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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Histórias Soltas #20: Estagnar, ou seguir em frente?

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- O que vai acontecer comigo?

- Vais seguir o teu caminho.

- Mas... E eles?

- Eles?

- A minha família. Posso vê-los?

- Porque queres vê-los?

- Porque sei que estão a sofrer. Quero olhar para eles, despedir-me, dizer que estou aqui.

- Isso de nada adiantaria. Não te podem ver. Não te ouvem. Não te sentem. Não lhes servirás de consolo. E será pior para ti.

- Mas... Não é possível abrir uma excepção? Uma única vez?

- Neste momento, não. Terás que seguir em frente para aperfeiçoar a tua aprendizagem. Só depois, então, saberás o que te é possível. Mas, se fizeres muita questão, podemos dar-te, temporariamente, acesso às imagens que tanto desejas, em tempo real.  Este acesso tem uma duração limitada. Depois, terás que deixar a tua vida passada, para iniciares a tua vida presente.

 

- O que acontece se eu não quiser avançar, deixar para trás?

- Ficarás, para sempre, presa neste limbo. Não voltarás à vida antiga, mas também não terás uma nova. Ficarás, eternamente, estagnada. E perdes qualquer possibilidade que seja, de um contacto futuro, com quem quer que seja. Tal como outros, que assim o quiseram. 

- Então, o que me estás a dizer é que, para eu ter a mínima hipótese de voltar a ver os que mais amo, de comunicar com eles e, quem sabe, ser vista por eles, ainda que sem qualquer garantia, terei que abdicar deles daqui em diante.

- De forma resumida, sim. É isso.

- Mas é tão injusto. Eles estão tristes. Eu estou triste. Eles precisam de mim. Eu preciso deles.

- De momento, sim. Mas depressa vão ultrapassar. E tu deves fazer o mesmo. Libertá-los. E libertares-te. Quanto mais depressa te libertares, mais cedo iniciarás o teu processo evolutivo. A decisão é tua. 

 

- E, aqui, há alguma hipótese de nos encontrarmos, um dia? Irei, pelo menos, encontrar quem veio antes de mim?

- Talvez sim... Talvez não... Aqui cada um tem o seu próprio caminho e aprendizagem. Pode, ou não, cruzar-se com quem gostaria.

- Ou seja, não há forma de saber o que me espera!

- Não. Só saberás à medida que avançares. Se assim o decidires. Quando estiveres pronta, virei para te acompanhar.

- E se eu não estiver pronta? Se nunca estiver pronta?

- Então, não voltarei. Ficarás entregue a ti própria.

 

E assim ficou, até ao último momento, sem saber o que fazer, demasiado agarrada ao que tinha perdido, para tentar pensar no que poderia vir a ganhar. Mas... 

Não perderia ainda mais, se ali permanecesse?

Não valeria a pena tentar? 

Então, rendida, como quem solta, e deixa voar, aquilo que, até então, tentava agarrar, ela soube o que tinha que fazer...

 

 

 

 

 

 

Histórias Soltas #19: Perdidos no espaço

Como funciona o lançamento de um foguete - Brasil Escola

 

Se há muita gente que gostaria de fazer parte de uma tripulação, enviada numa nave espacial, para descobrir mais sobre o universo, outras há que preferem ter os pés bem assentes na Terra!

Mas, claro, fica sempre aquela curiosidade...

Foi essa curiosidade que levou a que se criasse uma espécie de simulador avançado que recria, de forma muito aproximada à realidade, uma viagem espacial, desde o lançamento do foguetão, até à sua estabilização, para lá da Terra, em pleno espaço, e o respectivo regresso ao nosso planeta.

Era a mais recente atracção a nível de realidade virtual, e das mais procuradas, naquele momento.

E era para lá que se dirigia aquele grupo de amigos que, sem marcação, arriscou ir na mesma, esperando poder viver a experiência de que tanto ouvira falar.

 

A atracção situava-se junto à agência espacial, para imitar o mais possível um ambiente real.

À chegada, tiveram que esperar para ver se haveria alguma hipótese de entrar, uma vez que tinham decidido em cima da hora.

 

Enquanto isso, numa outra sala...

- O que te parece?

- Agora? 

- Porque não? Temos tudo preparado. Eles querem. E nós podemos fazê-lo.

- Sim... Parece um bom grupo. Ok. Avança, então. Mas dá-lhes o treino prévio. 

 

De volta à recepção...

- Podem entrar. Como não têm marcação, vão fazer a experiência no nosso simulador extra, que fica do outro lado. O meu colega já vos vem trazer os fatos, e dar todas as indicações.

 

E, assim, devidamente equipados, dali a meia hora, lá estavam eles, animados e ansiosos, a bordo da nave espacial, prestes a viver uma experiência inesquecível.

