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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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O Bom Samaritano, na Netflix

Mais um filme no papo - O Bom Samaritano - GO CAROL

 

Foi um filme escolhido ao acaso.

Tinha dito ao meu marido que queria um filme pequeno, leve, e ele escolheu este.

 

Uma jornalista habituada a fazer reportagens sobre incidentes arriscados é destacada para o caso da figura misteriosa que anda a deixar sacos de dinheiro à porta de alguns residentes.

Kate é boa a investigar mistérios, e tem um óptimo sexto sentido, que será essencial para ela descobrir a verdade, quando parece haver alguém disposto a ficar com a fama de "bom samaritano", e a tirar proveito dela, para fins menos altruístas. 

 

Ficamos a saber, logo no início, quem é o "Good Sam".

Ou, pelo menos, a pessoa que deu início à história.

O que não sabemos, são os seus motivos para ter doado tanto dinheiro, como o conseguiu, de que forma seleccionou os contemplados, e porque, contra aquilo que seria de esperar, ele não desmascara quem, agora, está a ficar com os louros por afirmar ser essa pessoa.

 

Na vida, há pessoas que gostam de fazer as coisas e ficar no anonimato. É cada vez menos frequente, mas existem.

Eric é uma delas. Bombeiro de profissão, disposto a correr riscos todos os dias, para salvar vidas, não dá entrevistas, porque considera que apenas faz o seu trabalho.

 

Por outro lado, há pessoas que gostam de se mostrar, de dar nas vistas, de se exibir. Que consideram que dinheiro, posição e luxo compram tudo. Como o Jack.

E que são verdadeiros oportunistas.

 

Mas Kate fará aquilo que sabe, da melhor forma que sabe, para repôr a verdade, deixando a mensagem inspiradora, embora nem sempre real, de que altruísmo gera altruísmo.

E que, ao fazermos o bem a alguém, estamos a inspirar essa pessoa a fazê-lo também, gerando uma corrente solidária, que pode mudar a sociedade e o mundo.

Pena que essa corrente, ainda que hipoteticamente real, seja quebrada tantas vezes...

Louco por Ela, na Netflix

Loco por ella Loucura de amor Netflix estreia.jpg

 

No que respeita a televisão, sou pessoa de fases.

Ando numa fase em que não me apetece ver séries, virando-me antes para os filmes.

Este era um dos que me aparecia na lista dos mais vistos na minha região, e que me suscitou alguma curiosidade.

 

Está classificado como comédia romântica. Mas não é.

Esqueçam. Tem romance, tem cenas engraçadas, mas não é a típica comédia romântica, em que um deles muda por amor ao outro, em que tudo se resolve no final e se vive um "felizes para sempre".

Não há frases feitas, nem amor suficiente que façam alguém mudar só porque nós queremos, ou porque o outro quer. Não existem fórmulas, nem milagres.

A lição que se tira desta história é amar, apesar de todos os problemas, de todas as dificuldades, e aceitar a pessoa como ela é, com todos os defeitos, com a sua doença, com as suas fases, com a sua personalidade.

É perceber que o amor pode acontecer, mesmo que a relação não seja perfeita, nem seja aquela que foi idealizada.

 

É, maioritariamente, passada numa clínica para doentes mentais.

Mas esqueçam os típicos filmes onde os "loucos" são "despejados" num manicómio pela família, que já não sabe lidar com eles.

Em que os "loucos" são maltratados pelo pessoal e pela instituição.

Onde os "loucos" são mesmo loucos, ou perigosos. Há ali pessoas que estão mais lúcidas do que os que não são loucos!

Eu diria que muitos daqueles pacientes, que até estão ali por vontade própria, e conscientes da sua situação e do seu problema, estão a residir na clínica não só para tratar o seu problema, mas também porque são diferentes, e a sociedade ainda reage muito negativamente à diferença. Ainda há muita crítica, muito gozo, muita discriminação e falta de integração.

 

Nem sempre os familiares, na sua esperança e tentativa de ajudar à recuperação, ajudam realmente.

A determinado momento, a directora clínica explica que um dos motivos para não aceitar muitas visitas aos seus pacientes é, precisamente, porque querem tanto vê-los bem e recuperados, que se enchem, e aos pacientes, uma falsa esperança que, em vez de ajudar, só atrapalha e acaba por prejudicar.

 

O espírito de entreajuda é constante.

Não há dúvida de que esse espírito não falta entre aqueles pacientes, que estão lá para se ajudar, e torcer pelo bem uns dos outros. É bonito de se ver, e mais uma prova de que, apesar de tudo, não perderam essa sensibilidade, e trabalham a amizade verdadeira.

E, até mesmo os funcionários, quando necessário, ajudam os pacientes. Como é o caso de Saúl que, sempre que a filha o vem visitar, veste a bata de médico, para que a menina pense que ele trabalha ali.

