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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Pensamentos para combater a inércia

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Como já aqui referi algumas vezes, o Natal tem cada vez menos significado para mim, e tornou-se uma estação na qual vem ao de cima o meu mau-humor, a irritação, o desprendimento das celebrações e a inércia.

Cada vez se monta a árvore de natal mais tarde, cada vez há mais dificuldade em pensar em prendas e menos dinheiro para comprá-las, cada vez a família se junta menos, cada vez a época de festas se transforma mais em dias e noites banais.

No entanto, dei por mim, um dia destes a pensar:

 

"Chega!

Vamos lá combater esse desinteresse e apatia pelo Natal, e fazer tudo como manda a tradição!

Vamos lá contrariar esse espírito negativo, e animar.

Vamos lá montar a árvore de natal e enfeitar a casa.

É o primeiro Natal sem a Tica, sim. Mas é o primeiro Natal da Becas e da Amora, e elas também merecem.

Não estás com a tua filha no Natal, é certo. Mas estás com ela nos dias antes, e só têm é que aproveitar esses momentos.

Não vais para grandes festas, é verdade. Mas isso não significa que não te ponhas bonita, mesmo que seja para ficar em casa.

Não te apetece minimamente sair de casa para celebrações. Mas lembra-te daqueles anos em que escolhias "aquele" vestido da montra da loja para a passagem de ano, em que ias divertir-te, e aproveita enquanto cá estás, porque a vida é curta.

Não estás com a tua filha na passagem de ano, mas podem sempre fazer um programa especial antes, e festejar como se fossem as últimas horas de 2016. E no dia de Ano Novo, finalmente, estarão todos juntos!"

 

Sim, todos eles pensamentos motivadores e positivos, como se quer!

Pena que ainda não tenham levado a melhor contra a inércia que me contagiou, e que teima em vencer mais uma vez.

 

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Será algum vírus primaveril?

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A primavera costuma trazer consigo a alegria, a boa disposição, a serenidade e um novo ânimo, a quem acaba de sair de um inverno que não deixa saudades.

A natureza muda, as flores renascem, os pássaros voltam, o sol aquece e a sua luz ilumina o cenário.

Mas nem sempre as coisas funcionam assim. Nem sempre o nosso estado de espírito acompanha esta transformação. Por vezes, dá-se o inverso.

Há dias assim, é verdade. E, nesta semana, os dias têm sido assim: falta de energia, falta de motivação, inércia e apatia, por um lado, e irritabilidade, impaciência e stress em exagero, por outro.

Dias em que tanto pareço um vulcão em inactividade, extinto há vários anos, como uma bomba prestes a rebentar. Porquê? Não faço ideia!

Ontem, por exemplo, enervei-me por causa de uma sopa! Porque tive que correr Mafra inteira à procura de uma sopa que me agradasse (o café onde costumo comprar estava encerrado) e, quando o meu marido encontra a dita cuja, estivemos quase 15 minutos à espera dela! Sim, estavam duas pessoas na cozinha sem fazer nada e um funcionário cá fora a pedir licença a um pé para mexer o outro. E só ao fim desse tempo se dignaram colocar então uma sopa, caríssima por sinal, dentro de uma caixa para nos dar! 

Também não ajuda o regresso da minha filha às aulas, o voltar a acordar ainda mais cedo, a correria ao almoço e as jornadas de estudo que vêm a caminho.

Mas não consigo apontar um motivo concreto para este estado de espírito que me atingiu. O que é certo é que ando cada vez mais a "ferver em pouca água", a reclamar, a enervar-me, e a sentir-me cansada, exausta e sem forças. Noto que nem aquelas coisas que antes me davam motivação parecem produzir o mesmo efeito.   

E parece que andam por aí mais pessoas com sintomas parecidos. Será algum vírus primaveril? 

 

 

Bullying? O que é isso?

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"O mundo é um lugar perigoso, não só por causa daqueles que fazem o mal, mas também por causa daqueles que observam, e deixam o mal acontecer."

 

"Bullying?"  

"O que é isso?"

"Cá não há nada disso."

"São jovens, têm que resolver as coisas entre eles."

 

Por incrível que pareça, ainda se ouvem muitas vezes estas e outras expressões similares quando falamos de bullying.

A propósito de um documentário sobre o bullying nas escolas, dizia o meu marido que as coisas agora estão melhores. Diferentes, acredito, Melhores, tenho dúvidas.

Na escola da minha filha foi-nos dito pelo director de turma, que nós, pais, não devemos minimizar as situações, que devemos estar atentos aos sinais e agir, ainda que por mero descargo de consciência. E aos alunos, foi dito para não terem medo, para conversarem com os professores, para denunciarem, para não temerem. Até existe uma espécie de caixa do correio onde as vítimas de bullying podem colocar por escrito os seus problemas, de forma anónima.

Se, na prática, as medidas funcionam? Não faço ideia. Mas, pelo menos, assumem que o problema existe e que, teorica e aparentemente, se preocupam com ele. Porque o bullying existe, não é uma brincadeira de crianças, magoa, faz sofrer e pode levar ao suicídio, como já aconteceu.

