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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Daquelas "limpezas" gerais que uma pessoa faz na vida

Desenho de Vassoura pintado e colorido por Usuário não registrado o dia 02  de Outobro do 2009

 

Olhei para a minha lista de livros a comprar.

Muitos deles, pareciam mais do mesmo.

Gosto de determinados estilos, mas cheguei a uma fase em que, só isso, não basta. 

Quero ler livros que tragam algo de novo. Que me surpreendam. E não que eu já saiba como começa e acaba, porque são todos assim.

Por isso, neste momento a minha lista está reduzida a 8 livros.

 

O mesmo aconteceu com filmes e séries que tinha na minha lista para ver.

Tanta coisa que por lá tinha, e já foi eliminada. 

Está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa que me agrade porque, não é por gostar de determinado género, que tudo o que é daquele género é bom e me apetece ver.

 

E que dizer das amizades no facebook?

Amigos de amigos não são, necessariamente, meus amigos.

Pessoas meramente conhecidas, que vivem na mesma zona, idem.

Tal como aquelas que me pedem amizade com segundas intenções - fazer publicidade a bens ou serviços.

E outras que estão lá, que nunca interagem, nem se lhes vê sinal de vida, e só parecem acordar quando percebem que foram eliminadas!

 

Não sei se é esquisitice, falta de paciência ou efeitos da idade, mas é isto. 

Ando numa daquelas "limpezas gerais" que uma pessoa faz na vida!

 

A idade torna-nos mais exigentes ou mais benevolentes?

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Coloquei-me esta questão e como, muito bem, alguém mencionou, considero que é um pouco de ambas, já que não são, de todo, incompatíveis.

A verdade é que, à medida que os anos vão passando, noto que há coisas que já não tolero, ou para as quais tenho menos paciência e condescendência.

Há coisas que já não me fazem sentido. Que já não satisfazem. Que parecem pouco, para aquilo que esperávamos.

Enquanto que, se fosse há uns anos, adoraria e acharia imensa piada, ou deixar-me-iam satisfeita.

 

Por outro lado, existem coisas ou situações que, se ocorressem antigamente, me afectariam mais ou deixar-me-iam mais chateada ou aborrecida e que, hoje em dia, prefiro ignorar, dar um desconto, passar à frente.

Esqueço mais depressa. Relevo mais rapidamente.

Portanto, a idade e a maturidade, trouxeram-me um pouco de ambas - exigência em determinados aspectos/ situações, e benevolência em outros tantos.

 

E por aí, também estão equitativas, ou pendem mais para uma delas? 

Sinais da idade

Vetores Desenhos animados casal idoso ativo: Desenho vetorial, imagens  vetoriais Desenhos animados casal idoso ativo| Depositphotos

 

"Todas as asneiras que fizermos em novos havemos, mais tarde, de pagar por elas."

 

E o meu pai que o diga!

 

Acho que, por mais anos que passem, temos tendência a ver os nossos pais sempre da mesma forma, como se esses anos não passassem por eles, ou passassem, mas eles continuassem iguais, sem se notar a passagem do tempo.

Sempre vi o meu pai como uma pessoa activa. Alguém que não consegue estar quieto ou parado muito tempo no mesmo sítio. Alguém que gostava de fazer longas caminhadas.

Mas o tempo, as asneiras, os vários acidentes que foi tendo desde novo, não perdoam.

E, hoje, aliadas a alguns problemas já existentes, condicionam-lhe os movimentos e a vida, provocam-lhe dores, dificultam-lhe as tarefas mais básicas e, ainda assim, volta e meia, lá insiste em fazer mais alguma "asneira" para a qual o seu corpo já não está preparado. 

Depois, os ossos, os músculos, os tendões, tudo se ressente.

E a memória começa a pregar partidas.

Afinal, são quase 80 anos.

 

E a minha mãe?

Mulher activa, também. Ultimamente, não tanto.

Fingimos não perceber, mas é um pisco a comer. 

Está magríssima, embora as calças disfarcem.

Mas levá-la ao médico? Só quase arrastada.

Diz que se sente bem. Que não precisa de fazer exames, nem ir ao médico.

As únicas consultas a que vai, são as de oftalmologia, em que é seguida por causa das cirurgias que fez à vista.

Não é mulher de se queixar, de mostrar dores, de fazer fitas. Guarda para ela.

Mas uma pessoa vai-se, aos poucos, apercebendo dos sinais da idade.

Um degrau que ela já tem dificuldade em subir ou descer sem ajuda. Algo que ela já demora a agarrar, não sei se por não ver bem, ou se por outro motivo.

Um dente ou outro que falta, e que lhe dificulta a fala.

Afinal, são 79 anos.

 

Que bom seria que os nossos pais estivessem sempre novos, apesar do tempo passar. 

Que tivessem sempre saúde, enquanto vivessem.

Mas se nem nós, muitas vezes, a temos, e andamos piores que eles, como podemos esperar que eles sejam mais valentes?

 

É assim a vida.

Sempre a dar sinais.

Sinais das parvoíces que achávamos que não iam ter consequências.

Sinais de que o nosso corpo não é de ferro.