Os momentos mais emocionantes são mesmo protagonizados por Saúl, a sua relação com a filha, com os demais pacientes e, sobretudo, com Carla e Adri.

 

Mas, então, sobre o que é mesmo o filme?

Bem...

Adri conhece Carla numa noite e, apesar de ela lhe parecer uma mulher um pouco "louca", algo a que ele não está habituado, acaba por passar com ela uma das melhores noites da sua vida.

No entanto, ela avisou-o. Era apenas uma noite, e nunca mais se voltariam a ver.

Só que ele não consegue deixar de pensar nela e, quando percebe que Carla está internada numa clínica, ele decide internar-se também, para estar perto dela. A ideia era entrar, falar com ela, pedir-lhe o número de telemóvel, e sair. Fácil, não é?!

Pois... Só que os seus planos saem furados.

Ele é obrigado a permanecer na clínica, até que os seus colegas o avaliem positivamente, e possa ter a desejada alta.

Já Carla, não quer saber dele, nem da sua conversa de autoajuda, e está ansiosa para que ele saia dali e a deixe em paz.

 

Nesta história, a pessoa mais "sã", é aquela que está menos consciente daquilo que pode e deve, ou não, fazer. E será ele que, depois de passar pela experiência do internamento, terá mais a aprender.

Será que, pelo caminho, ainda conseguirá travar amizades inesperadas e conquistar um amor à prova de loucura?!

The Greatest Showman: um filme em que as músicas se sobrepõem ao conteúdo

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Não sou muito fã de musicais, nem mesmo em desenhos animados.

Gosto de uma ou outra música marcante, em cenas que a pedem, mas pouco mais do que isso. 

Um filme que é mais cantado, do que falado, acaba por saturar, e me fazer perder o interesse no mesmo.

 

Relativamente ao The Greatest Showman, apesar da publicidade feita ao filme na altura em que saiu, nunca cheguei a ver.

Mais tarde, ao ouvir algumas músicas de que gostava, e ir pesquisar, percebia que eram do filme.

 

Há uns tempos, andava eu a percorrer os canais, a ver o que iria ver, quando me deparo com a exibição de The Greatest Showman.

E vi-o.

Acho que foi o primeiro filme que me cativou pelas músicas, uma quase atrás da outra, quase cada uma melhor que a outra.

Atrevo-me até a dizer que as músicas se sobrepuseram ao conteúdo, porque na verdade, apesar da mensagem, não considerei que o filme fosse assim algo de extraordinário.

Não é um filme que veja outra vez, ou que me tenha marcado. A não ser, lá está, pela excelente banda sonora!

 

Temas como "A Million Dreams", "Never Enough", "Rewrite the Stars" ou "This Is Me" não se esquecem.

Pronto, também destaco a interpretação e versatilidade do actor/ cantor Hugh Jackman.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pieces of a Woman, na Netflix

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Pieces of a Woman aborda a gestação, o momento do parto e a perda de um filho, com as implicações que esse acontecimento refletem em cada um dos pais, família mas, sobretudo, do ponto de vista da mãe.

Aquela que viu o seu corpo transformado ao longo dos meses. Que sentiu todas as dores. Que pôs a sua filha no mundo. Que a teve nos braços e experimentou minutos de felicidade para, logo a seguir, a perder, e o seu mundo desmoronar.

Aquela cujo corpo continua a comportar-se como se houvesse um bebé para alimentar e cuidar.

Aquela a quem todos olham com pena, a quem querem consolar, muitas vezes, sem qualquer tacto. Aquela a quem são exigidas determinadas reacções e acções, sem lhe perguntar o que ela realmente sente e quer, ou precisa.

 

Sou mãe.

Tenho uma filha.

Não quero sequer imaginar a dor de a perder.

Não será mais fácil para quem perde os seus filhos poucas horas depois de nascerem, do que seria para quem com eles teve oportunidade de conviver e ver crescer.

Por isso, não consigo imaginar a dor de Martha. Mas seria normal que, enquanto mãe, me sentisse solidária com a sua dor.

Pois, por muito boa que tenha sido a actuação da protagonista, ela não conseguiu despertar a minha empatia.

“Estive” com ela no momento do parto. Identifiquei-me. Quase senti as dores como ela mas, a partir daí, foi-me totalmente indiferente no resto do filme.

 

Toda a história do filme tem, por base, um parto caseiro.

Por opção do casal ou, talvez, mais de Martha que, como vimos, não tinha muita vontade de abdicar do parto no aconchego do seu lar, para ter a sua filha num hospital.

Não condeno a sua escolha.

