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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Devaneios

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Todos lhe diziam que deveria aproveitar a vida.

Viver cada dia como se fosse o último.

 

No entanto, os dias repetiam-se. Um após o outro.

Por semanas. Por meses.

As mesmas pessoas. Os mesmos lugares.

As mesmas responsabilidades e obrigações.

 

Começara, aos poucos, a perder o entusiasmo.

A garra. A inspiração.

 

Ansiava por algo novo.

Que lhe desse um novo alento.

Que lhe despertasse, novamente, o prazer pelas pequenas coisas.

 

Sabia que lhe faria bem uma mudança.

Sair dali. Nem que fosse por uns dias.

Sabia, também, que nunca o faria.

 

Eram, apenas, devaneios.

Pensamentos que lhe vinham à mente para fugir ao marasmo da sua vida.

Como quem se apresenta, de malas aviadas, na estação, mas limita-se ver o comboio partir, sem nunca entrar nele.

Quem sabe se na esperança de que, apenas por estar ali, algo mudasse.

E a magia acontecesse.

 

Talvez lhe bastasse a ilusão.

Talvez lhe faltasse a coragem.

Talvez ainda não fosse o momento.

Ou, talvez, já o tivesse deixado passar.

 

 

 

 

Coisas

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Há coisas que, quanto mais tempo nos privamos delas, menos sentimos a sua falta.

Mais nos habituamos a não as ter.

Menos necessidade temos das mesmas.

 

Talvez seja um sentimento ilusório.

Porque, muitas vezes, quando temos a oportunidade de experimentá-las de novo, percebemos que, afinal, ainda gostamos delas.

Que ainda nos sabem bem.

Que nem sabíamos que nos faziam falta.

 

Ainda assim, com algumas dessas coisas, sabemos que é diferente.

É certo que as adoramos. 

Que não queremos que deixem de fazer parte da nossa vida.

Que esperamos que, de vez em quando, possamos usufruir delas, aproveitá-las ao máximo.

Mas não permamentemente. 

 

Como se esse tempo já tivesse passado, e não voltasse mais.

Como se fosse mais prejudicial, do que saudável, ou até extenuante, lidar com elas todos os dias.

Há coisas que nos sabem bem apenas em determinados momentos, porque é nesses pequenos momentos que elas se tornam especiais.

 

Como se fosse um presente.

Algo que apenas apreciamos verdadeiramente, porque é esporádico e, por isso mesmo, lhe damos mais valor.

Mas que sabemos que, regularmente, o perderia. Seria apenas algo banal. 

 

E, com outras, talvez nos estejamos apenas a enganar.

Talvez não as queiramos a tempo inteiro, por receio de nos habituarmos a elas de novo, e de não conseguirmos abrir mão delas.

Talvez seja mais fácil acreditar que não nos fazem falta, não as tendo, do que sentir a sua falta, tendo-as.

Ou talvez estejamos sob um feitiço, ou anestesia, cujo o efeito facilmente se quebra quando nos voltamos a deparar com elas.

 

 

De nada vale a capacidade de alguém, contra a sua natureza

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De nada vale a capacidade de alguém, em fazer algo se, depois, na prática, simplesmente não o faz.

Não por não ter capacidadade para tal, assim o queira.

Mas porque, no seu dia a dia, é algo que lhe passa ao lado.

Algo de menor importância.

E que, facilmente, cai no esquecimento.

 

Porque, no fundo, de nada adianta mostrar uma capacidade para algo, se não é da própria natureza da pessoa fazê-lo naturalmente.

E se é forçado, ou com o objectivo de provar algo a alguém, não vale a pena.

É apenas uma ilusão.

Que depressa será desmascarada.

Voltar atrás: coragem, ilusão, cobardia ou imaturidade?

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É legítimo que alguém, depois de tomar uma determinada decisão, queira voltar atrás na mesma?

Sim. 

 

Acredito que, enquanto humanos em constante evolução e aprendizagem, estamos sempre a tempo de mudar de ideias, de opinião, de voltar atrás numa decisão que, na altura, nos parecia a mais correcta mas, agora, parece apenas errada ou precipitada.

Visto assim parece, até, um acto de coragem. Alguém que não se deixa guiar pelo orgulho ferido, e tem a coragem de voltar atrás na sua decisão. Alguém que tem a coragem de assumir sentimentos, e de arriscar, ainda que o resultado não seja o esperado.

 

No entanto, e dependendo muito do contexto, e do momento, querer voltar atrás parece-me uma mera ilusão, a que as pessoas se querem agarrar.

Acreditar que se pode mudar o que nunca se mudou, até então. 

Acreditar que se podem mudar feitios e personalidades, que fazem parte da pessoa.

Acreditar que podem ser felizes, anulando-se, e àquilo que, ainda há uns dias atrás, desejavam para a sua vida.

 

Ou, até, uma certa cobardia, quando acontece ainda antes de colocar em prática a dita decisão.

Talvez por medo de enfrentar as consequências da mesma. 

Quando chega o "momento da verdade", assustam-se e recuam. 

Com medo das responsabilidades, do trabalho, e do risco que essa decisão acarreta.

 

E isto, de alguma forma, não deixa de soar também a uma certa imaturidade, sobretudo emocional, para consigo mesmo, e para com os outros.

Porque tenho para mim, sempre com a legitimidade de voltar atrás, que há decisões sérias demais para se tomar de ânimo leve e, como tal, quando verbalizadas, e tomadas, devem ser decisões seguras e, realmente, sentidas.

E, até aceito que esse "voltar atrás" seja equacionado quando a decisão já está a ser posta em prática. Quando já se experienciou os dois lados da questão.

Porque já houve tempo para reflexão.

 

Agora, decidir algo em conjunto, aparentemente, ciente do que isso implicava e, sem que nada o fizesse prever, exprimir que, afinal, não é isso que quer, sem que nada tenha mudado? 

Quando o outro já avançou, já se "formatou" e mentalizou para a nova realidade?

Quando o outro já considerava essa mudança certa?

 

De certa forma, parece que se anda a brincar.

Com as pessoas.

Com os sentimentos.

Com as relações.

 

Principalmente, quando a decisão, ainda que tomada em conjunto, foi puxada por aquele que agora volta atrás.

Sobretudo, quando já não é a primeira vez que o faz: voltar atrás nessa decisão que levou a ser tomada.

E se isto se torna sistema?

E se se começa a banalizar tanto uma decisão, que chega a um ponto que deixa de ser credível?

 

 

 

 

 

 

Varrer o "lixo" para debaixo do tapete

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Quantas vezes varremos o lixo para debaixo do tapete?

Ou porque não nos apetece, ou porque não conseguimos, deitá-lo fora naquele instante?

Quantas vezes varremos o lixo para debaixo do tapete, porque não queremos lidar com ele naquele momento? Porque queremos fingir que a casa está limpa?

Ou porque queremos acreditar que, se não o virmos, é porque ele não existe.

Mas não vale a pena fazê-lo.

Porque, mais cedo ou mais tarde, o tapete levanta, e o lixo volta a aparecer.

E a espalhar-se.

E a sujar tudo de novo.

Porque, no fundo, ele sempre esteve lá.

Só fazíamos de conta que não.