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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Um "eu" perdido

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Olho para o meu "eu", que deixei para trás há uns meses. 

Já não me identifico muito com ele.

Observo o meu "eu" de um passado recente, muito diferente do anterior.

No entanto, também não me revejo nele.

 

O meu "eu", do presente, está perdido. 

Entre aquele que não quer voltar a ser, e aquele que tem dúvidas de conseguir voltar a ser.

Ainda assim, está mais perto de se voltar a fechar, do que abrir.

E isso nunca é bom.

 

Se o pudesse comparar com algo, seria com um gato.

Não com todos, claro. 

Com aqueles a quem sabe bem serem acariciados, ou mimados, mas não em demasia.

Aqueles que, quando passa da fase em que sabe bem, para aquela em que já é demais, retribuem com uma arranhadela, ou uma dentada, estabelecendo um limite, e afastando.

 

O meu "eu", do presente, está perdido.

Entre as dúvidas que se vão infiltrando, os pensamentos contraditórios que se vão acomodando, os sentimentos confusos que nele vão habitando.

Entre a esperança, e a desconfiança.

Entre a realidade, e uma sabotagem mental à mesma.

 

Diria o meu "eu" imaginário, resolvido e assertivo, que devo viver a vida, e entregar-me aos momentos, sem receios. Porque, se sair magoada, isso nada tem a ver comigo, mas com quem me magoar.

No entanto, também esse "eu" me diria que, se estiver numa situação em que não me sinta confortável, então, é porque não é boa para mim.

Há que sair dela. Eliminar esse desconforto, que não levará a lado nenhum.

 

Mas o meu "eu" real, continua perdido.

Como se ainda esperasse a poeira assentar. O mar acalmar. O nevoeiro dispersar.

Para pensar, e perceber, com clareza, que rumo seguir.

 

Um gato no telhado

(1 Foto, 1 Texto #73)

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Primeiro, é vê-lo a subir

Valente

Destemido

Aventureiro

Invencível

 

Quando chega lá acima

Orgulhoso

Exibicionista

Pomposo

Seguro

 

Ao fim de uns minutos

Atento

Apreensivo

Observador

Cuidadoso

 

E agora, para descer?!

Decidido ou receoso?

Corajoso ou medricas?

Atlético ou desajeitado?

Chega a descer? Ou espera que alguém o tire?!

 

 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

 

 

 

Dom Gato

(1 Foto, 1 Texto #54)

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Dom Gato, assim apelidado pelo seu porte imponente e majestoso, apareceu por ali, e reclamou para si aquele território.

E, como dono e senhor, por ali vai passando, ficando, indo e vindo, comendo e bebendo o que os seus servos humanos lhe servem, exigindo a presença, os préstimos e a atenção destes, várias vezes ao dia.

 

Poderia ser rei mas, na verdade, é apenas um gato. Um gato que, um dia, teve uma casa. Mas foi abandonado, à sua sorte, na rua, quando os seus donos partiram para outras bandas.

Conhecido, entre os vizinhos, por cabeçudo, porque parece ter a cabeça maior que o corpo, este bichano só quer mimos, festas, uma casa.

 

Sim, ele tem comida e água à nossa porta mas, muitas vezes, só lá vai pedir atenção.

Fica ali horas, no degrau, à espera que alguém saia. Ou à espera que alguém chegue. Na verdade, até parece que já sabe os horários dos habitantes. É habitual aparecer lá no quintal na minha hora de almoço.

Ultimamente, acompanha-me, qual guardião, desde casa, até uma parte do meu caminho para o trabalho.

 

Tigrado cinzento, de olhos azuis, gordo como um texugo, é muito meigo e adora esfregar-se, ou dar turrinhas.

Mas também chora, fazendo todo um drama, quando vamos embora, e o deixamos sozinho.

Foi conquistando os residentes da zona mas, uns, como nós, ja têm animais e não dá para mais. E outros, não querem ter nenhum. 

E ele lá vai pedindo, porque pedir não custa, não vá um dia a sorte bater-lhe à porta, ou ele bater à porta da sorte!

 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

Desafio de Escrita do Triptofano #12

Os arqui-inimigos

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Ao se deparar com o novo membro da família, o gato Papoilo faz um escândalo!

Gato Papoilo: - Estrunfina! Está um monstro na nossa sala! Está a olhar para mim com um olhar assassino!

Estrunfina: - Não é um monstro, Papoilo! É um peixe. Não me digas que estás com medo dele? Um gatão desse tamanho, com medo de um peixinho?!

