Bem-vindo, Inverno!
A fazer jus à estação que agora começa, um dia de muito frio!
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A fazer jus à estação que agora começa, um dia de muito frio!

Em fim de semana prolongado, sem grande coisa para fazer, e a tentar evitar ficar sentada no sofá, a ver televisão, durante horas, decidi-me pelos passeios.
No domingo, dia de sol mas ventoso, e frio, meti na cabeça ir até à Ericeira fotografar o pôr do sol na praia.
Nunca tinha ido sozinha, sem ser no verão. Mas estava farta de tirar fotografias aqui na zona.
Assim, apanhei o autocarro, chegando lá perto das 16 horas.
Estava um pouco menos ventoso, mas igualmente frio. Como o sol só se punha depois das 17 horas, aproveitei para caminhar de forma a manter o corpo quente, tirando algumas fotografias pelo caminho.
Estava, supostamente, maré vazia. No entanto, não se notava nada. E o mar estava agitado.
Fiquei triste por não se sentir qualquer cheiro a maresia, a iodo, a praia. Nada.
Estava convencida que, nesta altura no ano, se notaria mais.


Passei pela Praia do Sul, fui até à Foz do Lizandro, e voltei para trás, a tempo de me dedicar à missão que me tinha levado até lá.




Depois, foi caminhar até ao terminal, para apanhar o autocarro de regresso a casa.
É Verão, mas parece que estamos numa espécie de Outono antecipado.
As árvores já estão a mudar de cor.
As folhas, ajudadas pelo vento, já começam a cair.
O chão, está totalmente coberto, em tons de amarelo e castanho.
As temperaturas estão bem mais frescas.
Os dias, parecem mais pequenos.
À noite, em casa, em vez da habitual bebida fresca, já apetece o chá quentinho.
Já sabe bem a manta, enquanto vemos televisão.
Acredito que ainda virão dias quentes, a relembrar que o Verão só se despede em Setembro.
Quem sabe, até, venham na próxima estação, só para contrariar.
Até porque, cada vez mais, as estações são mais um nome, que uma realidade.
A verdade é que neste momento, a aproveitar as férias de Verão, sinto-me em pleno Outono!

Por vezes...
naqueles momentos mais delicados,
mais difíceis,
mais tristes,
mais desesperados,
não são precisas palavras...
Basta, muitas vezes, a simples presença!
Sentir que não estamos sozinhos.
Sentir que alguém está disposto a compartilhar connosco esses momentos.
Sentir o apoio, em forma de gestos.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto
(Nota: fotos tiradas num dia de muito frio em que, de certa forma, apesar de serem gatos de rua, partilhando o mesmo destino e vida, tentaram confortar-se e aquecer-se um ao outro)
... aproveito uma aberta, e procuro um banco de jardim, onde me possa sentar, e aquecer ao sol, num dia tão frio.
Por incrível que pareça, tempo não me falta.
Pelo contrário, parece ser tempo a mais, ainda que nunca o seja.
É irónico que esteja sempre a queixar-me de que me falta tempo e, quando o tenho, não o possa aproveitar como gostaria, e só queira vê-lo passar depressa.
Por mim, passam pessoas.
Estudantes, num qualquer intervalo entre aulas, ou já com o dia terminado.
Acompanhantes que, tal como eu, tentam ocupar o tempo.
Funcionários, que aproveitam a pausa para petiscar, ou fumar um cigarrinho.
Pacientes, que vão, ou vêm, de alguma consulta.
Familiares que chegam para visitas.
Poucos se atrevem a sentar.
Afinal, os bancos estão molhados da chuva que, pouco tempo antes, tinha caído.
O vento também não convida a ficar parado muito tempo.
Mas eu, deixo-me estar.
Ali, posso respirar. Aliviar a dor de cabeça. Abstrair.
Olho para o céu.
Nuvens brancas percorrem-no, em passo apressado.
Também não querem ficar ali muito tempo.
E quem quer?
O sol vai aproveitando os seus últimos minutos de esplendor.
A caminho, vêm as nuvens negras que, depressa, o esconderão.
Tiro, para memória futura, uma fotografia daquele pedacinho de paz, no meio da incerteza que me aguarda.
Levanto-me, e dirijo-me de volta ao caos, para me proteger da chuva que não há-de tardar a cair.
E espero...
Abrigada de uma intempérie. Desabrigada de outra.
Eu, e tantas outras pessoas.