Sei, por experiência própria, como pode ser stressante, e ficar marcado como uma má experiência, um parto na maternidade, quando não existe privacidade, quando não conseguem (ou não querem) perceber as nossas dores, a necessidade de ter alguém ao lado, o facto de, uma coisa que é normal para quem lá trabalha, ser especial para quem o vive na pele, sem ser encarada e tratada como apenas um número, alguém fraco que só sabe gritar e queixar-se. Como pode ser invasivo, quando decidem levar avante procedimentos sem questionar a grávida. Quando, para terem menos trabalho e preocupações, e “despacharem o serviço”, decidem dar uma “ajudinha” da qual muitas mães preferiam abdicar, se lhes fosse perguntado.

E é por isso que algumas grávidas preferem ter os seus filhos num ambiente familiar, de forma o mais natural possível, rodeadas de quem lhes quer bem, vivendo o momento de forma tão tranquila quanto possível.

 

Mas…

Um parto num hospital, será, à partida, mais seguro. Se houver algum problema, estão no sítio certo. Existem os meios, e uma equipa de profissionais. Poupa-se tempo, por vezes precioso. E o transporte desnecessário de casa até ao hospital.

Isso não significa que o desfecho fosse diferente.

Por mil e uma razões, a bebé poderia estar, à partida, condenada. Poderia ter havido, como há tantas vezes, erros médicos no parto, na vigilância, no acompanhamento, no procedimento de expulsão.

No entanto, fica sempre a dúvida se não teria sido diferente…

Não sei se Martha, de alguma forma, se culpa por ter insistido nessa escolha, e ter resistido quando a parteira lhe falou da ambulância e do hospital. Ou por achar que há algo de errado com o seu corpo e, por isso, não conseguiu salvar a filha. Talvez se culpe, e seja por isso que não quer iniciar um julgamento contra a parteira que a assistiu. A sua mãe, certamente, fá-lo. E como não pode julgar a filha, decide virar-se para a parteira, a quem acusa pela morte da neta.

 

Penso que outro dos motivos para não ter criado empatia com Martha, é o facto de ela se mostrar, aparentemente, tão indiferente, tão fria, tão controlada, sem exteriorizar qualquer emoção, ainda que ela exista, e a esteja a corroer por dentro. 

Ao mesmo tempo que não quer saber de quem também está a sofrer.

Sim, uma mãe é uma mãe. Mas porque tem a dor do pai que ser tão desvalorizada, como se não se pudesse comparar à dor de uma mãe? Como se o pai fosse incapaz de sentir, de sofrer. E de compreender.

Como disse há dias, num outro post, perante uma desgraça, ou a família se une, ou desmorona.

Aqui, começou a desmoronar-se, sem retorno.

Eventualmente, Martha conseguirá, algum dia, juntar os seus pedaços, e seguir em frente.

 

Achei o filme demasiado longo.

Achei que poderia ser melhor explorado. 

Não me emocionou.

Não cativou.

Não marcou.

E não o veria novamente.

Fuga do Hospício: A História de Nellie Bly

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Era uma vez uma mulher que, querendo escrever, com a maior veracidade possível, sobre a malvadez do lobo mau, entrou na floresta e colocou-se mesmo à frente dele. Só que acabou mesmo por ser devorada por ele. 

E agora, como fará ela para sair de dentro da sua barriga?

Conseguirá alguém aniquilar o lobo mau, e salvá-la, antes que seja tarde demais?

 

 

Se, ainda hoje, as doenças mentais são um assunto "tabu", e ainda há tanto por saber sobre elas, imaginem há dois ou três séculos atrás.

Nesse tempo, qualquer coisa fora do padrão era considerado loucura.

Até mesmo as mulheres que se tornavam, em algum momento, incovenientes, eram enviadas para manicómios como loucas.

E, dado os "tratamentos" a que estas pessoas eram sujeitas naquela altura, mesmo aquelas que entrassem lá na posse da sua sanidade mental, acabavam por a perder.

 

Para retratar essa realidade e denunciar as práticas abusivas, Nellie Bly, uma conceituada jornalista, infiltra-se num hospício onde a enfermeira-chefe é, ela própria, uma mulher louca a precisar de tratamento urgente, e o médico que acompanha as pacientes, muito suspeito.

 

Só que...

Nellie não se lembra de nada. Não sabe quem é. Perdeu a memória.

Tem noção de que não é louca. Que não pertence ali.

Vai tendo algumas visões, mas nada de concreto, que a possa ajudar a descobrir quem é, ou o que faz ali.

E, à medida que o tempo passa, pior a sua situação vai ficando, no meio de toda aquela gente sem qualquer piedade.

 

Conseguirá Nellie escapar daquele hospício com vida?

Ou ficará, para sempre, presa na teia que ela própria teceu, para apanhar as suas presas?

 

Como já li alguns livros sobre os hospitais psiquiátricos, hospícios e tratamentos desumanos que eram prática habitual, este filme não foi assim nada de especial, de novo ou muito chocante mas, ainda assim, vale a pena ver.