Nesse documentário que referi, diziam os representantes das escolas: "Não podemos evitar que eles falem, não os podemos vigiar 24 horas por dia..." ou então "São os pais que devem falar com os filhos em casa". E assim se desculpam pela inércia, e lavam as mãos.

Uma das cenas que mais me irritou, foi ver uma directora chamar dois alunos (vítima e agressor), e pedir que dessem um aperto de mão para resolver o assunto. O agressor estendeu a mão. A vítima, no início, não. Depois, fê-lo contrariado. A directora, considerou que o comportamento da vítima não era correcto, que o aperto de mão não tinha sido sincero, e chegou mesmo a afirmar que a vítima, ao agir dessa forma, estava a ser igual ao agressor!  

Como é possível ouvir alguém dizer isso? Então era suposto a vítima, que todos os dias sofre, é humilhada e agredida, aceitar um aperto de mão "para inglês ver" como pedido de desculpas, sabendo que nada ficou resolvido? Que tudo vai continuar igual? A vítima é que é a "má da fita"? A vítima é que tem de se rebaixar ainda mais? É inadmissível!

Uma outra família, falava do seu filho de 13 anos. Anos esses que não têm sido, de todo, fáceis. Cada dia que vai para a escola, é um inferno. Cada dia que regressa a casa sem que lhe tenha acontecido nada, é uma benção, um "respirar de alívio". 

Num outro episódio, uma estudante do quadro de honra, desportista com várias medalhas e prémios, vítima de bullying, foi presa por sequestro de 25 crianças quando, num acto desesperado e depois de provocada, decidiu apontar uma arma (que tinha levado de casa) aos alunos que se encontravam com ela no autocarro.

O mais grave, foi o de um menino que não aguentou, e se enforcou no seu quarto. Dizia o pai que compreendia o que tinha levado o seu filho a fazer isso. Actos como roubar a roupa do filho enquanto ele estava no balneário e obrigá-lo a andar nu pela escola, e muitos outros, são pura violência psicológica e que podem destruir qualquer jovem.

Mas, afinal, qual é a origem do bullying? Como é que tudo começa? Será que quem pratica bullying já traz essa prática implantada no seu carácter, na sua personalidade? Será que a educação que recebeu o instruiu para isso? Ou será que se aplica aquele ditado de que "por detrás da pessoa que fere, há sempre uma pessoa ferida"?

E como é que se pode combater o bullying? Ajudar as vítimas? Quem pode fazer o quê?

Acima de tudo, devemos ouvir as vítimas. Saber ouvir, compreender e dar apoio.

Porque se as pessoas, principalmente aquelas que estão mais próximas e que deviam ajudar, minimizam o problema, ignoram, desdramatizam e viram costas, as vítimas fecham-se, calam-se, guardam para si, sofrem sozinhos, e isso pode levá-las a atitudes extremas.

E a responsabilidade deverá recair não só sobre quem praticou, mas também sobre quem viu e nada fez para ajudar. 

Como disse Albert Einstein, "O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer".

 

 

 

Fazer a diferença


"Numa manhã de verão, andava um menino na praia a devolver ao mar as estrelas do mar, que as ondas insistiam em trazer de volta para a areia. E assim, com paciência, passou algum tempo até que um turista, que o tinha estado a observar, lhe perguntou porque fazia aquilo. É que a praia era tão grande que ele jamais conseguiria levar adiante, e com sucesso, a sua tarefa. Por isso, não faria diferença devolver meia dúzia delas. Mas o menino respondeu-lhe: talvez em relação à praia toda não faça, mas para aquelas que eu conseguir devolver fará uma grande diferença!"


Embora as pessoas estejam mais informadas e sensibilizadas para determinadas problemáticas, e demonstrem uma maior vontade de agir, fruto de uma evolução da sociedade em diferentes níveis, a verdade é que existem igualmente muitos cidadãos que preferem não agir, não interferir, ignorar, fechar os olhos e viver a sua vida preocupando-se apenas com o que, de forma directa, lhe diz respeito e afecta.

Vivemos numa sociedade muito centrada no "eu". Daí que, muitas vezes, aquelas pessoas que não compartilham desse princípio, fiquem com a sensação que sozinhos, pouco ou nada podem fazer face a uma determinada realidade.

Ainda assim, sendo a sua intenção tão nobre e tão valiosa, não devem deixar que, o facto de não haver mais pessoas a agir, as impeça de fazerem a sua parte.

Mesmo que não seja suficiente, pelo menos tentaram. Não perderam a esperança e lutaram por aquilo que acreditam e acham correcto.

Sozinhos, podemos não fazer muito, mas esse pouco pode fazer a diferença. E quem sabe se outras pessoas, ao nos verem tomar a iniciativa, não nos seguem o exemplo? Alguém tem que ser o primeiro! Se tivermos ajuda, melhor. Se não, pelo menos agimos de acordo com os nossos princípios e valores.

Por outro lado, somente quando "penetramos" e nos envolvemos nas realidades que nos rodeiam, podemos formar juízos de valor e emitir opiniões mais justas. Quem opta por ficar do lado de fora, nunca poderá falar com justiça e veracidade daquilo que não conhece.

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