Sinais de que o tempo não pára.

Sinais da idade, que avança a cada ano que passa, para todos nós, e para eles também.

 

 

 

 

Sou, cada vez menos, uma boa ouvinte...

A diferença entre ouvir e escutar.

 

 

... quando isso significa ouvir, repetidamente, as mesmas coisas, as mesmas frases, as mesmas palavras, as mesmas queixas, os mesmos problemas, as mesmas lamentações, os mesmos planos que nunca passam da teoria à prática, as sucessivas mudanças de aspirações consoante o dia, as mesmas conversas que se fazem só porque sim, a constante necessidade de atenção.

Acho que essa pouca apetência para ouvir vem, a par com a falta de paciência, com o avançar da idade.

 

À primeira e, eventualmente, à segunda conversa, ainda consigo, realmente, ouvir, escutar e, eventualmente, aconselhar ou apoiar.

A partir daí, esqueçam. Ouvir o mesmo vezes sem conta, e ter que dar o feedback que esperam, outras tantas, não é para mim.

Às tantas, desligo, e já não estou a prestar atenção nenhuma. 

Por vezes, se me parece que a conversa está a ir pelo mesmo caminho, e tenho confiança com a pessoa em causa ainda alerto "outra vez isso" ou "já no outro dia falámos disso". Nem sempre a conversa iria parar ao mesmo, mas o meu sistema de alarme dispara logo.

Já com quem não tenho confiança, deixo apenas de prestar atenção.

 

E quanto mais insistem, menos paciência tenho, menos oiço, e menos vontade tenho de conversar.

Por exemplo, de há uns meses para cá, já nem sequer atendo o telemóvel a um tio meu, porque sei que, sempre que me liga, a conversa é sempre a mesma. Fico-me por uma mensagem, de vez em quando.

O meu marido até me diz: Porque é que não atendes? Ele não deve ter com quem falar.

E eu respondo: Não sou psicóloga! Uma pessoa fala uma, fala duas, fala três vezes, as coisas não mudam, o outro não quer saber do que dizemos, então corta-se.

 

Pode parecer muito radical, muito brusco, mas existem pessoas que abusam, que nos sugam toda a energia, que nos alteram de forma negativa a disposição e o humor.

Podemos até ajudar as primeiras vezes mas, depois, se não fizermos esse corte, estamo-nos a prejudicar mais, do que a ajudar os outros.

 

 

 

A segurança está dentro de nós, e não nos outros!

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Soube esta semana, que o cantor Armando Gama tinha sido detido, acusado de violência doméstica pela companheira, 34 anos mais nova que ele.

"A mulher do artista denunciou o clima de coação psicológica a que Armando Gama alegadamente a sujeitava, não a deixando arranjar emprego ou relacionar-se com os amigos. Também há denúncias de alegadas agressões físicas, na presença da criança." 

 

Antigamente, as mulheres preferiam homens mais velhos porque, diziam elas, ofereciam mais segurança, para além de uma maior maturidade.

Hoje, os tempos são outros e, é vê-las, mais velhas, a preferir rapazes novos, que lhes saibam dar valor, que mostrem que, apesar da idade, ainda são desejadas e apetecidas pelos mais jovens.

 

Já os homens, sempre tiveram a tendência a manter relações com mulheres mais novas. Noutras épocas, por tradição, pela regra ditada na altura, dentro da sociedade em que viviam.

Hoje, porque querem sentir-se novamente jovens, e saber que as mulheres mais novas ainda estão ali aos seus pés, mesmo quando as mais velhas já não mostram qualquer interesse.

No fundo, tudo se resume a optar por relações em que sintam segurança, que lhes elevem a autoestima, que os façam sentir, a eles, uns D. Juans e, a elas, as poderosas.

 

Mas, depois, com essa diferença de idades, acabam por vir à tona, mais cedo ou mais tarde, as incompatibilidades, as consequências.

Um homem que tem uma mulher mais nova ao seu lado deveria sentir-se, inicialmente, bem, mas acaba por meter na cabeça que, sendo mais nova, vai acabar por o trair com alguém da mesma idade. Torna-se inseguro, desconfiado. Vai começar a querer controlar a vida da companheira, a limitá-la, a sufocá-la e, em último caso, chegamos à violência doméstica.

Da mesma forma, se essas mulheres mais novas procuravam segurança e maturidade, acabam por encontrar precisamente o oposto, nos homens com quem estão.

E o mesmo no caso das mulheres, com rapazes mais novos. Também se podem tornar possessivas, controladoras, manipuladoras, arruinando as relações. 

 

Porque a verdade é apenas uma: não adianta procurar nos outros, aquilo que nós próprios não temos!

Se não somos pessoas seguras, se não prezamos o respeito, se não confiamos, se não temos uma boa autoestima, se não acreditamos em nós, se não nos sentimos bem com a pessoa que somos, com o nosso corpo, com a nossa forma de estar na vida, não serão os outros a dar-nos isso.

E depender dos outros para nos dar aquilo que não conseguimos encontrar dentro de nós, só nos fará mais mal, que bem. Porque essa dependência será, por certo, usada contra nós, quando menos o esperarmos.