A adrenalina começou assim que ouviram a contagem decrescente, e sentiram o impacto dos propulsores a impelir o foguetão.

De repente, já não estremeciam. Já não sentiam a velocidade. Estavam em órbita. A vista, quando se atreveram a olhar para fora, provocava-lhes uma certa claustrofobia mas, ao mesmo tempo, era de cortar a respiração.

O técnico que lhes deu o treino tinha dito que iriam andar por ali cerca de uma hora, antes de regressarem, pelo que aproveitaram ao máximo para apreciar o que iam vendo.

Não tinham, propriamente, uma noção do tempo. Todos os seus pertences, incluindo relógios e telemóveis, tinham ficado guardados num cacifo.

Mas, a determinada altura, começou-lhes a parecer que já estaria na hora de voltar. Só que não havia sinais de que isso fosse acontecer.

Um dos amigos lembrou-se de accionar os comandos de comunicações, que lhes tinham sido indicados, e tentar perceber o que se passava.

 

Foi, então, que ouviram a voz daquilo que lhes parecia um assistente virtual:

"Bem vindos a bordo da Futurex! Daqui a 260 dias chegaremos a Marte, completando a missão que teve início hoje! Em que vos posso ser útil?"

- Estão a brincar, certo?

- Isto ainda faz parte da experiência, de certeza!

- Podes levar-nos de volta? - perguntou, um deles, ao assistente.

- A programação só permite o retorno daqui a 300 dias.

- E como se reprograma? - voltou a perguntar.

- Não é possível reprogramar sem os códigos de acesso.

- E quem tem esses códigos?

- O centro operacional, de onde acabámos de partir.

- Como podemos comunicar com o centro de controlo?

- A nave só permite recepção de comunicações, não o envio. 

- E não há outra forma de contornar a questão dos códigos?

- Sim, pode-se fazer reprogramação manual. Mas, aí, o centro operacional deixa de ter controlo, e estão por vossa conta.

E a comunicação desligou automaticamente. Estavam entregues a si próprios. Se o arrependimento matasse...

 

Uma semana depois, na Terra, passava na televisão:

"Continuam desaparecidos quatro jovens, entre os 20 e os 25 anos, sem ter deixado qualquer rasto. Foram vistos, pela última vez, nesta estrada, mas até agora não foi possível encontrar o veículo, nem qualquer outra pista...." 

 

 

E agora, que final decidiriam para esta história?

1 - Seria mesmo uma experiência da agência espacial, que utilizou os jovens como cobaias, tal como já tinha feito outras vezes.

2 - Tudo aquilo faria ainda parte da experiência virtual, e acabaram por perceber isso dali a poucos minutos.

3 - Não passou tudo de um pesadelo!

Histórias Soltas #18: Prenúncio...

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Precisava de sair.

Apanhar ar. 

Dentro de casa, sentia-se a sufocar. Sabia que não podia continuar ali.

Não estava frio. Nem calor.

Ainda não chovia.

 

Saiu sem pressa.

Estar na rua sabia-lhe bem.

O vento no rosto sabia-lhe, ao contrário de outras vezes, muito bem.

Por companhia, o campo.

Arbustos que se unem no topo e formam uma espécie de gruta.

Troncos vestidos de verde.

Muros coloridos das flores que nascem por entre eles, ou que caem sobre eles.

E flores... Muitas flores... Brancas, amarelas, roxas, cor de rosa, e tantas outras. Ora misturadas. Ora separadas.

À medida que ia seguindo o seu caminho, melhor se sentia, por entre os campos verdes e castanhos, num dia que não se sabia bem se era de outono, ou de primavera, tais os contrastes com os quais se deparava na natureza.

 

Então, começou a chover.

Uma chuva miudinha.

Mas não se importou. Nem apressou o passo.

Até a chuva, nesse dia, lhe estava a saber bem. Como se aquelas gotas fossem, de certa forma, terapêuticas. E tivessem o poder de lavar o corpo e a mente.

Seria o céu a chorar, pelos que estavam em terra?

Para os aliviar? Para se solidarizar com estes?

Certo era que as "lágrimas" que caíam ficavam marcadas nas folhas verdes, como o orvalho que costuma cair de madrugada.

 

Colocou o gorro, e continuou.

Não havia quase ninguém na rua. 

Apenas um atleta passou por si.

Nem sequer os cães andavam a passear os donos. Nem estes, os cães.

Era perto da hora de almoço. Mas parecia manhã cedo. Quando ainda todos estavam a dormir. Ou com preguiça de sair.

Afinal, era feriado.

 

Duas horas se passaram.

Estava na hora de voltar. 

Abriu a porta, e entrou.

