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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Ameixoeiras em flor

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Pode parecer que uma nova fotografia, à mesma árvore, e às mesmas flores, será apenas mais do mesmo.

Mas não resisto, e acabo sempre por obter imagens completamente diferentes, de outras perspectivas, mas igualmente bonitas.

 

 

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Este ano, as ameixoeiras da minha zona demoraram a florir.

Uma flor ou outra, meio envergonhada, no meio dos galhos despidos.

 

 

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Agora, acabam por se juntar meia dúzia de flores, com as folhas verdes que, com mais garra, ocuparam os ramos.

A flor

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Era uma vez uma flor, com lindas pétalas amarelas.

Nos dias de sol, era vê-la aberta, a receber o calor, a energia, a viver e fazer as delícias de quem por ela passava, e a via por ali em todo o seu explendor.

Já nos dias em que o sol se escondia atrás das nuvens, também ela se mantinha fechada, protegida, para que nada lhe acontecesse.

 

Havia uma menina que, todos os dias, quando por ali passava, olhava para a flor, ora aberta, ora fechada, como se já fosse um gesto rotineiro, e familiar.

E foi assim que começou a reparar que, ao contrário do habitual, nos últimos dias, a flor continuava fechada, sem dar sinal de vida.

A menina estranhou, e decidiu aproximar-se mais da flor.

Foi então que percebeu que a flor não podia mais abrir, porque tinha perdido todas as pétalas. Tinha perdido parte de si.

 

A flor contou-lhe, então, desolada, que num dia em que estava sol, ela tinha aberto, como era habitual, mas não percebeu que um vento forte se estava a aproximar e, quando ele passou por ela, com tal força e velocidade, arrancou-lhe pétala por pétala, sem lhe dar tempo para se resguardar.

 

Tinha "baixado a guarda", confiado, e fora traída.

Agora, era uma flor incompleta, sem graça, murcha, sem vontade de viver.

Nunca mais seria a mesma.

 

A menina, querendo animá-la, disse-lhe que agora, ela seria diferente, mas não menos bonita.

Simplesmente, agora tinha-se transformado numa flor apétala. 

Mas muito mais forte. Uma sobrevivente.

E garantiu-lhe que ia continuar a passar por ali, e admirá-la ainda mais!

Sinto-me...

... como uma flor a murchar!

 

 

Habituada a estar grande parte do tempo num belo jardim florido, apesar das intempéries a que estou sujeita, sentia-me bem e estava feliz.

Nem sempre posso ser regada como deveria, mas costumo aguentar-me durante esses períodos, até que a água me volte a devolver a vivacidade.

Por vezes, flores mais pequenas são arrancadas e levadas, mas dali a pouco, novas flores voltam para me alegrar e compor o jardim!

Mas, com o tempo, as coisas tornam-se mais difíceis… E começamos a perder a nossa força.

Depois de um momento complicado, quem cuida de uma parte de mim, ficou impedido de o fazer. E eu vejo-me impedida de lhe dar o que ele precisa para que tudo volte a ser como antes.

Depois de umas pisadelas, sem água e sem companhia, sinto-me a secar e a murchar, aqui “presa” neste jardim…  

Ele sabe, ou deveria saber, como estou. Também ele se sente preso numa teia que não criou, e que não o deixa vir até ao jardim. Também ele está triste por não poder cuidar da sua flor.

Ainda assim, e porque sei que nenhum de nós tem culpa pela situação em que nos encontramos, tento não deixar transparecer a tristeza que me invade, a fraqueza que de mim se apodera. Tento manter-me erguida, apesar da eternidade que me parece o retorno à normalidade.

Só que ele, não sei bem porquê, deu-me a entender que preferia ver-me murcha e triste por não estar com ele, do que me encontrar aparentemente bem na sua ausência…

E então, as poucas forças que me restavam desapareceram…