nenhum, apesar do dinheiro, do prestígio, da sensação de poder. Se percebia que ele não é o único que carregava o passado às costas, e que estava a pagar o preço pelas injustiças da vida e da sociedade.

Eu só conseguia ver que Momo estava na vida que tinha, porque ele próprio a queria, e não fazia nada para mudar. 

No fundo, gostava de se armar em rufia. Era pobre e mal agradecido. Convencido. Irritante. Ciumento. Invejoso. Malcriado. Egoísta. E tantos outros adjectivos me ocorreram, tal como a Madame Rosa, que acabou por acolhê-lo em sua casa (que Momo apelidava de pocilga), a pedido do Dr. Cohen, tutor de Momo.

 

Depois de me ter feito despejar tudo o que de pior eu poderia estar a sentir em relação ao Momo, e não sei se era esse o objectivo do filme, comecei então a ver o verdadeiro Momo.

Aquele que, no fundo, só precisava de uma presença materna, de protecção, de um objectivo na vida, e de ajuda para conseguir, com apoio, o que não conseguiria fazer sozinho.

No fundo, como perceberam o Dr. Cohen, Madame Rosa e Hamil, ele era um bom menino.

E, tal como referi atrás, coube a ele a escolha de continuar na vida que levava, ou mudar, e tornar-se uma pessoa melhor. Ou seja, a escolha estava nas mãos dele. Mas talvez ele ainda não tivesse percebido isso.

 

Já tinha ouvido falar do filme, e a crítica afirmava que o filme era emocionante. Pois a única parte em que chegou perto disso foi mesmo no final, em que a música da Laura Pausini deu um bom contributo.

 

A música

(que será submetida à consideração do Oscar para o prémio de canção do ano)

 

 

Há quem diga que é o novo "Milagre na Cela 7". Para mim, foi menos bem conseguido.

Não foi dos meus filmes preferidos. Começou enfadonho, depois stressou-me e, quando finalmente se poderia ver um outro lado, acabou.

Mostrou-nos pouco do outro Momo, que agora estava a desabrochar.

Mostrou-nos muito pouco da Madame Rosa, que tinha tanto para dar a conhecer.

E impossibilitou-nos de acompanhar a relação que se estava a desenvolver entre ambos.

 

 

O trailer do filme