Lá dentro, os semblantes carregados prenunciavam aquilo que mais temia.

Bastou um olhar para perceber, naquele momento em que acabava de chegar, que alguém tinha partido, para não mais voltar...

 

Histórias Soltas #17: Sol de Outono

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Sabia-lhe bem aquela espécie de “sol de outono”, em pleno verão que, de verão, pouco teve no que respeitava a calor.

Nem sabia bem porque, de todos os lugares onde poderia ter ido, foi precisamente parar àquele jardim, que tantas memórias guardava.

Não tinha conta as vezes que ali fora ao longo da sua vida. Sozinha. Com as amigas. Com a filha. Com namorados.

O primeiro encontro, com o seu último companheiro, tinha sido ali. Uma relação que tinha chegado ao fim nesse ano.

Não por culpa da pandemia que se vivia, mas pelo simples facto de que, qualquer sentimento que tivesse existido ao longo daqueles dez anos de relação, se tinha esgotado.

Ela sempre dissera que o casamento iria estragar a relação. Mas foram em frente, e resultou, com muitos altos e baixos, durante mais oito anos.

No entanto, a paixão esmoreceu. A paciência falhou. O amor morreu.

Os bons momentos foram abafados pela rotina, pela falta de tempo, pela pouca convivência devido aos horários de trabalho de cada um, e pelas próprias personalidades que, a certa altura, começaram a antagonizar-se cada vez mais.

Durante algum tempo, foram adiando a decisão óbvia, na esperança de que tudo melhorasse. De que algum milagre lhes devolvesse aquilo que, algures, tinham perdido.

Até ao dia em que perceberam que já não valia a pena adiar mais o inevitável.

E assim se viu, de repente, aos 41 anos, novamente sozinha.

O jardim era propício para casais. Quase sempre se encontravam por lá alguns a namorar naquele ambiente romântico.

Mas ela não queria saber de relações.

Para ela, era um ciclo encerrado. Não tinha tempo para saídas noturnas, nem tão pouco vontade de se inscrever numa qualquer aplicação de encontros amorosos, para encontrar alguém.

E, como seria de esperar, no seu dia-a-dia não iria, de certeza, cair-lhe aos pés um príncipe encantado pelo que, no que respeita a relações, acreditava que já tinha tido a sua conta, e ficaria por ali.

Assim, agora dedicava-se à sua família, às duas felinas que tinham ficado à sua guarda e responsabilidade, à sua filha, e a si mesma.

Pois. O ser humano é um “bicho” estranho e contraditório.

A excessiva disponibilidade leva-o a ocupá-la com as mais diversas atividades que, quando percebe, o deixa sem qualquer disponibilidade, pelo que acaba por abdicar delas, para voltar a ter disponibilidade e, logo em seguida, vontade de querer ocupá-la de alguma forma

Não raras vezes, é por se sentir sozinho que acaba por iniciar uma relação amorosa. Para ter alguém ao seu lado, com quem partilhar os momentos, os dias, as férias, os fins-de-semana, as noites. Mas, às tantas, começa a sentir falta de tempo só para si, o que leva a que vá cada um para seu lado, voltando a estar sozinho, até sentir falta de ter alguém, e repetir o ciclo.

Ela tinha começado a correr. Algo que sempre detestou. Que nunca sentiu vontade de fazer, embora adorasse caminhadas. Mas que, agora, a entretinha e ajudava a melhorar a forma física.

Não que fosse gorda, que não era. Mas precisava de tonificar o corpo, que acusava a idade e a falta de quaisquer cuidados que não fossem uma alimentação razoavelmente saudável, e uma rotina que a impedia de levar uma vida sedentária.

No entanto, naquele dia, não tinha sido para se exercitar que tinha ido ao jardim. Apenas para estar ainda mais sozinha, e ler o último livro que tinha comprado.

Enquanto percorria o jardim, via pais e filhos deitadas na relva, a fazer piqueniques. Uma mulher, com as respetivas crias, atirava pão aos peixes do grande lago.

Havia pessoas a fazer caminhada. Outras, simplesmente, a passear.

Numa das zonas próprias, uns adolescentes jogavam à bola. A área de recreio estava encerrada, tal como o bar, devido às medidas adotadas para proteção contra o vírus que, naquele ano, tinha decidido atacar o mundo sem aviso, e parecia vir para ficar.

Por ali andavam também algumas adolescentes, a tirar fotos umas às outras, ou todas juntas, para ocupar o tempo que lhes restava das férias de verão, antes do regresso às aulas.

Passando as áreas mais frequentadas, os corredores, que davam ao cimo do jardim, estavam quase vazios.

E foi por isso que, quando viu aquele banco solitário, com o sol a bater, achou que seria o sítio ideal para pôr a leitura em dia.