Gato Papoilo: Prometes que ele vai ficar sempre ali dentro?

Estrunfina: Claro! É um peixe. Tem que estar dentro do aquário. 

Gato Papoilo: Que vida triste... Anos e anos aí dentro. Não sei o que vocês veem nestes peixes. Não falam. Nem sequer dá para brincar com eles.

Estrunfina: Mas podes brincar com ele!

Gato Papoilo: A sério?! Boa! Posso atirar o aquário ao chão para fazer de bola, e correr atrás dele!

Estrunfina: Papoilo! Estás doido? Se atirares o aquário ao chão, ele parte-se, a água entorna e o peixe morre.

Gato Papoilo: Ora bolas. Isso não. Não quero molhar-me. E ainda espetava algum vidro na minha pata.

Estrunfina: Vais ver que ainda vão ser grandes amigos.

Gato Papoilo: Olha, se somos amigos, posso dar-lhe um abraço, certo? 

Estrunfina: Hum... e como é que vais fazer isso? Acabaste de dizer que não te querias molhar!

Gato Papoilo: Podias tirá-lo só uns segundos, e depois voltavas a pô-lo lá.

Estrunfina: Não pode ser, Papoilo. Já te disse que se o tirar da água, ele morre. E não queremos isso, pois não?

Gato Papoilo (falando entre dentes): Fala por ti, que eu cá não faço questão que ele viva. 

 

Ao fim de alguns minutos, Estrunfina vê Papoilo fazendo gestos estranhos em frente ao aquário.

Estrunfina: O que estás a fazer?

Gato Papoilo: Estou a tentar adivinhar o futuro. 

Estrunfina: Ai sim?! Não me digas que o aquário virou bola de cristal?!

Gato Papoilo: Não acreditas?! Ora escuta: vejo aqui um futuro muito auspicioso para o Boleta.

Estrunfina: A sério?! E mais?

Gato Papoilo: Hum... parece que ele vai viver uma grande aventura, fazer uma viagem inesquecível e estreitar laços com os seus familiares mais chegados.

Estrunfina: E sobre mim, consegues ver alguma coisa?

Gato Papoilo (fazendo mais uns gestos, e uns sons): A bola mostra que vem aí um período mais conturbado, mas depois da tempestade, tudo voltará ao normal.

Estrunfina: Isso é que é pior. Então e tu?

Gato Papoilo: Eu? Ora bem... Parece que vou ter um presente especial nesta Páscoa!

 

E dizendo isto, Papoilo, que já tinha percebido qual a melhor forma de eliminar o seu inimigo, atirou o aquário ao chão, achando que valia a pena arriscar uma molha em troca do petisco, pegou no peixe com a boca e fugiu para debaixo da cama de Estrunfina, saboreando o Boleta, enquanto Estrunfina ralhava com ele e varria os cacos, recriminando-o por tal atitude para com o peixe.

 

Horas mais tarde, Papoilo tentando seduzir Estrunfina com turrinhas, e mostrando-se muito arrependido, para que esta o perdoe...

Gato Papoilo: É que ele estava tão bonito, tão gordinho, era impossível resistir!

Estrunfina: Ah, Papoilo! Tu não tens emenda!

Gato Papoilo: Se quiseres, eu posso compensar-te. Amanhã mesmo trago-te um rato. Ou um pássaro!

Estrunfina (fazendo cara de nojo): Credo, Papoilo. Não é preciso. Vá, esquece lá isso.

Gato Papoilo: Então, e estás a pensar trazer mais algum membro para a família brevemente?

 

 

Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

 

Também participam:

Ana D.

Maria Araújo

Bruno

 

 

 

Se não fosse humana gostaria de ser...

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A Ana de Deus desafiou-me para escolher um animal que gostasse de ser, se não fosse humana - desafio-se-nao-fosse-humana.

Penso que, para quem me conhece, a resposta é óbvia: um gato!

 

Se não fosse humana, gostaria de ser um gato. Europeu comum.

Pela elegância. Já viram a forma como caminham?!

Pela beleza. 

Pela independência. Os gatos são autónomos e independentes, e tentam desenrascar-se sem pedir ajuda a terceiros.

Pela sabedoria. Quem me dera ter uma parte da sua inteligência.

Pela agilidade. Já viram como correm e saltam, e caem sempre (ou quase) de pé? E os seus reflexos?

Pela simplicidade. Os gatos não precisam de muito para se entreter e ser felizes.

Pelo misticismo.

Pelo que dão, e como se dão a quem com eles convive, sem esperar nada em troca.