Mas ler um thriller naquela parte mais recôndita do jardim pode transformá-lo, num ápice, de romântico em sinistro.

No meio daquela selva de árvores, e sem ninguém ali a passar, qualquer coisa poderia acontecer.

Os guardas do jardim não costumavam ir para aquela zona, mantendo-se mais perto da entrada e zonas mais movimentadas.

Com um pouco de imaginação, poderia ser o cenário perfeito para uma qualquer história, daqueles livros que costumava ler, sobre desaparecimentos e assassinatos.

Ainda assim, era um jardim familiar. E o que de mal poderia acontecer num jardim familiar?

Entre os seus pensamentos e o virar das páginas, entretanto lidas, nem reparou numa figura ao longe, escondida, a observá-la atenta e misteriosamente.

Histórias Soltas #16: Por detrás da lente

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Tal como no fim-de-semana, que ela não conseguiu aproveitar, o sol tinha vindo dar um ar da sua graça naquela segunda-feira.

E como ela gostava destes dias de primavera, logo após a tradicional mudança da hora, em que ainda era dia, quando saía do trabalho, e podia aproveitar para tirar algumas fotografias.

Apesar de trabalhar, há vários anos, como administrativa, Mariana tinha vindo a descobrir, ao longo desse tempo, algumas actividades que lhe davam prazer, e a fotografia era uma delas.

Nada de profissional, ou muito aprimorado. Até porque nunca tinha, sequer, tirado um curso para aprender essa arte. Para saber como captar o melhor ângulo, como obter a melhor imagem, o que evitar ou coisas do género.

E tão pouco tinha equipamento à altura para tal. Por norma, servia-se da velhinha máquina fotográfica digital, ou do smartphone, que lhe tinham oferecido no seu aniversário.

O que ela gostava de captar as imagens, e os momentos, na hora, fazendo-o normalmente, nas suas deslocações para o trabalho, ou de volta a casa.

Ou, mais esporadicamente, nos seus passeios ou caminhadas ao fim de semana, em locais onde predominasse a natureza, que era o que mais gostava de fotografar.

Ela gostava da espontaneidade, da simplicidade das fotos. Não queria que algo que fosse demasiado editado ou modificado, de forma a parecer mais perfeito.

Se saísse bem e gostasse do resultado, melhor. Senão, apagava, sem stress.

Naquele dia, Mariana lembrou-se de ir espreitar um sítio, do qual já lhe tinham falado, não muito longe de casa. Como foi uma decisão do momento, só tinha o smartphone consigo. Teria que servir.

E lá estava o portão de acesso ao parque, e o caminho de terra que descia até à parte mais isolada do mesmo, junto ao rio. 

Fotografou as flores que foi encontrando, as árvores imponentes que a rodeavam, os arbustos que iam aparecendo pelo caminho.

Continuou pela margem do rio, captando a água límpida, as pedras que emergiam do leito, algumas folhas caídas que nele viajavam, levadas por uma leve corrente.

Atravessando algumas dessas pedras, que quase faziam de ponte, conseguiu chegar a um ponto mais alto, de onde podia avistar uma parte mais escondida do parque, quase selvagem.

Noutro dia, com mais tempo, teria que ir até lá. Mas estava a ficar tarde, e teria que se contentar em tentar tirar algumas fotos dali mesmo. 

Tirou algumas. Tentou ver como tinham ficado, mas o sol a reflectir no ecrã não a deixou ver bem. Tentou mais algumas. Acabou por perceber que, sem querer, tinha ligado o flash. Maldito telemóvel.

Há mais de um ano que o tinha, e ainda não tinha atinado completamente com ele.

Estava tão focada no seu trabalho, que nem deu por uma outra mulher se aproximar, cumprimentando-a.

- Boa tarde! - disse a mulher

- Boa tarde! - respondeu Mariana, reparando que a mesma também andava por ali a fotografar.

A mulher, vendo Mariana às voltas com o telemóvel, perguntou-lhe se precisava de ajuda.

- Agradeço-lhe, mas acho que já consegui desligar o flash.

- Conseguiu tirar boas fotos?

- Se quer que lhe diga, em relação às últimas, não faço ideia. Espero que sim. Mas em casa vejo melhor. Estava só a tentar apanhar aquela zona lá mais ao fundo, mas está difícil. - disse Mariana.

- Posso tentar, se quiser.

Talvez aquela mulher tivesse mais experiência, pensou Mariana.

- Por que não? Aqui tem. - disse, passando-lhe o telemóvel para a mão.

Segundos depois, a mulher caiu inanimada no chão.

E Mariana, nem teve tempo para perceber o que tinha acontecido, porque, de repente, começou a ver tudo escuro e, também ela, apagou.